FUNDAÇÕES OUREANA E D. MANUEL II PROMOVEM CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE AS RELÍQUIAS DOS SANTOS E O DIREITO

A Fundação Histórico – Cultural Oureana através dos Departamentos; Regalis Lipsanotheca (Apostolado de Relíquias) e o Real Instituto para a Arqueologia Sacra, em parceria com a Fundação D. Manuel II, promove em Abril, a primeira Conferência Internacional sobre as Relíquias e o Direito. O encontro inédito é organizado pela Conferência De Saint-Yves, uma Associação de Juristas Católicos do Luxemburgo.

É pretensão dos organizadores da Conferência e seus Patronos e Parceiros, discutir pela primeira vez o Direito Consuetudinário, o Direito Civil e o Direito Canônico no que diz respeito às Relíquias Sagradas.

Para o Perito em Relíquias, Carlos Evaristo, Presidente da Fundação Oureana e Fundador da Regalis Lipsanotheca “a realização desta Conferência é um marco histórico no Culto das Relíquias Sagradas pois as leis que regulavam a distribuição, conservação e exposição dos restos mortais do Satos e seu pertences eram canónicas mas também civis. Relíquias Insignes eram até usadas nos Tribunais para se fazerem juramentos durante julgamentos, e essa prática foi posteriormente substituída pela Bíblica como Relíquia da Palavra de Deus. Relíquias até estão na origem das primeiras regras de trânsito decretadas pelos Papas nos anos Santos. E uma necessidade divulgar as leis e normas atuais para o Culto das Relíquias que a maioria das pessoas desconhecem mas é importante também se criar leias civis para a proteção das mesmas pois não são somente Património da Igreja mas também da Humanidade. Leias civis e canónicas para combater o trafego, venda e falsificação de Relíquias é outro tema importante a debater. Há muitos anos que combatemos estas três atividades, quer através de denuncias e apoio à Interpol, quer com normas que a Santa Sé adotou depois do nosso apostolado as sugerir. O nosso Co-Fundador e Delegado nos EUA Thomas Serafin também conseguiu implementar normas no ebay que proíbem a venda de restos mortais embora os vendedores sem escrúpulos metem e assim contornam a proibição. Existe também uma proposta do nosso Delegado no Brasil, Fabio Tucci Farah, para legislação que reconheça o direitos à dignidade das Relíquias Sagradas, não só como os tesouros culturais que jamais deveriam ser vendidos, mas também como restos mortais que merecem respeito pelo sentido religioso e a dignidade humana que lhes é devido. É digno de louvor esta iniciativa da Associação de Juristas Católicos de Luxemburgo e do Presidente e organizador Dr. William Lindsay Simpson.” 

A Conferência terá lugar na Terça-feira, 27 de Abril de 2021, com início às 18h30 horas locais, na Igreja Saint-Michel, na Rue Sigefroi, na Cidade do Luxemburgo.

PROGRAMA DE INTGERVENÇÕES

As Relíquias dos Santos, formação costumeira de um DireitoPhilippe George, Curador Honorário do Tesouro da Catedral de Liège

A questão do comércio de Relíquias e as questões jurídicasPatrice Biget, Leiloeiro especializado na venda de Relíquias e Perito Judicial no Tribunal de Recurso de Caen

A Posição da Igreja em relação aos padrões aplicáveis ​​às Relíquias -Matthieu Bottin, Doutor em Direito, Advogado homologado pelo Tribunal eccl. de Marselha

Considerações FinaisCónego Eric de Beukelaer, Vigário Geral da Diocese de Liège

A Conferência tem o apoio da Arquidiocese de Luxemburgo.

INSCRIÇÕES: csy@cathol.lu
UM CERTIFICADO DE PRESENÇA SERÁ EMITIDO A TODOS OS PARTICIPANTES

19 de Fevereiro de 2021

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Ambulância entregue ao Ministério de Saúde de São Tomé e Príncipe

O Senhor Bispo de São Tomé e Príncipe entrega as chaves da ambulância ao Senhor Ministro.

Uma ambulância carregada com equipamento médico e cadeiras de rodas recolhida pela Real Confraria do Santo Condestável e enviada para a Diocese de São Tomé e Príncipe no passado dia 9 de Agosto de 2020, acaba de ser entregue ao Ministério de Saúde de São Tomé e Príncipe.

A entrega formal da viatura que vai agora servir os doentes do hospital nacional, foi feita no dia 12 de Fevereiro de 2021 pelo Senhor Bispo de São Tomé e Príncipe, D. Manuel António Mendes dos Santos, Patrono da Fundação Oureana.

O Ministro da Saúde, Dr. Edgar Neves que recebeu a viatura, agradeceu a todos quanto ajudaram a levar a ambulância de Itália até São Tomé e particularmente à Diocese e as Fundações Oureana e D. Manuel II.

O Ministro da Saúde, Dr. Edgar Neves lê o Auto de Doação da Viatura.

David Pereira, Carlos Evaristo e Jorge Gonçalves, em nome da Real Confraria do Santo Condestável, comunicaram a entrega ao Governo de São Tomé e Príncipe da Ambulância e em nome do Senhor Bispo relembraram também a generosidade da firma Amilcar Reis de Fátima, o trabalho de Fliorinda Marques de Mãos Unidas com Maria e especialmente o esforço do Dr. Angelo Musa da Real Academia Sancti Ambrosii Martyris, Delegado da Real Confraria do Santo Condestável / Real Guarda de Honra Departamentos da Fundação Oureana em adquirir a viatura em Itália.

O Senhor Bispo mostra ao Senhor Ministro os brasões das Fundações Oureana e D. Manuel II.

O Restauro da Ambulância foi patrocinado pela Fundação D. Manuel II e a firma Amilcar Reis de Fátima.

12 de Fevereiro de 2021

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Em Memória de Joel Pina, Amigo e Patrono da Fundação Oureana

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Joel Pina e seu amigo de largas décadas, Carlos Evaristo, durante as filmagens de uma entrevista para uma rubrica “do programa “Praça da Alegria!

É com triste pesar que a Fundação Histórico – Cultural Oureana acaba de tomar conhecimento da morte de um dos seus mais antigos colaboradores e Patronos; João Manuel Pina.

Grande devoto de Nossa Senhora de Fátima, o Mestre Guitarrista e Viola Baixo mais conhecido por Professor Joel Pina, era peregrino frequente do Santuário de Fátima nas décadas de 1980/90, visitando mensalmente todos os lugares sagrados das aparições de Nossa Senhora na companhia da sua mulher e mantendo essa devoção até depois do falecimento da mesma.

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Katia Guerreiro, Carlos Evaristo e Joel Pina
Na Sessão de abertura do 100º do Nascimento de Amália Rodrigues.

Conhecido por ter sido o músico que introduziu a viola baixo no Fado e por ter sido amigo e guitarrista de Amália Rodrigues, Rainha do Fado, o Professor Joel Pina recebeu as últimas homenagens da Casa Real Portuguesa e da Fundação Oureana numa Sessão Solene que teve lugar no Palácio dos Marqueses de Fronteira no passado dia 5 de Dezembro de 2020 e durante a qual recebeu a Grã-Cruz da Real Ordem de São Miguel da Ala e o Prémio de Carreira “Rei da Guitarra e Viola Baixo”.

Joel Pina, recebe do Senhor D. Duarte, o Prémio de Carreira da Fundação.

A uma semana de completar 101 anos, o artista que é figura indissociável da história do fado, faleceu esta noite pelas 21:30 horas, em casa de sua sobrinha e para onde tinha ido viver nos últimos meses, após ter tido alta hospitalar.

O Senhor D. Duarte de Bragança com o Professor Joel Pina e os Sobrinhos.

Sua Sobrinha; Ema da Graça Gonçalves Pina de Castro Navarro e os demais familiares agradecem desde já a atenção que todos os amigos tiveram com o tio durante a sua doença oncológica prolongada e que se agravou bastante nos últimos meses. A todos os amigos que manifestarem votos de pesar e de estima pelo seu querido tio, os sobrinhos agradecem comovidamente, informando que dada a situação pandémica que vivemos não haverá velório e a Missa de Corpo Presente e Funeral terá lugar no Sábado, 13 de Fevereiro, pelas 11:30 horas, no Cemitério de São Domingos de Rana.

O Senhor Dom Duarte condecora Joel Pina com a Grã-Cruz da Ordem de São Miguel da Ala.
Dom Duarte. Joel Pina. Carlos Evaristo e Humberto Nuno de Oliveira.

À Família enlutada e a todos os amigos de Joel Pina, o Senhor Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, Presidente do Conselho de Curadores e o Presidente da Direção Carlos Evaristo enviam as mais sentidas condolências.

R.I.P. Joel Pina

(1920 – 2021)

Nasceu no Rosmaninhal, uma aldeia do concelho de Idanha-a-Nova, a 17 de Fevereiro de 1920. e adoptou o nome artístico de Joel Pina e a interpretação da viola baixo para o seu percurso como músico profissional.

O nome de Joel Pina é indissociável da história do fado, seja pela contribuição fundamental que deu na integração da viola baixo no conjunto de instrumentos de acompanhamento do fado, seja pela qualidade interpretativa que o destaca no universo musical, desde que se profissionalizou em 1949 até hoje.

Através das emissões radiofónicas teve os primeiros contactos com o fado, ainda em criança e, com 8 anos, começou a tocar, quando o pai, numa viagem a Lisboa, lhe comprou um bandolim. Seguiu-se a viola e a guitarra. A sua aprendizagem foi autodidacta e pela observação dos outros, como próprio descreveu a Baptista Bastos: “na minha terra tocava-se muito e, então, via os outros e talvez por uma questão de intuição comecei logo a mexer na viola e a mexer na guitarra também.” (Bastos: 256).

Amália Rodrigues e Joel Pina.

Em 1938 mudou a sua residência para Lisboa e, como apreciador de fado, frequentava assiduamente o Café Luso. Nessa casa conheceu Martinho de Assunção que, em 1949, o convidou para integrar o Quarteto Típico de Guitarras de Martinho de Assunção. Deste conjunto faziam também parte Francisco Carvalhinho e Fernando Couto. É neste conjunto que Joel Pina se começa a dedicar à viola baixo e, nesta altura, que se profissionaliza como músico.

No ano seguinte passa a integrar o elenco da Adega Machado, com Francisco Carvalhinho, na guitarra, e Armando Machado, na viola. Neste ambiente Joel Pina começa a construir a presença da viola baixo no acompanhamento instrumental do fado, que até essa altura não era habitual. Vai manter-se no elenco desta casa durante 10 anos.

Em paralelo Joel Pina trabalhou como funcionário público na Inspecção Económica, iniciou esta actividade em 1961 e que manteve até se reformar.

No decorrer do seu percurso profissional foi um dos fundadores do Conjunto de Guitarras com Raul Nery, Fontes Rocha e Júlio Gomes. Este quarteto granjeou um sucesso extraordinário e foi um marco na interpretação musical do universo do fado. O conjunto surgiu por iniciativa de Eduardo Loureiro, chefe do departamento de música da Emissora Nacional, que convidou Raul Nery a formar um conjunto, com o intuito de apresentar na rádio, quinzenalmente, um programa de guitarradas. Em 1959 iniciaram-se as emissões regulares e o programa prolongou-se por 12 anos.

O Conjunto de Guitarras de Raul Nery “estabeleceu um conjunto instrumental maior para o acompanhamento do fado e para a execução do reportório instrumental ligado a esse género, contribuindo também para a formulação dos papéis musicais da primeira e da segunda guitarra, bem como da viola baixo.” (Castelo-Branco: 127). Para além das emissões radiofónicas e da gravação de inúmeros discos, o conjunto popularizou-se, também no acompanhamento dos mais carismáticos intérpretes de fado, nomeadamente Maria Teresa de Noronha ou Amália Rodrigues, entre muitos outros.

A partir de 1966 Joel Pina começa a acompanhar regularmente Amália Rodrigues, atividade que mantêm por três décadas até ao final da carreira da fadista. Com ela percorrerá os palcos de todo o mundo, em inúmeros espetáculos e digressões que passam, por exemplo, pelo Canadá, Estados Unidos e Brasil (diversas vezes), Chile, Argentina, México, Inglaterra, França, Itália (diversas vezes), Rússia, cinco vezes ao Japão, Austrália, África do Sul, Angola, Moçambique, Macau, Coreia do Sul.

A vasta carreira de Joel Pina torna quase impossível a tarefa de enumerar os fadistas com quem tocou e que continua a acompanhar. Para além das já mencionadas Amália Rodrigues e Maria Teresa de Noronha, marca presença na gravação de discos e espectáculos de fadistas como Carlos do Carmo, Carlos Zel, João Braga, Fernando Farinha, Nuno da Câmara Pereira, João Ferreira-Rosa, Teresa Silva Carvalho, Fernanda Maria, Celeste Rodrigues, Carlos Ramos, Lenita Gentil, Rodrigo e, mais recentemente, Cristina Branco, Joana Amendoeira ou Ricardo Ribeiro.

O seu percurso é reconhecido, Joel Pina foi condecorado com a Medalha de Mérito Cultural em Maio de 1992 pelo Estado português, em 2005, na Gala dos Prémios Amália Rodrigues, recebeu o Prémio para Melhor Viola Baixo no Fado e em 2006, na Grande Noite do Fado, o Prémio Carreira (Instrumentistas). Os elementos do Conjunto de Guitarras de Raul Nery foram homenageados, em 1999, no Museu do Fado, e reconhecidos com a Medalha da Cidade de Lisboa, grau ouro, em 2010.

Ao fim de mais de seis décadas de fado, Joel Pina continuava a “acompanhar, dar “chão”, dar a base a quem estava a cantar” (Joel Pina, 2006) e não restam dúvidas quanto ao significativo papel que desenvolveu para que a viola baixo fosse, como é hoje, parte integrante da base instrumental do universo musical do fado.

Fonte:“Fado” (2012), documentário de Sofia de Portugal Aurélio Vasques; Baptista-Bastos, (1999), “Fado Falado”, Col. “Um Século de Fado”, Lisboa, Ediclube; Castelo-Branco, Salwa El-Shawan (1994), “Vozes e Guitarras na Prática Interpretativa do Fado”, in Fado: Vozes e Sombras, Lisboa: Museu Nacional de Etnologia; Museu do Fado – Entrevista realizada em 21 de Setembro de 2006.

12 de Fevereiro de 2021

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Fundação Oureana apoia criação da APUrtica: Associação de Doentes com Urticária Crónica

Urticária Crónica Portugal updated their info in the about section.

Finalmente chegou o Dia depois de 2 anos de luta em que a APUrtica – Associação Portuguesa de Doentes de Urticária Crónica foi constituída!

Mónica Albuquerque, Vera Marques e Margarida Evaristo são três pessoas afetadas por esta doença autoimune que fundaram esta nova associação em representação de muitos Portugueses que sofrem desta doença rara e para que possam ter voz e informações precisas sobre o que é, e como deve de ser tratada, a Urticária Crónica.

É facto que muitos dos doentes que sofrem de Urticária Crónica passam por anos de “tratamentos cobaia” passando por médicos de várias especialidades até que a doença é finalmente diagnosticada para começarem a receber um tratamento eficaz.

A Associação Portuguesa de Doentes de Urticária tem por isso os objetivos de: a) Representar os doentes de Urticária em Portugal. b) Contribuir para melhorar a qualidade de vida dos portadores de Urticária, por todos os meios e através de todas as ações que se afigurem oportunas, tais como intervir junto dos organismos competentes para obter formas de apoio; c) Aumentar a visibilidade da Urticária Crónica (UC) em Portugal enquanto doença crónica, promover a educação pública sobre a Urticária Crónica e sensibilizar para o impacto que esta tem na qualidade de vida e nas atividades do dia-a-dia dos doentes; d) Promover o contacto e articulação entre as pessoas e famílias com Urticária Crónica, profissionais de saúde, investigadores e decisores políticos; e) Despertar o interesse para e colaborar na investigação, desenvolvimento tecnológico e inovação sobre esta patologia; etc.

A escritura de constituição da APUrtica – Associação Portuguesa de Doentes de Urticária Crónica foi lavrada no Cartório da Notária Maria João dos Santos Pereira em àgualva-Cacém no dia 11 de Janeiro de 2021, pelas 9 horas da manhã.

A seu tempo as Fundadoras responsáveis pela criação da nova Associação irão informar os seus membros dos próximos passos que se irão dar e que passa primeiro por se convocar uma Assembleia Geral para aprovação de Estatutos e Eleição dos Corpos Sociais, que dada a situação pandémica tudo indica que se realizará de forma Telemática (Online).

Na sua primeira reunião de trabalhos os responsáveis pela Associação informaram dos próximos passes a tomar e agradeceram a todas as pessoas que contribuíram com o seu tempo e donativos através do Crowdfunding para que este dia fosse possível! Venham os próximos passos!

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Mónica Albuquerque, Vera Marques e Margarida Evaristo com a Notária Maria João Pereira.
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Mónica Albuquerque, Vera Marques e Margarida Evaristo com a Notária Maria João Pereira.
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Mónica Albuquerque, Vera Marques e Margarida Evaristo com a Notária Maria João Pereira.
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Mónica Albuquerque
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Vera Marques
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Margarida Evaristo
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Mónica Albuquerque, Vera Marques e a Notária Maria João Pereira.
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Mónica Albuquerque, Vera Marques e Margarida Evaristo.
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Mónica Albuquerque, Vera Marques e Margarida Evaristo.

11 de Janeiro de 2021

FONTES: https://www.facebook.com/urticariacronicaportugal

FOTOS: Fundação Oureana

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A REGALIS LIPSANOTHECA: UM REPOSITÓRIO DE RELÍQUIAS E CENTRO DE ESTUDOS DE IMPORTÂNCIA MUNDIAL

A REGALIS LIPSANOTHECA

REPOSITÓRIO SAGRADO DE RELÍQUIAS DA FUNDAÇÃO OUREANA E CENTRO DE ESTUDOS DE IMPORTÂNCIA MUNDIAL

(Tradução de Excertos de uma entrevista com Carlos Evaristo)

A Fundação Histórico Cultural Oureana recebeu, no passado dia 31 de Outubro, doze lotes de Relíquias Insignes depositadas agora na Regalis Lipsanotheca (Museu de Relíquias inaugurado em 2000 e (re)inaugurado em 2018, no Castelo de Ourém)[1], por parte do Ministério da Cultura, ao abrigo de um Protocolo celebrado com a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), o órgão do Estado responsável pelo Património Cultural, em 2019 e ratificado a 23 de Janeiro de 2020.


[1] A Regalis Lipsanotheca foi construída no estilo de uma Capela de Relíquias do Século XVIII.

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Fátima Patacho, Carlos Evaristo, Jorge Gonçalves e David Pereira com os 12 lotes da DGPC.

Através de acordo complementar, assinado a 15 de Setembro de 2020, “considerando que a Fundação é detentora de um importante acervo histórico-artístico e de arte sacra” e “que entre o património da Fundação Oureana encontra-se a Regalis Lipsanotheca, que reúne a maior coleção de relíquias fora do Vaticano”, deliberou a DGPC na pessoa do Diretor-Geral Engº Bernardo Alabaça, “proceder ao depósito na Fundação Histórico – Cultural Oureana” de “um conjunto de 12 Relíquias (Insignes) a carecer de estudo e conservação” com “o objetivo de serem estudadas, restauradas e divulgadas”.

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Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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Rosto do Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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Vaso com Sangue de São Clemente, Mártir.
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Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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Carlos Evaristo examina o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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Carlos Evaristo e Jorge Gonçalves examinam um dos Simulacra.
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Carlos Evaristo e David Alves Pereira examinam um dos Simulacra.
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Simulacrum do Corpo de Santa Justina, Mártir.

Segundo o Presidente da Direção da Fundação Oureana, Carlos Evaristo, reconhecido perito em Relíquias Sagradas[1]; “tratam-se sobretudo de Corpos de Santos Mártires, mais concretamente, esqueletos armados, articulados e vestidos, naquilo a que comummente se designa de simulacra, e ainda, algumas colunas e maquinetas relicários provenientes de altares contendo outras Relíquias Insignes (crânios e ossos de grandes dimensões) de Santos”.


[1] Como perito Carlos Evaristo já foi chamado a fazer parte de oito equipas que criaram igual número de novas imagens simulacra para relíquias insignes e corpos de novos Santos da Igreja, no Canadá e nos Estados Unidos da América. Evaristo também deu pareceres na conservação e restauro de mais de quarenta relíquias insignes incluindo muitas destas imagens que guardam os ossos dos Santos ou que mascaram corpos incorruptos ou parcialmente incorruptos. Para além desta especialidade desde 1984 que já examinou mais de 450 corpos incorruptos, de santos ou pessoas com fama de santidade, catalogando os mesmos pelos diversos fenómenos naturais que levaram à incorrupção.

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O trabalho de acondicionamento das relíquias para transporte demorou largas horas.

Segundo o mesmo perito o primeiro grande desafio será descobrir a proveniência destas Relíquias que foram arroladas pelo Estado aquando da implantação da República. Só após esta fase se passará ao restauro das urnas relicários, e especialmente dos simulacra, que com a excepção de um, São Clemente, estão num estado muito avançado de degradação.

Da análise inicial resulta certo que haverá necessidade de recriar de algumas partes que encerravam a armação dos ossos, como as cabeças e máscaras mortuárias. Igualmente a limpeza e substituição de roupagem por tecidos de época se irá revelar uma intervenção delicada. Dado que muitas vezes os rostos, braços e pernas, eram ossos cobertos por máscaras de cera ou papier mâché para assim simularem corpos vestidos com trajes da época, todos estes acessórios terão que ser recriados utilizando técnicas e materiais da época (dos quais felizmente possuímos bastantes em armazém).

Os ossos terão que ser desinfectados, conservados, estudados, colados e reforçados com produtos que existem hoje no mercado para o efeito. Como só duas das urnas relicários possuíam costas; as de São Clemente e Santa Sabina, quase todos os simulacra se encontram muito danificados e os ossos bastante degradados por terem estado 110 anos expostos aos elementos. Alguns serviram mesmo de fonte de alimento para térmitas e grandes roedores que fizeram ninhos, repetidas vezes, nas imagens ao longo de um século e comeram até partes das mesmas, destruindo outras.

Carlos Evaristo: “Existe, também, uma arca relicário completamente vazia, desconhecendo-se o paradeiro do simulacrum e dos ossos. O mais provável é ter sido colocado numa urna para ossadas e guardado ou enterrado nalgum cemitério no tempo da primeira república como já verificámos ter acontecido em alguns casos. Vai ser um trabalho demorado mas muito gratificante de realizar.”

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Pormenor de tecidos de uma imagem Simulacrum.
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Pormenor de tecidos de uma imagem Simulacrum.
Simulacrum do Corpo de um Mártir por identificar.
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Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Justina, Mártir.
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Simulacrum do Corpo de Santa Sabina, Mártir
em Urna Relicário de madeira policromada e entalhada de estilo D. João V.
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Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Sabina, Mártir.
Pormenor da inscrição que descreve a proveniência do corpo e a exumação no ano 1756.
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Simulacrum do Corpo de Santa Irene, Mártir.
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David Alves Pereira remove cuidadosamente alguns elementos decorativos da Urna Relicário.

Os lotes da DGPC foram cuidadosamente acondicionados e transportados pelos Confrades do Apostolado de Relíquias[1], e irão ser agora intervencionados por uma equipa especializada da Regalis Lipsanotheca, que já colaborou com os Museus do Vaticano, diversos Santuários Católicos, Postuladores e outras Lipsanothecas Diocesanas.


[1] David Alves Pereira, Joana Evaristo, Jorge Gonçalves, José Gonçalves e Margarida Evaristo, coordenados pelos técnicos especialistas Carlos Evaristo e Fátima Patacho.

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Colunas Relicários.

Carlos Evaristo:”O primeiro passo antes destas relíquias serem colocadas em exposição permanente será um estudo levado a cabo no laboratório e atelier da Regalis Lipsanotheca, em Fátima e no Castelo de Ourém, para ser traçado o plano da conservação, restauro e reautenticação de cada peça.”

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O traslado da Urna Relicário com o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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O traslado da Urna Relicário com o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
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O traslado da Urna Relicário com o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.

Foram necessárias duas viaturas de transporte e um total de oito operários para se realizar a delicada operação de acondicionamento e transporte dos 12 lotes de relíquias de Lisboa para Ourém, um trabalho que foi cuidadosamente preparado com antecedência de meses. A recolha dos lotes realizou-se num fim de semana e durante a noite para não interromper as visitas ao Palácio e com especiais autorizações de circulação durante as mais rigorosas regras do estado de emergência da pandemia do Covid 19.

O agendamento do traslado dos doze lotes foi tratado pelo Director do Palácio Nacional da Ajuda, Dr. José Alberto Ribeiro, que propôs esta solução ao Ministério da Cultura, dando assim destino a estes lotes que há mais de 100 anos se encontravam armazenados no depósito do Estado, sem haver interesse durante esse tempo em os estudar, recuperar ou exibir. Ribeiro reuniu uma equipa de técnicos e funcionários para prestarem todo o apoio necessário à delicada operação de preparação e carregamento dos lotes[1].


[1] A organização desta operação contou também com a intervenção do Relações Publicas da Fundação Oureana, Bruno de Castro, representante da Fundação nas negociações. Para o transporte foi necessária uma apólice de seguro multirriscos especiais e uma força de segurança reforçada.

Os lotes de Relíquias Insignes hoje depositados na Regalis Lipsanotheca foram transportados do depósito do Palácio Nacional da Ajuda em Lisboa para a Ourém no passado dia 31 de Outubro, por coincidência, Véspera da Solenidade de Todos os Santos e um dia por tradição ligado à história do Culto das Relíquias[1].


[1] Foi nessa noite, em 1517, que o monge agostinho alemão, Martinho Lutero, afixou na porta da célebre Capela de Todos os Santos (que albergava uma importante colecção de relíquias do Príncipe de Wittenberg)em Wittenberg, as suas 95 teses contra as indulgências (Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum) um conjunto de protestos contra os abusos na Igreja incluindo os que se verificavam no Culto das Relíquias.

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Selos em lacre numa das Urnas Relicários.
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Selos em lacre numa das Urnas Relicários.

À chegada à Regalis Lipsanotheca todas as peças foram cuidadosamente verificadas para se apurar possíveis danos resultantes do transporte que felizmente não se registaram. Seguidamente, procedeu-se a duas intervenções de desinfeção e de tratamento de madeiras com térmitas, antes da remoção das relíquias para do restauro das urnas, arcas, colunas e outros relicários de suporte.

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A Regalis Lipsanotheca foi construída no estilo de uma Capela de Relíquias do Século XVIII.

Segundo Carlos Evaristo; “Durante trabalhos iniciais já se detetaram indícios de restauros malfeitos em tempos passados talvez para economizar ou atamancar numa época quando as Igrejas tinham poucos recursos para disponibilizar para restauros mais profissionais.”

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Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Justina, Mártir.
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Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Sabina, Mártir.

É o caso também de uma urna relicário para um simulacrum de uma mártir que já não existe e vai ser agora recriado. “Em vez do interior ter sido pintado ou retocado com cores originais, foi forrado com um papel de parede creme, dos finais do Século XIX. É o caso também de algumas partes das colunas relicários que foram pintadas de preto quando a tinta original era azul claro.” O azul, Carlos Evaristo garante; “era o que se usava muito à época pra decorar os interiores destas urnas relicários fabricadas em Portugal e até os oratórios. Foi sendo substituído, em restauros dos finais do século XIX, por papel de parede creme ou seda esticada e colada na madeira com uma cola feita de farinha, água e gordura animal que se chamava grude. Levava também vinagre `mistura pare depois não aparecerem manchas de bolores com a humidade.”

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Urna Relicário que havia sido forrada no seu interior e exterior com papel de parede.
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Pormenor da Cartola identificativa na Urna Relicário de Santa Vitória.
Pormenor da pintura azul no interior da Urna Relicário, após remoção do papel de parede.

Carlos Evaristo: “A remoção de camadas de tintas também revelou a alteração no nome de Santa Vitória; de Victória para Vittória e isto talvez na época da reforma ortográfica de 1910 – 1911, ou seja, pouco antes do arrolamento que levou ao depósito destas relíquias no Palácio da Ajuda.”

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Pormenor de relicário com pedaço de paramento ensanguentado de um Mártir do Oriente.

Carlos Evaristo: “É de devolver aos relicários o seu aspeto original, conservando, sempre que seja possível, os materiais originais, e quando isso não é possível, subsisti-los por materiais da época, guardando em arquivo, o que foi removido para estudos posteriores.”

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À chegada todas as peças foram verificadas , não havendo danos de transporte a registrar.
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David Alves Pereira procede à desinfeção e fumigação dos relicários recém chegados.

O ESTUDO DOS SIMULACROS DOS SANTOS

Simulacra Sanctorum é o termo oficial e antigo, em latim, pelo qual a Igreja Católica designa as imagens que simulam os corpos dos Santos para conterem as suas relíquias ou cobrir um corpo incorrupto ou parcialmente incorrupto.

Carlos Evaristo garante que é esse o termo correto, havendo, no entanto, técnicos do restauro que contestam esse termo tendo até inventado um outro: relicário antropomórfico. “Um termo errado dado por pessoas da área da conservação da arte sacra que na verdade desconhecem o Culto Religioso e Litúrgico das Relíquias. O termo relicário antropomórfico pode ser usado com os bustos relicários, relicários braço, relicários mãos, pés, pernas e coxas que guardam relíquias insignes com as figurações dessas partes dos corpos ou até os relicários para órgãos internos mumificados, mas não para os corpos relicários!”

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O Capelão Mor Rev. Padre Carlo Cecchin com a Relíquia Insigne do Dente de Santa Ana.

Nesta defesa do termo Carlos Evaristo é apoiado por vários peritos e colecionadores de relíquias de renome mundial, entre eles o latinista Padre Carlo Cecchin, co-fundador da Regalis Lipsanotheca e Capelão Mor do Apostolado de Relíquias. Cecchin garante que, “simulacrum é singular e simulacra é plural e são esses os termos corretos em latim dados a estes relicários que simulam o corpo humano. Mas há também quem lhes chame de simulacro no singular, e simulacri no plural, mas esses são os termos traduzidos para o italiano e que por vezes aparecem referidos em documentos escritos nessa língua. Já em inglês e português, diz-se simulacro e simulacros ou também simulacrum e simulacra como em Latim.”

As objeções de alguns conservadores é confrontada com as pesquisas de Evaristo que comprovaram definitivamente que o termo “Simulacra Sanctorum” é mesmo o que foi sempre usado oficialmente pela Igreja para descrever imagens que envolvem os restos mortais dos Santos. É o termo próprio, antigo e litúrgico da Igreja que descreve – Imagenes Reliquae Sanctorum – o que significa imagens que simulam o corpo e contêm relíquias de Santos ou representam os corpos sem relíquias ou colocadas sobre as mesmas.

O termo segundo Evaristo, aparece descrito em diversos documentos de autenticação de relíquias, chamados “Autênticas” e que datam dos séculos XVIII e XIX e descrevem relíquias contidas nessas imagens. Estes simulacra são feitos em cera, bronze, barro, gesso, madeira e pasta de papel. Evaristo descobriu que o termo era também oficialmente utilizado pela Sagrada Congregação dos Ritos (SCR) departamento que zelava pelas relíquias e que antecedeu a atual Sagrada Congregação para a Causa dos Santos.

Livros e documentos publicados pela Congregação referem o termo. É o caso de vários volumes publicados em Roma, em 1826, pela SCR que referem o termo em decretos emitidos até 1599 sob o título: “Decreta Authentica Congregationis Sacrorum Rituum Ex Actis Ejusdem, etc.”. Por exemplo, na página 245 do Índice, sob a letra “B” do Volume 7, há mesmo uma nota que reverte para uma outra secção e essa descreve o termo “simulacra” quando refere a um “baldaquinio” : “in quibis circumferuntur imagina simulacra reliquia sanctorum…” «imagens que simulam o corpo do Santo» com relíquias do mesmo.

Segundo o Padre Cecchin: “O baldaquinio em questão é aquelo que é levado em procissão e não um altar com um ciborium por cima (baldaquinio) com quatro colunas. A tradução do texto esclarece que o baldaquinio não deve ser usado em súplicas públicas (procissões) em que são trazidas imagens, simulacra, relíquias de santos, porque é uma dignidade que pertence apenas ao Santissimo Sacramento, e onde existe costume, mesmo às relíquias dos instrumentos da Paixão de N.J.C. assim declarou a Sagrada Congregação dos Ritos.” É a confirmaçãi de que só o Santíssimo Sacramento e as Relíquias da Santa Cruz devem de ser levadas debaixo de um pálio de varas mas não os simulacra ou as outras relíquias.”

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Considerado um dos maiores peritos da atualidade em Relíquias, Arqueologia Sacra e Iconografia Sacra, Carlos Evaristo, já dedica mais de 32 anos a estes temas e muitas das suas descobertas inéditas neste campo estão reconhecidas por membros da hierarquia da Igreja Católica responsáveis pelo Culto das Relíquias e dos Santos.

É o caso do Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos com quem Evaristo colaborou de perto em vários processos para a Canonização de Santos Portugueses. Realizou vários estudos como o de uma Bula do Papa Bonifácio IX que autenticou assim os ossos de São Nuno de Santa Maria encontrados pelo Arqueólogo Francisco Ferreira em 1996 no túmulo primitivo do Santo Condestável descoberto nas ruínas do Carmo em Lisboa. Foi alias Evaristo que entregou ao Cardeal Patriarca de Lisboa D. José da Cruz Policarpo, as relíquias distribuídas pela Postulação e por isso foi escolhido para portar o relicário com uma dessas relíquias de São Nuno ao Altar Pontifício durante a Cerimónia de Canonização realizada no Vaticano, a 26 de Abril de 2009.

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Carlos Evaristo porta a Relíquia de São Nuno na Cerimónia de Canonização no Vaticano.
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Carlos Evaristo porta a Relíquia de São Nuno na Cerimónia de Canonização no Vaticano.

Carlos Evaristo: “Por isso é que na maior parte dos casos, não pode considerar incorrupção milagrosa. Existem também técnicas de conservação artificiais, pouco conhecidas hoje, como a resinação dos corpos com a aplicação de uma mistura de resina de pinheiro, arsénico, mel e grude. A imersão do corpo em bagaço, o que estancava a putrefação ou a cobertura dos cadáveres com sal, nitrato ou colocação dos mesmos numa câmara, com ou sem fumo, como faziam os índios norte americanos e os aztecas, são outras técnicas que os Europeus importaram para a Europa nos Descobrimentos e aplicaram na preservação dos corpos dos Nobres e do Clero e ainda nas pessoas que morriam com fama de santidade. É algo semelhante ao que se faz ainda com o bacalhau e com os fumados, tais como o presunto. Há técnicas que resultaram em corpos incorruptos mas que não deixam vestígios visíveis e por isso há quem considere algo milagroso.”

Carlos Evaristo examinou o corpo incorrupto “resinado” de D. Lourenço Vicente e recomendou a sua exposição permanente na Capela dos Fundadores na Sé de Braga.
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Carlos Evaristo examinou vários Simulacra de Sacerdotes para a série “Mistérios da Fé”.

O trabalho de Carlos Evaristo com os simulacra e corpos incorruptos de Santos está também documentado em vários estudos e pareceres enviados para Dioceses e para o Vaticano, sendo que algumas das intervenções podem-se ver em documentários e séries Portuguesas, Francesas e Norte-Americanas.

Carlos Evaristo examina o Corpo Incorrupto de um Padre Claretiano natural do pais Basco.
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Carlos Evaristo junto ao Simulacrum de São Vicente de Paulo em Paris.
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Carlos Evaristo junto ao corpo incorrupto de São Torcato, um dos mais antigos do mundo.
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Carlos Evaristo examina um Corpo Incorrupto.

A CATALOGAÇÃO DOS SIMULACROS DOS SANTOS

Dada a abundância de simulacra no mundo e os dados existentes, Carlos Evaristo afirma com certeza que os Papas, desde o Século XVII, ordenaram a exumação e distribuição de mais de 20.000 ossadas completas de mártires que estavam sepultados nas Catacumbas de Roma e para os quais foram criadas um número superior de imagens relicários jacentes em forma de corpos. A razão para o número desproporcionado, segundo Evaristo, tem a ver com a prática da “multiplicação das relíquias” e daí havendo múltiplos corpos simulacra do mesmo Santo no mundo e até no mesmo pais o que criou dúvidas sobre a sua autenticidade e contestação por parte de comunidades religiosas.

A Multiplicação dos Santos e as Relíquias Místicas e Sobrenaturais

Dois testes de ADN (DNA) realizados pela equipa da Regalis Lipsanotheca já comprovam a teoria de Evaristo de que havia um mercado paralelo de Furta Sacra ou o roubo encomendado de relíquias em torno dos ateliers de fabrico de simulacra porque dentro de cada simulacrum devia de ter sido colocado um esqueleto completo de um santo mártir fornecido pelo Vaticano de acordo com os registos, mas de facto isso nem sempre acontecia. Muitos dos simulacra que Evaristo examinou estão incompletos, faltando muitos ossos do esqueleto humano e em alguns casos, não se encontrou osso algum.

Simulacrum de um Santo na forma de esqueleto armado e articulado, vestido e decorado.

Carlos Evaristo:” A roupa colocada no simulacrum é que é a relíquia porque foi previamente vestida ao simulacrum principal do mesmo santo, o que de facto continha suas relíquias ósseas. Depois de retiradas essas vestes eram oferecidas a outras igrejas para serem colocadas noutras imagens simulacra do mesmo santo. A nossa redescoberta desta prática antiga explica a distribuição abundante de vestimenta de santos mártires e até de cabelo dos mesmos, que a serem santos da era Romana, não podiam ser artefactos contemporâneas porque aparentam ser muito mais recentes. É o caso da abundante distribuição de vestidos e cabelo de Santas Filomena e Lúcia que se verifica no Século XIX com emissão de documentos de autenticidade, chamados de Autenticas. Estes documentos atestam que as relíquias são dás referidas Virgens Mártires mas são no entanto, objetos de contacto colocados nas imagens simulacra e por isso relíquias tocadas de terceira classe. Estas, porém, só podiam ser de primeira classe (partes dos corpos dos santos) ou de segunda classe (roupa ou objetos que pertenceram aos santos) como referem os documentos de autenticidade, se a sua natureza for visto no campo místico das subcategorias ou classes de relíquias a que chamo de relíquias místicas ou sobrenaturais. Estas são relíquias resultando de um contacto com um corpo ou simulacrum com ossos ou que resultaram de um milagre ou prodígio como por exemplo uma imagem vestida com peruca de cabelo humano que a Igreja confirmou ter falado com um santo ou que tomou vida como por milagre.”

Os registos mostram que há corpos de muitos mártires com o mesmo nome que foram exumados das catacumbas, mas para Evaristo a multiplicação de imagens dos mesmos mártires com esqueletos incompletos são superiores ao número de corpos exumados e o facto de existirem muitos com o mesmo nome no mesmo pais levou a suspeitar ter havido um mercado negro que retirava ossos de um esqueleto para simulacrum, colocados noutro simulacrum que os ateliers podiam assim vender a outra paróquia que não conseguiam obter um esqueleto inteiro da Santa Sé.

Havia também a partilha de ossos de simulacra entre igrejas, na mesma Diocese e por vezes com outras no mesmo pais. Em 1996, Evaristo descobriu que no caso do simulacrum de São Cândido, Mártir, o primeiro do género a ser exposto nos Estados Unidos da América em 1797 para a criação de um Santuário na Missão Californiana de São Francisco, foram os ossos desse santo, os primeiros a serem fornecidos às paróquias de todo o pais, para confeção de Pedras de Ara que eram Pedras de Altar que obrigatoriamente tinha de conter relíquias de mártires. Outras imagens simulacra do mesmo mártir foram também encontradas em várias paróquias cada uma contendo somente um pequeno fragmento de osso. Testes de ADN (DNA) revelou que eram todos provenientes do simulacrum original da Missão Californiana.

Simulacrum do Corpo de São Cândido, Mártir, venerado na Califórnia, E.U.A. desde 1797.

Como era obrigatório haver relíquias de mártires nos altares, Santuários e Basílicas maiores partilhavam ossos dos seus simulacra com as Igrejas menores ou capelas particulares da nobreza. Estas depois mandavam fazer Pedras de Ara e imagens de corpos. Como estas eram feitas localmente por artistas inexperientes, daí a diferença em estilo e qualidade quando comparados com os exemplares Italianos mais delicados e ricamente ornamentados.

Carlos Evaristo: “Assim se explica vários corpos simulacra dos mesmos Santos Mártires, que ao examinar o conteúdo não possuíam esqueletos inteiros mas só parciais e alguns que até possuíam somente um osso.”

Na Península Ibérica os simulacra de santos com os nomes tais como; Vicente, Clemente, Justina, Victoria e Sabina parecem ser os mais abundantes. Simulacra de São Clementes existiam várias; em Lisboa, no Porto e Braga.

Simulacrum do Corpo de um Mártir Romano.

A imagem simulacrum de São Clemente da Sobreda, por exemplo, foi enviada pelo Papa Pio VI a Jacinto Fernandes Bandeira, 1º Barão de Porto Covo da Bandeira (Viana do Castelo) em 1784, em agradecimento ao apoio que Bandeira deu no envio de Missionários da Sagrada Congregação da Propagação da Fé para Oriente.

Uma Autentica datada a 1893 refere: «vão do dito altar(-mor), sob a mesa e pedra d’ara, está collocada uma uma de madeira bem talhada, com enfeites e dourada e com vidro de cristal em duas peças na frente, a qual contém recostado sobre o lado direito com a cabeça sobre dois coxins de setim agaloados o Esqueleto inteiro do Corpo de S. Clemente Martyr» https://www.academia.edu/7221572/

Ficheiro:Joaquim da Costa Bandeira, Conde de Porto Covo (1860) - José Rodrigues.png
Jacinto Fernandes Bandeira.

Enquanto em Itália os fabricantes de simulacra eram principalmente artistas de cera plástica, em Portugal e em Espanha, a criação destes corpos com relíquias, era trabalho exclusivo de religiosas de clausura ou embalsamadores da Casa Real e dos Arcebispados.

Carlos Evaristo: “É o caso de imagens de culto régio como o simulacrum de Santa Mafalda em Arouca.”

Santa Mafalda ou Matilde, Região de Arouca, Distrito de Aveiro, Portugal –  Corpo Incorruptível | Segunda União News
Imagem Simulacrum de Santa Mafalda em Arouca.
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Carlos Evaristo encontrou pistas da Incorrupção do Corpo no túmulo primitivo da Santa.
Imagem Simulacrum de Santa Mafalda em Arouca que cobre o Corpo Incorrupto.

Carlos Evaristo: “Os exemplares de simulacra mais bonitos foram importados de Itália e têm os rostos cobertos por máscaras de cera ou papier-mache. Eram vestidos de trajes ricamente ornamentadas; os homens quase todos vestidos de soldados Romanos com armadura e as mulheres de Princesas Romanas. Já os exemplares criados em Portugal tentavam imitar o estilo Italiano, algumas bem conseguidas e outras não. Umas tinham vestes ricas e outras mais pobres. O mesmo se pode verificar com as urnas relicários. As Italianas são talhadas a ouro e a portuguesas muitas são em madeira envernizada ou pintada. As imagens mais pobres são mal proporcionados ou têm esqueletos armados e vestidos com as caveiras expostas com perucas feitas de cabelo humano. Estas últimas são de fabrico conventual.”

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Carlos Evaristo examina um Simulacrum com rosto de gesso.
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Carlos Evaristo examina um Simulacrum com rosto de cera.

Em três casos ficou comprovado por ADN que os ossos das três imagens simulacra de Santa Victoria, veneradas nos Estados Unidos, em Portugal e em Espanha, eram provenientes do mesmo corpo. Outro estudo entre duas imagens de São Vicente tiveram semelhantes resultados.

Houve também casos de relíquias de contacto feitas a partir de ossos humanos tocados às relíquias verdadeira. Estes ossos eram estranhamente embutidos com pequenos ossos embrulhados em papel ou pano vermelho, uma prática rara, mas comum em alguns conventos onde o fornecimento de relíquias insignes não conhecia escrúpulo, utilizando-se receitas medievais para multiplicar relíquias por contacto ou embutindo pedaços genuínos em ossos genuínos.

A existência de moldes em ferro para criação de ossos em gesso ou cera, à escala real, comprovam esta técnica que Evaristo defende em várias publicações uma prática que era corrente. Algumas imagens simulacra que Evaristo examinou, como também relicários que continham supostamente relíquias insignes, mas de facto nem continham ossos verdadeiros, mas por sua vez, ossos de gesso ou cera com pequenos fragmentos de uma relíquia genuína embutidos, serviam assim para exagerar a importância do conjunto escultural e atrair peregrinos e devotos aos mosteiros e conventos.

Carlos Evaristo: “É o caso também dos bustos relicários com as supostas cabeças de Santos Pedro e Paulo veneradas por cima do baldaquino do altar mor da Basílica de São João de Laterão em Roma. Quando os relicários medievais foram examinados pela primeira vez na década de 1970 por ordem do Papa Paulo VI, descobriram que só continham pequenos fragmentos dos crânios dos apóstolos e por isso eram relíquias das cabeças e não as cabeças. Esse facto ajudou a confirmar a autenticidade da cabeça de São Pedro redescoberta no Vaticano pois só faltavam pequenos pedaços ao mesmo.”

The Catholic Traveler on Twitter: "Saint John Lateran has an amazing  history, gorgeous art, awesome relics, and even a little crazy. But, my  favorite part…"
Baldaquino com os Bustos Relicários de Ss. Pedro e Paulo na Basílica de São João de Laterão.

Carlos Evaristo denominou de “Era de Relíquias e Relicários Exagerados” esta fase na evolução do Culto das Relíquias na Idade Média que descreve num estudo e parecer sobre “A evolução do uso de Custódias e Relicários na Igreja Católica.” Realizado em 1996 para a exposição dos Museus do Vaticano nos Estados Unidos; “From Saint Peter to John Paul II, the Legacy of the Popes” o estudo foi posteriormente divulgado em Português no livro de Martinho Vicente Rodrigues, publicado pelo Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém em 1998.

O Simulacrum de São Padre Pio tem uma máscara de poliuretano com cabelo humano. Foi esculpida a partir de fotos do corpo tiradas aquando do funeral e que cobre a caveira parcialmente incorrupta do Santo. As mãos incorruptas mas enegrecidas porém estão expostas mostrando o aspeto mumificado e tratado com produtos conservantes.

Carlos Evaristo: “Hoje os simulacra voltaram a estar na moda e são muitos os antigos que estão a ser retirados dos sótãos das igrejas e a ser restaurados ou a passar por upgrades. São cada vez mais os simulacra que tinham rostos e mãos de cera, gesso, barro, madeira, metal ou papier mache e que estão sendo agora substituídos por máscaras e luvas feitas de materiais mais modernos e que melhor simulam a pele natural. O latex, silicone e o poliuretano com cabelo humano manualmente inserido estão na moda e foram usadas nos simulacra recentes e bastante realistas de São Padre Pio e do Beato Carlo Acutis.”

Who was Carlo Acutis? A CNA Explainer - WORLD CATHOLIC NEWS
O mais recente Simulacrum da Igreja é o que encerra os ossos do Beato Carlo Acutis.

O recurso a técnicas que reconstroem os rostos com elevada naturalidade e precisão tem levado a que as pessoas erradamente considerem estes corpos de milagrosamente incorruptos.

Mas Carlos Evaristo explica que; “Há muito tempo que a incorrupção é vista como sinónimo de perfeição quando não é verdade são poucos os corpos de Santos que vimos sem máscaras que mantém um aspeto natural e agradável de um ser vivo. Muitos corpos incorruptos tão negros e ressequidos, completamente mumificados e só parcialmente incorruptos com partes do crânio expostas. É o caso dos cadáveres de Santos tais como o Santo Cura de Ars, São Jean Vianney, São Padre Pio, Santa Bernadette, e mais recentemente o Beato Carlo Acutis. São a beleza destas imagens artísticas que custam dezenas de milhares de euros, que vimos e não o que elas encerram que tem um aspeto muito mais macabre.”

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Foto que serviu de modelo para a máscara do Simulacrum que encobre o rosto esquelético.
A polêmica sobre o corpo “incorrupto” do Padre Pio

Na Regalis Lipsanotheca podem-se ver quatro imagens simulacra criadas recentemente pela equipa de peritos liderada por Carlos Evaristo e o Padre Carlo Cecchin. Algumas das máscaras floram realizadas pelo próprio Carlos Evaristo e outras, seguindo as indicações de Evaristo e Cecchin, pela artista Siciliana Stella Ciardo do estúdio Arte Cartapesta, um dos poucos ateliers ainda a fabricarem simulacra e peças para o restauro dos mesmos.

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Simulacrum da Irmã Lúcia na Regalis Lipsanotheca com Relíquias da Vidente de Fátima.
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Simulacrum do Papa Pio XII na Regalis Lipsanotheca com Relíquias do Servo de Deus.
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Carlos Evaristo e o Simulacrum de São Nuno por ele criado com máscara fiel à sua imagem.
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D. Duarte junto ao Simulacrum com a Bula Pontifícia do 10º Aniversário da Canonização.
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Simulacrum de Padre Pio, Patrono do Exercito Azul, na Regalis Lipsanotheca.
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Simulacrum do Padre Pio esculpido a partir de fotografias tiradas aquando do seu funeral.

Carlos Evaristo: “É também importante estudar outras relíquias que por vezes são veneradas juntamente com os simulacra. É o caso das arcas relicários com os ossos e dos vasos relicários supostamente contendo sangue dos mártires e que acompanham muitas vezes os ossos dos mesmos. São artefactos arqueológicos interessantes. Alguns têm mesmo sangue mas outros não o que para nós era um enigma.”

Carlos Evaristo: “Existe também na Alemanha e na Áustria uma versão mais macabra de Simulacra que são esqueletos de santos, armados e articulados com a caveira e os ossos adornadas de joias preciosas e semipreciosas em vez de serem cobertas por máscaras e luvas.”

Cálice de ouro com Sangue de Mártir nas mãos de imagem Simulacrum.

Mas para Evaristo o enigma está desvendado desde que descobriu quando trabalhava no Museu Real do Ontário, no Canadá que “os antigos Egípcios conservavam sangue dos Faraós em frascos canópicos de barro e misturavam o mesmo com oxide de ferro, mel e cera, produzindo assim uma mistura que solidificava mas que depois, podia-se liquefazar facilmente para servir o falecido rei na vida para além da morte e isto desde que fosse agitado, aquecido e o tempo não fosse demasiado frio para evitar que tal milagre ocorresse. Havia um ritual anual em que jarras com esse sangue do falecido Faraó eram depois levadas numa barca pelo Rio Nilo até ao Templo e agitadas e elevadas ao sol para liquefazerem e depois gotas do mesmo sangue deitadas ao Rio para fertilizar os terrenos agrícolas circundantes.”

Evaristo concluiu que “tal como as primeiras técnicas de preservação de corpos embalsamados foram importadas por Cristãos Egípcios para Roma e aplicados na sepultura dos Santos Mártires, também esta honra que era dada aos Faraós de preservar o sangue de forma que pudesse ser ludificado de novo, foi outra honra prestada aos heróis da Fé. Seu Sangue assim voltava a ter vida como se por milagre no dia da sua Festa anual. Não havia aqui nenhuma fraude mas um mistério da ciência que era era tido popularmente como milagre. Isto poderá muito bem ser o caso do Sangue Milagroso de S. Gennaro e de outros mártires venerados na Bahia de Nápoles que se liquefaz mas que nem sempre resulta devido às condições climatéricas e à pressão barométrica, algo que é tido como mau presságio.” Alguns potes de sangue dos mártires analisados pela equipa da Regalis Lipsanotheca revelaram conter vestígios destas composições antigas.

Etiqueta de um dos ateliers mais populares que fabricava Simulacra até finais do Século XIX.

PROJECTO SIMULACRA SANCTORUM

Carlos Evaristo: “O estudo do uso das relíquias na sociedade e particularmente dos simulacra é algo muito importante dado que as relíquias insignes e particularmente os corpos dos santos são também património cultural dos povos dado que muitas destas relíquias que hoje temos em catedrais, igrejas, Lipsanothecae e Museus estão na origem de muitas tradições, lendas leis e a posse das mesmas por Senhores Feudais até ajudaram a justificar para muitos Papas um sinal divino de reconhecimento na criação de reinos, muitos dos países que ainda hoje existem. Daí a importância do estudo e conservação das relíquias e dos simulacra que também existem noutras religiões desde a antiguidade e até em sistemas governamentais ateus o que é o caso dos corpos de líderes e heróis nacionais como Lenin, Mao e Evita Peron. Corpos mantidos com um aspeto perfeito com recurso a técnicas de conservação e mascaras de cera para assim serem idolatrados por gerações futuras.”

Páginas para estudiosos de simulacra já foram criadas no Facebook por José João Loureiro e Carlos Evaristo destinam-se ao estudo e partilha de informações, fotos e outros assuntos que dizem respeito aos corpos simulados de Santos, Mártires e outras figuras Cristãs (Simulacra), existentes e veneradas no Mundo e em Portugal.

Estes dois estudiosos escreveram juntamente com o Professor João Lameira da Universidade do Algarve, “Retábulos Relicários”, o Décimo terceiro volume da Promontoria Monográfica – História da Arte, que documenta muitos simulacra dando a conhecer a história do Culto das Relíquias e o património retabular português. O estudo abrange exemplares desta tipologia específica existentes em igrejas, não só em Portugal continental, Açores e Madeira, mas também em antigos territórios ultramarinos, nomeadamente, no Brasil e em Goa, com datas compreendidas entre o último quartel do século XVI e o século XIX.

RETÁBULOS RELICÁRIOS

https://www.bensculturais.com/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=105&category_id=5&vmcchk=1&option=com_virtuemart&Itemid=248

É ideia de Loureiro, Evaristo e Cecchin de se criar a maior base de dados sobre estes corpos relicários no mundo. As páginas por eles criadas no Facebook são as seguintes; Simulacra Sanctorum – Simulated and Masked Bodies of Saints in Christendom e Simulacra Sanctorum in Lusitania.

https://www.facebook.com/groups/205288253665181

https://www.facebook.com/groups/20576720361614

A Professora Eduarda Vieira da Universidade Católica (Porto)[1] é outra especialista a instalar-se recentemente no campo dos simulacra de santos e é também membro do Apostolado de Relíquias. e tem vindo a orientar outra membro recente do Apostolado que está a especializar-se em restauro de simulacra, a doutoranda Joana do Carmo Palmeirão[2], cujo projecto de investigação incide no estudo e inventário dos corpos dos Santos Mártires que vieram de Roma para Portugal entre os séculos XVII e XIX. O seu interesse surgiu de um estudo feito anteriormente ao simulacrum de Santo Aurélio, Mártir pertencente à Sé Catedral do Porto e que constituiu a sua dissertação de mestrado.


[1] Licenciada em História e especializada em Arqueologia pela Universidade Livre do Porto, Mestrado em Recuperação do Património Arquitetónico pela Universidade de Évora e uma Pós-graduação em Museologia pelas Universidades de Brno (Morávia, República Checa) e Autónoma de Lisboa. É Doutorada em Conservação e Restauro do Património Histórico-Artístico pela Universidade Politécnica de Valência (Espanha).

[2] Licenciada em Artes Plásticas – Ramo Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, 2008, licenciatura em Arte – Conservação e Restauro, Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), 2012, Mestre em Conservação e Restauro de Bens Culturais, Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), 2015. Frequenta, desde 2017, o curso de Doutoramento em Conservação e Restauro de Bens Culturais da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), através de uma bolsa de investigação financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Os registos dos milhares de corpos (ossadas) e relíquias insignes de mártires, removidas das catacumbas e fornecidas às Igrejas do mundo inteiro para fabrico de simulacra ainda existem, embora estejam dispersos. Um registo está nos Arquivos do Monsignor Sagrista localizados nos fundos do Departamento de Manuscritos da Biblioteca Apostólica Vaticana ou o chamado Archivio Apostólico Vaticano.

Segundo a investigação de Joana Palmeirão estes registos dos corpos sagrados exumados e distribuídos pelo Vaticano estão nos volumes Vat. Lat. 14 455 (5 de Janeiro de 1713 a 31 de Dezembro de 1717), 14 456 (1º de Janeiro de 1718-30 Junho 1720), 14 457 (1º julho de 1720-1º Agosto 1727), 14 458 (1º de Junho 1723-1744), 14 459 (20 de Junho, 1730-1757), 14 460 (1751-13 Março 1794), 14 461 (1782-Junho de 1816), 14 462 (1742-19 de Julho de 1894) e 14 463 (17 de Janeiro de 1848-1936). Cópias destes documentos já foram pedidas ao Vaticano pela Fundação Oureana na qualidade de Representação Oficial dos Patronos dos Museus do Vaticano cujo Gabinete para língua Portuguesa está sedeado na Regalis Lipsanotheca.

“Nos Arquivos da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos”, garante Evaristo, “assim como no registo da Sacristia Pontifícia, existem mais registos da distribuição de relíquias até aos nossos dias.” Este Oficio hoje a cargo do Sacristão da Basílica de São Pedro, foi chefiado, durante 40 anos pelo Arcebispo Petrus Canisius Jean van Lierde, O.S.A.. Van Lierde era amigo e Mentor de Carlos Evaristo e aceitou ser o primeiro Patrono do Apostolado de Relíquias que Evaristo fundou com a mulher em 1988. O Arcebispo de origem Belga foi o responsável máximo pelo Culto e distribuição de relíquias entre 1951 e 1991 como Vigário Geral da Cidade do Vaticano. Foi quem mais relíquias e corpos distribui nos nossos tempos e quem forneceu a Evaristo, gratuitamente, as primeiras relíquias da coleção que hoje soma mais de 50, 000. Foi ele que juntamente com o Postulador Geral da Ordem do Carmo, Padre Redemptus Maria Valabek, O.Carm., encorajou Evaristo a fundar um Apostolado de Relíquias, o primeiro na história da Igreja.

Rev Petrus Canisius Jean van Lierde (1907-1995) - Find A Grave Memorial
Arcebispo Petrus Canisius Jean van Lierde, O.S.A., primeiro Patrono do Apostolado de Relíquias, Vigário Geral do Vaticano responsável pelo Culto e distribuição de Relíquias durante 40 anos.

https://www.youtube.com/watch?fbclid=IwAR3GHzto32so694p0k3BCCCQSmxTTBiYnmktZVhblH3lRz6KuyB29j26WJE&v=Oudl5CUpzKA&feature=youtu.be

Cópia dos registos das relíquias distribuídas por Van Lierde, juntamente com os registos mais antigos de distribuição de relíquias pelo Vicariato, já foram também pedidas por Carlos Evaristo ao Vaticano na qualidade de elemento representativo do Gabinete do Museus do Vaticano, um departamento que por acaso está subordinado diretamente e é da tutela desse órgão do Governo do Estado Pontifício.

Carlos Evaristo: “Os originais dos registos mais recentes encontram-se ainda na Sacristia da Capela Privada do Papa, na chamada Lipsanotheca Pontifícia do Palácio Apostólico mas os mais antigos já trasladaram para os Arquivos do Custode delle Ss. Reliquie localizados nos fundos do Arquivo do Vicariato de Roma ou no chamado Archivio Storico del Vicariato sob a designação Corpi e Reliquie de Santi Martiri donati. (Corpos e Relíquias de Santos doadas). Compostos por 6 volumes estes registam a distribuição de relíquias insignes e corpos inteiros (esqueletos) entre 1737 e 1850.” (Ref: I, 1737-1783; II, 1784-1785; III, 1787-1800; IV, 1800-1824; V, 1837-1845; VI, 1845-1850).

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Desenho à escala para a construção de uma Urna Relicário para uma imagem Simulacrum.

Existem também registos diocesanos do fornecimento regular de corpos para criação de simulacra por parte de pelo menos duas Dioceses na Alemanha ligadas ao Culto das Onze Mil Virgens Mártires e ainda outros registos de Abadias Suíças e Italianas que forneciam relíquias dos Mártires da Legião de Tebas para criação de simulacra desses soldados Romanos.

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Desenho a pastel para uma Urna Relicário para uma imagem Simulacrum.
Gravura de uma imagem Simulacrum de um Corpo de uma Santa em Urna Relicário.

“Nestes arquivos”, afirma Carlos Evaristo, “encontra-se também correspondência entre os responsáveis das Igrejas que pediam relíquias ao Papa, nomeadamente; Cardeais, Bispos, Reis, Comunidades Religiosas e Nobres. É o caso dos pedidos dirigidos à Santa Sé por D. João V, D. José I, D. Maria I e de alguns Comendadores das Ordens de Cristo que tinham o Patronato de Igrejas e Capelas privadas no Porto e em Lisboa.”

Carlos Evaristo: “Graças a estes arquivos confirmamos por exemplo que as Relíquias que formavam um simulacrum de Santa Concórdia Mártir, depositada por uma Diocese Francesa na nossa Regalis Lipsanotheca após a extinção de um Convento e que permitiu a recriação do mesmo, teve origem no pedido da Princesa Stuart, Arabella, Duquesa Salviati que pediu um corpo (esqueleto) ao Papa Pio IX para uma comunidade de religiosas de São José de Cluny criarem um simulacrum que entretanto foi recriado na nossa Sede. É curioso que esse simulacrum cuja chegada a Senlis foi comemorada com o cunho de uma medalha de bronze hoje no Louvre, não continha as relíquias e ao contrário da maioria dos simulacra permaneceram dentro da urna selada pelo Vaticano tendo sido colocada debaixo da cabeça da imagem como se fosse uma almofada.”

Simulacrum de Santa Concordia sobre caixa com esqueleto completo, chamado de “Corpo”.

Carlos Evaristo: “Encontram-se também por vezes alguns desenhos e detalhes sobre a criação dos simulacra, as plantas arquitetónicas para o fabrico das urnas relicários e o custo dos mesmos à época. Sabemos que durante a administração do Arcebispo van Lierde rondava os 450, 000 Dólares Americanos criar um conjunto destes e por isso só os grandes Santuários ou Basílicas tinham orçamento para tal.”

A COMISSÃO DE GUARDA E APOSTOLADO DE RELÍQUIAS

Carlos Evaristo é também um dos atuais Custode delle Ss. Reliquie (Guardião de Relíquias) e Presidente Fundador do “Commissio Custodum Apostolatus SS. Reliquiarum” (Comissão de Guarda e Apostolado das Relíquias Sagradas), uma entidade Canonicamente Ereta em várias Dioceses com Delegações que integram uma Federação de Guardiões com a faculdade apostólica de autenticar e rá autenticar relíquias.

Outro Membro da Comissão de Relíquias é o Padre Carlo Cecchin, Cofundador da Comissão e da Regalis Lipsanotheca que assumiu o Cargo de Capelão Mor do Apostolado após o falecimento do Capelão Mor anterior; Monsenhor José Geraldes Freire.

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Rev. Padre Carlo Cecchin, Capelão Mor da Regalis Lipsanotheca e do Apostolado.
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O Padre Carlo Cecchin e Carlos Evaristo com alguns Patronos Reais da Regalis Lipsanotheca.
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Foram muitos os Chefes e Representantes de Casas Reais presentes na reabertura em 2018.
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Carlos Evaristo com D. Manuel António Mendes dos Santos e o Maestro Armando Calado.

PATRONOS IMPERIAIS, REAIS E ECLESIÁSTICOS

São Patronos da Regalis Lipsanotheca da Fundação Oureana e do Apostolado de Relíquias muitas figuras conhecidas do mundo Católica mas também Ortodoxo, Anglicano e Copta, tais como Cardeais, Patriarcas, Arcebispos e Bispos, Abades, Religiosos e Religiosas. Alguns dos Patronos são hoje já Santos ou estão a Caminho dos Altares, como é o caso da Santa dos Pobres; Madre Teresa de Calcutá e da Vidente de Fátima, Irmã Lúcia.

É principal Patrono Eclesiástico da Regalis Lipsanotheca e do Apostolado. o Cardeal D. José Saraiva Martins assim como vários outros Cardeais, Arcebispos, Bispos e Abades. O Bispo D. Manuel António Mendes dos Santos é o atual Capelão Geral e o Padre Carlo Cecchin o Capelão Mor, mas há também cerca de 50 Capelães e Delegados da organização em muitos países do mundo.

Praticamente todas as Casas Imperiais e Reais Cristãs, reinantes ou não reinantes, já conferiram o seu Patronato à Reglais Lipsanotheca e ao Apostolado de Relíquias que estuda e conserva este património imemorial e isto em memória dos seus antepassados que resgatavam relíquias insignes tendo criado Santuários que se tornaram locais de culto nacional e internacional. É o caso das relíquias de São Vicente Mártir que datam do princípio da reconquista Cristã de Portugal e cuja lenda dourada da chegada do corpo incorrupto à nação, está no símbolo da Cidade de Lisboa. A Regalis Lipsanotheca tem por exemplo um pedaço do braço incorrupto desse mártir com documento de Autentica do século IX da proveniente da coleção do Padre Carlo Cecchin. que teve simulacrum na Capital até ao Terramoto de 1755. Existem porém alegados corpos do mesmo santo, em várias partes do mundo como em Espanha e nos Estados Unidos da América, mas como Evaristo já verificou, a maioria são simulacra que só contêm um osso ou uma parte do corpo incorrupto que se encontrava em Lisboa num simulacrum até ao Terramoto de 1755.

A CRUZADA INTERNACIONAL PARA AS RELÍQUIAS SAGRADAS – ICHR

A ÚLTIMA CRUZADA PARA SALVAR RELIÍQUIAS DO ABANDONO

Fundado em 1988, em Toronto, no Canadá, por Carlos e Margarida Evaristo, o Apostolado de Relíquias Oratório de Santa Ana, transformou-se, a partir de 1996, na International Crusade for Holy Relics (Cruzada Internacional pelas Relíquias Sagradas) juntando-se assim ao Apostolado Saints Alive que Thomas Joseph Serafin, havia fundado na California, EUA, em 1995.

http://www.ichrusa.com/?fbclid=IwAR0OkzG8MBD1IbmX6FMEtKWvGCk3QG7dc_FNh5skmeNkpRqr-Sbaw86Zm8A

Desde então este movimento internacional conta com mais de 5,400 membros com coleções de relíquias registadas no apostolado e outras dezenas de milhares de membros devotos das relíquias sagradas que promovem o Culto. Além de zelar pelo futuro das relíquias destas coleções quando os chamados Cavaleiros Guardiões morrem, o apostolado também ajuda na conservação, restauro e reautenticação das mesmas.

Real Confraria de Cavaleiros Guardiões de Relíquias

Parece algo retirado do filme Os Salteadores da Arca Perdida com Indiana Jones ou então saído do Código de Da Vinci mas o Apostolado de Relíquias ICHR é também uma Confraria de Cavaleiros Guardiões Professos (Membros Professos) e Cavaleiros de Oração (Membros Honorários) que procuram e resgatam relíquias abandonadas, enquanto promovem a santificação pessoal dos seus membros através da devoção aos santos e às mesmas. Guardam também relíquias ensinando as normas atuais da Igreja para o Culto e uso destes sacramentais, promovendo assim não só devoção mas também esclarecimento através de exposições, palestras, conferências e publicações.

Categoria, Insígnia e Hábitos de Membros Confrades Guardiões da I.C.H.R.

O Apostolado têm Capelães e Delegados que dão formação em técnicas de conservação e autenticação de relíquias em Itália, no México, nas Filipinas e no Brasil e é o único apostolado que apresentou à Sagrada Congregação para a Causa dos Santos um Protocolo para a Conservação e Reautenticação das Relíquias e para a Arqueologia Sacra, uma metodologia ainda mais rigorosa do que a que a referida Congregação havia publicado e que será matéria de um curso que Carlos Evaristo está a preparar para ser oferecido na Universidade Pedagógica Nacional Dragomanov (Kiev) na Ucrânia através da qual o Fundador da Regalis Lipsabotheca recebeu recentemente um Douturamento Honoris Causa em grau efetivo com reconhecimento estatal do título que permite ao mesmo lecionar e fazer parte do Conselho Pedagógico dessa faculdade pertença da Igreja Ortodoxa e uma das maiores e mais importantes da Europa e do Mundo.

Este Protocolo que a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos considerou importante e escrita por um Apostolado que reconhece ter tudo um papel meritório na Igreja, encontra-se já implementado por vários Postuladores, Comissões de Relíquias e Lipsanothecae diocesanas e técnicos da conservação e da arqueologia sacra ligadas ao movimento.

Hábitos do Capelão Mor e Capelães da I.C.H.R.

DEPARTAMENTO DE ESTUDO, CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE RELÍQUIAS E RELICÁRIOS DO CENTRO PARA A PESQUISA RELIGIOSA

Outro Departamentos da Fundação Oureana é o que trata do estudo, conservação e restauro de relíquias e relicários para a Regalis Lipsanotheca e que intervêm também nos simulacra. É um projeto já com 20 anos que conta com a colaboração de 12 peritos mundiais do Centro para a Pesquisa Religiosa que inclui arqueólogos, antropólogos, especialistas em sangue e ADN (DNA) e médicos-legistas forenses. O Centro para a Pesquisa Religiosa foi fundado em 2000 por Phillip James Kronzer (.R.I.P.) e passou por vontade do fundado a integrar a Fundação Oureana em 2010 com a incorporação dos bens da Fundação do mesmo nome.

Era intenção desse Americano mais conhecido por “Caçador de Seitas” de formar uma equipa de peritos internacionais para estudarem alegados fenómenos sobrenaturais tais como aparições, milagres, fenómenos paranormais, possessões diabólicas, e a incorrupção dos corpos para assim poder dar pareceres à Igreja.

Prof. Dr. Humberto Nuno de Oliveira.

É Diretor do Cento o Mestre Arqueólogo Professor Dr. Humberto Nuno de Oliveira, Licenciado em História, Pós-Graduado em História Militar, Mestre em Edição e PhD em História, foi docente do ensino superior em diversas instituições durante vinte anos, especialmente na Universidade Lusíada de Lisboa, onde é atualmente, responsável pelos serviços editoriais. Historiador e Investigador sobretudo nos domínios da Heráldica e da Falerística preside, neste último domínio, à Academia Falerística de Portugal. É investigador do Centro Lusíada de Estudos Genealógicos, Heráldicos e Históricos da Universidade Lusíada de Lisboa. Autor de dezenas de artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras, diretor de duas publicações científicas e autor de mais de 20 livro.

Oliveira colabora com Carlos Evaristo há mais de 30 anos e preside hoje ao Conselho de Peritos do Centro que abrangem várias áreas da ciência e que são também membros confrades efetivos ou já falecidos do Apostolado de Relíquias. Entre os nomes mais conhecidos esteve o Patologista Forense e CSI de renome mundial especialista no Santo Sudário, o Professor Dr. Frederick T. Zugibe (R.I.P.), falecido em 2012 e sepultado na Regalis Lipsanotheca. São também membros o Psiquiátrico Forense Professor Dr. James Paul Panderakulam, o especialista em sangue Professor Dr. Benjamin Bing (R.I.P.), dois especialistas em ADN (DNA) de renome mundial; o Professor Dr. Michael Readers e o Professor Dr. José Lorente Acosta que é Presidente da Comissão Cientifica do Centro para a Pesquisa Religiosa desde a morte de Zugibe. São também membros do Centro o Médico Cirurgião Dr. José António da Cunha Coutinho entre outros.

O Centro conta também com dois Peritos em reconstituição facial forense Norte Americanos, de renome mundial, e dois antropólogos; um espanhol e outro norte Italiano que trabalha com a Sagrada Congregação para a Cusa dos Santos nas exumações dos corpos dos candidatos à Santidade. O que é também inédito neste Centro é que todos os Peritos ao serviço do mesmo prestam serviços à Fundação Oureana em regime de voluntariado, não remunerado.

O Capelão Geral D. Manuel António Mendes dos Santos dirige-se aos Patronos e Benfeitores.
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O Patrono Real D. Duarte, Duque de Bragança dá as boas vindas aos outros Patronos.
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O Patrono Eclesiástico e Capelão Geral D. Manuel António Mendes dos Santos.

O Centro conta também com Padres Exorcistas tendo sido o primeiro a juntar-se ao projeto o já falecido Exorcista do Vaticano, o Padre Gabriel Amorth. Outro Perito em fenomenologia paranormal era o falecido Eduardo Jaime Moran (AKA: Professor Karl Miller) que deixou ao Centro da Fundação Oureana todo o espolio e arquivo de documentos e artefactos relativos a um grande exorcismo ocorrido na Califórnia, em 1972.

Foi este Centro que refutou, há vários anos, os estudos de recriação facial de simulacra resultantes de um programa de computador Brasileiro, programa que na opinião do falecido Zugibe e de outros dois especialistas forenses CSI, eram ridículos por obterem resultados em nada fidedignos e todos até semelhantes em aparência. O facto que a maioria dos resultados foram obtidos com recurso a fotos de crânios e não a partir da aplicação de camadas de barro nos próprios crânios ou em modelo 3D dos mesmos foi o bastante para os peritos considerarem os resultados imprecisos. A equipa reconheceu no entanto que embora existam programas de computador que fazem estas reconstituições e até muito precisas, o programa em questão utilizado com os simulacra não é fiável para obter uma vera efigie.

Segundo Carlos Evaristo existem também muitas outras confusões geradas com as imagens post mortum resultantes de simulacra que encerram restos mortais de santos, quer ósseos, quer mumificados. O caso de Santa Bernadette, a Vidente de Lourdes, é o mais conhecido dado que a máscara e luvas de cera feitas por um artista no século XIX após a segunda exumação, cobrem o rosto e as mãos do corpo incorrupto e assim mascaram aparência pouco agradável e algo semelhante a uma passa de uva que é comum com os corpos que passaram por uma mumificação natural própria de uma dessecagem lenta em túmulo de pedra sem contacto com o solo e dentro de uma urna de madeira selada em chumbo. O estudo do simulacrum deste corpo e a sua preservação, foi tema predileto de outro membro do Centro para a Pesquisa Religiosa, o Teólogo e Autor René Laurentin, falecido em 2017.

CONFERÊNCIAS, PALESTRAS E PEREGRINAÇÕES

Através de Delegados nos EUA, Inglaterra, França, Itália, Espanha e no Brasil, já foram realizadas numerosas Conferencias, Palestras em Fátima e visitas especiais (Peregrinações) de Relíquias Insignes a Basílicas e Paroquias, tais como as de Santo António, em Roma, Santiago, em Compostela e nas Catedrais de Braga, Valência e Notre Dame de Paris.

Desde 1995, que a Fundação Oureana já organizou um total de 4 Conferências Nacionais sobre Relíquias com Exposições e 3 Internacionais com exibição / estreia de documentários complementares. As quatro Conferências Nacionais tiveram lugar em Fátima; em 1995, 2001, 2008 e 2011 e as Conferências Internacionais em Fátima, Valência e na República de São Marino em 2012, 2014 e 2017. Palestras temáticas sobre relíquias específicas foram organizadas em Ourém, em Santiago de Compostela, em Roma, em Paris, em Valência e em Casale Monferrato onde o Apostolado de Relíquias mantém Delegações.

Para 2021 está prevista uma nova Conferência Internacional sobre Relíquias a ser organizada pela Universidade Católica (Porto) e com a Regalis Lipsanotheca a fazer parte da Comissão Científica.

CAMPANHA INTERNACIONAL CONTRA A VENDA, ROUBO E FALSIFICAÇÃO DE RELÌQUIAS E PARA O REGISTO E CATALOGAÇÃO PREVENTATIVA

Outra atividade do Apostolado é o combate à venda de relíquias no ebay e noutras plataformas digitais de vendas na internet e também o combate à falsificação. A implementação de normas que proíbem a venda de restos mortais de seres humanos no ebay já foi uma batalha ganha pelo Apostolado quando o Cofundador da I.C.H.R. o Confrade Thomas Serafin conseguiu forçar a plataforma a mudar a sua política na venda de relíquias. No entanto foi uma vitória de pouca dura pois a proibição é contornada por vendedores, sem escrúpulos, que descrevem os relicários como artefactos e assim ocultando ou mentindo sobre o conteúdo nas descrições publicadas.

No Brasil, através do Confrade Fábio Tucci Farah, Delegado e Vice-diretor da Regalis Lispnsotheca, o Apostolado tenta apresentar uma proposta de lei para proibir a venda de relíquias pois segundo as rubricas da Igreja tal prática é matéria de excomunhão ipso facto assim como a falsificação de relíquias.

Farah está também a levar a cabo a inventariação das relíquias e relicários da Arquidiocese de São Paulo para a criação de uma Lipsanotheca Diocesana ou até nacional. Trabalho semelhante está a ser realizado nas Delegações do Apostolado no México, Estados Unidos e Filipinas.

PRODUÇÕES TELEVISIVAS E PUBLICAÇÕES

Um importante meio para desfazer mitos e divulgar o trabalho com as relíquias que o Apostolado e a Regalis Lipsanotheca desenvolve há mais de 3 décadas é a televisão. Há mais de 25 anos que Carlos Evaristo também participa como Perito, Escritor e Produtor Executivo em documentários, programas especiais e series televisivas sobre relíquias, (produzidas pela RTP, EMI Valentim de Carvalho, Sakarra Productions, Crown Pictures, Paul Perry Productions e Label News) com exibição nos canais europeus e norte americanos; RTP, História, Odisseia, Rai 2, Timeline, National Geographic e RMC Decouverte.

Há vários anos, Evaristo juntou-se ao Professor Frederick T. Zugibe para darem parecer na fase de pré-produção sobre a recriação dos instrumentos da paixão de Jesus para o filme A Paixão de Cristo de Mel Gibson. Os amigos também deram parecer para dois documentários sobre o Santo Sudário, sendo que o Centro Português de Sindonologia (o estudo do Sudário de Turim) criado por outro grande devoto de relíquias, o Engenheiro Fernando Lagrifa Fernandes, é hoje outro Departamento da Fundação Oureana que se especializa no estudo das relíquias, da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Relíquias Sagradas - Dos tempos bíblicos à era digital - 9786555620412

Carlos Evaristo é autor de mais de 150 livros e publicações muitas das quais são sobre relíquias. Seu nome vem referido como perito em várias publicações sobre o tema e em Catálogos dos Museus do Vaticano. Para além de contribuir para o volume “Retábulos Relicários” da coletânea escrita por Francisco Lameira e José João Loureiro, escreveu com Fabio Tucci Farah (com quem fundou o Real Instituto para a Arqueologia Sacra) o livro “Relíquias Sagradas, dos tempos Bíblicos à era Digital” publicado pela Paulus, editora da Igreja de renome e que conta com o prefácio de vários Cardeais ligado às relíquias.

Live: Relíquias Sagradas – Dos tempos bíblicos à era digital | Paulus  Editora

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-09/livro-reliquias-sagradas-prefacio-dom-odilo-scherer-brasil.html

Estas recentes publicações, juntamente com o Protocolo para as intervenções com Relíquias foram pessoalmente entregues ao Papa Francisco pelo Patrono e Protetor do Apostolado, D. Manuel António Mendes dos Santos.

O ano passado, o Apostolado viu os 32 anos de trabalho com relíquias reconhecido pela a mais alta Congregação que zela pelo seu culto; a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos que através do seu Prefeito, considerou o contributo da organização uma trabalho meritório.

Um exemplar do Protocolo para a intervenção com relíquias preparado e proposto por Carlos Evaristo para servir de guia para todos os que se dedicam à Preparação, Conservação e Reautenticação de Relíquias já goza de Imprimatur e Nihil Obstat.

Graças ao Protocolo entre as Fundações D. Manuel II e Oureana já foram patrocinados através do Gabinete dos Patronos um conjunto de relíquias dos Museus do Vaticano ligadas à história de Portugal, tal como a Mitra de João XXII, o Papa que criou a Ordem de Cristo. Atualmente está a ser patrocinado o restauro de vários relicários e crucifixos.

DEPÓSITO E REPOSITÓRIO SAGRADO DE RELÍQUIAS

O Apostolado de Relíquias tornou-se tão conhecido mundialmente que a sua sede, a Regalis Lipsaotheca, passou a ser um Repositório Sagrado Internacional para Relíquias da Igreja e um Depósito para Relíquias vindas de Museus seculares e dos Estados.

A primeira coleção de centenas de relicários a ser depositada foi proveniente da Lipsanotheca da Ordem Jesuíta de França localizada em Paray le Monial. Foi guardada durante mais de 50 anos pelo Padre Jean Durieu S.J,. até a coleção ser enviada para o Depósito Sagrado de Relíquias da Fundação em 1993. Em 1999 a Fundação recebeu todo o espólio do extinto Museu Mariano em Brooklyn, Nova Iorque que incluiu uma coleção de milhares de relíquias colecionadas pelo Fundador do mesmo Armand James Williamson e também já recebeu dezenas de coleções de relíquias de Lipsanothecas Diocesanas, Conventuais e de particulares.

Existe também na Regalis Lipsanotheca um outro tipo de Repositório de Relíquias, uma espécie de arquivo morto selado que se destina a guardar sem veneração, exposição ou culto relíquias duvidosas, falsas ou cuja autenticidade já não pode ser confirmada e por isso não podem ficar expostas aos fieis de acordo com a regras da Igreja Católica .

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Simulacrum Esquelético armado e articulado, vestido e decorado com joias.

Festa das Sagradas Relíquias

No dia 5 de Novembro, a Igreja Católica celebrava universalmente a Festa das Sagradas Relíquias até à reforma litúrgica do II Concilio Vaticano. Hoje é uma Festa reservada aos locais onde existem coleções insignes de relíquias, o que é o caso da Regalis Lipsanotheca. Depois de se celebrar o Dia de Todos os Santos, a Festa de todas as almas que entraram no Céu, a Igreja homenageia as Santas Relíquias de seus corpos que permanecem na terra, aguardando a gloriosa ressurreição.

Desde os primeiros tempos da Igreja que os santos mistérios eram celebrados nas Catacumbas sobre os túmulos dos mártires, para assim unir o seu sacrifício ao do Salvador Jesus Cristo. Mais tarde, em Roma, basílicas foram erguidas em sua homenagem; vastos relicários que albergaram o túmulo dos mártires mais famosos. Os restos mortais dos que haviam confessado sua fé pelo martírio foram depositados sob o altar-mor, ou confissão das basílicas que lhes foram consagradas; Daí o costume de transferir as relíquias dos mártires, parte essencial da cerimônia de dedicação de uma igreja, bem como de colocar as relíquias dos santos mártires em todos os altares, na cavidade de uma pequena cavidade da ara, chamada de tumba. A Missa da Festa das Sagradas Relíquias celebrada anualmente na Regalis Lipsanotheca é amplamente composta de passagens retiradas da liturgia dos mártires.

Sobre as relíquias e particularmente os corpos e simulacra dos Santos foi afirmado no Santo Concílio de Trento:

“Instrua também os fiéis no sentido de que devem venerar os corpos sagrados dos santos mártires e de outros que vivem com Cristo, que eram membros vivos do próprio Cristo, e templos do Espírito Santo, por meio dos quais devem subir para a vida eterna para para ser glorificado, e pelo qual Deus concede muitos benefícios aos homens; para que sejam absolutamente condenados, como antigamente os condenavam, e agora também condenados pela Igreja, aqueles que afirmam que as relíquias dos santos não devem ser honradas ou veneradas; ou que a adoração que estes e outros monumentos sagrados recebem dos fiéis é em vão; e que as visitas frequentes às capelas dedicadas aos santos para obter o seu auxílio são inúteis ”.

FONTE: The Regalis Lipsanotheca; A Sacred Repository of Holy Relics An Interview with Carlos Evaristo“; The Relics Call – ICHR Newsletter”, Vol III. Nº 1 1/11/2020)

5 de Novembro de 2020

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SANTUÁRIO DE FÁTIMA RECONHECE PAPEL DE JOHN HAFFERT NA DIVULGAÇÃO DA MENSAGEM DE FÁTIMA EM EXPOSIÇÃO “OS ROSTOS DE FÁTIMA”

Os rostos de Fátima: fisionomias de uma paisagem espiritual Exposição  Temporária do Santuário de Fátima | Agenda | Rede Cultura 2027 Leiria
Cartaz da Exposição.
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Os Fundadores do Exército Azul; Mons. Harold Colgan e John Haffert com a Revista “Soul”.

Foi sem dúvida uma das figuras mais influentes da mensagem de Fátima e fundou, juntamente com Monsenhor Harold Colgan, “O Exército Azul” (Apostolado Mundial de Fátima) , o maior movimento apostólico de Fátima de todos os tempos.

Hoje o Americano que também foi fundador da Fundação Oureana é recordado entre os principais rostos que contribuíram para a divulgação da Mensagem de Fátima na exposição “Os Rostos de Fátima” patente no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima de 28 de Novembro de 2020 até 15 de Outubro de 2022.

Haffert que foi sempre considerado uma figura controversa de Fátima dada a sua influência no Apostolado Mundial e as ligações directas que teve com a Vidente de Fátima Irmã Lúcia, com o Papa Pio XII, com o Senador e futuro Presidente dos EUA John F. Kennedy e até com o Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar.

Õ artefacto escolhido para representar Haffert, Colgan e o Exército Azul na exposição foi um raro exemplar da revista “Soul” (Alma) criada por John Haffert na década de 1950 e que hoje continua a ser editada. Era entre as décadas de 1950 e 1990 a revista de Fátima de maior tiragem no Mundo e a famosa lista de assinantes avaliada em milhões de dólares, terá sido roubada, várias vezes, da sede do Apostolado em Nova Jersey, EUA, tendo sido alegadamente usada depois por Apostolados de Fátima “rivais” para recrutarem assinantes.

Em conversa com o Reitor do Santuário de Fátima, Padre Carlos Cabecinhas, o Presidente da Direcção da Fundação Oureana e também Arquivista da Domus Pacis em Fátima, Carlos Evaristo e o amigo pessoal de Haffert Jaime Vilalta Berbel agradeceram, em nome de Patricia Haffert, víuva de John Haffert, a referência na exposição àquele que era chamado de “Mr. Fátima”.

O Padre Cabecinhas que enviou cumprimentos a Patrícia Haffert, disse ser indiscutível o papel importante que John Haffert teve para a difusão mundial da Mensagem de Fátima, afirmando que por vezes, os ataques que as pessoas sofrem no trabalho que desenvolvem para o Apostolado de Fátima, são muitas vezes uma prova de que estão a fazer o bem e que a mesma é obra de Deus.

As fotos de Mons. Colgan e John Haffert estão na sala intitulada: “Os rostos que expandem uma história e uma mensagem: informadores e arautos”.

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Sala principal da Exposição.

DESCRIÇÃO DA EXPOSIÇÃO

(Texto do Santuário de Fátima)

FONTE: https://www.fatima.pt/pt/news/nova-exposicao-temporaria-do-santuario-vai-mostrar-os-rostos-de-fatima

“Neste tempo de pandemia, que convoca toda a humanidade a refletir sobre a sua própria condição, esta nova exposição mostra a sua atualidade na reflexão que vai apresentar sobre o tema da morte e da vida, como momentos luminosos da peregrinação do Homem no mundo.”

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O mestre escultor José Ferreira Thedim com a sua famosa imagem da Capelinha.
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As imagens de Santa Jacinta e São Francisco Marto da Canonização dos mesmos.
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A Coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima com a bala oferecida pelo Papa João Paulo II.
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O Padre Luis Kondor que foi Vice-Postulador das Causa dos Pastorinhos Jacinta e Francisco.

“A partir do acontecimento e da Mensagem que Nossa Senhora deixou na Cova da Iria, a exposição irá contar a história de Fátima nos vários rostos que a fizeram e cuja identidade conduzirá à esperança, nesta época de insegurança, em que a necessidade do uso de máscaras tapa os rostos humanos. Através do relato das ações concretas dos protagonistas de Fátima, vai ser dado a conhecer o trabalho e o compromisso que eles assumiram na divulgação da Mensagem que a Virgem de Fátima legou aos Pastorinhos.” 

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Planta original da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
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Uma caveira humana chama à meditação sobre a morte.
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Emaus.

“Ao apresentar o Santuário como lugar de peregrinação, a mostra vai, deste modo, percorrer os rostos que construíram Fátima do ponto de vista da fé, do património e da cultura, sem deixar de olhar pluralmente para os que, durante anos, se insurgiram como críticos e opositores a Fátima.”

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Oferendas dos Papas Peregrinos.
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As Malas do Padre Joaquin Alonso.
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Partitura manuscrita do Avé de Fátima da autoria do Mestre Afonso Lopes Vieira.
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Fragmento do atentado à Capelinha das Aparições.

“A narrativa da exposição estará dividida em duas partes. Numa primeira, que percorre o primeiro século de Fátima, dão-se a conhecer os rostos relevantes da história da Cova da Iria, a começar pelos três Videntes. Na segunda, a exposição propõe um percurso orante e centrado na fé, desafiando o visitante a interpelar-se sobre a sua condição humana, numa espécie de jogo de espelhos que confronta a realidade concreta que vivemos com o desejo relacional com a transcendência.” 

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Um Véu de Verónica com o Rosto de Cristo.
Fátima | Dos crentes aos opositores: Santuário lembra quem deu voz ao  fenómeno (c/vídeo) | Médio Tejo
O Administrador de Ourém Artur de Oliveira Santos e um busto da República.

“A exposição “Rostos de Fátima” obedecerá a todas as regras de segurança sanitária exigidas neste tempo de pandemia e respeitará, na integra, o plano de contingência que o Santuário de Fátima tem em vigor, que resulta de uma articulação entre as diretrizes da Direção Geral da Saúde para os espaços museológicos e as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.” 

Fátima | Dos crentes aos opositores: Santuário lembra quem deu voz ao  fenómeno (c/vídeo) | Médio Tejo
O Escrito e Jornalista Avelino de Almeida.
Santuário apresenta a história de Fátima pelos rostos que lhe deram vida –  Leiria-Fátima
O rostos dos Bispos e Reitores de Nossa Senhoras

“As peças que estarão expostas pertencem na sua maioria ao espólio do Santuário de Fátima, havendo também peças dos Museus do Azulejo, de Aveiro e da Póvoa do Varzim, para além de arquivos e bibliotecas privadas.” 

 “Rostos de Fátima”, a nova exposição do Santuário para ver de máscara -  Renascença

“A exposição estará patente até 15 de Outubro de 2022 e poderá ser visitada gratuitamente ao longo destes dois anos.” 

“Entre 2018 e 2020, o Santuário promoveu duas exposições temporárias centradas em dois centenários: o da Capelinha das Aparições e, neste último ano, o da escultura de Nossa Senhora de Fátima que se venera na Capelinha das Aparições. A exposição “Vestida de Branco”, que antecedeu esta nova exposição temporária, foi visitada por mais de cem mil peregrinos, apesar das contingências dos meses de confinamento.”

FOTOS: Direitos Reservados

FONTE: https://www.fatima.pt/pt/news/nova-exposicao-temporaria-do-santuario-vai-mostrar-os-rostos-de-fatima

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DUQUE DE BRAGANÇA HOMENAGEADO COM A MAIS ALTA DISTINÇÃO UNIVERSITÁRIA

Prof. Moritz Hunzinger, Magnífico Patrono Prof. D. Duarte de Bragança e Dr. Carlos Evaristo.

O Presidente da Fundação D. Manuel II, S.A.R. Dom Duarte de Bragança, recebeu hoje, no Palácio Fronteira, em Lisboa, os títulos de “Patrono” e “Membro de Honra da Faculdade de História” da Universidade Pedagógica Nacional Dragomanov, de Kiev, Ucrânia.

Prof. Moritz Hunzinger, Magnífico Patrono Prof. D. Duarte de Bragança e Dr. Carlos Evaristo.

Tal como no passado, em que os Papas, Imperadores e Reis eram os Patronos, e tantas vezes protetores e mecenas das universidades, entendeu esta Universidade Ucraniana, uma das maiores da Europa, ao entregar este título de Patrono, que era o mais alto reconhecimento das Universidades, assinalar as qualidades de humanista e estadista e o insigne papel no domínio das relações internacionais, sobretudo na defesa intrínseca da amizade entre os povos e sua história, liberdade e cultura, que o Senhor Dom Duarte vem assumido. Ao atribuir o estatuto de Patrono e Membro de Honra da sua Faculdade de História, a Universidade Pedagógica Nacional Dragomanov presta ao Chefe da Casa Real Portuguesa o reconhecimento da sua estatura no domínio das relações internacionais e ao seu inquestionável papel na história mundial como representante da Casa Real Portuguesa.

Prof. Moritz Hunzinger, Magnífico Patrono Prof. D. Duarte de Bragança e Dr. Carlos Evaristo.

A Universidade deliberou também a concessão ao Cônsul Carlos Evaristo, Pesquisador e Autor, Presidente e Co-Fundador da Fundação Histórico Cultural Oureana, de um Doutoramento Honoris Causa em reconhecimento dos mais de 30 anos de serviço à Comunidade Cristã, nos domínios da História, do Culto dos Santos, da Iconografia Sacra, da Fenomenologia Religiosa e da Arqueologia Sacra. A entrega destas distinções foi levada a cabo pelo Prof. Moritz Hunzinger que chefiou uma Delegação Oficial enviada pela Reitoria da Universidade para o efeito.

Dr. Carlos Evaristo, Magnífico Patrono Prof. D. Duarte de Bragança e Prof. Moritz Hunzinger.

5 de Dezembro de 2020

Fotos: Direitos Reservados

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CUMPRE-SE SONHO DE JOHN HAFFERT: PAPA PROCLAMA ANO DEDICADO A SÃO JOSÉ

Um curioso monumento dedicado a São José colocado por vontade de John Haffert à entrada da Regalis Lipsanotheca da Fundação Oureana no Castelo de Ourém, antecipava a Proclamação pelo Papa de um Ano dedicado ao Patriarca da Sagrada Família e Protetor Universal da Igreja.

Pensava Haffert, fundador da Fundação Oureana e do Exército Azul em 1999, que o Papa João Paulo II iria proclamar um Ano dedicado ao Patrono da Igreja, São José, no Ano 2000 ou logo a seguir a esse Ano Santo mas tal não veio a acontecer.

Haffert que faleceu a 31 de Outubro de 2001, estava convencido que no futuro o Papa havia de dedicar um ano a são José e em antecipação inaugurou o Monumento a São José no Castelo de Ourém no local onde começa a rua dedicada ao Patriarca da Sagrada Família e onde existia em tempos uma Ermida de reclusas dedicada ao mesmo Santo e destruída no século XIX..

O Monumento a São José que recorda também a aparição do Patrono da Igreja no Milagre do Sol em Fátima a 13 de Outubro de 1917 acompanhado pela figura do menino Jesus que aparentava ter uns 12 anos, foi desenhado por John Haffert e Carlos Evaristo em 1999 e benzido depois na Festa de São José, 19 de Março de 2000, pelo Padre Carlos Querido da Silva, Pároco de Ourém (Nossa Senhora das Misericórdias) então Vice-Presidente do Conselho de Curadores da Fundação.

Contribuíram para o Monumento executado pelo artista Fatimense Arlindo Vieira, os Benfeitores; Helen Bergkemp, Armand James Williamson e Jran Macdonald em memória de seu marido william L. Macdonald.

Monumento à Aparição de São José com o Menino Jesus no Milagre do Sol em Fátima.
Imagem de São José a dormir fotografada na mesa dos aposentos do Papa Francisco.
É debaixo desta imagem que o Papa coloca seus pedidos e petições antes de se deitar.

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150.º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José».[1]

Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o género de pai que era e a missão que a Providência lhe confiou.

Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um «homem justo» (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39) e através de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer num estábulo, «por não haver lugar para eles» (Lc 2, 7) noutro sítio. Foi testemunha da adoração dos pastores (cf. Lc 2, 8-20) e dos Magos (cf. Mt 2, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pagãos.

Teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: dar-Lhe-ás «o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 21). Entre os povos antigos, como se sabe, dar o nome a uma pessoa ou a uma coisa significava conseguir um título de pertença, como fez Adão na narração do Génesis (cf. 2, 19-20).

No Templo, quarenta dias depois do nascimento, José – juntamente com a mãe – ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e Maria (cf. Lc 2, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito (cf. Mt 2, 13-18). Regressado à pátria, viveu no recôndito da pequena e ignorada cidade de Nazaré, na Galileia – donde (dizia-se) «não sairá nenhum profeta» (Jo 7, 52), nem «poderá vir alguma coisa boa» (Jo 1, 46) –, longe de Belém, a sua cidade natal, e de Jerusalém, onde se erguia o Templo. Foi precisamente durante uma peregrinação a Jerusalém que perderam Jesus (tinha ele doze anos) e José e Maria, angustiados, andaram à sua procura, acabando por encontrá-Lo três dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-50).

Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo. Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais o seu papel central na história da salvação: o Beato Pio IX declarou-o «Padroeiro da Igreja Católica»,[2] o Venerável Pio XII apresentou-o como «Padroeiro dos operários»[3] e São João Paulo II, como «Guardião do Redentor».[4] O povo invoca-o como «padroeiro da boa morte».[5]

Assim, ao completarem-se 150 anos da sua declaração como Padroeiro da Igreja Católica, feita pelo Beato Pio IX a 8 de dezembro de 1870, gostaria de deixar «a boca – como diz Jesus – falar da abundância do coração» (Mt 12, 34), para partilhar convosco algumas reflexões pessoais sobre esta figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós. Tal desejo foi crescendo ao longo destes meses de pandemia em que pudemos experimentar, no meio da crise que nos afeta, que «as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. (…) Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos».[6] Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão.

1. Pai amado

A grandeza de São José consiste no facto de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. Como tal, afirma São João Crisóstomo, «colocou-se inteiramente ao serviço do plano salvífico».[7]

São Paulo VI faz notar que a sua paternidade se exprimiu, concretamente, «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da encarnação e à conjunta missão redentora; em ter usado da autoridade legal que detinha sobre a Sagrada Família para lhe fazer dom total de si mesmo, da sua vida, do seu trabalho; em ter convertido a sua vocação humana ao amor doméstico na oblação sobre-humana de si mesmo, do seu coração e de todas as capacidades no amor colocado ao serviço do Messias nascido na sua casa».[8]

Por este seu papel na história da salvação, São José é um pai que foi sempre amado pelo povo cristão, como prova o facto de lhe terem sido dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; de muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se terem inspirado na sua espiritualidade e adotado o seu nome; e de, há séculos, se realizarem em sua honra várias representações sacras. Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados, entre os quais se conta Teresa de Ávila que o adotou como advogado e intercessor, recomendando-se instantemente a São José e recebendo todas as graças que lhe pedia; animada pela própria experiência, a Santa persuadia os outros a serem igualmente devotos dele.[9]

Em todo o manual de orações, há sempre alguma a São José. São-lhe dirigidas invocações especiais todas as quartas-feiras e, de forma particular, durante o mês de março inteiro, tradicionalmente dedicado a ele.[10]

A confiança do povo em São José está contida na expressão «ite ad Joseph», que faz referência ao período de carestia no Egito, quando o povo pedia pão ao Faraó e ele respondia: «Ide ter com José; fazei o que ele vos disser» (Gn 41, 55). Tratava-se de José, filho de Jacob, que acabara vendido, vítima da inveja dos seus irmãos (cf. Gn 37, 11-28); e posteriormente – segundo a narração bíblica – tornou-se vice-rei do Egito (cf. Gn 41, 41-44).

Enquanto descendente de David (cf. Mt 1, 16.20), de cuja raiz deveria nascer Jesus segundo a promessa feita ao rei pelo profeta Natan (cf. 2 Sam 7), e como esposo de Maria de Nazaré, São José constitui a dobradiça que une o Antigo e o Novo Testamento.

2. Pai na ternura

Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4).

Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13).

Com certeza, José terá ouvido ressoar na sinagoga, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura,[11] que é bom para com todos e «a sua ternura repassa todas as suas obras» (Sal 145, 9).

A história da salvação realiza-se, «na esperança para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18), através das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza. Isto mesmo permite a São Paulo dizer: «Para que não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir, a fim de que não me orgulhasse. A esse respeito, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza”» (2 Cor 12, 7-9).

Se esta é a perspetiva da economia da salvação, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.[12]

O Maligno faz-nos olhar para a nossa fragilidade com um juízo negativo, ao passo que o Espírito trá-la à luz com ternura. A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (cf. Ap 12, 10). Por isso, é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura. Paradoxalmente, também o Maligno pode dizer-nos a verdade, mas, se o faz, é para nos condenar. Entretanto nós sabemos que a Verdade vinda de Deus não nos condena, mas acolhe-nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da parábola (cf. Lc 15, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 24).

A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim, ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o leme da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.

3. Pai na obediência

De forma análoga a quanto fez Deus com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salvação, também revelou a José os seus desígnios por meio de sonhos, que na Bíblia, como em todos os povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais Deus manifesta a sua vontade.[13]

José sente uma angústia imensa com a gravidez incompreensível de Maria: mas não quer «difamá-la»,[14] e decide «deixá-la secretamente» (Mt 1, 19). No primeiro sonho, o anjo ajuda-o a resolver o seu grave dilema: «Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que Ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21). A sua resposta foi imediata: «Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo» (Mt 1, 24). Com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria.

No segundo sonho, o anjo dá esta ordem a José: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar» (Mt 2, 13). José não hesitou em obedecer, sem se questionar sobre as dificuldades que encontraria: «E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes» (Mt 2, 14-15).

No Egito, com confiança e paciência, José esperou do anjo o aviso prometido para voltar ao seu país. Logo que o mensageiro divino, num terceiro sonho – depois de o informar que tinham morrido aqueles que procuravam matar o menino –, lhe ordena que se levante, tome consigo o menino e sua mãe e regresse à terra de Israel (cf. Mt 2, 19-20), de novo obedece sem hesitar: «Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel» (Mt 2, 21).

Durante a viagem de regresso, porém, «tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Então advertido em sonhos – e é a quarta vez que acontece – retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré» (Mt 2, 22-23).

Por sua vez, o evangelista Lucas refere que José enfrentou a longa e incómoda viagem de Nazaré a Belém, devido à lei do imperador César Augusto relativa ao recenseamento, que impunha a cada um registar-se na própria cidade de origem. E foi precisamente nesta circunstância que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do Império, como todos os outros meninos.

São Lucas, de modo particular, tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as prescrições da Lei: os ritos da circuncisão de Jesus, da purificação de Maria depois do parto, da oferta do primogénito a Deus (cf. 2, 21-24).[15]

Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu «fiat», como Maria na Anunciação e Jesus no Getsémani.

Na sua função de chefe de família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (cf. Ex 20, 12).

Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil da sua vida, vivido no Getsémani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e não a sua,[16] fazendo-Se «obediente até à morte (…) de cruz» (Flp 2, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus «aprendeu a obediência por aquilo que sofreu» (5, 8).

Vê-se, a partir de todas estas vicissitudes, que «José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».[17]

4. Pai no acolhimento

José acolhe Maria, sem colocar condições prévias. Confia nas palavras do anjo. «A nobreza do seu coração fá-lo subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento».[18]

Na nossa vida, muitas vezes sucedem coisas, cujo significado não entendemos. E a nossa primeira reação, frequentemente, é de desilusão e revolta. Diversamente, José deixa de lado os seus raciocínios para dar lugar ao que sucede e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a própria história. Se não nos reconciliarmos com a nossa história, não conseguiremos dar nem mais um passo, porque ficaremos sempre reféns das nossas expectativas e consequentes desilusões.

A vida espiritual que José nos mostra não é um caminho que explica, mas um caminho que acolhe. Só a partir deste acolhimento, desta reconciliação, é possível intuir também uma história mais excelsa, um significado mais profundo. Parecem ecoar as palavras inflamadas de Job, quando, desafiado pela esposa a rebelar-se contra todo o mal que lhe está a acontecer, responde: «Se recebemos os bens da mão de Deus, não aceitaremos também os males?» (Job 2, 10).

José não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte. O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo. Só o Senhor nos pode dar força para acolher a vida como ela é, aceitando até mesmo as suas contradições, imprevistos e desilusões.

A vinda de Jesus ao nosso meio é um dom do Pai, para que cada um se reconcilie com a carne da sua história, mesmo quando não a compreende totalmente.

O que Deus disse ao nosso Santo – «José, Filho de David, não temas…» (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: «Não tenhais medo!» É necessário deixar de lado a ira e a desilusão para – movidos não por qualquer resignação mundana, mas com uma fortaleza cheia de esperança – dar lugar àquilo que não escolhemos e, todavia, existe. Acolher a vida desta maneira introduz-nos num significado oculto. A vida de cada um de nós pode recomeçar miraculosamente, se encontrarmos a coragem de a viver segundo aquilo que nos indica o Evangelho. E não importa se tudo parece ter tomado já uma direção errada e se algumas coisas já são irreversíveis. Deus pode fazer brotar flores no meio das rochas. E mesmo que o nosso coração nos censure de qualquer coisa, Ele «é maior que o nosso coração e conhece tudo» (1 Jo 3, 20).

Reaparece aqui o realismo cristão, que não deita fora nada do que existe. A realidade, na sua misteriosa persistência e complexidade, é portadora dum sentido da existência com as suas luzes e sombras. É isto que leva o apóstolo Paulo a dizer: «Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). E Santo Agostinho acrescenta: tudo, «incluindo aquilo que é chamado mal».[19] Nesta perspetiva global, a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes.

Assim, longe de nós pensar que crer signifique encontrar fáceis soluções consoladoras. Antes, pelo contrário, a fé que Cristo nos ensinou é a que vemos em São José, que não procura atalhos, mas enfrenta de olhos abertos aquilo que lhe acontece, assumindo pessoalmente a responsabilidade por isso.

O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (cf. 1 Cor 1, 27), é «pai dos órfãos e defensor das viúvas» (Sal 68, 6) e manda amar o forasteiro.[20] Posso imaginar ter sido do procedimento de José que Jesus tirou inspiração para a parábola do filho pródigo e do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32).

5. Pai com coragem criativa

Se a primeira etapa de toda a verdadeira cura interior é acolher a própria história, ou seja, dar espaço no nosso íntimo até mesmo àquilo que não escolhemos na nossa vida, convém acrescentar outra caraterística importante: a coragem criativa. Esta vem ao de cima sobretudo quando se encontram dificuldades. Com efeito, perante uma dificuldade, pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar vencê-la de algum modo. Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter.

Frequentemente, ao ler os «Evangelhos da Infância», apetece-nos perguntar por que motivo Deus não interveio de forma direta e clara. Porque Deus intervém por meio de acontecimentos e pessoas: José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o verdadeiro «milagre», pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento onde Maria possa dar à luz, arranja um estábulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus, que vem ao mundo (cf. Lc 2, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos José é alertado para O defender e, no coração da noite, organiza a fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-14).

Numa leitura superficial destas narrações, a impressão que se tem é a de que o mundo está à mercê dos fortes e poderosos, mas a «boa notícia» do Evangelho consiste precisamente em mostrar como, não obstante a arrogância e a violência dos dominadores terrenos, Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salvação. Às vezes também a nossa vida parece à mercê dos poderes fortes, mas o Evangelho diz-nos que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência.

Se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar.

Trata-se da mesma coragem criativa demonstrada pelos amigos do paralítico que, desejando levá-lo à presença de Jesus, fizeram-no descer pelo teto (cf. Lc 5, 17-26). A dificuldade não deteve a audácia e obstinação daqueles amigos. Estavam convencidos de que Jesus podia curar o doente e, «não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao teto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. Vendo a fé daqueles homens, disse: “Homem, os teus pecados estão perdoados”» (5, 19-20). Jesus reconhece a fé criativa com que aqueles homens procuram trazer-Lhe o seu amigo doente.

O Evangelho não dá informações relativas ao tempo que Maria, José e o Menino permaneceram no Egito. Mas certamente tiveram de comer, encontrar uma casa, um emprego. Não é preciso muita imaginação para preencher o silêncio do Evangelho a tal respeito. A Sagrada Família teve que enfrentar problemas concretos, como todas as outras famílias, como muitos dos nossos irmãos migrantes que ainda hoje arriscam a vida acossados pelas desventuras e a fome. Neste sentido, creio que São José seja verdadeiramente um padroeiro especial para quantos têm que deixar a sua terra por causa das guerras, do ódio, da perseguição e da miséria.

No fim de cada acontecimento que tem José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou (cf. Mt 1, 24; 2, 14.21). Com efeito, Jesus e Maria, sua mãe, são o tesouro mais precioso da nossa fé.[21]

No plano da salvação, o Filho não pode ser separado da Mãe, d’Aquela que «avançou pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz».[22]

Sempre nos devemos interrogar se estamos a proteger com todas as nossas forças Jesus e Maria, que misteriosamente estão confiados à nossa responsabilidade, ao nosso cuidado, à nossa guarda. O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade. Necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em José aquele que não só Lhe quer salvar a vida, mas sempre A sustentará a Ela e ao Menino. Neste sentido, São José não pode deixar de ser o Guardião da Igreja, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história e, ao mesmo tempo, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria.[23] José, continuando a proteger a Igreja, continua a proteger o Menino e sua mãe; e também nós, amando a Igreja, continuamos a amar o Menino e sua mãe.

Este Menino é Aquele que dirá: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Assim, todo o necessitado, pobre, atribulado, moribundo, forasteiro, recluso, doente são «o Menino» que José continua a guardar. Por isso mesmo, São José é invocado como protetor dos miseráveis, necessitados, exilados, aflitos, pobres, moribundos. E pela mesma razão a Igreja não pode deixar de amar em primeiro lugar os últimos, porque Jesus conferiu-lhes a preferência ao identificar-Se pessoalmente com eles. De José, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua mãe; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma destas realidades é sempre o Menino e sua mãe.

6. Pai trabalhador

Um aspeto que carateriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho.

Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou durante várias décadas um certo bem-estar, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo.

O trabalho torna-se participação na própria obra da salvação, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as próprias potencialidades e qualidades, colocando-as ao serviço da sociedade e da comunhão; o trabalho torna-se uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família. Uma família onde falte o trabalho está mais exposta a dificuldades, tensões, fraturas e até mesmo à desesperada e desesperadora tentação da dissolução. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade de um digno sustento?

A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho, que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia da Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos caminhos onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!

7. Pai na sombra

O escritor polaco Jan Dobraczy?ski, no seu livro A Sombra do Pai,[24] narrou a vida de São José em forma de romance. Com a sugestiva imagem da sombra, apresenta a figura de José, que é, para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste: guarda-O, protege-O, segue os seus passos sem nunca se afastar d’Ele. Lembra o que Moisés dizia a Israel: «Neste deserto (…) vistes o Senhor, vosso Deus, conduzir-vos como um pai conduz o seu filho, durante toda a caminhada que fizeste até chegar a este lugar» (Dt 1, 31). Assim José exerceu a paternidade durante toda a sua vida.[25]

Não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito.

Na sociedade atual, muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai. A própria Igreja de hoje precisa de pais. Continua atual a advertência dirigida por São Paulo aos Coríntios: «Ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais» (1 Cor 4, 15); e cada sacerdote ou bispo deveria poder acrescentar como o Apóstolo: «Fui eu que vos gerei em Cristo Jesus, pelo Evangelho» (4, 15). E aos Gálatas diz: «Meus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, até que Cristo se forme entre vós!» (Gl 4, 19).

Ser pai significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de partir. Talvez seja por isso que a tradição, referindo-se a José, ao lado do apelido de pai colocou também o de «castíssimo». Não se trata duma indicação meramente afetiva, mas é a síntese duma atitude que exprime o contrário da posse. A castidade é a liberdade da posse em todos os campos da vida. Um amor só é verdadeiramente tal, quando é casto. O amor que quer possuir acaba sempre por se tornar perigoso: prende, sufoca, torna infeliz. O próprio Deus amou o homem com amor casto, deixando-o livre inclusive de errar e opor-se a Ele. A lógica do amor é sempre uma lógica de liberdade, e José soube amar de maneira extraordinariamente livre. Nunca se colocou a si mesmo no centro; soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida.

A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustração, mas apenas confiança. O seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança. O mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição. Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração.

A paternidade, que renuncia à tentação de decidir a vida dos filhos, sempre abre espaços para o inédito. Cada filho traz sempre consigo um mistério, algo de inédito que só pode ser revelado com a ajuda dum pai que respeite a sua liberdade. Um pai sente que completou a sua ação educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou «inútil», quando vê que o filho se torna autónomo e caminha sozinho pelos caminhos da vida, quando se coloca na situação de José, que sempre soube que aquele Menino não era seu: fora simplesmente confiado aos seus cuidados. No fundo, é isto mesmo que dá a entender Jesus quando afirma: «Na terra, a ninguém chameis “Pai”, porque um só é o vosso “Pai”, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, devemos lembrar-nos que nunca é exercício de posse, mas «sinal» que remete para uma paternidade mais alta. Em certo sentido, estamos sempre todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que «faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5, 45); e sombra que acompanha o Filho.

* * *

«Levanta-te, toma o menino e sua mãe» (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José.

O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.

Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão[26] e Moisés,[27] como faz Jesus, «único mediador» (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), «vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]» (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34).

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado».[28] A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho.

À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16).[29] O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente.

Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: «Então não poderás fazer o que estes e estas fizeram?» E, assim, chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!»[30]

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão.

Dirijamos-lhe a nossa oração:

Salve, guardião do Redentor

e esposo da Virgem Maria!

A vós, Deus confiou o seu Filho;

em vós, Maria depositou a sua confiança;

convosco, Cristo tornou-Se homem.

Ó Bem-aventurado José,

mostrai-vos pai também para nós

e guiai-nos no caminho da vida.

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,

e defendei-nos de todo o mal.

Ámen.

Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado.

Francisco

[1] Lucas 4, 22; João 6, 42; cf. Mateus 13, 55; Marcos 6, 3.

[2] Sacra Congregação dos Ritos, Quemadmodum Deus (8 de dezembro de 1870): ASS 6 (1870-71), 194.

[3] Cf. Discurso às Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (ACLI) por ocasião da Solenidade de São José Operário (1 de maio de 1955): AAS 47 (1955), 406.

[4] Cf. Exortação apostólica Redemptoris custos (15 de agosto de 1989): AAS 82 (1990), 5-34.

[5] Catecismo da Igreja Católica, 1014.

[6] Francisco, Meditação em tempo de pandemia (27 de março de 2020): L’Osservatore Romano (29/III/2020), 10.

[7] Homiliæ in Matthæum, V, 3: PG 57, 58.

[8] Homilia (19 de março de 1966): Insegnamenti di Paolo VI, IV (1966), 110.

[9] Cf. Livro da Vida, 6, 6-8.

[10] Todos os dias, há mais de quarenta anos, depois das Laudes, recito uma oração a São José tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria, que expressa devoção, confiança e um certo desafio a São José: «Glorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possíveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que Vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amen».

[11] Cf. Deuteronómio4, 31; Salmo 69, 17; 78, 38; 86, 5; 111, 4; 116, 5; Jeremias 31, 20.

[12] Cf. Francisco, Exortação apostólica Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 88; 288: AAS 105 (2013) 1057; 1136-1137.

[13] Cf. Génesis 20, 3; 28, 12; 31, 11.24; 40, 8; 41, 1-32; Números 12, 6; I Samuel 3, 3-10; Daniel 2; 4; Job 33, 15.

[14] Também nestes casos, estava prevista a lapidação (cf. Deuteronómio 22, 20-21).

[15] Cf. Levítico 12, 1-8; Êxodo 13, 2.

[16] Cf. Mateus 26, 39; Marcos 14, 36; Lucas 22, 42.

[17] São João Paulo II, Exortação apostólica Redemptoris custos (15 de agosto de 1989), 8: AAS 82 (1990), 14.

[18] Francisco, Homilia na Santa Missa com Beatificações (Villavicencio – Colômbia, 8 de setembro de 2017): AAS 109 (2017), 1061.

[19] «… etiam illud quod malum dicitur», in Enchiridion de fide, spe et caritate, 3.11: PL 40, 236.

[20] Cf. Deuteronómio 10, 19; Êxodo 22, 20-22; Lucas 10, 29-37.

[21] Cf. Sacra Congregação dos Ritos, Quemadmodum Deus (8 de dezembro de 1870): ASS 6 (1870-71), 193; Beato Pio IX, Carta apostólica Inclytum Patriarcham (7 de julho de 1871): ASS 6 (1870-71), 324-327.

[22] Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 58.

[23] Cf. Catecismo da Igreja Católica, 963-970.

[24] Edição original: Cie? Ojca (Varsóvia 1977).

[25] Cf. São João Paulo II, Exortação apostólica Redemptoris (15 de agosto de 1989), 7-8: AAS 82 (1990), 12-16.

[26] Cf. Génesis 18, 23-32.

[27] Cf. Êxodo17, 8-13; 32, 30-35.

[28] Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 42.

[29] Cf. I Coríntios 11, 1; Filipenses 3, 17; I Tessalonicenses 1, 6.

[30] Confissões, 8,11,17; 10,27,38: PL 32, 761; 795.

8 de Dezembro de 2020

FONTE: Vatican News

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REAL CONFRARIA CELEBROU FESTA DE SÃO NUNO NA IGREJA DO SANTO CONDESTÁVEL EM LISBOA

A Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira celebrou pela primeira vez este ano, a Festa do seu Patrono, na Igreja do Santo Condestável em Lisboa.  

Igreja do Santo Condestável.

A Real Confraria do Santo Condestável que anualmente recebe convite para estar presente nas celebrações naquela Igreja (que conserva a maior parte dos restos mortais do seu patrono; São Frei Nuno de Santa Maria), aceitou este ano o convite para estar presente e acompanhar o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança juntamente com a Ordem do Santo Sepulcro, a Real Guarda de Honra e demais Confrarias da Família Carmelitana.

OBRA DO CALDEIRÃO

Criada originalmente pelo próprio Santo Condestável, pouco depois de entrar para a Ordem do Carmo como Irmão Donato, a associação de leigos de assistência aos pobres e sem abrigo de Lisboa, transformou-se ao longo dos séculos na Ordem Terceira do Carmo esquecendo as suas origens e fundador.

A Confraria da Virgem Santa Maria ou Confraria do Caldeirão, como era popularmente conhecida ao tempo de D. Nuno, foi re-fundada em 2009, no espírito da família Carmelitana, pelo Vice-Postulador da Causa da Canonização Rev. Padre Francisco Rodrigues, O. Carm, sob o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa, fixando a sua Sede na reconstruída Botica de São João da Fundação Oureana no Castelo de Ourém cujas origens remontam ao tempo em que o III Conde de Ourém era Prior da Ordem Hospitalária de São João (Hoje Soberana Ordem de Malta).

Canonicamente Erigida em várias Dioceses como um Apostolado, a Real Confraria e a sua chamada “Obra do Caldeirão” da qual fazem parte os “Peacemakers” (“Obreiros da Paz” ou “Pacificadores”) é o Departamento Sócio-caritativo da Fundação Oureana que opera em parceria protocolar com a Fundação D. Manuel II e a Real Guarda de Honra.

OS PACIFICADORES

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” Mateus 5:9

Este ano as obras de assistência social da “Obra do Caldeirão” levadas a cabo pelas Fundações parceiras, do Apostolado da Real Confraria do Santo Condestável, através dos “Peacemakers” (“Obreiros da Paz” ou “Os Pacificadores”), obra fundada em 1985 como Sociedade Missionária e então denominada “Sociedade Conde Nuno” e mais tarde, “Sociedade Beato Nuno” e que é hoje parte da Real Confraria da Fundação Oureana.

Esta obra foi fundada na Casa Alta, antiga Ermida do Espírito Santo, onde se situava a primeira residência oficial de John Haffert no Castelo de Ourém. Foram mentores da mesma o Bispo Missionário Constantino Luna, Patrono do Exército Azul e o antigo Tesoureiro do Exército Azul, Timothy Richard Heinan que se inspiraram na biografia de São Nuno por John Haffert; “The Peacemaker that went to War” ou “O Pacificador que foi para a Guerra”.

O Duque de Bragança com a Delegação da Ordem do Santo Sepulcro.

Criada pelo VI Centenário da vitória de São Nuno em Aljubarrota, a obra tem levado a cabo numerosas campanhas anuais de ajuda humanitária em Missões em África, no México, na Guatemala, no Peru e no Brasil, países onde mantém apoio a orfanatos criados e sustentados em boa parte pela mesma.

A Sociedade Beato Nuno foi mais tarde Canonicamente Erigida em várias Dioceses como as de Duluth no Minnesota, E.U.A. e no México até que passou a ser incorporada, por Protocolo, na Real Confraria e em 2009 por ocasião da Canonização de São Nuno. Ostenta hoje o nome que deriva da primeira biografia em língua inglesa de São Nuno, um “best-seller” publicado em 1946 da autoria do Fundador da Fundação Oureana; John Mathias Haffert; intitulada; “The Peacemaker that went to War” (O Pacificador que foi para a Guerra).

Confrades e Guardas de Honra junto ao Túmulo de São Nuno.

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Depois da Missa, e a seguir à romaria dos Confrades e Guardas de Honra em torno do túmulo de São Frei Nuno, foi altura do Confrade Condestável David Alves Pereira informar a Assembleia de Confrades dos resultados das várias campanhas humanitárias que a Real Confraria, através dos “Peacemakers”, tem levado a cabo, desde o início da presente Pandemia, para ajuda dos mais necessitados.

“Tendo-se organizando a distribuição de bens de primeira necessidade a famílias carenciadas, distribuindo subsídios, roupa e outros bens, uma obra que tem realizado neste ano de Pandemia com a ajuda particular das Fundações Parceiras, dos Confrades Condestáveis José António e Maria Antonieta da Cunha Coutinho; do Confrade Nuno Coutinho Faria e dos Benfeitores Duarte Pizarro, Miguel Pape, Susana Rodrigues Lopes e da Drª Isabel Jonet do Banco Alimentar Contra a Fome. Do Apostolado “Mãos Unidas com Maria” de Florinda Marques, também ela membro da Real Confraria recebeu-se medicamentos, roupa, material escolar e agasalhos.

APOIO DADO PELA REAL CONFRARIA DURANTE A PANDEMIA COVID 19

Para os casos com necessidades básicas dos concelhos de Ourém, Tomar e Leiria, para além de ajudas pontuais em dinheiro ou em cabazes de alimentos comprados, estabeleceram-se contactos com as respetivas Câmaras Municipais, que já haviam criado linhas de apoio social. Alguns casos de Ourém e de Fátima foram encaminhados para a Assistência Social do Concelho, que dava 50 Euros por pessoa, por semana, para ajudar com despesas e 150 euros por família.

Das 19 Famílias (77 Pessoas) ajudadas na primeira grande campanha de distribuição de bens alimentares que a Real Confraria coordenou na Comunidade Brasileira, com o apoio do Consulado Honorário do Brasil em Fátima (Ourém), foram também ajudadas até Abril com cabazes de alimentos ou vales distribuídos, 9 pessoas de Fátima. Posteriormente, com a ajuda da Real Confraria, todas foram inscritas no Banco Alimentar contra a Fome, na Cáritas Diocesana ou na Missão Continente para um apoio continuado.

Houve ainda uma família de 4 pessoas que foi transportada, juntamente com a sua mobília e bens, de Viseu para Fátima pelos Confrades David Alves Pereira e Jorge Gonçalves, a fim de receberem apoio de uma Comunidade Religiosa.

É importante esclarecer que desde 2001 que a Fundação Oureana não recebe donativos para obras de caridade, nem distribui donativos com essa finalidade. Para total transparência todas as campanhas de angariação de fundos são levadas a cabo pela Real Confraria do Santo Condestável, e por voluntários, sendo que os beneficiários, a serem ajudados em Portugal ou no estrangeiro, recebem fundos diretamente dos doadores nas suas contas ou então, são-lhes entregue vales ou cheques emitidos pelos doadores a seu favor. A Contabilidade é feita pela Diocese de São Tomé e Príncipe em cuja Diocese está Canonicamente Erigida a Real Confraria que opera a partir de Ourém. É a mesma Diocese que recebe os fundos diretamente e emite os recibos aos doadores. A Real Confraria também dá apoio e manutenção contínua à “Casa dos Pequeninos” da Diocese de São Tomé e Príncipe.

De salientar também os apoios especiais e médicos dados aos que foram atingidos pela presente Pandemia (que juntaram um grupo de 17 Benfeitores, entre eles o jogador de futebol Jardel), com fundos para compra de roupa, pagamento de transportes, carregamentos de telemóveis, e ajuda a pagamentos de faturas de gás, água e luz. Foi ainda adquirida uma ambulância equipada e cadeiras de rodas e andarilhos enviada em Agosto para São Tomé e Príncipe.

Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte de Bragança, Duque de Bragança, na qualidade de Condestável Mor Honorário e Patrono da Real Confraria, felicitou o Condestável-Mor e os Adjuntos; Condestáveis David Alves Pereira; Bruno de Castro e Jorge Gonçalves que juntamente com o Esmoler-Mor António Boleto Catela, são os Esmoleres da Real Confraria e os que dirigem o grupo dos “Peacemakers” em Portugal e o apio dado pelos Confrades Condestáveis Angelo Musa, Kevin Couling, Stephen Besinaiz e Paul Perry a liderarem as campanhas de angariação de fundos com o Condestável-Mor Carlos Evaristo, em vários países do estrangeiro e que resultaram no êxito destas campanhas.

Romaria e Oração dos Confrades participantes junto ao Túmulo de São Nuno.

INVESTIDURAS NA CRIPTA DO CONDESTÁVEL

Antes da Missa da Festa de São Nuno, pelas 16:30 Horas, teve lugar na Cripta da Igreja do Santo Condestável, no piso abaixo do Altar-Mor junto ao local onde se encontra o túmulo com relíquias de São Nuno, a Investidura de novos Confrades e também de novos Guardas de Honra da Real Guarda de Honra (RGH).

O Senhor Dom Duarte de Bragança, que ostenta hoje os títulos que eram de São Nuno, Conde de Ourém e Conde de Barcelos, na qualidade de Condestável-Mor Honorário e Patrono Fundador da Real Confraria, relembrou a família dos Duques de Cadaval, que tradicionalmente representam a família “Pereira” e ostentam as Armas que eram de D. Nuno, mas que não poderem estar presentes. Seguidamente o Senhor Dom Duarte entregou os diplomas e felicitou os novos membros das duas Associações que gozam do Patronato Real, apelando a que todos sigam sempre o exemplo de Caridade, Humildade e de Amor a Deus e à Virgem que foi de São Nuno e particularmente, ajudando aqueles que mais necessitam sempre, e de forma extraordinária, neste tempo de Pandemia.

Sua Alteza Real o Duque de Bragança.

Para além de serem investidos por procuração vários membros Norte Americanos e Italianos, houve também a investidura presencial de novos membros das Legiões da RGH de Beja e de Évora, e ainda, nomeado mais um Capelão.

Os Confrades Humberto Nuno e João Pedro.

Foi designado Confrade Condestável Grã-Colar Humberto Nuno Lopes Mendes de Oliveira que passa a assumir o Comando da Legião da Real Confraria e Real Guarda de Honra na Igreja do Santo Condestável.

O Alcaide João Pedro com sua irmã e Madrinha Maria de Lurdes junto à Pia Batismal.

Será assistido pelo Adjunto e Alcaide João Pedro Antunes de Ascensão Teixeira, Confrade que foi batizado na mesma Igreja pelo Padre Mário, no dia 13 de Maio de 1966, tendo como Madrinha, sua irmã, Maria de Lurdes, também presente na Missa da Festa de São Nuno para recordar esse dia com o irmão.

Batismo do Confrade Alcaide João Pedro Antunes de Ascensão Teixeira
na Igreja do Santo Condestável.
O Padre Mário administra o batismo a João Pedro Teixeira ao colo de sua irmã e Madrinha.

MISSA PRESIDIDA PELO BISPO AUXILIAR DE LISBOA

A Missa, que teve início pelas 19:00 Horas, foi presidida por D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Lisboa. Antes e depois da Missa uma relíquia de São Nuno foi levada no Cortejo Litúrgico pelo Pároco da Igreja do Santo Condestável, Revº Padre Luís Carlos Silva de Almeida que publicamente saudou e agradeceu a presença do Senhor Duque de Bragança, dos Confrades da Real Confraria e membros da Real Guarda de Honra.

A Relíquia de São Nuno levada na Procissão Litúrgica.







A Santa Missa foi presidia por D. Américo Aguiar.

Membros de uma Família da Paróquia colocaram a Coroa de Flores no Túmulo de São Nuno.
O Confrade Fundador D. Nuno de Bragança van Uden.

Presentes na Santa Missa também uma representação oficial da Ordem do Santo Sepulcro da qual fazia parte D. Nuno de Bragança van Uden, primo do Duque de Bragança e Confrade Fundador Condestável da Real Confraria.

Os Confrades Carlos e Margarida Evaristo

Presente também esteve o Confrade Fundador Dr. Alexandre Patrício Gouveia, Condestável para a Capela de São Jorge em Aljubarrota e Presidente da Fundação Batalha de Aljubarrota com a qual a Fundação Oureana celebrou um Protocolo de Cooperação em 2009 que criou a Exposição Nacional do Santo Condestável no Castelo de Ourém.

Os Confrades João Pedro Teixeira e Mário Neves.
O confrade Mário Neves.
O Confrade Alexandre Patrício Gouveia.

No final da Assembleia, o Confrade Mário Neves foi nomeado Alcaide para o Santuário da Princesa Santa Joana em Aveiro pelo Condestável Mor como reconhecimento do importante trabalho que tem vindo a realizar na pesquisa da história e promoção do Culto de São Nuno e ainda, na preparação de uma publicação sobre São Nuno que será editado em breve pela Real Confraria através da Regina Mundi Press ICHR, Editora das Fundações.

Representante do Chefe do Estado Maior do Exército.
O Comandante da Legião de Tomar da Real Guarda de Honra Bruno de Castro
que representava o Comando Geral da RGH.

Delegações da Ordem do Santo Sepulcro e dos Escuteiros cujo Patrono é o Santo Condestável.

Membros Confrades da Real Guarda de Honra das Legiões de Beja e Évora.
O Confrade Alexandre Patrício Gouveia.
O Confrade Alcaide João Pedro Antunes de Ascensão Teixeira.
O Alcaide João Pedro Antunes de Ascensão Teixeira e sua irmã Maria de Lurdes..
A Delegação da Ordem do Santo Sepulcro.

BRINDE À MEMÓRIA DE S.A. D. HENRIQUE DUQUE DE COIMBRA

Nesse dia foi recordado Sua Alteza, o Senhor Dom Henrique de Bragança, Duque de Coimbra, Chanceler Mor das Ordens Dinásticas da Casa Real Portuguesa e Condestável Mor Honorário da Real Confraria do Santo Condestável, falecido a 14 de Fevereiro de 2017 e que havia nascido no dia 6 de Novembro, Festa de São Nuno, em 1949.

S.A.R. Dom Duarte de Bragança com o Confrade Justin Carpentier durante o Jantar.
S.A.R. Dom Duarte de Bragança com o Confrade Justin Carpentier durante o Jantar.

Antes da Missa, num jantar informal que teve lugar num restaurante junto à Igreja, brindou-se à memória do Senhor Dom Henrique.

6 de Novembro de 2020

Fotos: Direitos Reservados

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Fundação Oureana Celebrou Protocolo de Colaboração com a DGPC através do Palácio Nacional Da Ajuda para Estudo e Divulgação de Colecções

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Carlos Evaristo, José Alberto Ribeiro e Dom Duarte de Bragança

No Dia Internacional dos Museus a Fundação Histórico – Cultural Oureana anunciou que teve lugar no Palácio Nacional da Ajuda, a celebração de um importante Protocolo com a Direcção Geral do Património Cultural (DGPC).

Igual Protocolo foi celebrado no mesmo dia entre a DGPC e a Fundação D. Manuel II, a primeira parceira protocolar da Fundação Oureana.

Para Carlos Evaristo, Presidente da Fundação Oureana; “este Protocolo é um marco importantíssimo na história dos 25 anos da nossa instituição e dos 50 aos do nosso Programa Medieval.”

José Alberto Ribeiro e Carlos Evaristo após a assinatura de Protocolo.

Dom Duarte de Bragança, Presidente da Fundação D. Manuel II e Membro do Concelho de Curadores da Fundação Oureana considera “importante o estudo e a preservação da memória dos seus antepassados que muito contribuíram para o enriquecimento cultural da nação e do espólio que deixaram a Portugal.”

D. Duarte de Bragança assina o Protocolo.
José Alberto Ribeiro e D. Duarte de Bragança após a assinatura.

Bruno de Castro, Diretor de Relações Públicas da Fundação Oureana como mediador deste Protocolo esclareceu que “as Fundações Oureana e D. Manuel II que se prezam pelo estudo, preservação e difusão da História de Portugal colocam assim o seu conhecer, a experiência e peças históricas das suas coleções à disposição da DGPC e do Palácio Nacional da Ajuda para estudo e divulgação através de publicações e exposições já em fase de preparação.”

O Relações Públicas da Fundação Oureana Bruno de Castro com José Alberto Ribeiro e D. Duarte.

O Protocolo que foi assinado no dia 8 de Outubro de 2019, pelo Director do Palácio Dr. José Alberto Ribeiro e pelos Presidentes das Fundações Oureana e D. Manuel II devidamente mandatados para o efeito teve que ser depois Ratificado pela Directora Geral da DGPC, a Drª Paula Araújo Da Silva que após aprovação do Ministério da Cultura homologou o mesmo no dia 23 de Janeiro de 2020.

18 de Maio de 2020

Fotos: Direitos Reservados

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