“O Jubileu de Ourém” é tema de capa da revista Il Messaggio della Santa Casa di Loreto

O Jubileu de Ourém

Por Luca Ruggieri

No mundo existem inúmeras réplicas da Santa Casa de Loreto, desde a mais próxima, como a de Ricanati, até à mais distante. Entre elas, um papel de particular importância pertence à réplica de Ourém, em Portugal, construída há vinte e cinco anos pela Fundação Histórico-Cultural Oureana.

A capela está agora guardada no interior da Regalis Lipsanotheca, no Castelo de Ourém.

Na base desta iniciativa encontra-se a figura de John Mathias Haffert, americano abastado, fundador do Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima, profundamente ligada à espiritualidade mariana.

Haffert recebeu desta Basílica Lauretana, algumas pedras originais da Santa Casa, utilizadas tanto como elementos estruturais como em forma pulverida no interior da parede da réplica que construíu nos Estados Unidos, e mais tarde,  em Ourém.

A ligação do americano à cidade portuguesa nasceu da centralidade de Fátima, uma fração do Município do Concelho de Ourém, lugar que marcou, de forma singular, a sua vida espiritual e o seu trabalho como Apóstolo.

Após a Segunda Guerra Mundial, tratou de fundar o Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima com o objetivo de divulgar a mensagem transmitida pela Irmã Lúcia pelo mundo, e precisamente para estudar e valorizar este património histórico e espiritual, foi criado, em junho de 1995, A Fundação Histórico – Cultural Oureana.

Os vitrais novos da réplica da Santa Casa em Ourém, desenhados por Carlos Evaristo e executados pela firma Vitral d’ Arte de Fátima representam o Nascimento de Cristo em Belém e contam a história vivida pela Sagrada Família na Casa de Nazaré; a Carpintaria de São José e a morte de São José.

Os painéis pintados a óleo desenhados por Carlos Evaristo e pintados por Zinaida Loghin, representam a história da Santa Casa e as Lendas de Nossa Senhora de Loreto / Nazaré na Itália, em Walsingham, Inglaterra e em Nazaré, Portugal.

A Fundação Histórico-Cultural Oureana dedica-se à difusão da Mensagem de Fátima e à proteção do património cultural da cidade, em particular pela recuperação do Castelo, que, na primeira visita a Fátima, em 1946, se encontrava em estado precário.

Entre as iniciativas mais significativas da Fundação, destaca-se a criação da réplica da Casa Santa, um dos pilares da Regalis Lipsanotheca, uma capela concebida para albergar relíquias no interior do próprio Castelo.

Desta forma, a Santa Casa torna-se paragem obrigatória na peregrinação ao Santuário.

Por ocasião de uma série de aniversários muito importantes, como o 30º aniversário da Fundação e o 25º aniversário da construção da réplica da Santa Casa e 25º aniversário do milagre da Canonização de São Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, o Papa Leão XIV concedeu um Jubileu especial a Ourém, de 8 de Dezembro de 2025 a 6 de Novembro de 2026.

O Ano Jubilar foi aberto com uma celebração no interior da Regalis Lipsanotheca celebrado pelo Capelão da Fundação, Padre Fernando Antônio, e oferece Indulgências Plenárias aos peregrinos que participem nas celebrações e nos ritos jubilares no local designado, confirmando o papel da Fundação como um importante centro internacional de espiritualidade Mariana.

Em preparação para o Jubileu, o Presidente da Fundação Oureana, Carlos Evaristo, que partindo dos desenhos de Haffert da construção da réplica da Santa Casa em New Jersey, realizou a construção da cópia da Santa Casa Mariana na cidade Portuguesa, fez uma Visita Oficial à Basílica Pontifícia da Santa Casa de Loreto, fortalecendo simbolicamente o vínculo entre os dois legados.

Durante a visita, Evaristo pôde apreciar a beleza das ofertas ao Museu Pontifício, com a explicação do seu amigo de longa data, um funcionário histórico da delegação, Roberto Stefanelli, cuja visita à Basílica, sob a orientação e inserção do Padre Giuseppe Santarelli, permitiu aos fiéis venerar a Santa Casa com algumas das relíquias mais significativas do Santuário, renovando este filho espiritual que une Loreto e Fátima. Agora Fátima está sob o signo de Maria.

Fonte: Il Messaggio della Santa Casa di Loreto, Febbraio 2026, Loreto no mundo, Páginas 61 e 62

Texto: Luca Rugieri

Fotos: Fundação Oureana / Roberto Stefanelli

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Presidente da Conferência Episcopal Americana inaugura Memorial da Peregrinação Jubilar da Real Irmandade do Arcanjo São Miguel a Fátima e do Centenário das Aparições em Pontevedra

Foi por motivo da Peregrinação da Real Irmandade do Arcanjo São Miguel a Fátima, que o Arcebispo Castrense dos Estados Unidos da América e Presidente da Conferência Episcopal D. Timothy Broglio se deslocou ao Castelo de Ourém para benzer um Memorial que assinala, tanto a visita a Portugal pelo Ano Santo Jubilar dos Confrades da Real Irmandade, como também o 25º aniversário da mesma Real Irmandade e ainda o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Pontevedra, Espanha.

O Memorial composto por uma imagem de Nossa Senhora de Fátima com os três Pastorinhos fica localizado no Largo de entrada para a Regalis Lipsanotheca / Casa de Velório, edifício que este ano também celebra o 25º aniversário da sua dedicação como Capela – Museu das Relíquias.

“Este ano assinala-se o 30º aniversário da Fundação Oureana e 35º Aniversário do Apostolado das Sagradas Relíquias; Oratório de Santa Ana em Portugal”; explicou Carlos Evaristo, Co-Fundador e Presidente da Direção da Fundação Oureana cuja mãe Guilhermina De Jesus Costa celebra 25 anos do Milagre que obteve e que foi reconhecido para a Canonização de São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira.

A Regalis Lipsanotheca com a sua réplica da Santa Casa de Loreto foi inaugurada por John Haffert a 13 de Maio do Ano Santo Jubilar 2000, e serve desde então de sede da Cruzada Internacional pelas Sagradas Relíquias criada em 1997 por Carlos e Margarida Evaristo com o fundador do Apostolado das Relíquias “Saints Alive”, Thomas Serafin.

A Regalis Lipsanotheca foi benzida pelo Cardeal Ricardo Vidal e a cerimónia contou com dezenas de Bispos e Padres que participaram numa peregrinação de 1000 peregrinos, o último chamado “Voó da Paz” organizado por Hafferet antes de falecer.

“Este local”, segundo Evaristo, “tornou-se casa, não só da nossa colecção de relíquias sagradas, mas também das colecções de vários outros benfeitores, o mais significativo dos quais é o do nosso Co-Fundador e Presidente do Conselho da Fundação / Capelão Mor; Padre Carlo Cecchin.

A Regalis Lipsanotheca serve também de Casa de Velório e de sede espiritual do Centro de Estudos das Ordens Dinásticas da Casa Real Portuguesa e representação em Portugal de muitas outras organizações e Parceiros Protocolares da Fundação.

Conta com o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa na pessoa de S.A.R. Duque de Bragança e Conde de Ourém D. Duarte Pio e de outras Casas Imperiais e Reais Europeias, Africanas e Americanas.

O edifício evoca uma igreja medieval no local onde existiu em tempos a Igreja (românica) de São Pedro, demolida pelo IV Conde de Ourém e substituída por uma Ermida dedicada a São José para onde, após o terramoto de 1755, foi trazida a magnífica colecção de relíquias da Casa de Bragança (o Relicário do IV Conde) e o Santíssimo Sacramento, que se mantiveram lá até à reconstrução da Real e Insigne Sé-Colegiada.

A Ermida que tinha religiosas reclusas manteve-se de pé até às Lutas Liberais de 1834. O edifício atual já com mais de 55 anos serviu inicialmente de cavalariças e garagens e mais tarde escritório da firma Castelos de Portugal Turismo Lda.

Desde a sua transformação em 1999 em Capela-Museu de Relíquias da Fundação, o edifício não só recebe mais de 20.000 peregrinos por ano, sendo hoje conhecido como um Repositório de Relíquias Sagradas de renome mundial, albergando importantes coleções de relíquias, como aquelas que Museus da Igreja e do Estado decidiram aqui depositar para salvaguarda e preservação.

A colecção é hoje importante como objecto de estudo para projectos especiais de doutoramento e complemento ao projecto Corpi Sancti, em protocolo com a Universidade de Coimbra.

Provisoriamente localizada em Fátima durante 10 anos, a coleção, que está hoje de volta a Ourém, é composta por mais de 50.000 relíquias e vários corpos inteiros de santos em simulacra. Durante 15 anos o edifício foi restaurado com remodelações de altares e decoração patrocinadas por famílias cujos nomes estão gravados nos frisos votivos. Estes memoriais, juntamente com os cenotáfios de Amália Rodrigues, Roberto Leal e dos fundadores, são homenagens duradouras aos Parceiros Protocolares que ajudaram a tornar a obra possível.

Sob o patrocínio de muitas Casas Reais representadas em Ourém no ano de 2019 procedeu-se à reinauguração que incluiu a criação de um cemitério privado e columbário para cinzas dos fundadores, capelães, beneméritos, parceiros protocolares e Cavaleiros e Damas da Federação RISMA.

Antes da bênção do novo Memorial, o Arcebispo Broglio visitou o interior da Regalis Lipsanotheca e a Santa Casa para venerar as muitas Relíquias. Depois, já no exterior, benzeu uma imagem do Santo Condestável Patrono dos Militares, que vai ser oferecida à Capela do Caneiro.

Seguidamente recordou os vários fundadores e benfeitores falecidos e entre eles, John e Patrícia Margaret Haffert, Phillip James Kronzer e o Professor Dr. Frederick Zugibe, Presidente do Centro de Investigação Religiosa da Fundação. Seguiu-se a homenagem fúnebre aos Capelães Mores e Capelães, falecidos entre os quais Monsenhor José Geráldes Freire e o Padre John Guilbert Mariani.

depois foram relembrados os falecidos membros das Ordens; Damas e Cavaleiros, e particularmente o recém falecido Juiz John Michael Thoma, responsável ​​por congregar todos os oficiais americanos ali reunidos. Como sinal de lembrança foi deixada uma rosa vermelha junto a cada sepultura.

A Regalis Lipsanotheca é hoje conhecida, não só como o maior Repositório de Relíquias Sagradas
fora do Vaticano, mas também como um Centro de Estudos sobre a História, Culto e reautenticação de Relíquias Sagradas e restauro de relicários e simulacra. Nela também está sedeada a representação em Portugal do Gabinete dos Patronos dos Museus do Vaticano entre outras associações Católicas de fieis.

Ajudou o Arcebispo Broglio a descerrar a lápide do Memorial que estava coberta por uma Bandeira das Forças Militares Norte Americanas, o Presidente do Conselho da Fundação Padre Carlo Cecchin e o Juiz da Real Irmandade Coronel Stpehen Besinaiz também ele Presidente da Bezines Group LLCD, que juntamente com a Associação Americana de Damas e Cavaleiros da Casa Real Portuguesa patrocinou o mesmo.

26 de Setembro de 2025

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Fundação Oureana celebra Jubileu do 30º aniversário e 25º Aniversário da 1ª réplica da Santa Casa de Loreto em Portugal

Fundação Histórico – Cultural Oureana

A festa de Nossa Senhora de Loreto e 100º da Aparição de Nossa Senhora em Pontevedra à Vidente de Fátima Irmã Lúcia, foi a data escolhida pela Fundação Oureana para iniciar as celebrações do Jubileu concedido pelo Papa Leão XIV pela 30º aniversário da sua criação e 25º aniversário da construção da Regalis Lipsanotheca e a 1ª réplica da Santa Casa de Loreto em Portugal.

Réplica da Santa Casa de Loreto no Castelo de Ourém vista do interior da Regalis Lipsanotheca

Foi também motivo da concessão de um Jubileu, o 25º aniversário do Milagre para a Canonização de São Nuno (ocorrido no edifício do Restaurante Medieva da Fundação), o 35º aniversário do Apostolado de Relíquias em Portugal, o 25º aniversário da Real Irmandade da Ordem do Arcanjo São Miguel e o 25º aniversário da Regalis Lipsanotheca (Capela de relíquias que contém a réplica da Santa Casa de Loreto – Nazaré).

Réplica da Santa Casa de Loreto no Castelo de Ourém vista do exterior da Regalis Lipsanotheca

O Jubileu pedido pelo Patrono Protetor e Capelão Geral da Fundação; Bispo D. Manuel António Mendes dos Santos confere uma Indulgência Plenária em vários lugares ligados aos aniversários incluindo a Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Misericórdias em Ourém. O Jubileu estende-se de 8 de Dezembro de 2025 (Aniversário do Milagre atribuído a São Nuno) a 6 de Novembro de 2026 (Festa litúrgica do Santo Condestável).

Altar da réplica da Santa Casa de Loreto no Castelo de Ourém

Missa Jubilar Indulgenciada

As celebrações do inicio do Jubileu principiaram com uma Missa Jubilar Indulgenciada celebrada pelo Capelão da Fundação, Padre Fernando António, e que teve lugar na Regalis Lipsanotheca, o repositório de relíquias sagradas que tem a réplica da Santa Casa de Loreto / Nazaré, que foi designada de “Capela Jubilar”.

Assistiram à Santa Missa para além dos membros da Direção da Fundação Oureana, os pais do Capelão, colaboradores da Fundação e também amigos do falecido fundador John Haffert, incluindo a conhecida autora de livros Católicos de crianças; Josephine Nobisso.

Durante a Santa Missa, o Capelão da Fundação relembrou os presentes o papel que tiveram os Fundadores; John e Patrícia Haffert na criação do Exército Azul, da Fundação Oureana e a devoção que nutriam por Nossa Senhora que os levou também a criarem réplicas da Santa Casa; a primeira nos Estados Unidos da América no Santuário de Nossa Senhora de Fátima do Exército Azul em Washington New Jersey e a primeira em Portugal, na Regalis Lipsanotheca no Castelo de Ourém.

Depois da veneração de Relíquias Insignes da Sagrada Família e da pedra da Santa Casa de Loreto, o Capelão da Fundação recitou a Litania de Nossa Senhora de Loreto terminando a Missa Indulgenciada com a bênção de todos presentes com as referidas relíquias. Para ambas as réplicas da Santa Casa, (a de New Jersey e a de Ourém), John Haffert consegui obter do Santuário Pontifício da Santa Casa, em Itália, relíquias insignes de pedras da verdadeira Santa Casa, parte das quais, foram pulverizadas e colocadas no revestimento das paredes para tornar assim as réplicas relíquias autênticas da Santa Casa à escala.

Das muitas réplicas da Santa Casa que existem no mundo, a maioria na Itália, só as duas construídas por John Haffert têm estas características; uma pedra da verdadeira Santa Casa, e uma parte da pedra pulverizada no revestimento das suas paredes.

A replica da Santa Casa de Loreto (parte da Regalis Lipsanotheca – capela de relíquias) foi o primeiro local em Portugal a ter relíquias da Santa Casa de Loreto e da Sagrada Família à veneração em Portugal.

Interior da Santa Casa em Loreto

A Santa Casa e a Lenda Dourada da Trasladação para Loreto

Reza a tradição que a casa de pedra que se venera em Loreto, Itália, hoje revestida de mármore ricamente ornamentada no seu exterior, foi, de fato, a casa que existia em Nazaré onde Santa Ana e São Joaquim criaram a Virgem Santa Maria, e onde, mais tarde, a Mãe de Deus, criou Nosso Senhor Jesus Cristo com a ajuda de São José.

Aquela que é a maior relíquia do mundo é hoje parte central do Santuário Pontifício da Santa Casa de Loreto como é formalmente conhecido. Localizado na região de Marche, na Itália, a uma curta distância da praia de Porto Recanati, a Santa Casa está instalada na Basílica da Santa Casa, construída entre 1469 e 1587.

Constituída por três paredes que, segundo a antiga e consagrada tradição, estariam de frente à chamada “Gruta da Anunciação” onde a Virgem Santa Maria nasceu, viveu e recebeu a Anunciação do Arcanjo São Gabriel. A gruta foi também o local, onde mais tarde, São José instalou a sua oficina de carpinteira e onde tradicionalmente o protetor de Jesus e Maria morreu.

Estudo arqueológico de reconstituição mostra como a Casa em Loreto fazia parte da Gruta da Anunciação em Nazaré

A Santa Casa foi indiscutivelmente transportada, de Nazaré para o Loreto tendo chegado no dia 10 de Dezembro do ano de 1294. De acordo com a Lenda Dourada e a pia devoção popular, a mesma foi transportada por anjos. No entanto, após estudos arqueológicos e filológicos mais recentes, e considerando o edifício, os registos e o estudo da iconografia sacra antiga, acredita-se agora que a casa foi levada da Terra Santa para a Itália por meios humanos – por navio – com a ajuda dos anjos, mas neste caso os “Angeli”, uma poderosa família Bizantina cujo apelido literalmente quer dizer “Anjos”.

Pintura na Santa Casa de Loreto em Ourém que ilustra a história

A família “Angelo” (Anjo) ou “Angeli” (Anjos) governaram o chamado Despotado do Epiro, um de vários pequeno estados feudais que surgiram após a queda do Império Bizantino de Constantinopla e do Reino Latino de Jerusalém. O Despotado do Epiro era na realidade um Estado Grego autónomo cujos chefes reclamavam alguns títulos como “Rei de Jerusalém” ou “Governador e Protetor da Palestina”. 

Em 1291 antes da perca do Reino Latino de Jerusalém, Nicephorus I Angelos Comnenos (Despota do Epiro entre 1271 e 1297) decidiu desmantelar a Santa Casa em Nazaré para a salvaguardar dos Saracenos e doou depois as “pedras sagradas da Casa de Nossa Senhora” como dote aquando do casamento da sua filha com Filipe I de Anjou.

Pintura na Santa Casa de Loreto em Ourém com as lendas da Santa Casa

O carregamento das pedras da Santa Casa e outros objetos sagrados (relíquias da Sagrada Família) constam do Chartularium Culisanense um documento que relata a carga do navio que transportou as relíquias em 1294 até Veneza, seguindo a rota dos navios dos Cruzados com paragem na Croácia onde existe a tradição que a Santa Casa foi venerada pela população local.

Os “Angeli” (anjos) na Lenda Dourada passaram assim a simbolizar na arte e na tradição a poderosa família Bizantina que literalmente salvou a Santa Casa, embora a iconografia posteriormente interpretada atribuiu a trasladação a uma intervenção divina, criando assim a Lenda Dourada do transporte angélico.

Um estudo realizado em 1997, pelo reconhecido perito mundial em relíquias, Presidente da Direção e Co-Fundador da Fundação Oureana, Carlos Evaristo, comprovou que «o termo náutico medieval para “navegar” era de facto “voar” pois acreditava-se que o firmamento dividia “os Céus de cima dos Céus de baixo” ou as águas de cima (chamadas de Céu) das águas de baixo (chamado de mares). Assim sendo, quando os ventos sopravam e enchiam as velas dos navios dizia-se que “os barcos “voavam pelos Céus”». Segundo Evaristo, “esse termo para descrever a navegação à vela era de uso comum na Europa até a criação dos navios a vapor.” “Nem Ithamar (Margarida), filha de Nicephorus, nem seu marido, Filipe I de Anjou, se interessaram muito por desalfandegar um carregamento de pedras em Veneza e especialmente se a taxa alfandegária atribuída à carga seria calculada pelo peso! Foram de fato dois netos do casal que mais tarde lutaram pela posse das pedras sagradas já na época áurea das relíquias. O vencedor dessa luta, sendo dono de um terreno com um bosque de loureiros (Loreto) reconstruiu nele a Santa Casa supostamente com uma planta enviada pelo seu bisavô Nicephorus. O histórico feito da família ficou imortalizado para sempre nas representações alegóricas dos Anjos (Angeli) a acompanharem a Santa Casa pelos céus enquanto um navio cruzado transportava a mesma por mar.”

Testes realizados às pedras da Santa Casa na década de 1990, assim como um estudo da Igreja da gruta da Anunciação onde ficava situada a Casa em Nazaré, confirmaram que as pedras da casa em Loreto são de origem Palestiniana. As mesmas correspondem aos materiais e às técnicas de cinzelagem manual daquela região e época sendo que a dimensão da casa reconstruída na Itália, corresponde aos alicerces originais que tinha nas ruínas das fundações na Terra Santa.

Comprovou-se assim através das escavações arqueológicas que a Santa Casa é de fato genuína tendo sido constituída por duas partes: uma gruta, ainda conservada na Basílica da Anunciação em Nazaré, e uma casa frontal à superfície, com três paredes de pedra, as pedras que foram transportadas para o Loreto. Confirmou-se também que a parte da casa encostada à gruta não possuía parede própria.

A Santa Casa tal como foi reconstruída em Loreto

Em Loreto, as três paredes reconstruídas com as pedras da casa da Virgem Maria em Nazaré foram colocadas numa via pública que ligava Recanati ao porto, com uma quarta parede construída com pedras locais. Contudo as estrutura foi recriada sem fundações adequadas e de imediato foi alvo de um extraordinário cuidado de conservação, próprio de uma preciosa relíquia. Primeiro, no final do Século XIII, foi reforçada com alvenaria para criar uma fundação; depois, foi sustentada por contra-arcos no lado norte; e, finalmente, no início do Século XIV, foi cercada por uma parede de tijolos (chamada “Recanatesi”) em toda a sua largura e altura.

Estes dados da construção foram devidamente verificados durante escavações arqueológicas realizadas no subsolo da Casa Santa em 1962/65, altura em que foi descoberto o que restava de velas de pano de um navio Cruzado e moedas cunhadas por Nicephorus I Angeli Comnenos do Epiro assim como outras do tempo da aquisição pelos Anjou e a sua reconstrução em Loreto.

Maquete original do revestimento em mármore colocado nas paredes exteriores da Santa Casa

Também de acordo com as escavações arqueológicas, as três paredes da Casa Santa encaixam perfeitamente no perímetro da Gruta da Nazaré, que é a parte restante da casa de Maria. Além disso, as pedras com que foi construída não são originárias do território de Recanati, mas são típicas da tradição construtiva palestiniana do tempo de Cristo. Isto atesta a autenticidade da relíquia.

O revestimento em mármore da Casa Santa foi desenhado por Donato Bramante, a pedido do Papa Júlio II. Mais tarde o Papa Leão X confiou a obra a Andrea Sansovino, a quem sucederam depois Raniero Nerucci e Antonio da Sangallo, o Jovem.

Júlio II

A cidade de Loreto floresceu desde a chegada da Casa Santa. Antes, não havia nada naquele monte. A ilustre relíquia atraiu muitos peregrinos em busca de graça e bênçãos. Os peregrinos doentes eram os primeiros a ser levados à Santa Casa, pedindo a cura dos seus corpos e espíritos.

A devoção à Santa Casa espalhou-se primeiro pelas regiões de Marche, depois para além das fronteiras, até todo o mundo católico. Existem muitos lugares dedicados à Virgem do Loreto, e muitos são reproduções fiéis da Santa Casa, alguns com revestimento de mármore. Por exemplo, na Europa, há um em Praga, enquanto na Ásia, outro está em Taiwan.

Leão X

A imagem de Nossa Senhora que hoje pode ser admirada em Loreto é de 1922, pois a anterior perdeu-se num incêndio que ocorreu na Casa Santa em 1921. A Virgem de Loreto foi proclamada padroeira universal de todos os viajantes aéreos pelo Papa Bento XV a 24 de Março de 1920.

Em 2020, pelo centenário do Santuário e o Ano do Jubileu Lauretano concedido pelo Papa Francisco, foi recordado este vínculo especial que existe entre a Virgem de Loreto e toda a aviação civil e militar.

As duas réplicas da Santa Casa de Loreto criadas por John Haffert

A primeira réplica da Santa Casa nos Estados Unidos da América foi construída por John Haffert a partir da planta da Casa original em Loreto, com as mesmas dimensões: 4 m x 9,5 m. A mesma foi construída por pedreiros vindos de Fátima que usaram pedra nativa de Washington, Nova Jersey.

Por cima da porta de entrada encontra-se uma imagem de Nossa Senhora de Loreto, uma réplica da original da Casa Santa em Loreto, coroada por São João XXIII. A réplica da imagem foi enviada como presente pelo Cardeal D. Aurélio Sabbatini, juntamente com um lustre em forma de estrela que permaneceu suspenso sobre a Casa Santa de Loreto na grande cúpula da basílica, durante 100 anos. Muitos grandes santos e figuras santas estiveram sob o lustre em oração, incluindo Santa Teresa de Lisieux, São João Bosco e São Maximiliano Kolbe.

Uma pedra proveniente da Santa Casa de Loreto oferecida ao Exército Azul pelo Arcebispo Sabbatini de Loreto a pedido do Arcebispo Loris Capovilla, antigo secretário pessoal de São João XXIII chegou numa caixa de prata forrada com veludo azul medindo 10 cm de largura por 1,2 cm de espessura.

Um pequeno pedaço da pedra foi colocado na 1ª pedra da casa e o restante pulverizado e o pó fino distribuído nas paredes com a argamassa. Assim, a casa onde viveu a Sagrada Família ficou verdadeiramente a fazer parte das paredes da Santa Casa dos EUA, tornando a réplica numa relíquia à escala.

O Santuário da Capela da chamada Holy House USA é também um Lipsanotheca (Capela de Relíquias). Para além das paredes estarem revestidas com pó da relíquia da pedra, uma parede contém um altar com uma representação em tamanho Real da Visão da Santíssima Trindade que a Irmã Lúcia teve no Convento das Irmãs Doroteias em Tuy, Espanha, a 13 de Junho de 1929.

O altar da Santa Casa nos EUA também é também uma relíquia pois é metade do altar original da capela do Convento onde ocorreu a Visão de Tuy e sobre o qual segundo a Irmã Lúcia fluíram como água as palavras “Graça” e “Misericórdia”. John Haffert comprou o altar às Irmãs Doroteias e dividiu o mesmo, colocando a outra metade, assim como as colunas decorativas com arcos da capela, no Oratório Relicário que construiu em Pontevedra na casa das aparições que agora comemoram 100 anos e que Haffert adquiriu para sede o Exército Azul Espanhol.

A Santa Casa de Nova Jersey também guarda outras relíquias; fragmentos do Santo Lenho, do Véu de Nossa Senhora, do Manto de São José, assim como relíquias de Santa Ana, Maria Goretti, Luís de Montfort, Therese de Lisieux, Bernardo de Claraval, Pedro Julian Eymard e relíquias dos Pastorinhos de Fátima Santos Francisco e Jacinta Marto.

A capela nos Estados Unidos guarda também o maior pedaço da azinheira das aparições de Nossa Senhora em Fátima. E

ste pedaço foi recolhido pela mãe da Irmã Lúcia e após a sua morte oferecido ao Padre Luís Gonzaga de Oliveira, que dormia com a relíquia debaixo do seu colchão.

Pouco antes de falecer ofereceu a mesma a John Haffert que a levou a 15 de Outubro de 1949, para a capela do Instituto Avé Maria em Nova Jersey que ele fundou.

A Casa Santa construída por John Haffert foi dedicada no dia 22 de Agosto de 1973, Festa da Realeza de Maria, pelo Bispo George W. Ahr, da Diocese de Trenton. É hoje um local de culto para o povo de Deus nas américas, sendo uma das principais atrações religiosas do Santuário do Exército Azul.

O Santuário do Exército Azul foi construído em 1978 e é composto por 60 hectares de terreno doados por John Haffert.

É um local de peregrinação, oração e devoção ao Imaculado Coração de Maria, bem como a sede do Apostolado Mundial de Fátima dos Estados Unidos.

O teto do Santuário forma um manto castanho, representando a proteção de Nossa Senhora e lembrando-nos o escapulário castanho. Tem um desenho simples, construído com oito secções que formam uma estrela de oito pontas, cinco representando os mistérios do Rosário e três representando as crianças de Fátima.

A estrutura central tem 40 metros de altura, coroada por uma cúpula de 12 estrelas. A sua cúpula representa o mundo e serve de base a uma estátua de bronze de 7,3 metros do Imaculado Coração de Maria acolhendo todos de braços abertos.

Em 1997, pelo do 80º aniversário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, após um Jantar com todos Reitores dos Santuários Marianos patrocinado pela Fundação Oureana no seu Restaurante Medieval, Carlos Evaristo anunciou que John Haffert havia decidido pedir uma pedra da Santa Casa de Loreto para servir de 1ª pedra para um complexo museológico dedicado a Nossa Senhora Rainha do Mundo, obra que o mesmo pretendia inaugurar no Ano Santo 2000.

A 20 de Outubro de 1997 o então Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Loreto, Frei Angelico Violini OFM, concedeu o pedido de uma pedra da Santa Casa que foi entregue pessoalmente a John Haffert no Santuário Italiano aquando de uma peregrinação de 1000 peregrinos por si liderada a todos os Santuários Marianos.

Posteriormente transportada para o Castelo de Ourém e entregue a Carlos Evaristo que a colocou num relicário desenhado por si e esculpida pelo artista Fatimense Abílio Oliveira.

Com esta primeira pedra, Haffert, no ano seguinte, deu início à criação dos vários espaços museológicos do complexo Sedes Mundi Reginae benzidos e inaugurados a 13 de Maio de 2000.

A réplica da Santa Casa em Ourém, a primeira em Portugal, foi desenhada por Carlos Evaristo tendo como base a planta fornecida a John Haffert em 1970. À semelhança da capela americana, a capela portuguesa tornou-se parte central da Regalis Lipsanotheca, (um repositório de relíquias sagradas) tendo também um altar embutido com uma relíquia do altar da Visão de Tuy e imagens da Virgem de Loreto e de Nossa Senhora de Fátima da Aparição em Pontevedra.

Painéis pintados do Altar da Sagrada Família na réplica da Santa Casa em Ourém

Por coincidência ou talvez providência divina, duas medalhas devocionais antigas alusivas à trasladação da Santa Casa, uma do Século XV e outra do século XVIII, foram encontradas no local da construção da réplica aquando da colocação da parte pulverizada da pedra na massa para o revestimento das paredes pelo então Capelão da Fundação Padre Carlos Querido da Silva.

Apesar de haver há séculos uma Igreja de Nossa Senhora de Loreto (popularmente chamada de “Igreja dos Italianos”) em Lisboa, e da mesma ter uma imagem muito antiga réplica da original em Itália que foi destruída por um fogo, a Igreja não é nem tem uma réplica da Santa Casa propriamente dita.

A 8 de Agosto de 2004, a Regalis Lipsanotheca em Ourém recebeu a visita de D. Angelo Comastri, Arcebispo de Loreto, juntamente com o Delegado Oficial da Terra Santa Padre Giuseppe Nazzaro e Roberto Stefanelli, Oficial do Secretariado.

Peregrinação ao Santuário da Santa Casa em Loreto

Em antecipação do início do Jubileu concedido pelo Santo Padre Papa Leão XIV à Fundação Oureana, o Presidente da Direção, Carlos Evaristo, viajou até Loreto, na Itália, para visitar a Basílica Pontifícia da Santa Casa tendo sido recebido pelo amigo de longa data Roberto Stefanelli.

Armas do Arcebispo D. Angelo Comastri

Depois de uma visita guiada ao Museu e Tesouro do Santuário, Evaristo foi conduzido à Sala das oferendas onde lhe foi mostrado pelo anfitrião as lembranças oferecidas a Nossa Senhora de Loreto pelo Fundador da Fundação Oureana e seu compadre, John Haffert e pelo Exército Azul americano e ainda a medalha da Santa Cada levada lua pelos astronautas americanos e uma pedra trazida da superfície lunar e oferecida pelo Presidente Americano.

Depois foi altura de visitar a Santa Casa onde Evaristo pôde venerar a relíquia da tigela do Menino Jesus entre várias relíquias como a de São Luís IX Rei da França, primo dos Angeli e de São Carlo Acutis. À saída da Santa Casa venera-se a grade feita das barras da Prisão que guardou os prisioneiros da Batalha de Lepanto oferecidas ao Santuário.

Carlos Evaristo e Roberto Stefanelli junto ao Ponta Missal oferecido pelos Príncipes Japoneses

No Santuário estão expostas centenas de peças históricas, de arte sacra e ofertas de Papas e visitas ilustres, incluindo as prendas dos primeiros Príncipes Japoneses trazidos ao Papa pelos Missionários Portugueses, Evaristo.

Interior da Santa Casa em Loreto

Na Capela Americana do Santuário pode-se ver um vitral com os Santos Americanos e o mural pintado a óleo que reveste as paredes com personagens Católicas da história dos Estados Unidos e que inclui, o Presidente John F. Kennedy, o Governador Ronald Reagan, o Arcebispo Fulton Sheen, os primeiros astronautas que foram à lua e os fundadores do Exército Azul; John Mathias Haffert e Monsenhor Harold Colgan.

Antes de partir de Loreto, Carlos Evaristo ainda teve oportunidade de cumprimentar o grande arqueólogo e historiador da Santa Casa, Frei Giuseppe Santarelli a quem se deve muito do que se conhece hoje sobre esta preciosa relíquia.

Carlos Evaristo e Frei Giuseppe Santarelli
Carlos Evaristo despede-se de Roberto Stefanelli

Nas palavras do Santo Padre, «a Santa Casa de Loreto (assim como as suas réplicas) recorda o local onde a Virgem Santa Maria nasceu e viveu como mulher, esposa e mãe e por isso, representa um lar para cada família que ali encontra apoio, conforto e esperança nas dificuldades entre estas três paredes. Dentro destas paredes, Maria disse o seu “Sim” a Deus, um “Sim” forte e corajoso, que é um exemplo de vida para o peregrino: a capacidade de dizer sim quando chamado, seja ao matrimónio, à consagração ou mesmo ao compromisso social e ao bem comum.»

10 de Dezembro de 2025

Texto e Fotos: Fundação Oureana / Santuário de Loreto – Direitos Reservados

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Fundação Oureana celebra 30 anos da sua criação e 55 anos do “Restaurante Medieval” com 150 convidados vindos de 25 países

150 convidados vindos de 25 países congregaram no Castelo de Ourém, no passado dia 26 de Setembro, para celebrarem os 30 anos da Fundação Oureana e os 55 anos do seu icónico Restaurante Medieval.

Segundo o Presidente da Direção e Cofundador, Dr. Carlos Evaristo; “Como as celebrações dos 25 e 50 anos do Restaurante Medieval, em 1995 e 2020, realizadas em parceria com a Câmara Municipal, tiveram concertos gratuitos para o público com vários artistas de renome, exposições e sardinhada, decidiu-se que os festejos deste ano fossem de carácter mais privado e por convite para se poder congregar a grande família de Patronos, Benfeitores, Subsidiários e Parceiros Protocolares.”

Alto Patronato

As celebrações deste ano contaram com a presença, não só do Patrono de longa data da Fundação; D. Duarte, Duque de Bragança e Conde de Ourém, mas também de seu filho; D. Afonso, Príncipe da Beira e de Don Cristóbal Colón XX, Duque de Verágua e Grande de Espanha (descendente directo do Navegador Colombo). O Duque de Verágua esteve acompanhado de Don Manuel Pardo de Vera e Don Manuel Ladrón De Guevara e Isasa, sendo os três Nobres, os representantes Real Asociación de Hidalgos de España.

Tal como na inauguração do Programa Medieval em 1970, estiveram também presentes nos festejos, vários Prelados e membros do clero; Capelães honorários da Fundação vindos de várias partes do mundo.

O Patrono Arcebispo Castrense D. Timothy Broglio, Presidente da Conferência Episcopal Norte Americana, por sua vez convidou seu amigo, o Senhor Patriarca de Lisboa D. Rui Valério, natural de Ourém a estar também presente nesse dia.

Memorial à Peregrinação do Ano Santo Jubilar 2025

Na Regalis Lipsanotheca, Capela de Relíquias da Fundação, o Arcebispo Castrense benzeu um memorial com a imagem de Nossa Senhora de Fátima e dos trés Pastorinhos, um memorial comemorativo da Peregrinação Internacional dos Parceiros Protocolares a Fátima neste Ano Santo Jubilar.

O Memorial da peregrinação foi patrocinado pela Bezines Group LLC e a American Association of Knights and Dames of the Portuguese Royal House. (Ver artigo)

Reinauguração da Botica de São João

Seguidamente, os convidados subiram até ao Paço dos Condes, descendo logo depois para o Largo John Haffert, localizado nas Portas de Santarém, onde foi reinaugurada a Botica de São João, uma farmácia reconstruída em 2000 cuja fundação é popularmente atribuída a São Nuno. (Ver artigo)

Memorial ao Colombo

Depois da visita guiada à botica pelo criador do mesmo; Carlos Evaristo, os convidados foram encaminhados para o Restaurante Medieval onde logo se inaugurou um Memorial ao Colombo que segundo Carlos Evaristo,  pretende; “homenagear meu compadre John Haffert e o seu principal colaborador; o Prof. Dr. Augusto Mascarenhas Barreto, as duas figuras que de facto criaram o Programa Medieval.”

“Foi graças à figura do Colombo”, explicou Evaristo, “que se juntaram estes dois grande homens. Daí a ideia da criação de um Memorial ao Colombo que juntasse estas duas figuras mas que também se prestasse homenagem àqueles que durante séculos estudaram os enigmas do Navegador uma vez que agora através do estudo do ADN, pelo menos já se concluiu que o mesmo era Ibérico e Judeu Sefardita e não Italiano.” (Ver artigo)

Para Evaristo “O facto de John Haffert ter conseguido, durante mais de 50 anos, trazer pessoas de todo o mundo a Fátima e ao Restaurante Medieval no Castelo de Ourém, é algo extraordinário. Faz relembrar os tempos em que o IV Conde de Ourém, D. Afonso, congregava no seu Paço convidados vindos de toda a Europa, falando-se sete línguas”.

Deste vez sentaram-se ao Banquete dos Reis convidados da Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América, Filipinas, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Macau, Malta, México, Nova Zelândia, Polónia, Reino Unido, Ucrânia, São Tomé e Príncipe, Suécia e Suíça.

No Salão foi especialmente exposto para esta ocasião um conjunto de artefatos relacionados com John Haffert e Barreto, e entre eles, o prémio em cobre em forma de pinha atribuído pela Zona de Turismo Rota do Sol em 1979 oferecido à Fundação pelo Presidente do Exército Azul dos EUA Dave Carollo e a sua placa de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, a primeira e única Ordem que recebeu em vida. 

Também exposto estavam livros e objetos de Mascarenhas Barreto como um dos seus celebres cachimbos e um chapéu oferecidos pelo seu filho Paulo Barreto presente no evento com a esposa, irmão, cunhada e sobrinha. 

Sete manequins espalhados pelo salão foram vestidos com os fatos dos chamados Espíritos do Castelo, um programa de teatro que durante 50 anos foi visto no Restaurante Medieval por cerca de 4 milhões de pessoas. Esses fatos., tal como a mobília e decorações do salão, incluindo as tapeçarias e armas foram desenhados pelo punho de Mascarenhas Barreto um dos diretores da RTP à época.

Assinatura de Protocolos

Já no final das celebrações teve lugar uma Sessão Solene em que foi celebrado mais dois protocolos de colaboração; um entre a Fundação e a Real Asociación de Hidálgos de Espanha e o outro entre a Fundação e o Grupo Bezines LLCD.

Seguiu-se depois a entrega de várias distinções em nome de diversas associações e entre elas, condecorações de mérito entregues pelo Senhor Arcebispo Broglio, pelo Senhor D. Duarte e o Senhor D. Afonso de Bragança, pelo Don Manuel Pardo de la Vera e por João Teixeira. (Ver artigo)

A noite terminou com um reconhimento por parte do Executivo da Fundação de duas pessoas que tiveram presentes no Banquete Inaugural há 55 anos, nomeadamente; o Sr. Augusto Pereira Gonçalves, membro dos corpos diretivos da Fundação e Armando Mendes. 

Augusto Gonçalves tornou-se no primeiro funcionário da firma Castelos de Portugal Turismo Lda. , o Cavaleiro treinado por Mascarenhas Barreto e Armando Mendes tinha 17 anos quando foi convidado a participar no Banquete Inaugural. 

Numa foto deste dia histórico exposta no Salão pode-se ver John Haffert erguendo uma taça num brinde, tendo à direita o Senhor Albino Frazão, bancário e fundador da Agencia Verde Pino e  seguidamente Mendes foi ter sido o Hotel de Fatima, da sua família, que forneceu o catering daquele histórico banquete.

Antes de terminar o Banquete o Padre Don Carlo Cecchin, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação agradeceu a presença de todos e especialmente dos Patronos Reais, Ducais e Episcopais e depois deu a todos a sua bênção.

Durante o evento todo o trabalho oficial de recolha de imagens esteve a cargo de José Alves, Director de Comunicação da Fundação Histórico – Cultural Oureana.

26 de Setembro de 2025

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REABERTURA DA ADEGA DOS CAVALEIROS – REAL CONFRARIA DE VINHO MEDIEVAL ENTRONIZOU 50 NOVOS CONFRADES DURANTE COCKTAIL GALA EM MEMÓRIA DE JOHN THOMA

A Real Confraria Enófila – Gastronómica Medieval, também conhecida por Instituto D. Afonso, IV Conde de Ourém, realizou no passado dia 27 de Setembro, a solene entronização de 50 Confrades e realizou um cocktail e Gala Memorial em memória do Confrade Fundador Juiz Coronel John Michael Thoma.

John Michael Thoma na Adega dos Cavaleiros aquando da inauguração como Sede (2003)

MEMORIAL AO CONFRADE FUNDADOR JOHN MICHAEL THOMA

O Memorial ao Juiz Col. John Thoma começou com uma Missa de Exéquias Fúnebres celebrada na Capela Bizantina da Domus Pacis, (Paróquia Ucraniana) pelo Revº Padre Olexsandr Gurskyi, Delegado Oficial do Muito Revº. Bispo D. Mykola Petro Luchok da Diocese de Mukácheve, Ucrânia.

A Delegação Americana da Associação de Damas e Cavaleiros após a Missa na Domus Pacis em Fátima.
Os amigos de John Thoma, William Boswell, Hung Nguyen e Stephen Besinaiz que organizaram o Memorial.

Após a Missa o Padre Gurskyi fez entrega em nome das Dioceses Ucranianas de várias Condecorações Pontifícias conferidas pelo Papa Francisco a membros da Associação de Damas e Cavaleiros da Casa Real Portuguesa fundada por John Thoma e que têm ajudado generosamente Dioceses Ucranianas durante mais de três anos. O Delegado Episcopal relembrou também o falecido John Thoma o primeiro a contribuir com ajuda humanitária para a Ucrânia e a recrutar um grupo de benfeitores. Já no Castelo de Ourém seguiram-se a cerimónias de Exéquias Fúnebres presididas pelo Capelão Mor da Fundação Oureana, Revº Padre Carlo Cecchin e que terminaram com o sepultamento dos restos mortais de John Thoma no Cemitério Privado da Fundação. Seguiu-se depois, o cocktail memorial servido na Adega dos Cavaleiros e um Jantar de Gala no Restaurante Medieval Oureana oferecido pela família.

50 NOVOS CONFRADES DE TODO O MUNDO

O evento organizado pela Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval juntou uma centena de Confrades que participaram numa prova de vinhos e elixires medievais e ainda vinhos especiais com o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa. A Cúria Baqueia da Confraria presidida pelo seu Real Patrono, D. Duarte, Duque de Bragança e Conde de Ourém, reunida em Assembleia Geral relembrou, não só o Juiz Col. John Michael Thoma, como também alguns outros Confrades já falecidos e entre eles os membros fundadores da Confraria, o Revº Padre John Guilbert Mariani e a D. Molly Ranier Franco.

CELEBRAÇÕES EM HONRA DE D. AFONSO, IV CONDE DE OURÉM E APRESENTAÇÃO DE LIVRO

As celebrações anuais de homenagem a D. Afonso, IV Conde de Ourém, realizam-se desde 2003. Este ano começaram com uma Missa celebrada no dia 29 de Agosto, aniversário da morte por primogénito da Casa Real de Bragança.

O Professor Humberto Nuno de Oliveira que apresentou o livro de Carlos Evaristo sobre o IV Conde.

A 27 de Setembro, durante a Assembleia Geral da Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval, Instituto D. Afonso, IV Conde de Ourém, que teve lugar no Auditório da Domus Pacis, em Fátima, teve lugar uma palestra de Carlos Evaristo de apresentação oficial, do livro “O Relicário do IV Conde de Ourém, colecção de Relíquias Insignes da Casa Real de Bragança” que foi feita pelo Professor Humberto Nuno de Oliveira.

EXÉQUIAS FÚNEBRES DE JOHN MICHAEL THOMA

Ainda no dia 27 de Setembro teve lugar uma Missa de Exéquias Fúnebres e funeral com Guarda de Honra para o membro Fundador da Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval Juiz Col. John Michael Thoma seguida de uma visita guiada aos espaços museológicos da Fundação Oureana no Castelo de Ourém.

John Michael Thoma
17/10/1944 – 22/01/2023
Carlos Evaristo faz um elogio fúnebre.
O Padre Carlo Cecchin incensa o catafalque.

REABERTURA DA ADEGA DOS CAVALEIROS

Depois da visita guiada procedeu-se à reabertura da Adega dos Cavaleiros, espaço emblemático do Restaurante Medieval criado por John Haffert e Augusto Mascarenhas Barreto em 1970. O bar foi remodelado pela Sócia Gerente do Restaurante Oureana, Margarida Evaristo, em 2001, e é desde 2003, sede da Real Confraria Enófila – Gastronómica Medieval.

A Adega que já foi já conhecida por “Adega do Cortiço”, e “Adega de Santa Teresa”, encontrava-se encerrada para remodelação desde 2015, mas a partir de agora será aberta esporadicamente aos Confrades para provas de vinhos, reuniões e outros convívios.

As obras de restauração, remodelação e substituição de equipamento, assim como a instalação de um novo conjunto de peças decorativas, contou com um patrocínio da Associação Americana de Damas e Cavaleiros da Casa Real Portuguesa e do próprio John Thoma. Exposto agora na Adega está um conjunto completo de ferramentas e utensílios históricos ligados às vindimas, à produção e engarrafamento do vinho e às tradições vinícolas, locais e nacionais.

Estão também expostas peças históricas da colecção dos Comendadores Rui Salazar de Lucena e Melo e João Ribeirinho Leal, também elas ligadas à vinicultura, à panificação e à produção do azeite. Uma cozinha antiga completa também transporta o visitante para tempos longínquos.

MEMORIAL AO IV CONDE DE OURÉM E AO VINHO MEDIEVAL DE OURÉM

A Adega dos Cavaleiros reúne a maior colecção de obras de arte alusivas a D. Afonso, IV Conde de Ourém, assim como uma colecção completa de Vinhos Medievais de Ourém, com garrafas que datam desde a sua classificação aquando da criação da Confraria, até às mais recentes edições da Quinta do Monte Alto, Les-a-Les, Santos da Casa e Abadia de Tomarães.

Existem também na colecção da Real Confraria garrafas de produção local do mesmo vinho que antecedem à classificação e algumas das quais remontam até à década de 1940, altura em que foram obtidas por John Mathias Haffert para o Restaurante Medieval.

COCKTAIL COM PROVAS DE VINHOS, ELIXIRES MEDIEVAIS E VINHO DO PORTO ESPECIAL

Durante o cocktail servido na Adega dos Cavaleiros houve provas de 4 vinhos medievais e 12 célebres elixires medievais preparados no Restaurante Medieval desde 1970 com uma receita secreta que segundo a tradição só três pessoas conhecem. O mais famoso destes elixires é o Elixir Medieval, ou Elixir da Longa Vida, servido à chegada no Restaurante Medieval a mais de 3.5 milhões de visitantes.

No fim do cocktail foram servidos dois vinhos do Porto muito especiais, um oferecido pelo Duque de Bragança e o outro pelo Dr. Adrian Bridge CEO d Taylor’s.

Vinho do Porto “Regis Causa” servido durante o Cocktail
Garrafas de “Taylor’s 20 year old Port Tawny” oferecidas por Adrian Bridge.

ORIGEM DA CONFRARIA DE VINHO E DE GASTRONOMIA MEDIEVAL

Foi sob o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa e com o apadrinhamento da Câmara Municipal de Ourém e da Confraria dos Vinhos da Estremadura, que a primeira Confraria Enófila Medieval foi criada em 2003, especificamente para promover a história do primogénito da Casa Real e Ducal de Bragança, a pessoa que originou chamado “Vinho Medieval” em Ourém e o esse vinho produzido localmente desde 1445.

D. Duarte de Bragança com o astronauta da NASA Richard Garriott, D. Duarte de Bragança e o Cientista de renome mundial Ben Lamm,

Segundo D. Duarte de Bragança; “Esta é foi a primeira Confraria criada propositadamente para a valorização e promoção do vinho e da gastronomia Medieval Ouriense e que vem a ser promovida por John Haffert e pela Fundação Oureana, através do Restaurante Medieval e da Adega dos Cavaleiros desde 1970!”

BRASÕES E AUTÓGRAFOS DOS ILUSTRES CONFRADES

As paredes da Adega dos Cavaleiros, ficam agora também decoradas com uma colecção de brasões dos ilustres Patronos e de Damas e Cavaleiros fundadores da Real Confraria. Podem-se ver também os brasões da Casa Ducal e Condal de Bragança, da Casa Real Portuguesa, dos Reais Patronos e de outras ilustres figuras como o Lord Lyon da Escócia, o Barão de Plean e o Rei do Ruanda.

Vários pipos de vinho na Adega que exibem autógrafos de vários Confrades insignes e de muitas celebridades que visitaram a Adega durante mais de 50 anos incluindo os cantores; Amália Rodrigues, Roberto Leal, Emanuel, etc.

Justin Carpentier entronizado com o traje de Confrade.
A Delegação da Legião de Homens de Fronteira.
Jenell Thoma com o Capelão Mor Padre Carlo Cecchin.

JANTAR DE GALA

Depois do Cocktail oferecido por Jenell Thoma, em memória de seu marido o Confrade Fundador Juiz Col. John Thoma, foi servido um Jantar de Gala no Salão D. João I do Restaurante Medieval Oureana.

Carlos Evaristo e o Maestro Armando Calado.
A Drª Maria Antónia Grenha com D. Dínis, Duque do Porto.

ENTRONIZAÇÃO DE 50 NOVOS CONFRADES

Depois do Jantar teve lugar a entronização de 50 novos Confrades que após receberem a sua Carta Patente poderiam vestir o hábito baseado no traje do IV Conde de Ourém para serem fisicamente entronizados no chamado “Trono de D, João I” ou “Cadeirão do Conde de Ourém” expostos no salão.

Entre os 50 novos confrades contam-se membros Portugueses, Americanos, Canadianos, Polacos, da Republica Checa, do Vietnam, da Alemanha, da Ucrânia, da Holanda, de Macau, da Escócia, da França, da Nova Zelândia, da Itália, da Colômbia e de Malta incluindo representantes de quatro Confrarias de vinhos, nacionais e estrangeiras.

Entre os novos Confrades estão a viúva do Juiz Col. John Thoma, três Sacerdotes, sete oficiais militares da NATO, um Juiz Federal Americano, um Astronauta da NASA,  o Maestro Armando Calado, Sua Exª Joseph John Morrow, Lord Lyon da Escõcia,  Sua Exª Jorge Plean of Way, Barão de Plean e o CEO do vinho do Porto “Taylor’s”; Adrian Bridge.

Participaram também nas celebrações e na Gala muitos Confrades Ourienses e entre eles; Augusto e Lúcia Pereira Gonçalves, António e Maria do Carmo Costa, José Simões e Sandra Coelho.

As celebrações terminaram com um brinde à memória de John Thoma e a colocação do seu quadro a óleo da autoria da Pintora Zinaida Loghin na Adega dos Cavaleiros.

FOTOS: Arquivo da Fundação Oureana

27 de Setembro de 2024

Carlos Evaristo com o Rei Yuhi VI do Ruanda sobrinho do falecido Rei Kigeli V, Patrono Fundador da Real Confraria.
Dave Carollo.
Vitez Prof. Humberto Nuno de Oliveira.
Col. Stephen Besinaiz.
Col. Bruce Argueta e sua irmã Lt. Col. Vickie Argueta.
Vitez João Pedro Teixeira.
Larry e Debbie Tylka.
Col. Eric Edin.
Nicolas Descharnes.
Stu e Dr. Jamie Gallagher.
Delegado Justin Morin Carpentier.
Megan Eunpu.

Kevin Couling, Lord Couling of Cowlinge.
Consul Dr. Carl Heringa.
David Alves Pereira.
Prof. Dr. Moritz Hunzinger.
Marc Besinaiz.
D. Duarte de Bragança entrega a Carta Patente de Confrade a Adrian Bridge.
Dr. Roberto Favero.
Inna Souter.
Lt. Col Steve Cargill.
Hung Nguyen.
Col. William Boswell.
Hon. Juiz Scott Stucky.
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Exposição revela a face real do surrealista Dalí (incluindo o vínculo a Portugal)

Notícias – A arte e a vida de Salvador Dalí estão expostas no museu Atkinson, em Vila Nova de Gaia, até 31 de Outubro.

No núcleo intitulado “o grande segredo de Salvador Dalí”, é revelada ao público a sua ligação a Portugal, quase inteiramente desconhecida até então; “mesmo para mim”, conta a responsável pelo museu. Em colaboração com a Fundação Histórico-Cultural Oureana, a equipa conseguiu obter para apresentação o esboço de um quadro ilustrativo da Aparição de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, história que viria, segundo Andreia, a “acordar o lado religioso de Dalí”, que começaria a pintar muitas mais cenas religiosas – várias das quais presentes nesta sala.

Depois de uma primeira exposição de grande sucesso, a “The Dynamic Eye: Beyond Optical and Kinetic Art”, em 2023, no início deste ano chegou a altura de começar a pensar na próxima. E, tendo em conta o centenário do Surrealismo, a lâmpada nas cabeças da equipa do Museu Atkinson não demorou a acender. Andreia Esteves e Tiago Feijó, auxiliados por Nicolas Descharnes – especialista em Salvador Dalí –, colocaram desde logo a mão na massa para abrir a “Universo Dalí”, que pode visitar no WOW, em Vila Nova de Gaia, até 31 de Outubro.

Como foi montar uma exposição inédita, com mais de 300 obras, divididas em nove salas? “Trabalhoso, com muito tempo dedicado à pesquisa e o envolvimento de várias instituições”, revela Andreia Esteves. Fã do pintor, diz-nos que o principal objectivo da exposição é “fazer com que o público conheça Dalí além da sua aparência excêntrica e d’A Persistência da Memória”.

Como tal, a exposição segue uma linha “mais ou menos” temporal. Arrancamos na sala “How to Become a Genius” – talento inato, Salvador Dalí começa a pintar aos dez anos, seguindo o estudo das artes na escola. Esta secção convida-nos a olhar para as suas obras mais prematuras, as origens do seu cerne enquanto artista. Logo na sala seguinte, uma das maiores, podemos compará-las aos seus primórdios no Surrealismo – guiado pelo pai do movimento, André Breton. É também aqui que temos acesso a esboços e rascunhos de algumas populares pinturas do artista, como O Toureiro Alucinógeno e A Madonna de Port Lligat.

Depois de vários anos a viver em França, em 1940 Dalí foge da guerra para os Estados Unidos da América. No terceiro núcleo da exposição, “All is an American dream”, fugimos com ele. “Na América, Dalí obtém imenso sucesso comercial e começa a fazer trabalhos publicitários para várias marcas e revistas, como a Vogue, a The New Yorker e a designer Elsa Schiaparelli”, conta-nos Andreia. Mas é na sala seguinte que se encontra uma das maiores canas de pesca da exposição.

O vínculo de Dalí a Portugal

No núcleo intitulado “o grande segredo de Salvador Dalí”, é revelada ao público a sua ligação a Portugal, quase inteiramente desconhecida até então; “mesmo para mim”, conta a responsável pelo museu. Em colaboração com a Fundação Histórico-Cultural Oureana, a equipa conseguiu obter para apresentação o esboço de um quadro ilustrativo da Aparição de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, história que viria, segundo Andreia, a “acordar o lado religioso de Dalí”, que começaria a pintar muitas mais cenas religiosas – várias das quais presentes nesta sala.

Segue-se a reinterpretação de “Los Caprichos de Goya”, uma série de gravuras do século XVIII nas quais Dalí pegou, acrescentando novas personagens, alterando cenários e dando o seu toque surrealista, obtendo assim uma nova composição, mas mantendo a essência, o significado e a percepção das obras originais. Uma grande antecipação para outra das principais atracções da exposição: as fotografias de Robert Descharnes, que fotografou Dalí intimamente durante vários anos, tornando-se seu amigo. “Estas imagens permitem-nos, realmente, ter uma noção diferente do pintor; da pessoa além do artista”, conta-nos a responsável.

Mas as cartas na manga não acabam por aqui: numa sala sem obras, dá-se destaque à curta-metragem Destino, feita em colaboração com Walt Disney durante a sua estadia em solo americano. É-nos ainda revelada outra camada pouco conhecida de Dalí: o seu mergulho no misticismo – “muito inspirado pela sua mulher, Gala”, diz-nos Andreia –, representado por uma série de pinturas de cartas de tarot, distribuídas limitadamente em 1984.

Acabamos em grande, com várias pinturas conhecidas do artista, assim como alguns dos seus trabalhos de escultura. Antes de ir embora, pode guardar as suas memórias da exposição num objecto – há postais, posters, meias, joalharia, entre vários outros. De 19 de Junho a 31 de Outubro, o museu Atkinson e Salvador Dalí estão de braços abertos – todos os dias, das 10.00 às 19.00. Os bilhetes ficam por 15€ para adultos e 7,5€ para crianças dos 4 aos 12.

Quinta-feira 20 Junho 2024

Texto: Adriana Pinto

Fotos: © Carlos Evaristo – Arquivo da Fundação Oureana / Museu Atkinson

Fonte: https://www.timeout.pt/porto/pt/noticias/a-face-real-do-surrealista-dali-incluindo-o-vinculo-a-portugal-062024

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Fundação Oureana celebra Protocolo com o Museu Atkinson e colabora na Exposição “Universo Dali”

A Fundação Oureana celebrou mais uma parceria de colaboração Cultural e desta vez com o Museu Atkinson da HILODI – Historic Lodges and Discoveries S.A.. Situado no fabuloso complexo turístico WOW – World of Wine em Vila Nova de Gaia, o Museu é um espaço de exposição moderno instalado numa antiga Quinta Vinicola.

Carlos Evaristo, Marta Bravo, Nicolas Descharnes, Adriana Esteves, Adrian Bridge, Miguel Tralach e Tiago Feijó

O Protocolo que visa parcerias na organização e promoção de exposições, eventos culturais, promoção turística e edição de obras literárias, foi assinado por Carlos Evaristo e Nicolas Descharnes em representação da Direção e Conselho de Curadores da Fundação Oureana e por Adrian Bridge e Rui de Almeida Sousa Magalhães em representação da HILODI, sendo testemunhas; Adriana Esteves, Margarida Evaristo e Bernardo Marquez.

A Exposição “Dali Universe”

A Exposição “Dali Universe” ou “Universo Dali” apresentará os principais marcos da vida e carreira do artista.

Nicolas Descharnes durante a visita guiada

A exposição que reúne um acervo diversificado de obras, incluindo desenhos, esboços, pinturas, esculturas e obras comerciais e publicitárias.

A magnifica Exposição que traça de forma cronológica com peças, artefactos e textos ilustrativos, todo o percurso artístico de Dali, desde a sua infância à sua morte, é complementada por centenas de fotos da autoria de Robert Descharnes.

Adrian Bridge e Tiago Feijó examinam uma das obras pouco conhecidas de Salvador Dali na Exposição

Um dos destaques é a seleção de fotografias tiradas por Robert Descharnes, fotógrafo francês e amigo de Dalí, entre 1955 e 1985, que oferecem um raro vislumbre da vida pessoal do artista, em momentos íntimos e no seu ambiente familiar.

A famosa bengala de Dali com a qual negociou com John Haffert o preço da pintura A Visão do inferno em Fátima (1962) “30 mil Dólares do tamanho da minha bengala. 15 mil metade do tamanho!”

São Curadores desta mostra extraordinária de trabalhos do Mestre Pintor Surrealista; Tiago Feijó e Miquel Tralach, Coordenador da Exposição, Pere Vehi, Designer; João Gomes, a Comissária da Exposição; Adriana Esteves e a Coordenadora; Marta Bravo.

Tiago Feijó, Adrian Bridge, Nicolas Descharnes e Carlos Evaristo na Sala Dali e Fátima

O primeiro fruto desta parceria foi a cedência para a Exposição “Universo Dali” organizada pelo Museu Atkinson de peças e arte artefactos que remontam ao fundador da Fundação Oureana, John Haffert, e à encomenda da obra “A Visão do Inferno em Fátima” realizada por Salvador Dali em 1962.

A Fundação para além de ceder para a Exposição a réplica mais fiel da obra “Visão do Inferno”, também forneceu textos e fotografias inéditas e um desenho oferecido por Dali a John Haffert em 1962.

Outras obras de Salvador Dali depositadas na Regalis Lipsanotheca, tal como a escultura em bronze “O Cristo de São João da Cruz” oferecido por Glen Harte da Galeria de Arte no Hawaii, também foram emprestadas para a exposição inaugurada no Museu Atkinson a 18 de Junho e que estará patente até 31 de Outubro, reunindo 350 peças, a maior colecção de obras de arte do artista jamais reunidas numa exposição em Portugal.

1959 – 1989: A Conversão Secreta de Dalí

Dalí, bebia da fonte espiritual e mística de sua mãe, Católica piedosa e ao mesmo tempo mergulhava no mundo profano de seu pai, um advogado Catalão.  Foi dessa mistura que nasceu o surrealismo especial do Mestre, estilo que manteve até à sua reconversão em 1960…

A sua arte Cristã era principalmente de inspiração bíblica e cenas da vida dos Santos com recriações recorrentes de obras dos grandes Mestres. Outras imagens recorrentes eram o desenho do Cristo de S. João da Cruz, a lenda de S. Agostinho e a saga de Don Quixote que simbolizavam o seu nobre espírito Cristão e a busca pela compreensão da sua crença enquanto vagabundo enamorado da beleza da vida e da sua Dulcineia; Gala… 

Porém sua arte sacra respeitosamente profanada ou salpicada de erotismo, era vista como sacrílega para os católicos mais conservadores…

Era o caso da Mãe de Deus, a quem ele representava na sua pureza imaculada por Gala, mulher e musa. Isto até 1959, ano em que foi contactado pelo Exército Azul, para pintar a Visão do Inferno em Fátima, primeira parte do Segredo que o mundo acreditava seria revelando em 1960…

Mas o encontro com a Vidente de Fátima, levaria Dali a  destruir as primeiras versões da obra para mergulhar numa busca mais profunda pela redenção, caminho que tomou entre 1959 e 1962 e durante o qual pintou imagens de Nossa Senhora sem rosto, emergindo depois a retratar sua conversão na cena infernal em que pela primeira vez dá o  rosto de sua mãe, à Mãe de Deus…

Casa-se Catolicamente e dedica os últimos 40 anos da sua vida a atos de piedade, triplicando a sua arte cristã, mas mantendo porém a fachada pública de marca; do génio excêntrico e irreverente

Morre em 1984 aos 89 anos, na Festa do Casamento da Virgem e São José.

Carlos Evaristo – Perito em Iconografia Sacra

Outro contributo da Fundação está patente na Sala junto à Capela do Espaço Museológico Atkinson (antiga Quinta) que conta a história do reencontro de Dali com a sua Fé Cristã, algo que ocorreu após John Haffert ter encomendado a obra sobre a parte do Segredo de Fátima então conhecida.

Carlos Evaristo e a Comissária da Exposição Adriana Esteves

O Catalogo da Exposição

Carlos Evaristo na abertura da Exposição falou da espiritualidade de Salvador Dali e da sua conversão

Um Cocktail de inauguração da Exposição oferecido pela WOW teve lugar antes da visita guiada ao Museu e das intervenções de Nicolas Descharnes, Carlos Evaristo e Adrian Bridge.

Adrian Bridge dá as boas vindas aos convidados e agradece a parceria com Descharnes & Descharnes e Fundação Oureana
Rui de Almeida Sousa Magalhães
Bernardo Marquez

A inauguração daquela que já é considerada a melhor exposição de Salvador Dali jamais realizada em Portugal, terminou com a assinatura do Protocolo entre a Fundação Oureana e o Museu Atkinson, ama parceria cultural que já tem outras exposições, publicações e eventos em estudo.

A foto oficial com Nicolas Descharnes, Adrian Bridge e Carlos Evaristo após a assinatura do Protocolo.

18 de Junho de 2024

Fonte: Museu Atkinson

https://www.wow.pt/en/agenda/everyday-events/dali-universe

Fotos: Museu Atkinson / Fundação Oureana

https://www.facebook.com/wowporto/videos/483453687473430/

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Fundação Oureana celebra Protocolo com Arquivo “Descharnes & Decharnes” para identificação, estudo e divulgação das Obras de Salvador Dalí vistas através da lente fotográfica de Robert Descharnes

A Descharnes & Descharnes SARL, Arquivo Documental e Fotográfico sobre Salvador Dali, fundado por Robert e Nicolas Descharnes, acaba de assinar um Protocolo com a Fundação Oureana para estudar e divulgar o espólio do fotografo amigo de Salvador Dali.

O Legado da relação de Robert Descharnes e Salvador Dali

Secretário, fotógrafo e amigo de maior confiança do pintor surealista durante quarenta anos, Robert Descharnes, investiu desde 1950 na documentação e preparação de obras pintadas e escritos que publicou juntamente com Salvador Dalí, acumulando um arquivo de manuscritos, fotográfias, trabalhos cinematográficos e sonoros, de valor insubstituível, sobre o artista e sua obra.

Nascido a 1 de Janeiro de 1926, em Nevers, França, Robert Descharnes, trabalhou com a Polícia Judiciária Francesa, a Intepol e os sistemas judiciais de muitos países na luta contra os falsificadores de arte, tornando-se consultor sobre a autenticidade das obras de Salvador Dalí adquiridas por colecionadores, profissionais da arte e casas de leilões como Sotheby’s, Christie’s, Philipps, Butterfield & Butterfield.

Grandes Exposições de Salvador Dalí organizadas por Robert Descharnes e pela Descharnes & Descharnes nos principais Museus do mundo

Desde 1964 e até à sua morte a 15 de Fevereiro de 2014, Robert Descharnes foi comissário  e conselheiro de muitas exposições de arte tendo sido nomeado membro vitálício do conselho da Fundação criada por testamento de Salvador Dali.

Suas obras fotográficas figuraram em expsoções em Tóquio, 1964; em Nova York, 1965; no Roterdão, 1970; em Baden-Baden, 1971; no Museu Nacional de Arte Moderna em Paris, 1979; e na Tate Gallery em Londres, 1980.

Organizou também 400 obras de 1914 a 1983 da autoria de Salvador Dali para a exposição no Museu de Arte Contemporânea de Madrid e o Palácio Real de Pedralbes em Barcelona 1983; em Aalborg, 1984; no Palazzo dei Diamanti em Ferrara, 1984; na Europalia, 1985; a Exposição “Salvador Dalí 1904-1989” em Stattsgalerie em Stuttgart; em Kunsthaus no Zürich; na Louisiana Museum em Copenhagen e na Montreal Museum of Fine Arts, 1989-1990; no Museu de Arte Mitsukoshi, Tóquio, Japão, 1991-92; a expopsição “Dalí, The Early Years”, na Hayward Gallery, em Londres; e na Metropolitan Museum, em Nova York, no Museu Reina Sofia, em Madrid, 1994; a Exposição “Dalí Monumental”, no Rio de Janeiro e em São Paulo, 1998; “O outro Dalí”, uma exposição multimídia, na Sony Building, em Tóquio e em Osaka, 1998; e no Museu de Arte Mitsukoshi, em Tóquio e no Japão, 1999; e em Colônia, 2006.

Livros publicados por Robert Descharnes com Salvador Dali e pela Descharnes & Descharnes

Foram muitos os livros publicado por Robert Descharnes com e sobre Salvador Dali e também livros sobre outros artistas tais como Antonio Gaudi, Auguste Rodin, Honoré Daumier, Florença, Versalhes, Grécia, Os Castelos do Loire, Escultura Grega. Trabalha sobre a Índia e particularmente sobre a escultura indiana da Idade Média.

Suas principais obras Dalianas são:

Dalí de Gala (1962)

Metamorfoses Eróticas (1969)

Dez receitas para a imortalidade (1973)

Cinquenta Segredos Mágicos (1974)

Dalí, o trabalho e o homem (1984)

Dalí, a obra pintada (com G. Neret, reproduções de 1648, Benedikt Taschen Verlag, Colônia, 1993)

Dalí (com Nicolas Descharnes, 435 reproduções, 1993)

Dalí, o legado infernal (com Jean-François Marchi, Ramsay-La Marge 2002)

Dalí, o duro e o macio, esculturas e objetos (com Nicolas Descharnes, 683 reproduções, Eccart 2004)

Filmes produzidos por Robefrt Descharnes e Salvador Dali

A Batalha de Bouvine com Georges Mathieu e Lyric Abstraction, 1954

Os Capetianos em todos os lugares com Georges Mathieu e Lyric Abstraction, 1956

Quatro longas-metragens sobre Salvador Dalí:

A prodigiosa aventura da rendeira e do rinoceronte (1954-1962)

Auto-retrato suave de Salvador Dalí (1966-1972), com Jean-Christophe Averty e Orson Wells

As mil e uma visões de Dalí (1976-1977)

Dalí de Gala (1994) com Yutaka Shigenobu e Jeanne Moreau.

Robert Descharnes; O Mestre Fotógrafo

Como Fotógrafio, Robert Descharnes trabalhou não só com Salvador Dali mas também com outris grandes artistas contemporâneos, tais como: Arman Bernard Buffet, Calder, César, Chagall, Marcel Duchamp, Giacometti, Man Ray, Miro, Tinguely, Zadkine, Foujita, Willem de Kooning, Stanley William Hayter, Jean Helion, Félix Labisse, Etienne Martin, Georges Mathieu, Francis Picabia, Pierre -Yves Trémois, Fautrier, Jackson Pollock, Germaine Richier, Jean Paul Riopelle, Niky de Saint Phalle, Marc Tobey.

Em 1948 colaborou na exposição “Véhémence Confrontée” que apresentou a escola nova-iorquina a Paris e à Europa.

Nicolas Descharnes, o maior perito em obras de Salvador Dali

Após a morte de Robert Descharnes, o arquivo Descharnes & Descharnes passou a ser dirigido pelos filhos; Nicolas e  Oliver Descharnes.

Nicolas que desde 1980, ajudava seu pai Robert Descharnes na classificação dos arquivos acumulados sobre seu falecido amigo Salvador Dalí, tornou-se sócio do mesmo, tendo participado na criação das obras e exposições mais abrangentes sobre o artista.

Nicolas Descharnes tornou-se ao longo dos anos no maior perito especialista reconhecido mundialmente no mercado de arte em obras de Salvador Dali.

A sua experiência, é demonstrada pelas obras publicadas com seu pai que testemunha o legado de Robert e das suas vivências com o artista durante 40 anos, o que lhe permitiu desenvolver o seu conhecimento das obras através do artista, que se tornou seu grande amigo.

O conhecimento da obra de Salvador Dalí, um artista singular, exige muito mais do que uma simples análise das suas criações e por isso Nicolas Descharne mergulhou em Port Lligat, Cadaqués, Figueras, Pubol, Paris e Nova Iorque e assim imbuiu-se de conhecimentos autênticos ao longo dos anos.

Agora, consegue detectar uma falsificação, colocando em prática o alerta dado pelo próprio Dalí a seua pai: “Descharnes, quando estiver muito bem feito, cuidado”.

Antes de falecer Robert disse sobre seu filho: “Na noite de uma longa viagem de Dalí, estou satisfeito por poder contar com Nicolas para garantir, hoje e amanhã, aos amantes do verdadeiro Dalí, a segurança do trabalho especializado.”

O Arquivo Deschares & Descharnes é regularmente consultado por profissionais do mercado de arte e pelas autoridades policiais para determinar a autenticidade de peças e sua proveniência.

“Certificamos e documentamos obras de Salvador Dali mas também Já identificamos e arquivamos diferentes estilos de falsificações, algumas das quais são notórias (Itália, Espanha e E.U.A)”, afirma Nicolas; “Todos os anos aparecem novas mãos mais ou menos ágeis. A tentação do lucro fácil para um falsificador sempre existir e infelizmente, os falsificadores têm sido desenfreados desde o início dos tempos, aproveitando a maravilha natural que temos para as obras-primas da arte. Dali não é a criança amaldiçoada, pois até obras da antiguidade foram falsificadas, sem falar no Renascimento. Nenhuma transação séria no mercado de arte é feita sem a certeza da autenticidade da obra: Sotheby’s e Christie’s, casas de leilões internacionais, consulte-nos para cada peça que lhes é oferecida. A venda de uma falsificação é punível com processo criminal. Comprar uma obra que não foi avaliada significa arriscar comprar uma falsificação. Para além da desilusão, significa arriscar perdas financeiras e envolver-se em procedimentos legais complicados e dispendiosos. Aconselhamos os amadores a terem cautela, mesmo quando o contexto de uma transação parece tranquilizador.”

Fototeca D & D e Eccart S.A.S.U.

Nicolas Descharnes é também fundador e administrador da Fototeca D&D e CEO da empresa Eccart, a empresa de expertise que certifica obras originais de Salvador Dalí.

Da sua experiência na organização de eventos dedicados a Dalí e à sua obra, possui um conhecimento dinâmico ao serviço de uma memória e olhar excepcionais para a sua investigação especializada.

A expertise requer experiência e conhecimento da obra, mas também do próprio artista. Nicolas Descharnes passou anos em Cadaquès e conheceu Salvador Dali frequentemente durante as sessões de trabalho e para ele a imagem fala por si, conta uma história, faz parte da história.

Nicolas que nasceu em 29 de Fevereiro de 1964, em Paris, França, formou-se e estudou arquitetura em Paris e cumpre seu dever de memória na Fototeca Descharnes & Descharnes.

A atividade editorial dentro do Eccart foi criada por Nicolas Descharnes em 2003.

Aproveitando a experiência adquirida em outras obras sobre Savador Dali como autor e fornecedor de ilustrações através da Fototeca DESCHARNES & DESCHARNES, esta nova etapa marcou o desejo de criar e distribuir obras especializadas sobre o mestre com total independência das editoras muitas vezes forçadas pelo mercado. leis para recusar produtos que sejam demasiado específicos.

Desta forma, é possível oferecer obras públicas dedicadas a Dali que não teriam lugar nas prateleiras das redes de distribuição geridas por editoras monopolistas. Para o Perito Nicolas e seu irmão pesquisador; é um processo de liberdade e também um dever de memória.

Os Livros publicados pela Eccart são muoitos e entre eles; Dalí (com Robert Descharnes, 435 reproduções, 1993); Dalí, o duro e o macio, esculturas e objetos (com Robert Descharnes, 683 reproduções, Eccart 2004)

Nicolas foi Editor Assistente das seguintes obras: Dalí, o trabalho e o homem (1984); Dalí, a obra pintada (Robert Descharnes e G. Neret, reproduções de 1648, Benedikt Taschen Verlag, Colônia, 1993)

Protocolo com a Fundação Oureana

O Protocolo entre o Arquivo Descharnes & Descharnes e a Fundação Oureana nasce de uma longa amizade entre Nicolas Descharnes e Carlos Evaristo, Presidente da Direcção da Fundação.

Evaristo conheceu pessoalmente os Descharnes em 2010 quando colaborou na produção do documentário premiado e no livro “O Segredo de Fátima de Salvador Dali” do realizador e autor norte-americano Paul Perry. Esta obra conta a história inédita do quadro “A Visão do Inferno em Fátima” da autoria de Salvador Dali e que foi encomendada por John Haffert em 1959, tendo sido concluída e entregue ao Exército Azul em 1962.

Desde Outubro de 2012 que Carlos Evaristo colabora na qualidade de perito em iconografia sacra com a Descharnes & Descharnes sendo um consultor e colaborador permanente do Arquivo. Evaristo tem ajudado a família Descharnes na identificação positiva de muitas obras inéditas de Salvador Dali e também ajuda na denúncia de falsificações.

Para Carlos Evaristo; “O Protocolo agora assinado tem como objectivo não só reforçar essa parceria e amizade Descharnes, Perry e Evaristo mas também o trabalho que realizamos em conjunto para identificação, estudo e divulgação das obras de Salvador Dalí e particularmente aquelas vistas através da lente fotográfica de Robert Descharnes.”

Segundo Nicolas Descharnes, “O Protocolo visa também a realização de estudos e exposições de organização conjunta mantendo assim bem vivo o espírito de colaboração cristão e fraterno que existiu entre John Haffert, Robert Descharnes e Salvador Dali.  

1 de Janeiro de 2024

Fotos: Direitos Reservados à Descharnes & Descharnes / Fototeca D & D / Eccart S.A.S.U / Fundação Oureana

FONTE: www.daliphoto.com

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Fundação Oureana recordou em Gibraltar nos 80 anos da morte do General Władysław Sikorski, Primeiro-Ministro da Polônia

Tenente-General Władysław Sikorski Primeiro-Ministro da Polónia
1881 – 1943

O dia 4 de Julho de 2023 assinalou os 80 anos desde a trágica morte, por acidente de aviação em Gibraltar, do Tenente-General Władysław Sikorski, Primeiro-Ministro da Polónia.

O Co-autor da vitória sobre o Exército Vermelho, em 1920, e Primeiro-Ministro da Segunda República Polaca, morreu quando o avião em que viajava, caiu no mar, perto do Rochedo de Gibraltar.

Sikorski era também Comandante Supremo das Forças Armadas Polacas durante a Segunda Guerra Mundial e Chefe do Governo Polaco no Exílio.

As comemorações do 80º Aniversário da morte do General Sikorski deslocou a Gibraltar, uma Delegação Polaca liderada pelo Presidente do Instituto da Memória Nacional, Dr. Karol Nawrocki e que reuniu membros do Gabinete para Veteranos e Vítimas da Opressão.

Em Maio de 1943, o General Sikorski partiu para inspecionar as tropas Polacas no Médio Oriente e na viagem de regresso, a 4 de Julho, pouco depois de descolar do aeroporto de Gibraltar, o avião em que viajava caiu no mar. Todos a bordo, excepto o piloto checo, morreram, incluíndo a filha do General, Zofia Leśniowska.

Uma Santa Missa por alma das vítimas dessa tragédia, teve lugar pela manhã do dia 4 de Julho, na Catedral Católica de Santa Maria Coroada de Gibraltar tendo sido celebrada por Padres Polacos, Caplães do Exército e concelebrada por membros do clero local.

A Missa contou com a presença do Bispo Diocesano D. Carmelo Zammit e das entidades governamentais locais e representativas de Sua Majestade o Rei Carlos III.

Após a Missa, houve no Farol de Europa Point um Serviço Memorial de homenagem ao General Sikoprski e aos que o acompanharam na trágica viagem.

O Serviço Memorial teve lugar junto ao Monumento em memória das vítimas dessa tragédia em Gibraltar.

Presidentes de várias organizações de Veteranos, assim como as autoridades de Gibraltar e Representantes do Consulado Polaco no Reino Unido, colocaram flores no Monumento e seguidamente discursaram.

Durante a Cerimónia, o Chefe do Gabinete para Veteranos de Guerra e Vítimas da Opressão, Jan Józef Kasprzyk, leu uma carta do Presidente da República da Polónia, Andrzej Duda.

“A história da última missão do General Władysław Sikorski é o culminar do dramático destino da Polónia e dos Polacos durante a Segunda Guerra Mundial. A nossa nação, embora sofrendo, travou uma luta desigual contra os poderosos agressores por todos os meios – militares e diplomáticos – até ao fim. Em ambas as arenas, o General Sikorski desempenhou um papel único. Foi um notável comandante e diplomata que, renunciando ao seu próprio conforto e assumindo riscos pessoais, serviu com firmeza a Pátria e sacrificou a sua vida por ela. E por isso a República da Polónia irá sempre honrá-lo como um herói nacional”, escreveu o Presidente da Polónia na carta que foi lida.

“Independentemente das emoções políticas da primeira metade do Século XX, hoje, de uma perspectiva histórica, todos sabemos que estamos a prestar homenagem a uma das figuras-chave da história polaca do século XX“; disse o Dr. Karol Nawrocki, durante a sua intervenção.

“A nação Polaca sempre defende aqueles que serviram a Polónia e quer enterrá-los com dignidade. Prova também que para nós a história não é apenas um registo do passado, mas é uma questão de vida social, mesmo 80 anos após a morte do General Władysław Sikorski”; acrescentou o Presidente do IPN.

As circunstâncias da morte do General Władysław Sikorski ainda são controversas. A aeronave – Liberator II AL523, na qual o General voltava de uma inspeção do Exército Polonês no Leste, caiu no mar às 23h07. A filha do General e os seus colegas, incluindo o Chefe do Estado-Maior do Comandante-em-Chefe Tadeusz Klimecki, também morreram na catástrofe.

O Relatório do Comitê Britânico que investigou o acidente em 1943 concluiu; “A causa do desastre foi o travamento dos controles do elevador.”

O corpo do General Sikorski foi transportado para Inglaterra a bordo do destróier ORP “Orkan”.

Cerimónias Fúnebres foram realizadas no dia 15 de Julho de 1943, na Catedral de Westminster com a participação de representantes das autoridades Polacas e Britânicas, incluindo o Primeiro-Ministro Winston Churchill.

O General Sikorski foi condecorado postumamente com a Ordem da Águia Branca da Polónia e após o funeral oficial em Londres, o corpo foi enterrado no Cemitério dos Aviadores Polacos em Newark, perto de Nottingham.

O Conselho de Ministros da República da Polónia decidiu que o seu corpo seria sepultado posteriormente no Castelo Real de Wawel, em Cracóvia, e assim sendo, a 17 de Setembro de 1993, seus restos mortais foram exumados e trasladados para a Cripta da Catedral de São Leonardo de Wawel, Cracóvia, Polónia.

Tem havido muita especulação de que a morte do General Sikorski possa ter sido o resultado de uma Conspiração Soviética, Britânica, Nazi ou até Polaca. Alguns defensores de teorias de conspiração alegam que o desastre foi consequência de um assassinato e pediram uma investigação.

Em Novembro de 2008, como parte da investigação do IPN, o corpo do General Sikorski foi de novo exumado e os seus restos mortais examinados por peritos forenses Polacos que concluíram que Sikorski morreu devido a lesões em muitos órgãos, típicas de vítimas de desastres de aviação.

Como parte das cerimónias memoriais, no dia 4 de Julho de 2023, pelas 23h07, hora da tragédia occorida em Gibraltar em 1943, quando o avião afundou no mar, rosas foram atridas ao mar por todos presentes e, no dia seguinte, a Delegação do IPN, depositou flores nos túmulos dos mortos na queda do Liberator II AL523, no Cemitério da Frente Norte.

A Fundação Histórico – Cultural Oureana fez-se respresentar nos Serviços Memoriais por Carlos e Margarida Evaristo que assitiram à Missa em que foi relembrado o General e Heroí Polaco da II Guerra Mundial.

O papel de Sikorski contra o Nazismo e a sua devoção a Nossa Senhora de Częstochowa, a chamada “Mãe Negra da Polónia”, foi tema de uma Palestra dada pelo Historiador, Carlos Evaristo, Presidente da Direcção da Fundação Oureana, que, junto ao Memorial ao General na Catedral de Gibraltar que inclui uma pintura da Rainha e Padroeira da Polónia, também falou da devoção à Virgem Negra do Papa São João Paulo II, dos Fundadores da Fundação Oureana; John e Patrícia Haffert e do Padre Edwin Anthony Carmel Gordon, Capelão da Regalis Lipsanotheca, que era natural de Gibraltar e que faleceu e está sepultado em Fátima.

Em Gibraltar existem várias comunidades lusófonas; Portugueses, Brasileiros, e também Portugueses de Goa, muitos dos quais assistiram à Palestra.

Há 10 anos que a Fundação Oureana leva a cabo um Projecto de Pesquisa em Gibraltar; o chamado “Gibraltar Research Protocol”, que, segundo Carlos Evaristo, estuda não só achados arquelológicos, como também a história do rochedo, do Culto de Nossa Senhora da Europa, as ligaçóes históricas de Comércio e Correspondência com Portugal e o papel que Gibraltar teve na história da partida para o Exílio do Rei D. Manuel II e o contributo importante para a devoção Mariana na Peninsula Ibérica.

4 de Julho de 2023

Fontes: https://www.surinenglish.com/gibraltar/gibraltar-commemorates-80th-anniversary-the-death-general-20230707173835-nt.html

Fotos: Sur English / Fundação Oureana / Gibraltar Chronicle

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Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval de Ourém na Produção de Filme e Série sobre a História do Vinho na Península Ibérica

O Realizador Cinematográfico e Produtor de Vinhos, Edwin Brochin, brinda com à sua equipa no fim das filmagens em Espanha, tendo seguido depois para Portugal, onde resgitaram a história dos melhores Vinhos nacionais.

Terminaram, hoje, no Castelo de Ourém, as últimas filmagens para “Blood of the Ancient Vine” (Sangue da Vinha antiga), um novo Filme Documentário e Série Televisiva sobre a história da produção do Vinho na Peninsula Ibérica.

No emblemático Restaurante Medieval no Castelo de Ourém que já recebeu mais de 4 milhões de visitantes desde 1970, Carlos Evaristo explicou ao Realizador, Edwin Brochin, a tradição do Vinho na Medicina Popular e nos Rituais Litúrgicos Medievais com Relíquias

O filme é produzido pela Brochin Films, Produtora Norte Americana premiada que faz parte do Grupo Renegade Network, uma cadeia de plataformas digitais de televisão por cabo que transmitem, 24 horas por dia, programas culturais, de vida selvagem, de caça, pesca e agricultura.

A Produtora foi premiada este mês no Festival de Cinema de Madrid, pelo seu Documentário; Spirit of the Bull (Espírito do Touro), tendo desenvolvido durante a rodagem, a ideia para o actual projecto após o nome do filme ter sido dado a um vinho Espanhol de reserva V.Q.P.R.D., também ele premiado.

Edwin Brochin assina o Livro de Ouro dos Confrades da Cúria Baquia da Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval – Instituto D. Afonso, IV Conde d’ Ourém, após ter sido admitido como Confrade.

O Documentário tem na Produção Executiva o mesmo Edwin Brochin que é também o Falcoeiro da Real Confraria do Santo Condestável. A Co-Protutora é sua mulher, Julie Brochin e o trabalho conta com a Colaboração na Produção de outro Realizador igualmente premiado, Paul Perry da Paul Perry Productions e Sakkara Productions.

O projecto conta desde o início com o apoio da Fundação Histórico – Cultural Oureana e da Fundação D. Manuel II. Em Protugal a Equipa de Produção e Edição é da Produtora Crown Pictures, fundada em 2004 por Carlos Evaristo, e que chamou para a equipa deste projecto; o conhecido Realizador e Editor premiado; Carlos Casimiro e o igualmente célebre Cinematógrafo Júlio Torres.

Edwin Brochin e Júlio Torres
Insignia do Falcoeiro da Real Confraria do Santo Condestável desenhadas por Mathieu Chaine, Desenhador Heráldico do Conselho Heráldico da Fundação Oureana

O Apresentador de Televisão, Carlos Evaristo, Presidente da Direcção da Fundação Oureana, é o Consultor Histórico do Projecto e também um dos Guionistas do Projecto que conta com o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa, na pessoa de S.A.R. Dom Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança e Conde de Ourém.

No Bar do Mestre Bernardino sito no Salão D. João I do Restaurante Medieval Oureana, Carlos Evaristo, deu a provar a Edwin Brochin o Elixir Medieval, também conhecido por Elixír da Longa Vida, uma bebida tradicional de brinde de Boas Vindas ao Castelo e cujo segredo de confecção foi confiado a John Haffert pelo Historiador Augusto de Cassiano Barreto, em 1969.

No Salão D. João I do Restaurante Medieval, provou-se Vinho Templário, produzido hoje exclusivamente para a Fundação Oureana numa quinta no Valle do Loire, na França, utilizando o mesmo processo de fabrico que vem descrito num livro manuscrito da Idade Média.

Segundo Carlos Evaristo; “Duas equipas de filmagens passaram um mês a recolher imagens nas mais conhecidas Vinículas do Norte, Cento e Sul da Península Ibérica. Este trabalho será o mais completo registo sobre a História do Vinho na Peninsula Ibérica e relata a sua produção desde os registos deixados pelos mais primitivos povos, passando pelos Fenícios, Gregos, Romanos até ao célebre IV Conde de Ourém.”

O Realizador e Editor Carlos Casimiro brinda com Vinho Xerez em Jerez.

“Foi o Primógénito da Casa de Bragança quem introduziu o primeiro Vinho Tinto em Portugal num processo que é hoje conservado na produção do Vinho Classificado de Vinho Medieval de Ourém. Foram longas semanas de filmagens para o Filme e depois uma Série de vários episódios.”

Em Portugal, a Equipa filmou em muitos locais de produção dos mais conhecidos Vinhos Portuguêses, incluíndo Caves de Vinho do Porto. Na Cidade Invicta a Equipa foi acompanhada pela Assistente de Produção Maria Castro.

A história do Vinho Ibérico também incluiu um capítulo sobre as campanhas de promoção que levaram a que certos vinhos com pouca fama local ou nacional à época, se tornassem marcas mundialmente conhecidas e representativas de Portugal e Espanha.

O Historiador e Arqueólogo Carlos Evaristo, explicou na Série que; “São os casos dos Vinhos Xerez de Jerez de la Frontera das marcas Osbourne e Tio Pepe e também do Vinho do Porto Sandeman e do Mateus Rosé. A campanha de publicidade da Osbourne de 1954 colocou cartazes com a silhueta de um touro, nos montes Espanhóis, símbolo do Vinho que hoje, após o fim da campanha continuam expostos por se ter tornando símbolo de Espanha. É o caso também do Vinho Mateus Rosé que deve muito da sua fama nos Estados Unidos da América, à tournée musical de Amália Rodrigues que patrocinou na década de1950 com uma garrafa em forma de Guitarra Portuguesa.”

Ainda no Capítulo sobre os Vinhos Ourienses, foram dados a provar, os Vinhos Terras de Oureana da Fernando Rodrigues Lda. e o Vinho da Moura Encantada. O primeiro, a marca que era servida no Restaurante Medieval Oureana desde 1970 e até 1995 e o segundo um Vinho Medieval exclusivamente produzido e engarrafado para a Fundação Oureana desde que a Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval foi criada em 2003 e passou em 2006 a ser o Departamento que gére o espaço emblemático.

Os Vinhos “Cosher” de produção Judaica, cuja origem está também muito ligada ao terceiro e ao quarto Condes de Ourém, são outro tema apresentado por Carlos Evaristo com recurso a artefactos e manuscritos históricos apresentados no Documentário de Edwin Brochin.

Carlos Evaristo e Julie Brochin preparam cenários para as filmagens no Restaurante Medieval Oureana

No Documentário, assim como na Série haverá mostra de novas tecnologias de filmagens digitais; drones, recurso a CGI e também recriações históricas.

No Castelo de Ourém, realizou-se ainda provas de vinhos antigos da Adega de John Haffert, como um Porto de 1808, outro de 1832 e provas de Vinhos Cosher Sefarditas produzidos Sob o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa, uns nos Estados Unidos da América, e outros, em Belmonte, no Alentejo, e que fazem parte dos Vinhos tradicionais servidos no Restaurante Medieval desde a sua criação por John Haffert em 1970.

Foi também dado a provar ao Falcoeiro Edwin Brochin, o chamado Vinho Nobre. O primeiro dessa classificação é o Rei Arduino produzido pela Vinícola Marchese Di Ivrea. Servido num corno de touro este primeiro Vinho Nobre a ser produzido do Estado de São Paulo, no Brasil, é da Safra 2019.

A Vinícola Marchese di Ivrea, localizada em Ituverava (SP), lançou o primeiro Vinho Nobre com graduação alcoólica de 15⁰ quando a Instrução Normativa nº 14, de 8 de Fevereiro de 2018, criou a figura do “Vinho Nobre”, fermentado de uva Vitis vinífera com teor alcoólico entre 14,1⁰ e 16⁰ em volume.

Edwin Brochin, o Falcoeiro da Real Confraria do Santo Condestável, já realizou um Documentário sobre este Desporto de Reis. Em 2014, a Fundação Oureana reconheceu o seu trabalho de há várias décadas como Falcoeiro, e preparou um Brasão de Armas em processo de Concessão. Foram criadas pelo Desenhador Heráldico Mathieu Chaine do Colégio Heráldico da Fundação Oureana.

A Mesa dos Cavaleiros no Salão D. João I do Restaurante Medieval Oureana

Arduino 2019, o Primeiro Vinho Nobre Produzido pela Vinícola Marchese di Ivrea em Ituverava, São Paulo

No Documentário pode-se ver que o nome de Edwin Brochin a ser conferido a um vinho Fondillón de 1944, tendo o próprio, a honra de assinar o casco número 23 C22 na Adega.

Dave Horner, Arqueólogo Sub-Aquático, fundador da R.A.H.A. (Real Associação História e Arqueologica) Departamento de Pesquisa Arqueológica da Fundação Oureana, também teve a honra de ver seu nome dado a um Vinho Xerez.

Dave Horner na Adega “Tio Pepe” em Jerez de la Frontera.

Em Setembro de 1971, por ocasião do 24º Festival Anual do Xerez em Jerez de la Frontera, Espanha, Dave e Jayne Horner passaram uma semana na Vinócola do Marquês de Bonanza tendo sido convidado de honra desse evento anual. Naquele ano específico dedicado aos EUA, Horner foi homenageado após ter descoberta de uma caixa de garrafas de xerez no navio submerso ELLA, que teve a infelicidade de encalhar contra uma maré forte e vazante do Rio Cape Fear, que teve que ser negociado para chegar ao último porto aberto ao os Estados do Sul em dificuldades durante os dias finais da Guerra Civil Americana.

Dave Horner na companhia do actual Marquês de Bonanza examina artefactos que descobriu em 1971

Este corredor de bloqueio confederado carregava uma variedade de munições de guerra e suprimentos de alimentos destinados ao General Robert E. Lee e seu exército inicial nas trincheiras frias e lamacentas ao redor de Petersburgo e Richmond. Infelizmente para o Exército do General Lee, vários navios de guerra adversários perceberam a dificuldade do ELLA e se moveram prestes a matar, destruindo o navio com sua artilharia pesada. Isso foi de manhã de 5 de dezembro de 1864.

ELLA ficou esquecida por um século, até que Dave Horner a descobriu em 1964. O achado está descrito no seu livro; THE BLOCKADE RUNNERS, publicado em 1968.
Parte da carga da ELLA era uma arca com garrafas de Xerez de Jerez, provavelmente o estoque particular do Capitão. Produzido pela Viníciola Gonzalez Byass, conforme a forma exclusíva das suas garrafas comprovo, algumas ainda com suas rolhas intactas, depois de mais de um século no fundo do mar.

Paul Perry, Dave Horner, o Marquês de Bonanza e Carlos Evaristo na Adega da Vinícola González – Byass em Jerez

Horner ofereceu algumas destas garrafas a D. Manuel Maria Gonzalez Gordon, Marquês
de Bonanza então Presidente-Executivo da empresa. A nótícia da descoberta atraiu a atenção mundial para Jerez de la Frontera, e fez as delícias de aficionados de xerez em todos os lugares. As garrafas descobertas por Horner estão hoje expostas com uma placa descritiva na sala do Museu da Vinícula Gonzaléz – Byass ainda dirigida pela família dos Marquêses de Bonanza, produtores do conhecido vinho; Tio Pepe.

Loja com o Vinho Xerez “Tio Pepe”

As filmagens para o Documentário e para a Série concluíram no Castelo de Ourém, com um capítulo dedicado a ilustrar a história de D. Afonso, IV Conde de Ourém e da sua ligação à produção do vinho, hoje denominando e calssificado como; “Vinho Medieval de Ourém”.

As cenas filmadas em Ourém incluem um Banquete Real no Restaurante Medieval Oureana filmado por José Alves da Soutaria TV e uma Prova de Vinhos Medievais filmada na Casa do Castelo por Júlio Torres.

Entronização de Edwin Brochin por D. Duarte de Bragança na Cripta do Conde.

S.A.R. D. Duarte de Bragança com Edwin Brochin junto ao Túmulo de D. Afonso, IV Conde de Ourém

Na Cripta da Sé – Colegiada de Santa Maria da Misericórdia de Ourém, réplica da Sinagóga de Tomar onde está sepultado o IV Conde de Ourém, D. Duarte, Duque de Bragança, actual Conde de Ourém e Grão Mestre das Ordens Dinásticas da Casa Real Portuguêsa, falou do legado de D. Afonso, que também foi o 1º Marquês de Valença, tendo entronizado Edwin Brochin como Confrade da Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval, a primeira Confraria de Vinho Medieval a ser criada no Mundo, em reconhecimento pelo seu trabalho em prol da história do vinho e a promoção do Vinho Ibérico.

O traje dos Confrades desenhado pelo falecido Padre John Guilbert Mariani reproduz as vestes que o IV Conde de Ourém apresenta na imagem jacente no seu túmulo e com as cores das vestes da sua efigie nos Painéis de São Vicente.

https://agc.sg.mai.gov.pt/details?id=257104&ht=

Edwin Brochin, Júlio Torres e Carlos Evaristo

Tanto o Filme Documentário “Blood of the Ancient Vine” (Sangue da Vinha antiga), como a Série com o mesmo nome, irão passar na Net Flix, Amazon Prime, Hulu, Tubi TV, Filmzie, Cinedigm, Little Dot, Xumo, para além de e outros canais de streaming com as quais as produtoras envolvidas já trabalham. O trabalho estará universalmente distribuído e os conteúdos acessiveis na Roku, Amazon Fire TV, Apple TV, Android TV, Google Play, IOS e Android Phones.

Tradução: “Wine on the Vine”

Fotos: Direitos de Autor Reservados

15 de Setembro de 2023

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