Ratzinger foi testemunha de Carlos Evaristo. Porquê? A Irmã Lúcia é a resposta

Breaking News CNN

Sáb, 31 dez 2022

Carlos Evaristo, historiador e representante do Gabinete dos Patronos dos Museus do Vaticano, recorda um episódio em que o Papa emérito Bento XVI foi sua testemunha. E destaca a proximidade de Joseph Ratzinger na relação com os outros.

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CNN / TVI – 31 de Dezembro de 2022

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Carlos Evaristo em entrevista ao Diário de Notícias: “Festa das Santas Relíquias de Belver é uma celebração única no país!”

Procissão anual leva urna relicário com relíquias à volta da Vila de Belver

“A vila protegida de Deus onde a história salva o futuro das jovens gerações”

FESTAS Agosto é tempo de regresso às raízes, em vilas e aldeias de bisavs e avós onde a história é feita de lendas e verdades. Nesta localidade alentejana, ficção e realidade uniram-se há muito tempo para proteger a continuidade desta terra e das suas gentes. Este domingo honram-se as Santas Relíquias de Belver, esperando-se uma afluência recorde.

Do alto de um monte, com vista sobre o rio Tejo, Belver é Terra de Guidintesta, envolta num ar de magia e fé em honra das Santas Relíquias. Hoje, é dia de festa e a gente regressa à terra para um reencontro anual. Jovens e anciãos, paróquia e Clube Recreativo e Desportivo Belverense, unem-se para criar “uma celebração única no país”, diz Carlos Evaristo, arqueólogo especialista em relíquias sagradas. O culto secular coloca o poder de Deus nas ruas de Belver. Resta saber se é possível desvendar o que são as Santas Relíquias da vila. Mil anos antes, talvez também em dia de festa, uma princesa clamou, na colina do castelo junto a uma oliveira que ainda lá está, “mas que belo ver”, batizando assim este ponto das Terras de Guidintesta. Pelo menos é assim que diz a lenda, que em Belver é inseparável da História, num Alto Alentejo fronteiriço à Beira Baixa, lugar de fusão de costumes e tradições.

Afirmando que “existe uma parte de factos históricos e outra de lenda associada às relíquias”, o historiador belverense CarlosGrácio mantém um profundo “respeito pela originalidade e longevidade que as Santas Relíquias têm no imaginário e memória de Belver, de tal forma que ligam o religioso e profano numa celebração única”. O que são as Santas Relíquias “é o mistério”. Carlos Grácio ouviu a sua mãe contar que “nos anos de 1950 o relicário foi aberto e lá dentro estava uma caixa com várias divisórias onde as relíquias estavam dispostas em saquinhos, entre elas um anel de prata do bispo S. Braz, em honra de quem foi erguida a Ermida de S. Braz, dentro dos muros do Castelo de Belver e onde, originalmente, estavam depositadas as relíquias”. O que estaria nos saquinhos? E se as Santas Relíquias de Belver forem pedaços do poder de Deus na Terra? Lenda dourada ou fé inabalável?

Carlos Evaristo está na senda das relíquias portuguesas há décadas. Arqueólogo e historiador, integra um projeto da Fundação Histórico Cultural Oureana para catalogação destes artefactos em Portugal. Das Santas Relíquias de Belver conhece a “Lenda Dourada”, como é denominado o folclore criado em torno de devoções.

Citação completa de Carlos Evaristo: “O regresso das Santas Relíquias a Belver, depois de roubadas ou removidas, navegando sozinhas Tejo acima é um conto que se repete em outras terras da Península Ibérica, omo em Oviedo”, explica. “O mais provável é que as Relíquias foram pilhadas pelos Franceszes ou retiradas dos bustos relicários da Lipsanotheca do Castelo de Belver aquando da desacralização em 1834 mas isso são teorias minhas que preciso de investigar. O certo é que a devolução à Paróquia das relíquias, pilhadas no século XIX pelas tropas de Napoleão ou retiradas e colocadas numa Arca são algumas hipoteses viaveis. Outra é que tenam sido pedidas outras mais tarde ao Vaticano que, depois, as fez chegar novamente a Belver. Numa das hipoteses é certo que as mesmas foram transportadas provavelmente de barco pelo Tejo acima e daí a origem da lenda”.

A primeira referência identificada por Carlos Evaristo sobre este misterioso conjunto de objetos é de 1555, data em que foram trazidas para Belver, pela primeira vez, por D. Luís, filho do rei D. Manuel I e, à época, Prior do Crato, sendo a este priorado que pertencia a Ordem dos Hospitalários” detentora das Terras de Guidintesta. O que eram as Santas Relíquias no século XVI “não se consegue verdades. Nesta localidade alentejana, ficção e realidade uniram-se há muito tempo para proteger a continuidade desta terra e das suas gentes. Este domingo honram-se as Santas Relíquias de Belver, esperando-se uma afluência recorde.”

(…)

Sobre o que estará guardado hoje no relicário, Carlos Evaristo apurou em arquivos oficiais que Citação completa de Carlos Evaristo: “guarda várias relíquias provávelmente,. sem estarem e, relicários ou tecas pois foram retiradas dos bustos relícários existentes na Capela do Castelo que estão vazios assim sendo estão certamente dentro de envulcros de papel ou de pano com equiquetas ou escritos a identificar as mesmas e daí elas estarem numa espécie de arca que é venetrada. Mas consta também que existem outras em relicários de prata tal como uma relíquia de São Sebastião, outra de São Braz, Patrono da Ermida e ainda algumas referencias a ceras”.

As ceras em relicários são, habitualmente, Agnus Dei, Citação completa de Carlos Evaristo: pedaços de discos ovais imbuídos de benções contra os males benzidas pelo Papa e seus Cardeais a cada 7 anos do Pontificado e assim emanam o poder de Deus canalizado por uma bênção do seu representante na Terra: o Papa”.

Com pedaços do poder de Deus a percorrer todos os anos as ruas de Belver, não é de espantar
que a vila se mantenha a salvo de todos os males. “Facto é que em tempo de aflição as pessoas recorrem às Santas Relíquias e são atendidas”, conta Martina de Jesus, presidente da Junta de Freguesia.

(…)

A autarca não tem dúvidas de que “a história, folclore e etnografia de Belver representam o passado e são o futuro da terra”, que encontrou grande desenvolvimento no turismo de natureza e turismo cultural. O Castelo de Belver. “ (…)

Citação completa de Carlos Evaristo: Tal como as replicas da Arca da Aliança que são levadas em procissão pelos Padres Coptas de Gondar na Etiópia, ninguém sabe o que vai dentro da Arca Relicário de Belver.

TEXTO ANA MARTINS VENTURA

Diário de Notícias, 19 de Agosto de 2022

(Página 18 – Local)

https://www.dn.pt/local/belver-a-vila-protegida-de-deus-onde-a-historia-salva-o-futuro-das-jovens-geracoes-15100393.html?fbclid=IwAR0k4junkoRWjxXTsmLOG4OUFGLGFCvRzAXKq5uS-j8bCVDZRu6qNCADdQk

A equipa de peritos de Carlos Evaristo está a levar a cabo a reautenticação das relíquias da Peninsula Ibérica e já reautenticou os relicários da fabulosa colecção da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo em Braga entre outras colecções insignes. Para Evaristo; “As Relíquias da Arca de Belver deviam de ser estudadas e reautenticadas com a colocação de selos de lacre e emissão de Autenticas novas em conformidade com as normas e rubricas da Santa Sé para veneração pública de relíquias. Estas normas foram recentemente promulgadas pelo Papa Francisco e por isso esperamos que permitam que se realize este trabalho”.
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Entrevista com Carlos Evaristo na Revista SÁBADO: “As relíquias mais macabras em Portugal”

Revista “Sábado” 2 de Julho de 2022.

Além do coração de D. Pedro IV, que será trasladado para o Brasil, há outros restos mortais de santos e criminosos, preservados em Portugal.

Durante mais de cinco horas, peritos do Instituto de Medicina Legal avaliaram o estado de um coração com 187 anos. O órgão, preservado em formol, não foi retirado do vaso de vidro que o preserva intacto. Antes foi removida e avaliada uma pequena amostra. Os cuidados com um coração que há muito deixou de bater têm razão de ser: é o coração de um Rei. Mais precisamente de D. Pedro IV, o monarca que declarou a independência do Brasil e que Brasília quer ver presente nas celebrações do bicentenário, no próximo mês de setembro.

A cabeça de Diogo Alves, o assassino do Aqueduto das Águas Livres, está preservada na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Não foi a primeira vez que a relíquia foi avaliada. Desde 1835, quando o coração foi entregue à cidade do Porto, fizeram-se “várias verificações e análises ao estado de conservação do coração, sempre por peritos de Farmácia e de Medicina das Escolas de Medicina do Porto e mais recentemente pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar”, explica Francisco Ribeiro da Silva, mesário da Venerável Irmandade da Lapa, onde está guardada a relíquia.

O coração de D. Pedro IV foi examinado por peritos antes de ser autorizada a sua transladação para o Brasil.

O coração foi entregue ao então presidente da câmara do Porto, Vicente Ferreira de Novais, cinco meses após a morte do Rei, dentro de um pequeno cofre de prata dourada. Só ao fim de um mês é que os médicos da então Real Escola Cirúrgica do Porto decidiram colocá-lo num vaso de vidro.

Ao longo dos anos, foi necessário fazer alterações. “Segundo a documentação, em 1872 os líquidos foram substituídos. E em 1908 o álcool foi substituído por líquido indefinidamente conservador de Kaiserling”, diz à SÁBADO Francisco Ribeiro da Silva. “Acredito que isso sucedeu mais vezes, não muitas, não obstante as dificuldades de lidar com o vidro sem o partir.”

A viagem transatlântica foi autorizada e o presidente da câmara do Porto, Rui Moreira, acompanhará a relíquia até Brasília, a 8 de setembro. Será a primeira vez que o órgão deixa as quatro paredes que habita. “Para fora do espaço da Igreja jamais o coração saiu.”

Cinco peritos do Instituto de Medicina Legal avaliaram o estado do coração de D. Pedro IV antes da viagem para o Brasil.

Mas a prática não é inédita. “Há corações de santos que fizeram peregrinações pelos Estados Unidos. Desde que esteja mergulhado em formol é duvidoso que mude de natureza”, garante Carlos Evaristo, especialista em relíquias sagradas.

Não é o único coração real preservado há centenas de anos. No Mosteiro de São Vicente de Fora, onde se encontra o Panteão dos Reis da Dinastia de Bragança, estão os corações e as vísceras de quatro monarcas e um príncipe. “Estão guardadas em potes de porcelana chinesa, depositados debaixo do chão da Capela dos Meninos de Palhavã [referente aos filhos bastardos de D. João V], por baixo de pedras recortadas em forma de diamante”, explica Miguel Pires, guia do mosteiro. O coração e as vísceras eram retirados para permitir o processo de embalsamamento. “Encontram-se no mosteiro os corações de D. João V, D. José I, D. João VI, D. Pedro III e do príncipe Augusto [herdeiro do trono do Brasil].”

A zona onde está enterrado o coração e as vísceras do Rei D. João V, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

A sua presença foi confirmada pelo arqueólogo Fernando Rodrigues Ferreira que, no ano 2000, exumou o caixão de madeira que continha o pote de porcelana das entranhas de D. João VI. O objetivo era confirmar a tese de que o monarca, marido de D. Carlota Joaquina e pai de D. Pedro IV, que fugira das tropas napoleónicas para o Brasil, em 1807, tinha sido envenenado. Análises aos pedaços de intestino e de fígado lá encontrados determinaram a causa de morte: envenenamento por arsénio.

Relíquia científica
A única cabeça embalsamada de um criminoso com os olhos abertos em Portugal. “Ele está a olhar para nós”, diz à SÁBADO António Gonçalves Ferreira, diretor do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina de Lisboa, que há 180 anos guarda a alegada cabeça do homicida em série Diogo Alves. Porquê? Não se sabe. “Não costumava ser assim. Os corpos eram e são embalsamados como morrem, de olhos fechados.”

Os caixões dos reis da dinastia de Bragança antes das obras em São Vicente de Fora, em 1932.

Foi assim para reis, rainhas e bispos. “Os corpos eram preservados como forma de homenagem, tal como se prestavam aos faraós do Egito”, explica Carlos Evaristo, especialista em relíquias sagradas e fundador da Regalis Lipsanotheca, um repositório de relíquias.

Não foi o caso de Diogo Alves. O galego que serviu em casas de nobres no século XIX, foi preso e condenado à morte na forca, pela morte de cerca de 70 pessoas. Muitas delas, lavadeiras e agricultores que atravessavam o Aqueduto das Águas Livres para chegar a Lisboa e fazer negócio. O homem, e o seu gangue, roubava-os e, de seguida, atirava-os do aqueduto abaixo. A tática resultou: durante meses as autoridades não investigaram os crimes, convencidos de que se tratava antes de suicídios.

Quando foi enforcado, a 19 de fevereiro de 1841, no Cais do Tojo, a sua cabeça foi decepada e entregue à Escola Médico-Cirúrgica com a intenção de a estudar. “No fim do século XIX, procurava-se correlacionar alterações de comportamento com disformias da cabeça”, explica o diretor do Instituto de Anatomia, mas nada foi feito. “Não foram feitos exames, porque a cabeça está intacta”, explica António Gonçalves Ferreira. “E não há qualquer registo de um estudo na Faculdade de Medicina.”

O sarcófago da Rainha Santa Isabel no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.

Mais: não é certo que a cabeça, cabelos, bigode e pera louros sejam do galego. “Descobriu-se uma série de documentos antigos sobre crânios identificados como sendo do grupo de Diogo Alves. Levanta dúvidas se a cabeça será mesmo de- le ou de um dos capangas.” Um mistério que não terá resolução. “Até agora, nenhum descendente reclamou a cabeça.”

Uma mão com quase 700 anos
Em Coimbra, a mão de uma rainha declarada santa foi exposta ao público no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em 2016, por ordem do bispo de Coimbra. Celebravam-se, então, os 500 anos da beatificação da Rainha Santa Isabel, consorte do Rei D. Dinis. A princesa de Aragão morreu em Estremoz em 1336 e foi enterrada, a seu pedido, em Coimbra. Em 1612, quando se abriu pela primeira vez o seu túmulo para o processo de canonização, encontraram o corpo “mui são, inteiro e sem corrupção, de maneira a que a cabeça estava com os cabelos inteiros, louros e sãos, de maneira que pegando por eles estavam fixos. A testa e todo o rosto coberto pela mesma carne, muito alba e bem proporcionada, com nariz, orelhas, olhos e boca, sem corrupção”, lê-se nos autos oficiais. Não foi milagre. “A Rainha Santa Isabel terá sido mumificada, possivelmente com sal nitrato, como as múmias do Egito, porque tem uma aparência escura”, explica Carlos Evaristo. A preservação do corpo terá sido feita para que o cadáver suportasse a viagem de Estremoz, no Alentejo, até Coimbra.

Durante anos a família real portuguesa em visita a Coimbra beijava a mão da rainha Santa e surgiram várias relíquias do seu cabelo. “No tempo de D. Miguel I [aclamado em 1828], o bispo de Coimbra abriu o sarcófago e cortou uma madeixa de cabelo da Rainha, que ofereceu ao Rei e às suas irmãs”, conta Carlos Evaristo. “Nós na Lipsanotheca temos um relicário com o cabelo.”

Carlos Evaristo avaliou o estado do corpo do arcebispo de Braga, D. Lourenço Vicente.

As relíquias de santos foram durante séculos muito populares. “Não havia igreja que não tivesse a sua pedra d’ara [pedra de mármore colocada no centro do altar com um orifício] onde estava guardada uma relíquia de santo”, explica Carlos Evaristo, coautor do livro Relíquias Sagradas. As relíquias são consideradas pelo Vaticano como sacramentais, por ajudarem à fé cristã, e tiveram o seu auge no século XVIII, depois de o “Papa Pio IX ter mandado exumar cerca de 20 mil cadáveres de mártires das catacumbas de Roma, considerados santos por terem morrido pela fé, e distribuiu as suas relíquias pelo mundo”.

Mas o seu culto tem desaparecido e há relíquias esquecidas em sótãos de igrejas, em reservas de museus e “algumas foram parar ao lixo”, garante Carlos Evaristo. Para travar o seu desaparecimento, o especialista, que ajuda dioceses a preservar e autenticar relíquias, criou um espaço, a Regalis Lipsanotheca (real relicário em latim), em Ourém e Fátima. Aqui, deposita em altares, como manda o Vaticano, uma coleção que só é superada pela Lipsanotheca Pontifícia, situada ao lado da capela privada do Papa no Vaticano e que contém relíquias de todos os santos canonizados pela Igreja.

Canibalismo
O cientista britânico que comeu o coração de Luís XIV
O geólogo inglês William Buckley, deão da Abadia de Westminster, em Londres, ficou conhecido por, em 1848, ter engolido um pedaço do coração do Rei francês Luís XIV, que se encontrava guardado num medalhão de prata da família Harcourt. Não o fez deliberadamente: pensou ser um mineral e quis identificá-lo com a boca.

Susana Lúcio

FONTE: Revista “Sábado”, 2 de Julho de 2022; Páginas

https://www.sabado.pt/vida/detalhe/as-reliquias-mais-macabras-em-portugal

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Entrevista com Carlos Evaristo sobre o Traslado do Coração do Imperador D. Pedro I para o Brasil e sobre as Relíquias históricas e religiosas em Portugal na Revista “Notícias Magazine” do Jornal de Notícias

O Deputado Federal Brasileiro Príncipe D. Luiz Phillipe de Orleans Bragança com o Cônsul Honorário do Brasil em Fátima. Foto tirada em Ourém no passado mês de Janeiro, um dia antes do pedido formal do Governo do Brasil a pedir a trasladação do Coroação do Imperador D. Pedro I ter sido entregue à Câmara Municipal do Porto e â Irmandade de Nossa Senhora da Lapa. (Foto de José Alves)

Por Sara Sofia Gonçalves (Jornalista)

FONTE: Notícias Magazine, Jornal de Notícias, 26 de Junho de 2022 , Páginas 38 a 43

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ADN dos Santos está a ser estudado

Santiago de Compostela

A 1ª edição do projeto “ADN da Fé”, capitaneado pelo Dr. Carlos Evaristo, pretende resgatar as raízes da Fé na Península Ibérica a partir da suposta viagem missionária de São Tiago aos “confins da terra”.

A Europa se fez a caminho de Compostela. Essa observação atribuída ao célebre autor alemão Johann Wolfgang von Goethe já foi repetida à exaustão. E raros são os que desconhecem sua origem lendária. Ela teria começado com uma chuva de estrelas no bosque Libredón, no século IX. Surpreendido pelo espetáculo sobrenatural, o ermitão Pelágio alertaria o bispo de Iria Flávia, Dom Teodomiro. O que o religioso teria encontrado naquele bosque mudaria os rumos da civilização ocidental. Em um imponente sepulcro, jaziam os restos mortais de um dos apóstolos mais próximos de Cristo, São Tiago Zebedeu. Dois séculos após a suposta descoberta milagrosa, a história começou a ganhar repercussão por meio do documento Concordia de Antealtares.

A 1ª edição do projeto “ADN da Fé”, capitaneado pelo Dr. Carlos Evaristo, pretende resgatar as raízes da Fé na Península Ibérica a partir da suposta viagem missionária de São Tiago aos “confins da terra”. A equipe multidisciplinar conta com peritos nas mais diversas áreas: antropologia, arqueologia sacra, pesquisa documental, análise de DNA e datação por carbono-14. O terreno da investigação, porém, não é a antiga Iria Flávia, rebatizada de Santiago de Compostela e promovida a santuário apostólico, mas sua rival na Idade Média. Uma tradição largamente difundida na época afirmava que o apóstolo havia evangelizado a Península Ibérica, porém, seu centro principal de atuação era Bracara Augusta, posteriormente rebatizada de Braga, e seus arredores. Na antiga capital do Reino de Galiza, São Tiago teria fundado a primeira igreja cristã da Hispania, considerada a primaz até os dias de hoje, e nomeado, como bispo, o amigo e discípulo Pedro de Rates. No claustro da catedral de Braga, há um significativo vestígio dessa tradição: uma arca em pedra lavrada com a identificação dos restos mortais de São Pedro de Rates. Todas as suas relíquias, entretanto, foram trasladadas – boa parte para uma arca de madeira atualmente custodiada na Sé. 

A publicidade sobre a descoberta milagrosa do túmulo de São Tiago causou uma corrida ao seu alegado túmulo. Pessoas de todos os rincões do mundo peregrinavam até a casa do Apóstolo. E o enorme fluxo de peregrinos acabou forjando a Europa. Lembra-se da citação atribuída a Goethe? Antes desse fenômeno, porém, Iria Flávia estava sob a jurisdição da Sé de Braga, onde havia um importante santuário com relíquias insignes. Em busca de curas milagrosas, multidões acorriam até lá. A suposta descoberta de Teodomiro mudou o rumo da história. Alçada a arquidiocese e santuário apostólico, Santiago de Compostela começou a disputar com Braga a atenção dos peregrinos, uma disputa repleta de tramas ardilosas e furtos fantásticos, conhecidos como furta sacra ou pio latrocínio. Um personagem-chave foi o bispo Dom Diego Gelmírez. No século XI, o religioso se aliou à Dona Urraca, rainha de Castela e Leão, para esvaziar Braga e suas paróquias de seus mais importantes tesouros, incluindo relíquias de papas e antigos mártires da Igreja. O objetivo era trasladar essas joias medievais ao novo santuário compostelano. Eram relíquias verdadeiras? O simples fato de um bispo ter reunido um exército para invadir Portugal em busca delas é, por si só, um atestado de autenticidade. Se pairasse qualquer dúvida a respeito disso, o bispo poderia ter inventado relíquias, prática bem comum na época. Em 1992, parte dessas relíquias furtadas foi devolvida a Braga por ordem do atual arcebispo de Santiago de Compostela, Dom Julián Barrio Barrio.

Pela primeira vez na história, esse patrimônio religioso e histórico está sendo minuciosamente analisado pela equipe liderada por Carlos Evaristo, perito em relíquias, arqueologia sacra e iconografia sacra medieval. A primeira fase do projeto “ADN da Fé”, batizada de “Relíquias Insignes da Sé de Braga e do Caminho de Santiago de Compostela”, consistiu na identificação de todas as relíquias de Braga custodiadas na Sé e em outras paróquias da arquidiocese. Muitas estavam em condições precárias de armazenamento, misturadas a elementos inusitados. O primeiro passo foi examinar as relíquias insignes e colocá-las em invólucros de linho puro, benzidos pelo pároco da Sé, o cônego Manuel Joaquim Costa, e selados com fita e lacre, conforme preza a tradição da Igreja. Na investigação dessas relíquias antigas, uma pergunta fundamental deve ser respondida. Elas realmente pertencem aos alegados santos, aos eleitos de Cristo, ou foram “inventadas” (descobertas, na acepção medieval do termo)? 

Na Idade Média era comum produzir relíquias místicas, ou seja, réplicas em escala com pequenos fragmentos de relíquias reais. Havia também ossos que não passavam de relíquias de contato. Quando uma relíquia insigne era destruída ou roubada de um importante local de culto, havia uma relíquia representativa de substituição. Ela poderia ser de outro santo ou simplesmente uma escultura em madeira ou papel machê, incrustrada com uma relíquia menor. Algumas vezes, elaborava-se ainda uma pasta de ossos e terra do sepulcro. Réplicas místicas ou de substituição foram uma prática corrente. Um exemplo tradicional são as várias cabeças de São João Batista. Elas não passam de fragmentos do crânio em relicários no formato de cabeça ou caveira.

O estudo preliminar das relíquias de Braga já revelou o recurso a essas práticas medievais e romanas de substituição e reconstrução de relíquias insignes com uso de ouro, prata, cerâmica, madeira, gesso, cera e papel machê. A utilização dessas técnicas indica claramente que as relíquias de Braga haviam sido roubadas, destruídas ou parcialmente danificadas. O fato de muitas estarem carbonizadas e com partes reconstruídas – em madeira, gesso e papel machê pintado na cor de osso – comprova que sobreviveram ao fogo, resultante de acidente ou de alguma intervenção bélica de Dom Diego Gelmírez no processo de pilhagem. Há outra explicação plausível para o uso dessa técnica: as relíquias podem ter estado primeiramente em relicários de madeira destruídos por insetos. Em uma espécie de dedetização medieval, eles foram chamuscados pelo fogo, danificando também as relíquias. Vestígios de cola antiga e fragmentos de pergaminho com nomes de santos em ossos ajudam a corroborar essa hipótese.

Carlos Evaristo entrega a José António Lorente Acosta a primeira recolha de relíquias insignes para análises ADN.

A investigação inicial, porém, é incapaz de dar uma resposta definitiva sobre essas importantes relíquias. Para ajudar a desvendar o mistério, é preciso recorrer a métodos científicos confiáveis, como a investigação do DNA dos restos mortais e a datação por carbono-14. Nisso consiste a segunda etapa do projeto “DNA da Fé”. Foram retiradas amostras de cerca de duas dúzias de ossadas de santos, todas encaminhadas ao Dr. José António Lorente Acosta, professor de genética, médico-legista forense e presidente da comissão médica desse projeto. Em seu laboratório GENYO, na Universidade de Granada, o Dr. Lorente Acosta foi o responsável pela identificação dos restos mortais de célebres personagens históricas como Cervantes e Cristóvão Colombo. Segundo Lorente Acosta: “O material escolhido para a análise de relíquias deve ser constituído por dentes e fragmentos dos esqueletos, fragmentos com uma maior densidade óssea. Se não tiver cáries, os dentes são a parte do corpo que melhor guardam o DNA. O mesmo se passa com os ossos densos, pois o núcleo fica pouco exposto, e, portanto, menos propício à contaminação”. Pela primeira vez na história, uma tecnologia revolucionária no estudo do DNA será colocada a serviço da Igreja católica. Trata-se da NGS (New Generation Sequencer). É apenas o início de um projeto mais amplo para a criação de um Banco Internacional do DNA de santos, com o objetivo de auxiliar a Igreja na investigação da vida dos eleitos de Deus, bem como na reautenticação de relíquias. Essa base de dados já conta com amostras genéticas de diversos santos e beatos portugueses. É a gênese de novas edições do projeto “ADN da Fé”.

A investigação das relíquias dos santos bracarenses entra agora em sua quarta fase. O cônego José Paulo Leite Abreu, deão da Sé de Braga, perito em arte sacra e conservação e autoridade eclesiástica responsável pelo projeto desde o início, enfatiza a importância ímpar desse trabalho para a Igreja. Segundo o vigário-geral: “Precisamos saber a verdade acerca de alguns santos e suas relíquias insignes ligadas à história da fundação das dioceses de Braga e Santiago de Compostela e ao início da peregrinação jacobeia. Temos de confirmar se algumas figuras são históricas ou lendárias? Um exemplo significativo: São Pedro de Rates existiu? Ele foi realmente o primeiro bispo de Braga? Talvez seja finalmente possível encontrar a resposta por meio da investigação dessas relíquias que custodiamos na Sé desde a Idade Média”.

Enquanto as análises são processadas pela equipe, o grande enigma da peregrinação jacobeia paira no horizonte dessa investigação. Para desvendá-lo, devemos lançar um novo olhar para a Idade Média. Embora Dom Diego Gelmírez alardeasse que as relíquias de São Tiago Maior estivessem no santuário compostelano, Dom Maurício Burdino afirmou que elas haviam sido custodiadas primeiramente em Braga. Quando Dom Gelmírez começou a distribuir relíquias da mandíbula e dos dentes de São Tiago Maior, Burdino alegou que a maior parte do corpo do apóstolo ainda permanecia em Braga. Segundo alguns historiadores, o arcebispo de Braga havia adquirido o crânio de São Tiago Menor – e promovido o mal-entendido de que poderia ser o de Zebedeu. E também havia colocado para veneração pública os ossos de outro São Tiago, o Interciso, sem revelar plenamente sua identidade. Fazia parte do seu jogo na disputa de poder com Dom Gelmírez e na batalha para conquistar mais peregrinos. Todas as relíquias dos santos homônimos acabariam em Santiago de Compostela pelas mãos de Dom Gelmírez, incluindo o crânio de São Tiago Menor. Outra importante questão deve ser respondida pela equipe de investigação: Essas relíquias pertencem a santos homônimos ou constituem partes dispersas da ossada de um único santo, com fragmentos insignes ainda em Jerusalém, Braga e Pistoia?

Atualmente, a maior parte das alegadas relíquias de São Tiago Maior estão encerradas na arca-relicário de prata na cripta abaixo do altar-mor da catedral de Santiago de Compostela. E há uma interdição papal que impede sua abertura. No acervo da Regalis Lipsanotheca, no castelo de Ourém, e na coleção de relíquias de um arcebispo medieval de Braga, porém, existem peças fundamentais desse quebra-cabeça. Tratam-se de alegadas relíquias insignes de São Tiago Maior doadas por arcebispos de Santiago de Compostela a figuras históricas portuguesas dos séculos XV e XVI. São as mais antigas relíquias documentadas antes da maior parte dos ossos ter sido ocultada – e perdida – na época das invasões do corsário inglês sir Francis Drake. Ela seria redescoberta e reautenticada apenas no século XIX sob o papado de Leão XIII. 

Juntamente com amostras de relíquias de São Tiago Alfeu e São Tiago Interciso, essas históricas e alegadas relíquias de São Tiago Maior, custodiadas em Portugal, já foram encaminhadas ao Dr. Lorente Acosta. Em breve, o laboratório GENYO, na Universidade de Granada, poderá oferecer respostas a esses enigmas milenares. E provar se o DNA da Fé da Península Ibérica está realmente enraizado nas relíquias de um dos apóstolos mais próximos de Cristo. Independentemente das respostas, uma coisa é certa: Braga e Santiago de Compostela tornaram-se autênticas herdeiras de São Tiago Maior e nunca deixaram de zelar pela Boa-Nova que o Apóstolo teria carregado até aqueles “confins da terra”. 

O Cónego José Paulo Leite de Abreu e Carlos Evaristo apresentam o Projeto “Relíquias Insignes da Sé de Braga e do Caminho de Santiago de Compostela.

25 de Janeiro de 2022

Carlos Evaristo é arqueólogo, historiador e curador de várias comissões diocesanas para a reautenticação relíquias. Com sua mulher Margarida Evaristo, é fundador do Apostolado pelas Relíquias Sagradas e da Cruzada Internacional pelas Sagradas Relíquias. Curador da Regalis Lipsanotheca, colabora há várias décadas com a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos e Gabinetes de Postuladores, sendo Presidente do Gabinete dos Patronos dos Museus do Vaticano para paises lusófonos e diretor do projeto “ADN da Fé”.

Fábio Tucci Farah é jornalista e perito em relíquias da Arquidiocese de São Paulo. Curador adjunto da Regalis Lipsanotheca, ele desenvolve diversas pesquisas com Carlos Evaristo e é membro da equipe de arqueologia sacra do projeto “ADN da Fé” e chefe da equipe editorial e de pesquisa.

FONTE: https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2022-01/o-dna-da-fe-da-peninsula-iberica.html?fbclid=IwAR0Cxk_hysKFjMnVRzH4RxNVS7gtZrKn-hj1ol1SL4cCBxCSgwc9IIp47YA

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Real Confraria e Real Guarda de Honra celebram Festa do seu Patrono na Igreja do Santo Condestável em Lisboa

Mural do Altar Mor da Igreja

A Real Confraria do Santo Condestável juntamente com a Real Guarda de Honra, voltaram a celebrar a Festa do seu patrono na Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, com investiduras de novos Confrades, Missa Solene com Veneração de Relíquia Insigne e um Jantar de Convívio / Capítulo Geral.

Alguns Membros do Conselho da Real Confraria com os novos Confrades e elementos da Real Guarda de Honra

A Festa litúrgica de São Nuno de Santa Maria celebrada pela Real Confraria do Santo Condestável e a Real Guarda de Honra, teve lugar na Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa, com início às 18:30 Horas, altura em que se realizaram as Investiduras de novos Confrades na Cripta da Igreja junto ao túmulo de São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira.

A cerimónia este ano foi presidida por Sua Alteza Real Dom Afonso de Bragança, Príncipe da Beira, Condestável-Mor Honorário e Patrono em representação de seu pai, Sua Alteza Real Dom Duarte Pio de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa, que não pode estar presente por se encontrar, à mesma hora, a assistir à Missa de Exéquias Fúnebres de Sua Exª Rev.ma D. Basílio do Nascimento, Bispo de Baucau, Timor Leste que teve lugar no Mosteiro dos Jerónimos.

Presentes este ano nas cerimónias estiveram os Condestáveis Fundadores José António e Maria Antonieta da Cunha Coutinho juntamente Maria Margarida Evaristo, o Condestável-Mor para Lisboa, Humberto Nuno de Oliveira, e o Alcaide para Ourém e Coordenador da Acção Social “Peacemakers” David Alves Pereira. No total participaram 35 Confrades e uma Delegação de 6 elementos da Real Guarda de Honra, comandados nesta ocasião pela Comandante em Exercício, Dama Guarda de Honra Maria Filomena de Castro.

Investiduras de Novos Confrades e Promoções

Os Confrades investidos nesta ocasião foram Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes, José Tomé Chasqueira Boavida, Nuno Ricardo Gonçalves Pereira Candeias e D. António Albuquerque de Sousa Lara admitido no grau de Alcaide.

Os Confrades estrangeiros honorários admitidos nesta ocasião foram dois espanhóis: o Alferes de Navio José Luis Barceló e sua mulher Maria del Pilar Vicente, Cavaleiro e Dama Honorários da Casa Real Portuguesa e ainda um Irlandês; William Smyth.

Foi promovido a Alcaide o Confrade Mário Neves, que tem sido incansável na promoção do Culto de São Nuno e igualmente promovido a Alcaide e Adjunto do Condestável-Mor para Lisboa, o Confrade João Pedro Antunes de Ascensão Teixeira, que tal como sua irmã, Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes, foi baptizado naquela igreja onde se encontra o túmulo oficial de São Nuno.

Todos os novos Confrades foram dispensados da imposição do escapulário de Nossa Senhora do Carmo pelo facto de já terem sido investidos há vários anos com o mesmo por um Sacerdote.

No uso da palavra o Condestável-Mór Fundador Carlos Evaristo informou que este ano o Revº. Padre Francisco Rodrigues, O. Carm. Capelão Mór Fundador da Real Confraria e Vice-Postulador Emérito, não pode estar presente pelo facto de ter sido recentemente internado no hospital devido a uma intoxicação alimentar. Carlos Evaristo recordou que foram também investidos este ano como Confrades Professos; Leonardo Pereira Rodrigues, Hernani Luis de Carvalho e Rui Salazar de Lucena e Mello e como Confrades estrangeiros, Professos e Honorários; Simon Andrew Robert Appleby-Wintle, Thomas Joseph Serafin, André Ladislau Olegario Jaross, Eugénio Emiliano Arciuszkiewicz, Anton Tkachuk, Eugenio Magnarin, Franco Vassallo de Ferrari di Brignano e Fernando Diago de la Presentación.

José António da Cunha Coutinho, D. Afonso de Bragança, Carlos Evaristo, Mário Neves e David Alves Pereira
A Promoção a Alcaide do Confrade Mário Neves
O momento da Investidura do Alcaide D. António de Sousa Lara
O Alcaide Mário Neves agradece a promoção
A imposição do Hábito ao Alcaide D. António de Sousa Lara
Alferes de Navio José Luis Barceló
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A imposição do Hábito ao Alferes de Navio José Luis Barceló
A Imposição do Hábito à Confradesa Maria de Lurdes pela Dama Condestável Fundadora Margarida Evaristo
A Investidura de Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes
A Investidura de Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes

A Investidura da Confradesa Maria del Pilar Vicente
A Imposição do Habito ao Confrade José Tomé Chasqueira Boavida pelo Alcaide David Pereira
O Confrade José Tomé Chasqueira Boavida cumprimenta o Condestável-Mor Fundador Carlos Evaristo
O Condestável-Mor para Lisboa, Humberto Nuno de Oliveira preside ao Capítulo Geral com o Adjunto, Alcaide João Pedro Teixeira e o Alcaide e Coordenador da Acção Social David Alves Pereira

Missa Solene presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa

Durante a homilia D. Manuel Clemente relembrou como o Santo Condestável antes das batalhas se preocupava se o inimigo teria comida suficiente e enviava mantimentos caso não tivessem, algo que mostrava a humanidade e generosidade de São Nuno como Comandante.

Depois da Comunhão foi colocada uma Coroa de Flores junto ao túmulo de São Nuno localizado debaixo do altar-mor e recitada uma oração, composta pelo Infante D. Pedro, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa.

Depois do Coro ter cantado o Hino do Santo Condestável, terminada a Missa, foi dada a bênção final por D. Manuel Clemente e depois, ficou exposta no altar para veneração, a Relíquia Insigne do fémur de São Nuno, oferecida à Paróquia há 70 anos pelo então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

Início do Cortejo litúrgico
O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa relembra o 70º Aniversário da Igreja do Santo Condestável
Sua Alteza Real o Príncipe da Beira D. Afonso de Bragança
Os Membros do Conselho da Real Confraria e Maria Castro, a Comandante em Exercício da Real Guarda de Honra
Os Membros do Conselho da Real Confraria e a Comandante em Exercício da Real Guarda de Honra
O Coro da Paróquia
Duas jovens colocaram uma Coroa de Flores junto ao Túmulo do Santo Condestável
Duas jovens colocaram uma Coroa de Flores junto ao Túmulo do Santo Condestável
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Duas jovens colocaram uma Coroa de Flores junto ao Túmulo do Santo Condestável
O Cardeal Patriarca de Lisboa invoca o Santo Condestável durante a Oração
A Relíquia Insigne do Fémur de São Nuno de Santa Maria
Carlos Evaristo venera a Relíquia Insigne do Santo Condestável

Jantar de Convívio

Após a solene celebração litúrgica em honra de São Nuno de Santa Maria, seguiu-se um jantar de confraternização e o Capítulo Geral dos Confrades da Real Confraria do Santo Condestável e dos Membros da Real Guarda de Honra. Presidiu à Sessão o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, Condestável-Mor acompanhado de seu filho, o Príncipe da Beira o Senhor Dom Afonso de Bragança.

Presentes este ano em representação da Delegação Norte Americana da Real Confraria, estiveram os Confrades James e Jean Dudek que há mais de 20 anos promovem a devoção a São Nuno nos Estados Unidos da América no contexto da Mensagem de Fátima.

Agradecimentos Especiais

Antes de terminar o Capítulo Geral o Chefe da Casa Real Portuguesa deu as boas vindas aos novos confrades e agradeceu a presença de todos e particularmente os que vieram de longe. Agradeceu também à organização na pessoa do Alcaide João Pedro Teixeira, que organizou o protocolo da Missa e o jantar, e ao Confrade Armando Mendes que há mais de 30 anos colabora com o Apostolado de São Nuno e das Sagradas Relíquias.

No uso da palavra, Carlos Evaristo agradeceu a presença de todos os Confrades e relembrou os que não podiam estar presente e ainda os que faleceram recentemente. Agradeceu também a Filomena Maria Castro e aos membros da Real Guarda de Honra que deram brilho à homenagem a São Nuno e à Igreja do Santo Condestável no dia do seu 70º Aniversário.

Carlos Evaristo anunciou o encerramento do Centro de São Nuno da Real Confraria em Fátima, que durante muitos anos foi mantido pelos Confrades Brenda e Martin Cleary. O Centro não só acolhia peregrinos devotos em Fátima como também ajudava a angariar fundos para as obras sociais da Diocese de São Tomé e Príncipe. Carlos Evaristo agradeceu também a presença de Mário Pontes, José Manuel e Inês Rodrigues, sobrinhos da saudosa fadista Amália Rodrigues, que foi grande devota do Santo Condestável e à Delegação de Évora da Real Confraria e Real Guarda de Honra chefiada por Ricardo Maria Louro. Presente também esteve Roman von Ruppe, o Confrade responsável em Portugal pela obra social, Mary’s Meals.

Seguidamente o Senhor D. Afonso de Bragança investiu o Revº Padre Mário Cabral de Timor Leste como Capelão Honorário da Real Confraria do Santo Condestável e nomeou o Confrade William Smyth como Organista da Real Confraria e da Real Lipsanotheca.

A Festa de São Nuno terminou com a entrega de um donativo extraordinário de 100.00€ para a Obra do Caldeirão pela Confradessa Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes e a oferta do livro “O Exército e Nuno Álvares Pereira” pelo Alcaide Mário Neves, destinado à Biblioteca Condestabriana.

O Alferes José Barceló também entregou uma Relíquia Insigne de um lenço ensanguentado de Sua Majestade a Rainha Maria de las Mercedes de Orleans y Borbón, adquirida pela Fundação Oureana para a Real Lipsanotheca em Ourém. A Relíquia que chegou acompanhada de Madrid pelos Alferes e sua mulher era da Rainha de Espanha parente do Senhor D. Duarte de Bragança que morreu com fama de Santidade em Madrid, a 26 de Junho de 1878.

Carlos Evaristo e D. Afonso de Bragança agradeceram a Maria de Castro por ter representado o Comando Geral
D. Duarte de Bragança em conversa com membros da Família Mendes e o Confrade William Smyth
O Alferes José Barceló entrega uma Relíquia Insigne de Sua Majestade a Rainha Maria de las Mercedes

6 de Novembro de 2021

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Paróquia de Palhais apresenta “Relíquias da Paixão”

Diocese de Setúbal

Todas as relíquias de Jesus Cristo, mesmo os mais simples objetos, impressionam e comovem a alma cristã, infundem profundo respeito e, ao mesmo tempo, causam intensa atração. A sede de divino, inerente a todo homem, sente-se em algo atendida, ao contemplar uma delas.

Dessas inapreciáveis relíquias, o Sudário de Turim é talvez a mais conhecida, em razão das reiteradas tentativas de negar sua autenticidade.

Carlos Evaristo, especialista em relíquias, estará no salão da Igreja de Santo António da Charneca na tarde do domingo de ramos, 25 de março, a partir das 16 horas para apresentar as sagradas relíquias da Paixão e falar sobre cada uma delas.

Uma oportunidade incrível para todos os curiosos que queiram conhecer melhor a Paixão de Jesus através das suas relíquias. Relíquias verdadeiras? Forjadas ao longo dos séculos? Carlos Evaristo irá esclarecer todas as pessoas.

Pe. Tiago Veloso, pároco de Palhais/Santo António

10 de Março de 2018

FONTE: https://diocese-setubal.pt/2018/03/10/paroquia-de-palhais-apresenta-reliquias-da-paixao/?fbclid=IwAR2C6EDkYb4YqSrq6K3FYfSp_9V1cKVY1k6yRQwsmPFIR9QnImE-gD8Mx9g

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SANTO GRAAL – O cálice usado por Jesus na Última Ceia está na Catedral de Valência

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O perito em Relíquias Carlos Evaristo examina o Santo Graal na Catedral de Valência na companhia do Zelador Don Jaime Sancho Andreu, do Realizador Paul Perry e de Don José Leto Melero Crespo (Vice-Presidente Confradia del Santo Caliz de Valencia.

O Santo Cálice, conhecido desde a tradição medieval como o Santo Graal, é uma das relíquias mais sagradas de sempre e tem inspirado numerosas histórias na literatura e no cinema. Será verdade que esta peça esteve nas mãos de Cristo? Conheça aqui a sua história e onde ainda hoje o contemplar.

A palavra graal deriva provavelmente do Latim gradalis, que significa jarra, recipiente, e refere-se ao cálice de vinho que Jesus usou durante a Última Ceia.

El Santo Cáliz de Valencia | Reliquiosamente

Tanto os Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) como São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, mencionam que Jesus usou um cálice na Última Ceia com os seus discípulos: «Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos eles beberam» (Mc., 14,23), e «do mesmo modo, depois da Ceia, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de Mim”» (1Cor., 12,25-26). Mas as informações sobre o paradeiro desse cálice encontramo-las na famosa Legenda Áurea (Lenda Dourada), uma colectânea sobre a vida e as histórias dos santos, elaborada por volta de 1260 pelo dominicano Tiago de Voragine, e que teve um grande sucesso na Idade Média. Aqui é-nos dito que São Pedro teria levado o Santo Graal para Roma, onde permaneceu por cerca de dois séculos e foi utilizado pelos Papas na liturgia eucarística. Sendo o maior indício disso a oração eucarística primeira (ou cânone romano) em que o sacerdote diz ao consagrar o vinho, referindo-se a Jesus: «Tomou este sagrado cálice em suas santas e adoráveis mãos».

SANTO GRAAL
O Santo Graal – Cálice da Última Ceia de Cristo venerado na Capela da Catedral de Valência,

No ano 258, o 24.° sucessor de Pedro, o Papa Sisto II, recusando ao imperador Valeriano oferecer um sacrifício pagão no templo de Marte, antes de ser martirizado encarregou o diácono Lourenço, tesoureiro da Igreja, de dispor dos tesouros da Igreja como julgasse melhor. Por isso, o diácono Lourenço foi martirizado por não ter entregado ao imperador os bens da Igreja, mas os ter distribuído pelos pobre de Roma. No século seguinte, o imperador Constantino mandou construir um oratório no local da sepultura de São Lourenço que mais tarde veio a tornar-se numa das basílicas papais de Roma. Num dos frescos da basílica, destruído pelos ataques durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, um soldado ajoelhado recebia um cálice das mãos de São Lourenço e outro soldado testemunhava a cena, e ambos teriam recebido a missão de levar a relíquia para um lugar seguro.

A tradição diz que este dois soldados romanos cristãos são os primeiros cavaleiros do Santo Graal e que foram bem sucedidos na missão que lhes foi confiada: levar o Santo Cálice para a casa dos pais de São Lourenço, nos arredores de Huesca, em Espanha, e que Orêncio e Paciência, juntamente com o seu irmão gémeo, se tornaram os guardiães do cálice da Última Ceia.

Historia
O Santo Graal é somente a copa superior do Cálice.

Em 533 a relíquia terá passado para a catedral de Huesca e aí custodiada. Por causa da invasão moura em 711, o Santo Cálice terá sido levado pelo bispo Adalberto para não cair nas mãos dos inimigos da fé cristã, e foi passando por várias igrejas até chegar ao mosteiro de São João da Penha, a cerca de trinta quilómetros de Huelva. Em 1399, o rei Martinho terá exigido a relíquia e em troca ofereceu ao mosteiro um cálice de ouro. O Santo Graal foi assim levado para a capela do palácio de Aljafería, em Saragoça, e duas décadas depois foi levado para a residência real em Barcelona. Afonso V pediu um empréstimo à Igreja para custear as guerras da expansão do reino e deu como garantia a relíquia do Santo Cálice. Impedido de saldar a dívida, o tesouro real, incluindo o Santo Cálice, foi entregue ao cabido da catedral de Valência, em 1437, e o cálice era utilizado apenas na Quinta-feira Santa pelo arcebispo. Em 1809, por causa das invasões napoleónicas, o Santo Cálice teve de ser levado, mas regressou à catedral de Valência. Durante a guerra civil espanhola, em 1936, a catedral de Valência foi saqueada e incendiada, mas a relíquia foi preservada. Esta foi ainda cobiçada pelo regime nazi, mas mais uma vez o Santo Cálice foi escondido e restituído novamente à catedral de Valência, onde ainda hoje se encontra e pode ser visto numa das capelas medievais rebatizada com o nome de Capela do Santo Cálice.

O aspecto que o actual cálice tem não é o original, apenas a copa superior (em ágata polida, de origem oriental e datada entre os anos 100 e 50 antes de Cristo) é considerada aquela usada por Jesus. A base, decorada com duas esmeraldas, dois rubis e 27 pérolas, bem como a haste, o nó central e as duas asas laterais tem um estilo de ourivesaria árabe de Sevilha ou de Córdoba, e são acrescentos posteriores.

O aspecto actual como Cálice despois de adicionada uma base e duas pegas.

Outro itinerário do Santo Graal, diferente do da Lenda Dourada, desde a sala da Última Ceia até à catedral de Valência, é referido por Carlos Evaristo e Fábio Tucci Farah na obra “Relíquias Sagradas” (Paulus Brasil, 2020), tendo por base dois pergaminhos encontrados no Cairo, documentos do Século XI escritos por Al-Qifti, e as pesquisas da especialista Catalina Martin Lloris: «O Santo Graal não teria sido carregado a Roma por São Pedro. Nem enviado secretamente a Huesca por São Lourenço. Ele teria permanecido alguns séculos em Jerusalém, na Basílica do Santo Sepulcro, onde seria venerada por Egéria, o Venerável Beda e inúmeros outros peregrinos. E desembarcaria na Península Ibérica pela mediação diplomática do emir de Dénia».

Mas o Santo Graal é muito mais do que história e mistério, é símbolo do maior dom que Cristo deixou à Humanidade: a Eucaristia. Por meio desta, somos regenerados no corpo e na alma, acolhendo Cristo que Se faz alimento para nós. A Eucaristia que é celebrada todos os dias em qualquer parte do mundo é o verdadeiro Santo Graal que produz efeitos de santidade em nós.

João Paulo II e Bento XVI celebraram com o Santo Cálice

João Paulo II presidiu à ordenação sacerdotal de 141 diáconos, em Valência, em 8 de Novembro 1982, mas antes venerou e na Eucaristia usou o Sagrado Cálice.

Na homilia exortou os ordenandos: «Será a Eucaristia vértice do vosso ministério de evangelização, ápice da vossa vocação orante, de glorificação de Deus e de intercessão pelo mundo. E pela comunhão eucarística há de consumar-se dia após dia o vosso sacerdócio».

Juan Pablo II en la Catedral ~ Catedral de Valencia
O Papa São João Paulo II examina o Santo Graal em 1982.
Imágenes de Juan Pablo II en la Catedral de Valencia ~ Catedral de Valencia
O Papa São João Paulo II venera o Santo Graal com um beijo.

Também Bento XVI, em 2006, visitou Valência, celebrou a missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias com o Santo Cálice e na oração do Angelus, no dia 8 de Julho de 2006, referiu que «ao chegar a Valência, quis visitar primeiramente o lugar que representa o centro desta antiquíssima e florescente Igreja particular que me recebe: a sua bela catedral, onde rezei diante do Santíssimo Sacramento e me detive diante da famosa relíquia do Santo Cálice».

Em Fátima, a 13 de Maio de 2000, o Papa São João Paulo II usou uma réplica do Santo Graal durante a celebração da Missa. O Papa Bento XVI também usou o Santo Graal em Valência, durante uma Missa a 8 de Julho de 2006.

JOSÉ CARLOS NUNES

9 de Julho de 2021

Jornal O Clarim

FONTE: Família Cristã / O Clarim (Macau)

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