Fundação Oureana deu Parecer sobre Reliquias e Ritual da Coroação

A Coroação do Rei Carlos III

A Inglaterra vai hoje reviver um dos rituais mais antigos da história da Europa Cristã, a Sagração e Coração do novo Monarca, neste caso o de Carlos III, Rei da Grã Bretanha e do Reino Unido. Consultamos Carlos Evaristo*, especialista em relíquias e em rituais de coroação para saber mais a cerca destas tradições pouco conhecidas.

Por Humberto Nuno de Oliveira

Carlos III com a Regalia de Príncipe de Gales

O RITUAL DA COROAÇÃO
De acordo com Carlos Evaristo, “É irónico que a Inglaterra seja um país que deixou a obediência Católica no Reinado de Henrique VIII, se tenha tornado numa Monarquica Constituicional no tempo do Rei Carlos
II, mas que seja hoje o único Reino no mundo que ainda segue um Ritual Católico Medieval para a Coroação dos seus Monarcas. Ritual pleno de simbolismo e mistério com recurso a Relíquias, Santos óleos e toda a Regália (Jóias da Coroa), num modelo instituído pelo Rei São Luís IX da França e pelo Imperador Carlos Magno, tradições Católicas que tecnicamente deviam de ter sido abolidas quando da
reforma cismática que fez dos Soberanos Inglêses, Chefes Supremos da Igreja Católica dita Anglicana”.

“O Ritual da Coroação remonta a tradições bíblicas, da Coroação e Unção dos Reis David e Salomão, Santos Reis de Israel e antepassados de Cristo na Realeza Sacerdotal do Antigo Testamento. É esse o
Direito Sagrado a Reinar que hoje só os Reis de Inglaterra ainda revindicam com todo este Ritual que envolve a Sagração do Monarca com Santos Óleos enquanto está ocultado debaixo do Pálio, a Investidura com camisa de ouro e Manto de arminho, a colocação do anel de estado no dedo anelar direito e o uso de umas pulseiras de ouro.

A Bênção e Entronização sob Trono com uma Relíquia e a Coroação com Coroa, segue-se a colocação nas mãos, da Orbe e dos Ceptros. O toque nas esporas de ouro e o elevar da espada representa que o Monarca deverá ser Defensor da Fé Cristã e o Grã-Mestre das Ordens de Cavalaria e Chefe e Fons Honorum de toda a Nobreza com poder para armar Cavaleiros e conferir títulos. No entanto mudanças ao Ritual da Coroação foram feitas pelo Rei Carlos III que fazem com que a cerimónia que demorava cinco horas, fosse agora reduzida para hora e meia.”

Carlos III foi coroado Príncipe de Gales, em 1969, por sua mãe, Isabel II

Atentemos, pois, nas partes deste complexo ritual.
I. A Apresentração e Aclamação
Esta é a primeira parte do Ritual que apresenta o Rei aos quatro cantos da Igreja, que representam os
quatro cantos do Reino. Os arautos tocam trombetas e gritam: “Eis o vosso mui Nobre Servo Principe…”,
ao que respondem os presente com gritos de: “ Viva o Rei!”.

II. A Unção e o Toque Real
A unção é a parte mais misteriosa e sagrada do Ritual da Coroação. Realizada pelo Arcebispo de Cantuária, de modo oculto, por baixo de um pálio suportado tradicionalmente por Cavaleiros da Ordem
da Jarrateira, tradição que Carlos III alterou ao escolher outros Nobres para segurar as varas. O Rei é ungido com Santos óleos, na fronte, no peito e nas palmas das mãos e assim sagrado com o tradicional Poder Sacerdotal; “o Toque Real” para abençoar, curar e absolver pecados. Óleo ainda hoje preparado e benzido no Santo Sepulcro de Jerusalém por um Bispo Anglicano para assim simbolizar a Realeza Davidica e Solomónica de Cristo que será transmitida espiritualmente ao
Monarca por via do Espírito Santo.

III. A Entronização e Coroação na Cadeira de Santo Eduardo e a Pedra de Scone ou do Destino

Depois de vestido com o Manto de Arminho, as Braceletes de ouro (que representam a força de Sansão)e outras Insígnias como o anel, o Monarca é Coroado com a Coroa de Santo Eduardo, na Cadeira de Santo Eduardo, o chamado Trono do Confessor, debaixo da qual é colocada a Pedra da Coroação ou de Scone, simbolizando o Destino, uma pedra com duas argolas em ferro que a tradição diz ser a Relíquia da Almofada do Profeta Jacó.

A Pedra de Scone pesa 125 quilos e veio da Terra Santa durante as Cruzadas. Faz parte da Regália dos Reis da Escócia, hoje parte do Reino Unido.

Foi levada para a Inglaterra há séculos, sendo usada pelos Monarcas da Grã Bretanha e Reino Unido quando das Coroações.

A mesma relíquia foi devolvida pela Rainha
Isabel II ao Castelo de Ediburgo, na Escócia, em 1996, após os Escoceses a terem roubado da Catedral de Westminster, em sinal de protesto contra a sua permanência em Londres.

Usada pela última vez em 1953, esta Relíquia foi enviada para Londres na passada quinta feira dia 27 de Abril, após uma Cerimónia de Trasladação presidida pelo Lord Lyon da Escócia e seus asistentes; Carrick e Falkland, Guardiães das Insígnias desse Reino e da Pedra de Scone, a Relíquia mais preciosa do Reino Unido.

Lord Lyon da Escócia com Carrick e Falkland

Antes da partida para Londres a pedra foi analisada por um grupo de estudiosos. Uma análise com luzes
infra-vermelhas revelou algumas inscrições antias que poderão revelar a sua origem e verdadeira
natureza. O Professor Mark Hall do Museu de Perth e a Professora Sally Foster do Departamento de
Património e Conservação da Universidade de Sterling fazem parte do grupo de estudo e revelaram
haver o que parecem ser cruzes romanas gravadas na pedra e vestígios de gesso policromado.

Num parecer enviado para o grupo que estuda a pedra, o Perito em Relíquias, Carlos Evaristo, afirma que “todos os sucessores dos Reis e Bispos que participaram nas Cruzadas, quando da queda do Reino Latino de Jerusalém, nomeadamente os Monarcas de França, de Espanha e do Sacro Império, passaram a intitular-se Reis de Jerusalém e faziam-se coroar sob caixas de terra ou pedras trazidas da Terra Santa incorporadas em Tronos e Cadeirões”. Este modelo de cadeira-relicário medieval foi criado por Carlos Magno e pensava-se que dele emanava o poder Davídico e Salomónico para governar, direitos sagrados simbolizados na pedra trazida da Terra Santa.

Na Regalis Lipsanotheca, uma Capela de Relíquias de estílo medieval que Carlos Evaristo criou no
Castelo de Ourém, no ano 2000, e que conta com o Alto Patrocínio da maior parte das Casas Reais da
Europa, que existe entre a colecção de milhares de relíquias que pertenceram a Reis e Imperadores,
uma raríssima Cadeira de Coroação do Século XVI que ainda conserva por baixo uma pedra reivindicada
como sendo do Muro do Templo de Jerusalém. Refere Evaristo, “Hoje apenas os Monarcas da Grã-Bretanha e de Espanha ainda se dizem «Rei de Jerusalém», embora apenas os Reis da Inglaterra sejam coroados numa Cadeira de Coroação ou Trono de Sabedoria com Relíquia.

O Lord Lyon com a Pedra de Scone antes da sua recolocação na Cadeira da Coroação

Uma análise feita à Pedra da Cadeira de Coroação que existe na Colecção da Regalis Lipsanotheca no castelo de Ourém revelou que a mesma é composta de uma típo de granito azulado proveniente do Sul de Israel.

A Regália do Reino da Escôcia


Para Evaristo, “Se a Pedra de Scone, não é da muralha do Templo de Jerusalém, do Santo Sepulcro ou do
Monte do Calvário, então poderá ser mesmo, como a tradição diz, uma pedra da Igreja que assinala o local onde o Profeta Jacó teve o sonho de anjos a acenderem e a descerem do céu por via de uma escadaria dourada. Os vestígios de gesso policromado na pedra e as cruzes gravadas certamente por peregrinos, poderão defender essa ideia pois há uma semelhança com as pedras da Santa Casa de Nazaré que os Senhores Feudais trouxeram para a Europa para criarem réplicas da casa à escala real”.

O Ritual da Coroação Inglês que foi usado pelo Rei Filipe I em Tomar “Era nestas Cadeiras”, que segundo Evaristo, “eram Coroados ou Entronizados, não só Reis, mas também os Bispos, Duques e Grão-Mestres de Ordens de Cavalaria como a Ordem dos Templários, e mais tarde, a sucessora que foi a Ordem de Cristo. Entre outros títulos ques estes senhores apresentavam estava também o de «Rei e Senhor de Jerusalém». Esta foi uma prática que se manteve viva muito antes da queda do Reino Latino de Jerusalém. Provinha de uma tradição muito mais antiga de colocar relíquias nos tronos, algo iniciado pelo Imperador Carlos Magno, depois copiado na Capela de Relíquias da Sainte Chapelle pelo seu descendente São Luis IX Rei da França e seguidamente pelos Senhores Feudais de toda a Europa incluíndo os Monarcas Ingleses. Esta prática está retratada na cena do falso juramento de Harold na famosa Tapecaria de Bayeux”. “Os Portugueses viviam muito esta tradição e criaram no Convento de Cristo em Tomar uma Réplica do Santo Sepulcro, como seria à época, completo com Relíquias vindas da Terra Santa colocadas em altares e em Relicários por cima dos arcos da Charola. Foi nessa Charola que o primeiro Rei Filipe da Dinastia Filipina repetiu este Ritual quando se fez Sagrar e Coroar Rei de Portugal em 1580. Mais tarde ofereceu para o Convento um Relicário precioso com um Espinho Sagrado da Coroa de Espinhos de Cristo e que está hoje no Tesouro da Sé de Lisboa.

Os elementos da Regália
A Regália, como se chama o conjunto de Jóias da Coroa: a Coroa ou Coroas, a Orbe, os Ceptros e outras
Insígnias usadas na Coroação dos Monarcas, é algo cujo desenho e simbolismo histórico é exclusivo a
cada Reino. A Regália Inglêsa, que incorporava peças dos tempos dos Reis Anglo-Saxónicos, foi destruída
em 1649 depois da execução do Rei Carlos I e a Proclamação da República Inglêsa, mas já durante a
década de 1620, dificuldades financeiras levaram Carlos I a leiloar muitos tesouros da Jewel House na
Torre de Londres, embora ele não tenha vendido as principais peças.


Desentendimentos com o Parlamento, cedo se transformaram em Guerra Civil e, depois de 1642, os oponentes do Rei avidamente tomaram posse das Jóias da Coroa. Após a execução de Carlos I no mesmo ano, todas as peças de ouro da Regália foram vendidas para financiar o novo governo, enquanto as insígnias da Coroação de Santo Eduardo, os símbolos da Monarquia, como instituição sagrada, foram
derretidos na Casa da Moeda para se cunhar moeda. Foi o ourives real Robert Vyner quem foi encarregado de criar novas peças para a Regália usada na
Coroação do Rei Carlos II em 1661 e são essas as peças em uso até hoje.

As primeiras descrições sobreviventes de uma coroação Inglesa datam de antes de 1000 a.C. e incluiam
o uso de coroas, anéis e ceptros, que tal como em todos os Reinos da Europa, eram confeccionados de
novo para uso exclusivo de cada Monarca. Foi após o Reinado de Santo Eduardo, o Confessor ,que surgiu
a tradição de haver uma única colecção de Regália Sagrada.

Cem anos após sua morte, Eduardo foi declarado Santo, e os objetos relacionados a ele passaram a ser “Relíquias Sagradas”. A Coroa do Santo que foi usada na Coroação de Henrique III em 1220 foi depois cuidadosamente usada para uso pelos futuros Monarcas. Esta coroa foi depois acompanhada por uma série de outras Coroas menores incluindo uma de duas hastes e uma colher de ouro para Unção do Monarca.

Coroação de Carlos II em 1661

As peças antigas que sobrevivem foram usadas em todas as Coroações durante mais de 500 anos e as
outras foram foram recriados para a Coroação de Carlos II em 1661.


A Colher e a Ampula de Unção
Para Carlos Evaristo “é irónico que o único item da Regália Medieval a sobreviver fosse a Colher da
Unção conhecida também por Colher da Coroação e que data do século XII”.

É nela que se deita um pouco de óleo benzido em Jerusalém que o Arcebispo toma no seu polegar direito para ungir o Monarca.

A ampula feita em forma do Espírito Santo relembra a Unção do Rei David, o Crisma Sagrado e a Lenda da Pomba Milagrosa de São Tomás Beckett.
A cabeça da águia é removível, havendo uma abertura no bico para derramar o óleo. O seu estilo é baseado numa peça anterior que recordava uma lenda do século XIV em que a Virgem Santa Maria teria aparecido a São Tomás Beckett e presenteado-o com uma águia dourada e um frasco de óleo para ungir os futuros Reis de Inglaterra.

Segundo Carlos Evaristo “a lenda baseia-se noutra mais antiga, contada acerca da Coroação do Rei Clovis da França pelo Arcebispo de Reims, São Remígio, no ano de 496. De facto havia uma ampula de vidro em forma de pomba que se enchia milagrosamente com óleo (líquido turvo) antes da Coroação de cada Rei (ou não). Na realidade, uma espécie de desumidificador natural, criado por monges na Idade Média, e que absorvia a humidade na Catedral de Reims para espanto dos fieis”.

O óleo da ampola é derramado na Colher de Unção no momento mais sagrado da Coroação. O Ritual de Unção remonta ao Livro dos Reis do Antigo Testamento, onde é descrita a unção de Salomão como Rei por Zadoc o Sacerdote.

A Coroa de Santo Eduardo
A Coroa de Santo Eduardo é a coroa usada no momento da Coroação. A que existe hoje foi mandada fazer em 1661 para substitutir a que foi derretida em 1649. A original era do Século XI, e pertenceu, tal como o Trono e Cruz-Bastão ao mesmo Rei Santo Eduardo, o Confessor, aquele que foi o último rei Anglo-Saxónico de Inglaterra.


A Coroa foi criada por Robert Vyner segue o padrão original da Coroa de Santo Eduardo, daí o seu nome. Pesa 2,07 kg e é decorada com rubis, ametistas e safiras. Tem quatro cruzes páteas e quatro flores-de-lis e dois arcos.

É composta por uma moldura de ouro maciço cravejada de rubis, ametistas, safiras, granadas, topázios e turmalinas e por dentro tem um barrete de veludo roxo com uma faixa de arminho que representa o antigo barrete de “Defensor da Fé” dado pelos Papas na Idade Média aos Monarcas que recebiam o título de “Dux Pontífício”.

(Imperadores Hapsburgos, o Rei D. Manuel I de Portugal e até do Rei Henrique VIII antes de cismar)


As Coroas forradas de veludo “Carmesim Português”
No estudo que Carlos Evaristo fez sobre as tradições da Coroação, descobriu que o uso de um forro de
veludo nas Coroas Europeias foi algo que nasceu do uso combinado da Coroa do Monarca com o Barrete
Cardinalício (Vermelho) ou o Barrete de Dux Pontifício (Roxo) que o Rei Carlos II de Inglaterra uniu de
forma permanente em 1661. Foi um estilo que posteriormente a sua viúva, a Rainha Catarina de
Bragança, trouxe para Portugal.

Coroa mandada fazer por D. João VI

O Barrete Cardinalício era símbolo da Sagração e Unção dos Reis que os colocava em grau de
equivalência aos Cardeais como Príncipes da Igreja. Esse Barrete chamado de “Cap of Maintenance” ou Chapéu da Manutenção (Saberdoria) ainda é levado em Procissão durante as Coroações e chama-se o “Chapéu de Sabedoria” sendo que a cor ficou conhecida por “Portuguese Crimson” ou “Carmesim Português”, isto porque foi a partir de Portugal que a tradição de se forrar as coroas de veludo passou para todas as Coroas dos Monarcas Católicos da Europa.

Cap of Maintenance

A Coroa Imperial e a ligação Portuguêsa
Uma das peças da Regália Inglesa quetem ligação a Portugal é o chamado Rubi do Principe Negro, um
espinélio que é uma das jóias mais antigas da Coroa e que está hoje incorporada na Coroa de Estado ou
Coroa Imperial do Reino Unido.

Esta é uma jóia com uma história que remonta a meados do século XIV quando Pedro de Castela, chamado “O Cruel” ou “O Justo”, a adquiriu ao conquistar Sevilha. Foi retirada ao cadaver de Abū Sa’īd, Príncipe de Granada. É um rubi grande e irregular espinélio cabochão vermelho pesando 170 quilates (34 g) e que estaria incorporado num Colar de Regente usado por esse Principe.


Pedro de Castela, filho da Princesa D. Maria e por isso neto do Rei D. Afonso IV de Portugal, refugiou-se em Portugal quando em 1366 rompeu a guerra civil com seu meio irmão D. Henrique de Trastâmara. O
monarca que trouxe com ele as Jóias da Coroa foi recebido pelo seu tio, D. Pedro I a quem prometeu este magnífico rubi caso o ajudasse com um exército contra o ursurpador.

Mas o Rei de Portugal recusou-se ajudá-lo e Pedro de Castela aliou-se então ao Príncipe Negro, filho de Eduardo III de Inglaterra. A revolta do Príncipe Henrique foi reprimida com sucesso e depois da vitória o Príncipe Negro exigiu o rubi em troca dos serviços que havia prestado.

Mas o Rei recusou e só mais tarde, quando o Príncipe Negro voltou de Inglaterra para levar as duas filhas do Rei; Dona Constânça de Castela e Dona Isabel de Castela, para contrairem casamento com os dois irmãos do Rei, é que o
Príncipe Inglês terá levado o rubi amaldiçoado como dote, embora o mesmo tenha desaparecido dos registros históricos até 1415.

Para Carlos Evaristo esse é o ano em que a Rainha Filipa de Lencastre faleceu e por isso o mesmo acha que pode por isso ter sido oferecido à mesma pelo pai, João de Gand, Duque de Lencastre e sua mulher a Infanta D. Constânça de Castela, quando do casamento com o Rei de Portugal D. João I em 1387 e depois devolvida à Coroa Inglesa por testamento.

Casamento de D. João I com Filipa de Lencastre

A jóia que diz ter sido amaldiçoada pelo Príncipe de Sevilha, ficou com a Família Real Inglesa que a usou em colares e jóias até ao Século XIX, até que no reinado da Rainha Vitória, foi incorporado na cruz pátea
acima do diamante Cullinan II na frente da Coroa do Estado Imperial do Reino Unido.

A Coroa do Estado Imperial actual, foi porém refeita para a Coroação do Rei Jorge VI em 1937, substituindo a Coroa anteriormente feita para a Rainha Vitória. A Coroa é cravejada com 2.868 diamantes, além de várias jóias famosas como a Safira de Santo Eduardo, que dizem ter sido usada num anel por Eduardo, o Confessor. A Coroa também inclui o diamante Cullinan II, a segunda maior pedra cortada do grande Diamante Cullinan que antes de ter sido partido era o maior diamante jamais descoberto.

A Coroa do Estado Imperial é usada pelo Monarca quando deixa a Abadia de Westminster na Carruagem
de Ouro após a Coroação. Ao ser Coroado com a Coroa de Estado Imperial, hoje também conhecida por
Coroa do Commonwealth, o Monarca inglês dispensa ser coroado com a Coroas dos outros Reinos do
qual também é Monarca; como é o caso da Escócia, Irlanda do Norte e Gales e ainda de outros Domínios
como o Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Gibraltar que não possuem Regalia própria.

Jorge VI foi o último Rei a usar o chamado “Cap of Maintenance” após a Unção


Outras Coroas
Houve outras Coroas pessoais mandadas fazer pelos Reis e Rainhas de Inglaterra e algumas das que
sobrevivem são adornos extravagantes.

A mais extravagante de todas era a Coroa de Diamantes do Rei Jorge IV feita especialmente para a Coroação do pai da Rainha Vitória em 1821.

Jorge IV com a sua Coroa de Diamantes

Ornada com 12.314 diamantes, alguns provenientes de minas do Brasil Português, a Coroa fazia o Rei
parecer um “lindo pássaro do leste” pois era de desenho russo e baseada na Coroa de Diamantes dos
Czares. Uma inovadora moldura de ouro e prata foi criada por Philip Liebart da Bridge & Rundell e
projectada para ser quase invisível. Sob a mesma estava um barrete de veludo azul- escuro em vez de
carmesim Português ou roxo imperial.

Houve porém um adiamento à Coroação de Jorge IV devido a um julgamento a que esteve submetida a
esposa, a Rainha Carolina. O Rei que no final não teve dinheiro para pagar a Coroa teve de alugar pedras preciosas para a poder usar na Coroação e depois fazer-se representar com ela ao lado num quadro a
óleo oficial. A conta final para o aluguer de pedras para usar na coroa foi de £ 24,425.00.

Isabel II foi Coroada em 1953

Após a sua Coroação, o Rei mostrou-se relutante em desfazer-se da sua nova Coroa e pressionou o
governo a comprá-la para que ele a pudesse usar na abertura solene anual do Parlamento. Mas como
era muito cara, a Coroa foi desmantelada em 1823. O Rei Jorge como recordação comprou o modelo da
armação em bronze pelo modesto preço de £ 38, que hoje se encontra na torre de Londres com uma
inscrição ao lado onde se pode ler “Armação da rica Coroa Imperial de diamantes com a qual Sua
Santíssima Majestade o Rei Jorge IV foi Coroado a 19 de Julho de 1821″.

A armação da Coroa passou para a família Amherst que a emprestou ao Museu de Londres entre 1933 e 1985 altura em que foi a leilão tendo sido comprada em 1987 por Jefri Bolkiah, Príncipe de Brunei.

O novo dono apresentou ao Reino Unido um pedido de exportaçãoda armação para os Estados Unidos, pedido esse que foi negado durante uma análise do Comité de Revisão da Exportação de Obras de Arte.
Adquirido pela Crown Trust, a armação faz parte da Royal Collection da Torre de Londres.

Diamantes no valor de £ 2 milhões foram emprestados pela De Beers e são exibidos ao lado da armação para dar aos
visitantes uma ideia de como teria sido originalmente a peça mais extravagante que alguma vez existiu na Regália Inglesa.

Quando da Coroação do Rei Jorge V descobriu-se que algumas das pedras preciosas das Coroas do
Reino eram feitas de vidro de cor lapidado e não eram jóias verdadeiras. Estas pedras falsas foram
substituidas por verdadeiras por Jorge IV.

O Orbe
O Orbe é uma bola de ouro encimada por uma cruz, que representa o poder temporal do Soberano que
proveniente de Cristo Rei. Simboliza o Mundo Cristão com uma Cruz montada sobre o globo terrestre.
As faixas de jóias que o dividem em três secções representam os três Continentes conhecidos na época
Medieval.

Montado com cachos de esmeraldas, rubis e safiras rodeados por diamantes rosa e fileiras únicas de pérolas. Uma cruz no topo é cravejada com diamantes em talhe rosa, com uma safira no centro de umlado e uma esmeralda no outro e com pérolas nos ângulos e no final de cada braço.

O Orbe é benzido no Altar onde permanece até ao momento da Coroação em que é colocada na mão direita do Monarca que é assim investido com o Símbolos da Soberania Divina de Cristo Rei.

Os Ceptros
Os Ceptros representam os poderes do Rei; Temporal e Espiritual. O Cepto principal da Regália é o do Soberano e tem uma Cruz que tem sido usada desde 1661 em todas as Coroações. Contêm o magnífico diamante Cullinan I, o maior diamante lapidado incolor do mundo colocado em 1911 pelo Joalheiro Real Garrard que teve de reforçar a peça para suportar peso.

O Ceptro encimado pela Pomba, simbolizando o Espírito Santo e também foi criado para Carlos II. representa o papel espiritual do Soberano como Chefe da Igreja Anglicana e por isso é também conhecida como “ Vara de Equidade” ou “Cepto da Misericórdia”.

Um terceiro Ceptro da Regália foi criado para uso exclusivo das Rainhas Consorte.

Os Armilares ou Pulseiras da Força de Sansão
Os Armilares são pulseiras de ouro usadas pela primeira vez em Coroações Inglesas no século XII. No
século XVII, os Armilares deixaram de ser usados pelo Monarca, que passou somente a tocá-las na
Coroação.

Mas um novo par de pulseiras foi criado para a Coroação de Carlos II, em 1661 e têm 4 cm de largura, 7 cm de diâmetro com champlevé esmaltados na superfície com rosas, cardos e harpas (os símbolos
nacionais da Inglaterra, Escócia e Irlanda), bem como flores-de-lis.

Para a Coroação de Isabel II, em 1953, a tradição medieval foi revivida e um novo conjunto de pulseiras
de ouro liso em 22 quilates forradas com veludo carmesim português, foi apresentado à Rainha em
nome de vários governos da Commonwealth. Cada pulseira é equipada com uma dobradiça invisível e
um fecho em forma de Rosa Tudor. A marca inclui um pequeno retrato da Rainha, que continuou a usar
estes armilares ao deixar a Abadia, podendo ser vista usando-os também mais tarde, juntamente com a
Coroa do Estado Imperial e o Anel de Soberana, na sua aparição na sacada do Palácio de Buckingham.
Não se sabe se o Rei Carlos III vai tocar ou usar Armilares.


A Espada de Estado
Existem várias Espadas de Estado na Regália da Coroação de Inglaterra e estas refletem o papel do
Monarca como Defensor da Fé e Chefe das Forças Armadas; a Espada da Misericórdia (também
conhecida como Curtana), a Espada da Justiça Espiritual e a Espada da Justiça Temporal. Foram fornecidas na época de Jaime I entre 1610 e 1620, por um membro da Worshipful Company of Cutlers, usando lâminas criadas na década de 1580 pelos cuteleiros Italianos Giandonato e Andrea Ferrara.


Foram depositadas com as Insígnias de Santo Eduardo na Abadia de Westminister por Carlos II. A Espada
de Estado de duas mãos, feita em 1678, simboliza a autoridade do Soberano e também é carregada
perante o Monarca nas Aberturas Estatais do Parlamento.

A Espada de Estado Irlandesa é do século XVII e foi mantida pelo Lord Lieutenant of Ireland (um vice-rei) antes da independência da Irlanda do Reino Unido em 1922. Está exposta na Jewel House desde 1959.

O cabo tem a forma de um leão e um unicórnio e é decorada com uma harpa celta. Cada novo vice-rei era investido com a espada no Castelo de Dublin, onde geralmente ficava nos braços de um trono, representando o rei ou a rainha em sua ausência.

Foi carregado em procissão na frente dos Monarcas durante suas visitas oficiais a Dublin. Em Junho de 1921, a espada esteve presente na abertura oficial do Parlamento da Irlanda do Norte por Jorge V.

A espada foi exibida no Castelo de Dublin em 2018 como parte da exposição ‘Making Majesty’, sendo a primeira vez que esteve na Irlanda em 95 anos.

As Esporas de São Jorge
As Esporas que existem hoje foram também feitas para Carlos II e são de ouro maciço, ricamente
gravadas com padrões florais e pergaminhos. Têm tiras de veludo carmesim português bordadas em
ouro. Ambos os pescoços terminam com uma Rosa Tudor com uma ponta no centro.

São símbolo da Cavalaria e denotam o papel do Soberano como Chefe das Forças Armadas e Grão Mestre das Ordens e com o poder de Investir Cavaleiros. Sabe-se que Esporas de ouro foram usadas pela primeira vez em 1189 na Coroação de Ricardo I, embora seja provável que tenham sido introduzidas por Henrique, o Jovem Rei, em 1170, e esse elemento do
Ritual foi provavelmente inspirado na Cerimónia de Investidura dos Cavaleiros.

Um par de esporas douradas, de meados do século XIV, foi adicionado às Joias de Santo Eduardo na Abadia de Westminster em 1399, e usadas em todas as Coroações até sua destruição em 1649.
Historicamente, as esporas eram presas às botas de um Monarca, mas desde a Restauração que elas são
simplesmente roçadas nos calcanhares dos Soberanos ou mostradas às Rainhas.

No túmulo recém aberto do Rei D. Dínis, em Odivelas, o esqueleto do Monarca foi encontrado com
vestígios de esporas que terão sido sepultadas com ele.

O Bastão Relicário oferecido a Catarina de Bragança por Carlos II e Relíquia para um novo Bastão –
Relicário oferecida pelo Papa Francisco ao Rei Carlos III

A tradição de Sagrar os Monarcas e de os abençoar com Relíquias foi algo que se perdeu na Inglaterra
depois do Cisma de Henrique VIII e no resto da Europa com a abolição dos monarcas absolutos. A
reforma de Cromwell e a implementação da Monarquia Constituicional no Século XVII destruiu a maior
parte das Relíquias no Reino Unido e acabou com o uso da Cruz Bastão do Monarca contendo Relíquias.
Mas o Papa Francisco veio agora mudar tudo isso ao oferecer ao Rei Carlos III para a sua Coroação, dois
pedaços da Relíquia do Santo Lenho, a Relíquia da Madeira da Cruz de Jesus Cristo, uma Relíquia Insigne
trazida para Roma pela Imperatriz Mãe Santa Helena para adornar a Regália Imperial de seu filho
Constantino, o primeiro Imperador Cristão.

Carlos Evaristo é perito nessa história e conhece bem as Relíquias da Colecção Imperial de Relíquias guardada na Basílica Romana da Santa Cruz “em” Jerusalém, (assim chamada por estar construída sobre toneladas de terra do Monte do Calvário trazida pela Imperatriz). Evaristo vê neste gesto de Francisco, que passou despercebido a muitos, algo de extraordinário pois restaura na Monarquia Inglesa algo de
Sagrado que foi perdido com o protesto de Henrique VIII e nunca mais retomado após a implantação da República Inglêsa. O uso pelo Monarca de uma Cruz-Relicário Processional ou Bastão-Relicário era algo semelhante ao uso das Cruzes Processionais e Báculos pelo Papa e os Bispos.

Estas cruzes tinham nelas uma relíquia com que o Rei conduzia espiritualmente o seu rebanho “Católico” para Cristo, o Bom Pastor. A chamada Cruz de Santo Eduardo, o Bastão – Relicário em uso desde os tempos dos primeiros Reis Anglo-Saxónicos Cristãos foi supostamente oferecido pelo 1º Arcebispo de Cantuária mas perdido pelo Rei Ricardo, Coração de Leão, quando esse foi capturado e mantido refém durante as Cruzadas.


Foi depois substituído pelo Bastão – Relicário de Santo Tomás Beckett, o Arcebispo de Cantuária, morto
em 1170 por soldados do Rei Henrique II, que ao ouvirem o Monarca dizer em tom de lamento; “quem é
que me livra deste bispo medonho?” trataram de o assasinar.

Para relembrar aos Monarcas Inglêses essa tragédia, a Relíquia do Báculo ensanguentado do Arcebispo Mártir foi revestido de prata e passou a ser a Cruz-Bastão dos Reis do Reino Unido. Usada a última vez na Coroação do Rei Carlos I a relíquia foi depois oferecida por Carlos II à sua mulher, a Rainha Catarina de Bragança, que a levou consigo para Portugal depois de ficar viúva. Está hoje na Colecção do Paço Ducal de Vila Viçosa.
Existe um outro Bastão o Chamado Saint Edward’s Staff que é uma bengala de ouro cerimonial de 1,4
metros de comprimento (4,6 pés) feita para Carlos II usar em 1661. Não tem relíquia e é de um modelo
simples com uma cruz no topo e uma lança de aço na parte inferior.

É uma cópia da longa vara mencionada na lista de placas e joias reais destruídas em 1649, embora a versão pré-Interregno fosse um Bastão-Relicário de ouro e prata encimada por uma pomba e contendo uma relíquia que era colocada no Altar durante a Coroação.

A Relíquia agora oferecida pelo Papa já foi colocada por ordem do Rei Carlos III numa cruz de prata Celta oferecida em 2021 por Francisco e agora transformada pelos Ourives Reais numa nova Cruz-Bastão, o primeiro Relicário a ser usado por um Monarca em mais de 400 anos.

Outras Insígnias Reais usadas na Coroação

Durante o serviço de Coroação, o novo Soberano é também apresentado com vários ornamentos que
simbolizam a natureza espiritual da realeza. Estes incluem mantos, um anel, maços de guerra (chegou a
haver 16 maços mas hoje só sobrevivem 13), trombetas de aclamação e outras coroas e ceptros
menores que se destinam a ser utilizados pelas Rainhas Mãe, Consortes e pelo Príncipe de Gales e
Príncipes de Sangue Real.


A Copa ou Cálice da Fortaleza
É costume o novo Monarca oferecer para a Abadia de Westminister em sinal de agradecimento pela sua
Coroação, um conjunto de Cálice e Patena para culto Eucarístico. Esta tradição Europeia segundo Carlos Evaristo era baseada na Lenda do Santo Graal, o Cálice da última Ceia de Cristo que ficou popularizado no Culto Graalico do Conto Medieval do Rei Artur. Segundo uma lenda Medieval esta Relíquia terá sido levada para Inglaterra por São José de Arimateia e guardada na Abadia de Glastonbury onde os Reis de Inglaterra iam beber do mesmo para receberem a Sabedoria Salomónica. Mas tudo isso é lenda pois o único Graal reconhecido pela Igreja Católica como tal é o Cálice da Catedral de Valência que fazia parte das joias da Coroa dos Reis de Aragão.

Carlos Evaristo examina o Santo Cálice de Valência

O Santo Calíce de Valência incorpora uma copa de pedra do Século I que um estudo arqueológico identificou como sendo um copo pascal judaíco e que pode muito bem ter sido usado por Cristo antes de ter sido transformado num Cálice ornamentado pelo Sultão do Egipto na Idade Média. É durante a Coroação dos Reis de Inglaterra que os Cálices, Patenas e Pratos Litúrgicos anteriormente oferecidos à Abadia de Westminister por Monarcas antecessores, são exibidos no Altar para relembrar a Realeza Sacerdotal de Malquisedec, Rei de Salem e Sacerdote de El Elyon referido no Antigo Testamento. Outro Santo invocado é Zadoc cujo Arcebispo simboliza durante a cerimónia. Zadoc era o Sacerdote que ungiu David e Salomão tal como relembra letra da Música do mesmo nome composta por Jorge Handel para a Coroação do Rei Jorge II em 1727, e que será cantada na Coroação de Carlos III.

A REGÁLIA DA RAINHA CAMILA
Quanto à Rainha Consorte Camila sabemos que o título confirmado pela Rainha Isabel II para a esposa
do futuro Rei por ordem do mesmo deixará de ser usado após a Coroação pois quer Carlos III que seja
Rainha de facto.

Camila vai ser também coroada com uma Coroa que pertenceu à Rainha Maria, mulher de Jorge V e que
foi modificada com a colocação dos Diamantes Cullinan III, IV e V, pedaços menores dos Diamantes Cullinan I e II que estão na Regália do Rei e que Isabel II mandou transformar em pendentes de alfinete.

A modificação da Coroa deve-se ao facto de que o Palácio de Buckingham confirmou em Fevereiro que o diamante Koh-i-Noor não faria parte da Coroação do Rei Carlos e da Rainha Camilla.


O grande diamante foi dado à Rainha Vitória em 1849 como condição do Tratado de Lahore, que encerrou a primeira Guerra Anglo-Sikh, mas acredita-se que a jóia tenha vindo da Índia, e muitos indianos consideram a pedra como um pedaço de sua história nacional, roubado durante o reinado do
Império Britânico. A Rainha Camila também terá direito a orbe, ceptro e ao uso de dois mantos reais; o primeiro aquele nque foi usado por Isabel II durante a Coroação, e depois, outro feito propositadamente para a Rainha Camila desfilar.

Humberto Nuno de Oliveira

6 de Maio de 2023

Fotos: Arquivo Lyon Court, RTP, Arquivo Fundação Oureana e Arquivo Royal Collection Trust

*Carlos Evaristo, é Presidente da Direcção Vitalício da Fundação Oureana. Nasceu junto de um Castelo em London (Ontário) e reside hoje no Castelo de Ourém. É Comentador da RTP e CNN e Perito em Iconografia Sacra Medieval. Súbdito de Sua Majestade, conhece bem todo o ritual e tudo o que a Coroação simboliza. Nobre Escocês com o título de Barão Bailio de Plean. Foi o primeiro, e até hoje, o único Súbdito de Sua Majestade, de nacionalidade Luso-Canadiana, a poder usar Brasão de Armas e Bandeira em Flâmula e ainda um padrão pessoal de Tartã; honras concedidas em 2020, pela Rainha Isabel II através do seu Lord Lyon, Rei de Armas da Escócia. Evaristo é quem legalmente substitui o Barão de Plean nesse Condado aquando da sua ausência. George Way, Barão de Plean é Membro da Corte do Lord Lyon da Escócia e tem o título de “Carrick” sendo um dos três Guardiões da Regália de Carlos III como Rei da Escócia, Jóias que incluem a “Pedra da Coroação” colocada no Trono ou Cadeirão de Santo Eduardo, a peça mais importante de todo o Ritual da Coroação.

Poderá rever na RTP Play a explicação feita por Carlos Evaristo sobre o tema da Regalia da Coroação. Ver Programa “Praça da Alegria” transmitido a 4 de Abril de 2023.

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Carlos Evaristo em entrevista ao Diário de Notícias: “Festa das Santas Relíquias de Belver é uma celebração única no país!”

Procissão anual leva urna relicário com relíquias à volta da Vila de Belver

“A vila protegida de Deus onde a história salva o futuro das jovens gerações”

FESTAS Agosto é tempo de regresso às raízes, em vilas e aldeias de bisavs e avós onde a história é feita de lendas e verdades. Nesta localidade alentejana, ficção e realidade uniram-se há muito tempo para proteger a continuidade desta terra e das suas gentes. Este domingo honram-se as Santas Relíquias de Belver, esperando-se uma afluência recorde.

Do alto de um monte, com vista sobre o rio Tejo, Belver é Terra de Guidintesta, envolta num ar de magia e fé em honra das Santas Relíquias. Hoje, é dia de festa e a gente regressa à terra para um reencontro anual. Jovens e anciãos, paróquia e Clube Recreativo e Desportivo Belverense, unem-se para criar “uma celebração única no país”, diz Carlos Evaristo, arqueólogo especialista em relíquias sagradas. O culto secular coloca o poder de Deus nas ruas de Belver. Resta saber se é possível desvendar o que são as Santas Relíquias da vila. Mil anos antes, talvez também em dia de festa, uma princesa clamou, na colina do castelo junto a uma oliveira que ainda lá está, “mas que belo ver”, batizando assim este ponto das Terras de Guidintesta. Pelo menos é assim que diz a lenda, que em Belver é inseparável da História, num Alto Alentejo fronteiriço à Beira Baixa, lugar de fusão de costumes e tradições.

Afirmando que “existe uma parte de factos históricos e outra de lenda associada às relíquias”, o historiador belverense CarlosGrácio mantém um profundo “respeito pela originalidade e longevidade que as Santas Relíquias têm no imaginário e memória de Belver, de tal forma que ligam o religioso e profano numa celebração única”. O que são as Santas Relíquias “é o mistério”. Carlos Grácio ouviu a sua mãe contar que “nos anos de 1950 o relicário foi aberto e lá dentro estava uma caixa com várias divisórias onde as relíquias estavam dispostas em saquinhos, entre elas um anel de prata do bispo S. Braz, em honra de quem foi erguida a Ermida de S. Braz, dentro dos muros do Castelo de Belver e onde, originalmente, estavam depositadas as relíquias”. O que estaria nos saquinhos? E se as Santas Relíquias de Belver forem pedaços do poder de Deus na Terra? Lenda dourada ou fé inabalável?

Carlos Evaristo está na senda das relíquias portuguesas há décadas. Arqueólogo e historiador, integra um projeto da Fundação Histórico Cultural Oureana para catalogação destes artefactos em Portugal. Das Santas Relíquias de Belver conhece a “Lenda Dourada”, como é denominado o folclore criado em torno de devoções.

Citação completa de Carlos Evaristo: “O regresso das Santas Relíquias a Belver, depois de roubadas ou removidas, navegando sozinhas Tejo acima é um conto que se repete em outras terras da Península Ibérica, omo em Oviedo”, explica. “O mais provável é que as Relíquias foram pilhadas pelos Franceszes ou retiradas dos bustos relicários da Lipsanotheca do Castelo de Belver aquando da desacralização em 1834 mas isso são teorias minhas que preciso de investigar. O certo é que a devolução à Paróquia das relíquias, pilhadas no século XIX pelas tropas de Napoleão ou retiradas e colocadas numa Arca são algumas hipoteses viaveis. Outra é que tenam sido pedidas outras mais tarde ao Vaticano que, depois, as fez chegar novamente a Belver. Numa das hipoteses é certo que as mesmas foram transportadas provavelmente de barco pelo Tejo acima e daí a origem da lenda”.

A primeira referência identificada por Carlos Evaristo sobre este misterioso conjunto de objetos é de 1555, data em que foram trazidas para Belver, pela primeira vez, por D. Luís, filho do rei D. Manuel I e, à época, Prior do Crato, sendo a este priorado que pertencia a Ordem dos Hospitalários” detentora das Terras de Guidintesta. O que eram as Santas Relíquias no século XVI “não se consegue verdades. Nesta localidade alentejana, ficção e realidade uniram-se há muito tempo para proteger a continuidade desta terra e das suas gentes. Este domingo honram-se as Santas Relíquias de Belver, esperando-se uma afluência recorde.”

(…)

Sobre o que estará guardado hoje no relicário, Carlos Evaristo apurou em arquivos oficiais que Citação completa de Carlos Evaristo: “guarda várias relíquias provávelmente,. sem estarem e, relicários ou tecas pois foram retiradas dos bustos relícários existentes na Capela do Castelo que estão vazios assim sendo estão certamente dentro de envulcros de papel ou de pano com equiquetas ou escritos a identificar as mesmas e daí elas estarem numa espécie de arca que é venetrada. Mas consta também que existem outras em relicários de prata tal como uma relíquia de São Sebastião, outra de São Braz, Patrono da Ermida e ainda algumas referencias a ceras”.

As ceras em relicários são, habitualmente, Agnus Dei, Citação completa de Carlos Evaristo: pedaços de discos ovais imbuídos de benções contra os males benzidas pelo Papa e seus Cardeais a cada 7 anos do Pontificado e assim emanam o poder de Deus canalizado por uma bênção do seu representante na Terra: o Papa”.

Com pedaços do poder de Deus a percorrer todos os anos as ruas de Belver, não é de espantar
que a vila se mantenha a salvo de todos os males. “Facto é que em tempo de aflição as pessoas recorrem às Santas Relíquias e são atendidas”, conta Martina de Jesus, presidente da Junta de Freguesia.

(…)

A autarca não tem dúvidas de que “a história, folclore e etnografia de Belver representam o passado e são o futuro da terra”, que encontrou grande desenvolvimento no turismo de natureza e turismo cultural. O Castelo de Belver. “ (…)

Citação completa de Carlos Evaristo: Tal como as replicas da Arca da Aliança que são levadas em procissão pelos Padres Coptas de Gondar na Etiópia, ninguém sabe o que vai dentro da Arca Relicário de Belver.

TEXTO ANA MARTINS VENTURA

Diário de Notícias, 19 de Agosto de 2022

(Página 18 – Local)

https://www.dn.pt/local/belver-a-vila-protegida-de-deus-onde-a-historia-salva-o-futuro-das-jovens-geracoes-15100393.html?fbclid=IwAR0k4junkoRWjxXTsmLOG4OUFGLGFCvRzAXKq5uS-j8bCVDZRu6qNCADdQk

A equipa de peritos de Carlos Evaristo está a levar a cabo a reautenticação das relíquias da Peninsula Ibérica e já reautenticou os relicários da fabulosa colecção da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo em Braga entre outras colecções insignes. Para Evaristo; “As Relíquias da Arca de Belver deviam de ser estudadas e reautenticadas com a colocação de selos de lacre e emissão de Autenticas novas em conformidade com as normas e rubricas da Santa Sé para veneração pública de relíquias. Estas normas foram recentemente promulgadas pelo Papa Francisco e por isso esperamos que permitam que se realize este trabalho”.
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Entrevista com Carlos Evaristo na Revista SÁBADO: “As relíquias mais macabras em Portugal”

Revista “Sábado” 2 de Julho de 2022.

Além do coração de D. Pedro IV, que será trasladado para o Brasil, há outros restos mortais de santos e criminosos, preservados em Portugal.

Durante mais de cinco horas, peritos do Instituto de Medicina Legal avaliaram o estado de um coração com 187 anos. O órgão, preservado em formol, não foi retirado do vaso de vidro que o preserva intacto. Antes foi removida e avaliada uma pequena amostra. Os cuidados com um coração que há muito deixou de bater têm razão de ser: é o coração de um Rei. Mais precisamente de D. Pedro IV, o monarca que declarou a independência do Brasil e que Brasília quer ver presente nas celebrações do bicentenário, no próximo mês de setembro.

A cabeça de Diogo Alves, o assassino do Aqueduto das Águas Livres, está preservada na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Não foi a primeira vez que a relíquia foi avaliada. Desde 1835, quando o coração foi entregue à cidade do Porto, fizeram-se “várias verificações e análises ao estado de conservação do coração, sempre por peritos de Farmácia e de Medicina das Escolas de Medicina do Porto e mais recentemente pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar”, explica Francisco Ribeiro da Silva, mesário da Venerável Irmandade da Lapa, onde está guardada a relíquia.

O coração de D. Pedro IV foi examinado por peritos antes de ser autorizada a sua transladação para o Brasil.

O coração foi entregue ao então presidente da câmara do Porto, Vicente Ferreira de Novais, cinco meses após a morte do Rei, dentro de um pequeno cofre de prata dourada. Só ao fim de um mês é que os médicos da então Real Escola Cirúrgica do Porto decidiram colocá-lo num vaso de vidro.

Ao longo dos anos, foi necessário fazer alterações. “Segundo a documentação, em 1872 os líquidos foram substituídos. E em 1908 o álcool foi substituído por líquido indefinidamente conservador de Kaiserling”, diz à SÁBADO Francisco Ribeiro da Silva. “Acredito que isso sucedeu mais vezes, não muitas, não obstante as dificuldades de lidar com o vidro sem o partir.”

A viagem transatlântica foi autorizada e o presidente da câmara do Porto, Rui Moreira, acompanhará a relíquia até Brasília, a 8 de setembro. Será a primeira vez que o órgão deixa as quatro paredes que habita. “Para fora do espaço da Igreja jamais o coração saiu.”

Cinco peritos do Instituto de Medicina Legal avaliaram o estado do coração de D. Pedro IV antes da viagem para o Brasil.

Mas a prática não é inédita. “Há corações de santos que fizeram peregrinações pelos Estados Unidos. Desde que esteja mergulhado em formol é duvidoso que mude de natureza”, garante Carlos Evaristo, especialista em relíquias sagradas.

Não é o único coração real preservado há centenas de anos. No Mosteiro de São Vicente de Fora, onde se encontra o Panteão dos Reis da Dinastia de Bragança, estão os corações e as vísceras de quatro monarcas e um príncipe. “Estão guardadas em potes de porcelana chinesa, depositados debaixo do chão da Capela dos Meninos de Palhavã [referente aos filhos bastardos de D. João V], por baixo de pedras recortadas em forma de diamante”, explica Miguel Pires, guia do mosteiro. O coração e as vísceras eram retirados para permitir o processo de embalsamamento. “Encontram-se no mosteiro os corações de D. João V, D. José I, D. João VI, D. Pedro III e do príncipe Augusto [herdeiro do trono do Brasil].”

A zona onde está enterrado o coração e as vísceras do Rei D. João V, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

A sua presença foi confirmada pelo arqueólogo Fernando Rodrigues Ferreira que, no ano 2000, exumou o caixão de madeira que continha o pote de porcelana das entranhas de D. João VI. O objetivo era confirmar a tese de que o monarca, marido de D. Carlota Joaquina e pai de D. Pedro IV, que fugira das tropas napoleónicas para o Brasil, em 1807, tinha sido envenenado. Análises aos pedaços de intestino e de fígado lá encontrados determinaram a causa de morte: envenenamento por arsénio.

Relíquia científica
A única cabeça embalsamada de um criminoso com os olhos abertos em Portugal. “Ele está a olhar para nós”, diz à SÁBADO António Gonçalves Ferreira, diretor do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina de Lisboa, que há 180 anos guarda a alegada cabeça do homicida em série Diogo Alves. Porquê? Não se sabe. “Não costumava ser assim. Os corpos eram e são embalsamados como morrem, de olhos fechados.”

Os caixões dos reis da dinastia de Bragança antes das obras em São Vicente de Fora, em 1932.

Foi assim para reis, rainhas e bispos. “Os corpos eram preservados como forma de homenagem, tal como se prestavam aos faraós do Egito”, explica Carlos Evaristo, especialista em relíquias sagradas e fundador da Regalis Lipsanotheca, um repositório de relíquias.

Não foi o caso de Diogo Alves. O galego que serviu em casas de nobres no século XIX, foi preso e condenado à morte na forca, pela morte de cerca de 70 pessoas. Muitas delas, lavadeiras e agricultores que atravessavam o Aqueduto das Águas Livres para chegar a Lisboa e fazer negócio. O homem, e o seu gangue, roubava-os e, de seguida, atirava-os do aqueduto abaixo. A tática resultou: durante meses as autoridades não investigaram os crimes, convencidos de que se tratava antes de suicídios.

Quando foi enforcado, a 19 de fevereiro de 1841, no Cais do Tojo, a sua cabeça foi decepada e entregue à Escola Médico-Cirúrgica com a intenção de a estudar. “No fim do século XIX, procurava-se correlacionar alterações de comportamento com disformias da cabeça”, explica o diretor do Instituto de Anatomia, mas nada foi feito. “Não foram feitos exames, porque a cabeça está intacta”, explica António Gonçalves Ferreira. “E não há qualquer registo de um estudo na Faculdade de Medicina.”

O sarcófago da Rainha Santa Isabel no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.

Mais: não é certo que a cabeça, cabelos, bigode e pera louros sejam do galego. “Descobriu-se uma série de documentos antigos sobre crânios identificados como sendo do grupo de Diogo Alves. Levanta dúvidas se a cabeça será mesmo de- le ou de um dos capangas.” Um mistério que não terá resolução. “Até agora, nenhum descendente reclamou a cabeça.”

Uma mão com quase 700 anos
Em Coimbra, a mão de uma rainha declarada santa foi exposta ao público no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em 2016, por ordem do bispo de Coimbra. Celebravam-se, então, os 500 anos da beatificação da Rainha Santa Isabel, consorte do Rei D. Dinis. A princesa de Aragão morreu em Estremoz em 1336 e foi enterrada, a seu pedido, em Coimbra. Em 1612, quando se abriu pela primeira vez o seu túmulo para o processo de canonização, encontraram o corpo “mui são, inteiro e sem corrupção, de maneira a que a cabeça estava com os cabelos inteiros, louros e sãos, de maneira que pegando por eles estavam fixos. A testa e todo o rosto coberto pela mesma carne, muito alba e bem proporcionada, com nariz, orelhas, olhos e boca, sem corrupção”, lê-se nos autos oficiais. Não foi milagre. “A Rainha Santa Isabel terá sido mumificada, possivelmente com sal nitrato, como as múmias do Egito, porque tem uma aparência escura”, explica Carlos Evaristo. A preservação do corpo terá sido feita para que o cadáver suportasse a viagem de Estremoz, no Alentejo, até Coimbra.

Durante anos a família real portuguesa em visita a Coimbra beijava a mão da rainha Santa e surgiram várias relíquias do seu cabelo. “No tempo de D. Miguel I [aclamado em 1828], o bispo de Coimbra abriu o sarcófago e cortou uma madeixa de cabelo da Rainha, que ofereceu ao Rei e às suas irmãs”, conta Carlos Evaristo. “Nós na Lipsanotheca temos um relicário com o cabelo.”

Carlos Evaristo avaliou o estado do corpo do arcebispo de Braga, D. Lourenço Vicente.

As relíquias de santos foram durante séculos muito populares. “Não havia igreja que não tivesse a sua pedra d’ara [pedra de mármore colocada no centro do altar com um orifício] onde estava guardada uma relíquia de santo”, explica Carlos Evaristo, coautor do livro Relíquias Sagradas. As relíquias são consideradas pelo Vaticano como sacramentais, por ajudarem à fé cristã, e tiveram o seu auge no século XVIII, depois de o “Papa Pio IX ter mandado exumar cerca de 20 mil cadáveres de mártires das catacumbas de Roma, considerados santos por terem morrido pela fé, e distribuiu as suas relíquias pelo mundo”.

Mas o seu culto tem desaparecido e há relíquias esquecidas em sótãos de igrejas, em reservas de museus e “algumas foram parar ao lixo”, garante Carlos Evaristo. Para travar o seu desaparecimento, o especialista, que ajuda dioceses a preservar e autenticar relíquias, criou um espaço, a Regalis Lipsanotheca (real relicário em latim), em Ourém e Fátima. Aqui, deposita em altares, como manda o Vaticano, uma coleção que só é superada pela Lipsanotheca Pontifícia, situada ao lado da capela privada do Papa no Vaticano e que contém relíquias de todos os santos canonizados pela Igreja.

Canibalismo
O cientista britânico que comeu o coração de Luís XIV
O geólogo inglês William Buckley, deão da Abadia de Westminster, em Londres, ficou conhecido por, em 1848, ter engolido um pedaço do coração do Rei francês Luís XIV, que se encontrava guardado num medalhão de prata da família Harcourt. Não o fez deliberadamente: pensou ser um mineral e quis identificá-lo com a boca.

Susana Lúcio

FONTE: Revista “Sábado”, 2 de Julho de 2022; Páginas

https://www.sabado.pt/vida/detalhe/as-reliquias-mais-macabras-em-portugal

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Entrevista com Carlos Evaristo sobre o Traslado do Coração do Imperador D. Pedro I para o Brasil e sobre as Relíquias históricas e religiosas em Portugal na Revista “Notícias Magazine” do Jornal de Notícias

O Deputado Federal Brasileiro Príncipe D. Luiz Phillipe de Orleans Bragança com o Cônsul Honorário do Brasil em Fátima. Foto tirada em Ourém no passado mês de Janeiro, um dia antes do pedido formal do Governo do Brasil a pedir a trasladação do Coroação do Imperador D. Pedro I ter sido entregue à Câmara Municipal do Porto e â Irmandade de Nossa Senhora da Lapa. (Foto de José Alves)

Por Sara Sofia Gonçalves (Jornalista)

FONTE: Notícias Magazine, Jornal de Notícias, 26 de Junho de 2022 , Páginas 38 a 43

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Faleceu Patrícia Margaret Haffert, co-fundadora da Fundação Histórico – Cultural Oureana

R.I.P. (1931 – 2022)

É com triste pesar que se divulga a notícia do falecimento esta manhã de Patrícia Margaret Haffert, co-fundadora da Fundação Histórico – Cultural Oureana.

A viúva de John Mathias Haffert faleceu, de morte natural, aos 91 anos de idade, na sua casa em Washington, New Jersey, localizada no Santuário de Fátima, sede do Apostolado “Exército Azul” que seu marido havia fundado em 1947.

Patrícia que nasceu na Inglaterra em 1931, era devota de Nossa Senhora de Fátima e militante da mensagem de Fátima desde há mais de 60 anos quando se havia tornado Secretária de John Haffert e mais tarde colaboradora e co-autora de vários livros.

Tornou-se segunda esposa de John Haffert já na década de 1970 após o fundador do Exército Azul se ter tornado viúvo. Apoiou desde então todas as suas iniciativas incluindo o programa do Restaurante Medieval e a criação da Fundação Oureana e manteve-se ao lado do marido como força inspiradora até ao seu falecimento a 31 de Outubro de 2001.

John e Patrícia Haffert com a Madre Teresa de Calcutá.

Conheceu e conviveu com muitas figuras da Igreja Católica desde Papas, à vidente de Fátima Irmã Lúcia e a Madre Teresa de Calcutá. Recebeu várias homenagens e era membros das Ordens dinásticas da Casa Real Portuguesa; da Rainha Santa Isabel, de São Miguel da Ala e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

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Nos últimos anos e depois de ter deixado a vice-presidência do Conselho de Curadores da Fundação Oureana, Patrícia Haffert retirou-se para uma pequena casa que havia construído no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Nova Jersey.

Em 2016 havia consignado a imagem milagrosa da Virgem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Exército Azul e desde então Nos últimos anos e depois de ter deixado a vice-presidência do Conselho de Curadores da Fundação Oureana, Patrícia Haffert retirou-se para uma pequena casa que havia construído no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Nova Jersey, passando a ser figura frequente durante as Missas e a recitação do terço do rosário.

Encontrando-se debilitada e acamada em casa após o regresso de uma breve estadia no Hospital e depois de ter sobrevivido à Covid 19, Patrícia Haffert veio a faleceu esta noite de morte natural e após as exéquias fúnebres que terão lugar no Santuário em data ainda por anunciar, será sepultada junto ao marido no cemitério privado do mesmo Santuário.

Em Ourém haverá uma Missa de Funeral Indulgenciada na Sexta-Feira, dia 10 de Junho de 2022, Festa do Anjo de Portugal,pelas 17:30 horas.

Relíquias de Patrícia Haffert serão posteriormente colocadas no Cenotáfio Memorial da Família localizado na Regalis Lipsanotheca.

O Casal Haffert com o Bispo Sullivan
D. Duarte de Bragança, D. Manuel António Mendes dos Santos e David Carollo com Patrícia Margaret Haffert.

Requiem aeternam dona eis, Domine. Et lux perpetua luceat eis. Fidelium animae, per misericordiam Dei, requiescant in pace. Amen

9 de Junho de 2022

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Duque de Bragança promove campanha de angariação de fundos para apoiar vitimas do conflicto na Ucrânia

O Duque de Bragança em Kiev com os Bispos Católicos protectores da R.I.S.M.A. Ucrânia

NOTÍCIA – Fundos angariados para ajuda às vítimas do conflicto foram enviados directamente por Membros da Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala: R.I.S.M.A. dos Estados Unidos e de Inglaterra, como também pelas instituições parceiras, para as Dioceses na Ucrânia com Delegações R.I.S.M.A.. Estas ficaram encarregues da distribuição dos bens e o uso dos fundos na reconstrução e reparação de edifícios destruídos nas Dioceses.

Uma boa parte do dinheiro irá mesmo ser empregue em obras urgentes de reconstrução nas instalações monásticas da R.I.S.M.A. na zona de Bucha, perto de Kiev, instalações que o Duque de Bragança havia inaugurado com as autoridades diocesanas pouco antes do início do conflicto. Os edifícios que foram agora danificados, serviram de refúgio a muitos civis durante os bombardeamentos em Março e neles morreram cinco Confrades da Real Irmandade e uma mãe com uma criança que estavam entre os refugiados.

Salvos por milagre de São Miguel, na opinião do Dr. Oleg Jarouz foi o próprio Delegado da R.I.S.M.A na Ucrânia, assim como seu afilhado e a esposa do mesmo, todos residentes na zona de Bucha. Os três Confrades acabaram de entrar na cozinha para jantar e estavam a rezar ao Arcanjo quando uma bomba caiu destruindo totalmente as restantes divisões da casa. Seguidamente os sobreviventes deslocaram-se para Kiev onde alugaram um apartamento e assim escaparam ao massacre que teve lugar na região alguns dias depois.

Em Portugal, esta campanha de angariação contou com o apoio das Fundações D. Manuel II e Oureana, assim como da Real Confraria do Santo Condestável e Real Guarda de Honra que forneceram principalmente bens de primeira necessidade, comprados ou recebidos de doação para o efeito, por benfeitores e empresas. Entre os bens distribuídos, contam-se medicamentos, vestuário e agasalhos e bens de primeira necessidade, leite e brinquedos.

São até agora doze benfeitores que já contribuíram monetariamente com donativos que totalizam 100, 000 Euros. Entre eles estão o Col. Stephen Besinaiz, o Col. John Thoma, o Capitão Justin Carpentier, a Dama Catherine Stevenson, o Prof. Moritz Hunzinger, o Oficial Peter Hunng Mguyen, a Dama Vi Thi Hupngke, o Col. William Boswell, o Col. do Kentucky Stephen Breu, o Prof. Michael Hesemann, Martin Braybrooks e Simon Wintle.

Para o Duque de Bragança, “o apoio às vítimas de guerra é muito importante e urgente, não só para o povo que sofre no local de conficto, como para os refugiados”. 

D. Duarte de Bragança referiu ainda que se vai manter esta linha de apoio aberta por forma a continuar a apoiar as vítimas e que já há mais confrades comprometidos a ajudarem. As famílias de Raul e Maria Sepúlveda e José António e Maria Antonieta da Cunha Coutinho por exemplo, já se comprometeram com um contributo de apoio no total de 15, 000 €, pessoalmente, e através da Fundação Spes et Gaudis e da Associação da Família Cunha Coutinho.

D. Duarte nas instalações da R.I.S.M.A. em Bucha.

A Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala está hoje sob a protecção de oito Dioceses Católicas com Delegações em 17 países, nomeadamente na Alemanha, na Austrália, no Brasil, no Canadá, na Croácia, na Espanha, nos Estados Unidos da América, na França, na Itália, no Líbano, em Malta, na Rússia, na Ucrânia, na Hungria, em São Tomé e Príncipe, na Suíça e na Suécia.

Para o Secretário Geral da Federação R.I.S.M.A. Carlos Evaristo, “A Real Irmandade tem actualmente cerca de 2,500 membros, duas unidades de membros Militares nas Arquidioceses para serviços militares na América do Norte e na Europa, e três Comunidades Monásticas com irmãos religiosos professos da Ordem; no Brasil, em Espanha e na Ucrânia.

O Secretário Episcopal e Chanceler em Exercício referiu ainda que “Vários foram os Confrades Ucranianos refugiados em Portugal e na Alemanha que foram assistidos monetariamente e acolhidos por outros membros. Destaca-se entres os membros da Real Irmandade que se prontificaram logo para a ajudarem a recolher e a alimentar refugiados; Maria Filomena de Castro no Porto, Michael Hesemann na Baviera e David Alves Pereira em Ourém .”

São Miguel da Ala, é a Ordem Dinástica da Casa Real Portuguesa mais antiga que celebra este ano 850 anos da sua fundação e os 20 anos da Erecção Canónica como Real Irmandade tendo recebido do Papa Francisco uma Bula de Indulgências conferida por Decreto e ainda outro Decreto que proclama um Ano Jubilar.

A Ordem medieval que era Militar e Monástica, foi fundada por D. Afonso Henriques e aprovada pelo Papa Alexandre III em 1177. É hoje uma instituição dinástica que através da Real Irmandade apoia maioritariamente obras caritativas na Diocese de São Tomé e Príncipe para além de outras causas humanitárias e culturais das dioceses da Federação R.I.S.M.A.

FONTES: https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo.pt/duque-de-braganca-no-apoio-as-vitimas-1009754

https://www.reallisboa.pt/ral/index.php/component/content/article/10-noticias/163-duque-de-braganca-no-apoio-as-vitimas-do-conflito-na-ucrania?Itemid=101&fbclid=IwAR0iApK6HdunE6H6Ej-meJ3BrXBpCPSerE5-6bJVgKSUP6fBSehHzIwimlY

27 de Abril de 2022

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Colégio Heráldico da Fundação Oureana representado no IV Colóquio Internacional sobre a Nobreza realizado na nova Sede da Real Associação de Hidalgos de Espanha (Madrid, 22 e 23 de Abril de 2022)

IV Colóquio Internacional sobre a Nobreza

A sede da Real Associação de Hidalgos de Espanha acolheu o IV Colóquio Internacional sobre a Nobreza com o lema ‘Nobreza de sangue, títulos nobres e heráldica, nobre, sua evolução histórica, sobrevivência e representação nos países da Europa’.

O evento que teve lugar na nova sede da Associação localizada no coração de Madrid decorreu nos dias 22 e 23 de Abril e contou com a participação de mais de 50 especialistas no assunto.

A abertura oficial do Coloquio foi feita pelo Presidente da Real Associação de Hidalgos de Espanha, Don Manuel Pardo de Vera e Diaz.
O Presidente da Direção da Fundação Oureana, Carlos Evaristo falou sobre:“The Survival of Feudal Rights and Recognition of Autonomous Neutral Territories during Monarchies and in present day Republics”.
Carlos Evaristo falou sobre:“The Survival of Feudal Rights and Recognition of Autonomous Neutral Territories during Monarchies and in present day Republics”.
Carlos Evaristo falou sobre:“The Survival of Feudal Rights and Recognition of Autonomous Neutral Territories during Monarchies and in present day Republics”.

Nomeação de Carlos Evaristo

Durante a Assembleia-Geral das entidades organizadoras foram admitidos novos membros de reconhecida perícia no campo da genealogia e heráldica . Carlos Evaristo, que representou pela 4ª vez o Colégio Heráldico da Fundação Oureana foi nomeado Membro do Instituto Internacional de Genealogia e Heráldica. A proposta da sua nomeação acabou por ser votada por unanimidade dos distintos membros do Conselho.

É de relembrar que o Colégio Heráldico da Fundação Oureana, fundado por Carlos Evaristo, desde 1996 que aconselha, desenha e da pareceres heráldicos gratuitos a entidades estatais e particulares tendo proposto já a numerosos governos, a criação de Ordens Honoríficas de Estado e o regulamento do uso de brasões segundo as regras tradicionais e normas internacionais.

O Conde Dr. Pier Felice degli Uberti, Presidente da CIGH e da ICOC deu as boas vindas a todos os participantes no Colóquio.
A D. Elizabeth Roads​,, Lyon Clerh Emérita na Corte do Lord Lyon da Escócia e Secretária Geral da Ordem do Cardo falou sobre: “The Chapel and history of the Most Ancient and Most Noble Order of the Thistle”.
Don Manuel Pardo de Vera y Díaz: falou sobre “La filiación y la nobleza. Pleitos de Hidalguía”.
Don Guido Peter Broich apresentou o tema: “The residuality of the Nobility in the Meritorious Systems of today. Revive a cultural engine”.
Don Luis Agustín García Moreno falou sobre: “Los gardingos godos”.
Dr. Marcos Fernández de Béthencourt: apresentou uma conferencia sobre “Una visión general de la nobleza en Francia”

Dr. George Cuneo falou sobre: “The birth of the Presidents of Tuscany and the attempt to reform the noble legislation in the Lorena age”.
Don Manuel Ladron de Guevara and Isasa explicou: “La Hidalguía in the Bascas Provinces – Guipúzcoa a unique case in the Spanish Nobility” .
O Heraldista de Estado de Malta, Charles A. Gauci que tem colaborado com o Colégio Heráldico da Fundação Oureana​ apresentou o tema: “The evolution of Heraldry in Malta (with reference to the Nobility)”.
Don Eduardo Pardo de Guevara y Valdés falou em Espanhol sobre “La nobleza gallega y sus redes de poder al final de la Edad Media (siglos XIV y XV)”.
Don Carlos Mack, Barão de Stoneywood na Escócia​ apresentou o tema: “The Survival of Feudalism in the UK through lncorporeal Property (Feudal Titles)”.
O Príncipe Maurizio Gonzaga dei Vodice i Vescovado falou dos seus ilustres antepassados entre eles São Luiz Gonzaga e apresentou em Italiano o tema:“Prince General Don Maurizio Ferrante Gonzaga del Vodice di Vescovado: a hero from a high ethical and social profile” .
Don Fabio Cassani Pironti, reconhecido perito em Nobreza Pontif+icia apresentou o tema:”Pontific nobility yesterday and today”.
O antigo Ministro da República Checa, Dr. Antonin Stanĕk​ falou sobre: “The history of the Czech nobility is the history of the Czech lands” .
O Conde de Cavagliá Don Pier Felice degli Uberti apresentou a conferência:“The impossibility of recognizing noble titles in the Italian Republic, and legal possibilities of protection for the descendants of the Italian nobility”.
O Príncipe Landolfo Caracal di Melissano:“The Nobility associated with the Basilica of St. James and its Archiconfraternity”
O Príncipe Guglielmo Giovanelli Marconi, neto de Guglielmo Marcono terminou a sua conferencia sobre o avô entitulada: “Un esempio della nobiltà italiana del XX secolo: il marchese Guglielmo Marconi” surpriendendo os presentes com a conclusão de que se há pessoas que há semelhança do grande inventor da rádio, são superinteligentes e não necessitam de terminar estudos universitários para terem sucesso na vida, então que sigam em frente com o seu sonho.
O Dr. Adam Berniczei-Roykó​ Chanceler da Ordem de Vitez da Hungria explicou a Coroa de Santo Estêvão na sua conferência: : “Die heilige Krone von Ungarn (The Holy Crown of Hungary)”.
A Drª. Filomena Castro Alves foi outra figura Portuguesa que discursou em inglês sobre: “Brief history of the evolution of nobility in Portugal throughout the Four Dynasties”.
A Professora Elena Postigo Castelos apresentou o tema: “Love, Honor and Obey the Prince. The Knights of Toison between 1516 and 1555″ tendo-se interessado pelo tema do IV Conde de Ourém na origem da Ordem do Tosão de Ouro.

Jantar de Gala

Com um estrondoso sucesso de participação e a apresentação de 51 comunicações, o IV Colóquio Internacional da Nobreza terminou com a realização de um Jantar de Gala que teve ligar no elegantíssimo Wellington Hotel em Madrid.

Durante o evento, o Presidente da Real Associação de Hidalgos da Espanha Don Manuel Pardo de Vera y Díaz, deu a palavra à Presidente da Comissão Intercongresso Elisabeth Roads e ao Presidente da Comissão Internacional das Ordens de Cavalaria (ICOC) o Conde Pier Felice degli Uberti.

Além disso, a Cruz de Mérito da Real Associação de Hidalgos da Espanha foi concedida a Don Marco Horak e à Federação Francesa de Genealogia, que na ausência de seu Presidente foi recebida por Michel Teillard d’Eyry. O Secretário-Geral DonFernando González de Canales y Ruiz leu a Ata de Concessão.

O Presidente da Real Associação de Hidalgos da Espanha Don Manuel Pardo de Vera y Díaz.
O Secretário-Geral Don Fernando González de Canales y Ruiz lna leitura da Ata.
A Cruz de Mérito da Real Associação de Hidalgos da Espanha foi concedida a Don Marco Horak e à Federação Francesa de Genealogia, que na ausência de seu Presidente foi recebida por Michel Teillard d’Eyry.
O Presidente da Comissão Internacional das Ordens de Cavalaria (ICOC) o Conde Pier Felice degli Uberti.
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A Presidente da Comissão Intercongresso Elisabeth Roads, Secretária Geral da Ordem do Cardo do Reino Unido.
Maria Margarida Evaristo com Elizabeth Roads.
O Jantar de Gala no Hotel Wellingon em Madrid oferecido pela Associação de Hidalgos de Espanha..

https://www.abc.es/sociedad/abci-madrid-acoge-coloquio-internacional-sobre-nobleza-202204221736_video.html

FONTE: https://www.abc.es/sociedad/abci-madrid-acoge-coloquio-internacional-sobre-nobleza-202204221736_video.html?ref=https%3A%2F%2Fwww.bing.com%2F&fbclid=IwAR3Y07kwyDyNnaaFX9wcFuLiBnCv_4Vr0Br8yw9KLa-xfWypAqYk0rhxfoU

23 de Abril de 2022

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Castelo de Ourém encanta visitantes com a nova iluminação

AUTORIZAÇÃO CONCEDIDA PARA NOVA ILUMINAÇÃO EXTERIOR NO CASTELO EM TERRENO DA FUNDAÇÃO

O Castelo de Ourém está de novo iluminado todas as noites graças à instalação de novos holofotes exteriores e ao Acordo de Parceria e Colaboração celebrado entre o Município e a Fundação Oureana.

A Fundação Histórico – Cultural Oureana, atendendo à necessidade de haver iluminação exterior no Castelo de Ourém e isto após as importantes obras de requalificação, veio em resposta a um pedido da Câmara Municipal de Ourém para se realizar trabalhos de infraestruturas para instalação da referida iluminação adjudicados à ACA; Engenharia Construcção, autorizou por despacho Nº A-211/2021 da Direcção, de 26 de Outubro de 2021, a instalação de novos holofotes exteriores e a realização de trabalhos no terreno junto ao Torreão Poente, propriedade da Fundação e inscrito na Matriz da Conservatória do Registo Predial desde 1970, sob o artigo nº 10051.

É facto que os terrenos que circundam os torreões do Castelo de ambos os lados e que do lado do Torreão Poente vão desde a Casa Alta até “ao fosso do Castelo”, também referido em documentos como “a pingadeira do telhado dos torreões”, são propriedade da Fundação desde 1995.

“Anteriormente este terreno pertenceu ao Fundador da Fundação, John Mathias Haffert”, explicou o Presidente da Direcção Carlos, Evaristo, “que o adquiriu, na década de 1960, do Século XX, para preservar o Castelo da descaracterização, pois à época, construções novas eram autorizadas junto ao Castelo e havia até um projecto de instalar um solar junto ao torreão poente encomendado por um anterior proprietário sueco, dono da fábrica das caixas registadoras “Sveda”. Quando John Haffert soube disso enviou um logo advogado ter com o proprietário e comprou a Casa Alta e o referido terreno.” Mais tarde, Haffert adquiriu os terrenos ao lado do outro torreão onde está situada hoje a Casa de Velório da Fundação, colocada gratuitamente ao uso da Paróquia através de um Protocolo com a Junta de Freguesia, celebrado há 9 anos e com encargos patrocinados pela Fundação.

A presente autorização para a instalação da nova iluminação do Castelo foi concedida dentro dos termos do Acordo de Parceria e Colaboração celebrado entre a Fundação Histórico – Cultural Oureana e a Câmara Municipal de Ourém, a 26 de Setembro de 2020, e desta forma, substitui uma outra “Autorização para Instalação de Holofotes de Iluminação”, (holofotes que foram removidos recentemente com as obras) que vigorava há já várias décadas, tendo sido emitida pelo então Procurador Joseph Howard Braun, em representação de John Mathias Haffert, Fundador da Fundação Histórico – Cultural Oureana.

(Fotos: Luís Albuquerque – Presidente da Câmara Municipal de Ourém)

30 de Abril de 2022

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Fátima: Was Rússia validly Consecrated?

With the crisis in Ukraine, voices have been raised again that doubt that Russia was really Consecrated to the Immaculate Heart of Mary by Pope John Paul II in 1984.

Guest Commentary by Michael Hesemann

TRANSLATION

When Our Lady of Fatima appeared for the third time to the little shepherds Lúcia, Jacinta and Francisco, on July 13th, 1917, she revealed three mysteries to them. The second secret read: “To avoid (a new world war) I will come to ask for the Consecration of Russia to my Immaculate Heart and the Communion of Reparation on the first Saturdays of the month. If my wishes are heard, Russia will be converted and there will be peace. Otherwise, she will spread her errors throughout the world, provoking wars and persecutions against the Church. The good will be martyred, the Holy Father will suffer a lot, various nations will be destroyed, but in the end my Immaculate Heart will triumph. The Holy Father will Consecrate Russia to me, which will be converted, and the world will have some time of peace”.

Twelve years later, on June 13th, 1929, Our Lady really returned. Jacinta and Francisco had since died; they had been victims of the Spanish flu, the great pandemic of the early 20th century. Lúcia, on the other hand, had joined the order of the Dorothean Sisters (she only became a Carmelite in 1946) and lived in the Monastery of Tuy, on the Spanish-Portuguese border. There she was praying in front of the tabernacle when she had an apparition of Our Lady granting her a vision of the Holy Trinity and declaring: “The time has come when God asks the Holy Father, together with all the bishops of the world, to Consecrate the Russia to my Immaculate Heart and thus save her”.

Immediately, the nun tried to write to the Pope through her bishop, but to no avail. Fatima was not yet recognized by the Church at this time and Pius XI was not a great friend of private revelations. This changed when, in 1939, Pius XII. a new Pope ascended to the Chair of Peter. Eugenio Pacelli was ordained a bishop on the day of Fatima, May 13th, 1917, already seeing it as a sign of divine providence. However, at that time he still knew too little about the phenomena to react “prematurely”. So he first asked Sister Lucia, through her bishop, to write her Memoirs of the Events of 1917, which she did. When her Memoirs were finally published in 1942 and also available in Italian, in the midst of World War II, Pius XII, in fact, on the 31st of October 1942, in a radio address to the Portuguese people, consecrated the whole world to the Immaculate Heart of Mary, but without referring to Russia: “To peoples divided by error or discord, and above all to those who profess a single devotion to You and where there was not a house where Your venerable icons were not cherished, perhaps hidden today and preserved for better days, give them peace and lead them back to the one flock of Christ, among the one true shepherd. ”

Sister Lucia later explained that the Consecration, while well-intentioned, was not in accordance with the will of the Blessed Mother, who had specifically asked for an act of Consecration “together with all the bishops of the world”. However, a miracle happened: October 31st, 1942 became the decisive turning point in World War II. Just three days later, Hitler experienced his first major defeat at el-Alamein, followed a few weeks later by Stalingrad, where his end was sealed. But something was also happening in Russia. Before the war, Stalin was one of the cruelest persecutors of Christians in history, he suddenly made icons fly over Russian cities for Our Lady to protect them, and he founded three new churches in Stalingrad. From then on, at least the Russian Orthodox Church did not suffer any major attacks. However, Russia was still a long way from conversion. On the contrary: World War II led to communism subjugating all of Eastern Europe and now reaching the rest of the world as well. The Cold War was born and with it the world was on the brink of nuclear war twice, in the 1960s and 1980s. But no Pope was willing to carry out the Consecration in the way desired by the Blessed Mother, not even John XXIII, who even prevented the publication of the Third Secret, nor Paul VI, who made a pilgrimage to Fatima in 1967. Only the assassination attempt on Fatima Day, May 13th, 1981, shook Pope John Paul II. On the anniversary of the assasination attempt he traveled to Fatima and consulted Sister Lucia to effectively celebrate the solemn Consecration of the world and to at least – in pectore – carry out the Consecration of Russia. And again a miracle happened. According to Sister Lucia, in 1985 a third (atomic) war was threatened, but instead the Northern Fleet’s central weapons depot exploded on May 13th, 1984, which decisively hampered the war capabilities of the Northern Fleet. Russia. The time of the “hawks” in the Kremlin came to an end and in 1985 the “dove” Mikhail Gorbachev was elected the new secretary general .

CPSU leader and then President of the USSR. His policy of “perestroika” included the introduction of religious freedom in the formerly militantly atheist state. In 1989 the Warsaw Pact states in Eastern Europe were liberated, in 1990 German reunification was allowed, in 1991 on the Feast of the Immaculate Heart of Mary (22nd of August – today of the “Queenship of Mary”) of all things, the radicals’ attempt to save communism collapsed, and it was Christmas for the entire Soviet Union. What followed was, in fact, the greatest miracle in history, the great power’s conversion from atheism: the anti-Christian Soviet Union became Christian Russia. Today, 82% of Russians profess Orthodox Christianity, since 1990, 30,000 new Churches have been consecrated and more than 800 new monasteries founded, and about 6,000 young people are ordained priests every year. Communism was postponed; in the 2021 Duma elections, the Communist Party received just 18% of the vote, little more than the SED’s successor Die Linke in Berlin (14.3%).

In any case, the Blessed Virgin at Fatima only spoke of a “time of peace” that would be granted by the Consecration. After all, it lasted 37 years, 77 even since the end of World War II, which corresponded to about one or two biblical generations (40 years).

However, traditionalist circles like to claim that the 1984 Consecration was invalid. A Canadian priest turned layman through his greed for money and disobedience to his bishop and Rome, a radical anti-Semitic and Holocaust denier, the late Nicholas Gruner raised millions with his self-proclaimed “Fatima Crusade” against Saint John Paul II and Benedict XVI with the messages of Our Lady. Gruner even went so far as to accuse the Vatican of falsifying documents and replacing Sister Lucia with an actress to avoid the Blessed Mother’s wishes.

In December 2016, in Aljustrel, the home village of the three visionary children of Fátima, I was able to interview Maria dos Santos, then 96 years old, Sister Lucia. She explained to me in front of the camera – I posted the interview on youtube – that in the 1990s she was repeatedly questioned by pilgrims about the validity of the Consecration. Since her family was also allowed to visit Lúcia regularly at Carmelo de Coimbra, she took the opportunity to refer this matter to Sister Lúcia. The seer’s answer was surprisingly clear: “The Blessed Mother promised that Russia would convert if she was Consecrated and look, she was converted!”

This is exactly what the Holy See has been proclaiming since 1984. Thus, in June 2000, Cardinal Ratzinger published a letter written by Sister Lucia, in which she confirmed to Pope John Paul II on November 8th, 1989: “Yes, it has been done, as Our Lady asked, since March 25th, 1984” – “Yes, everything was done as Our Lady requested, on March 25th, 1984.” The claim that the letter is a forgery because it was typed is absurd. Those who visit the Carmel of Coimbra, the monastery where Sister Lúcia lived, will still find her beloved typewriter there. There are also photos showing her typinng with it. Earlier, on August 29th, 1989, she had stated, also in writing: “After (his visit to Fatima) he (John Paul II) wrote to all the bishops of the world asking them to join him. He had the image of Our Lady of Fatima brought to Rome on March 25th, 1984. Then, together with the bishops who wanted to help him, he publicly performed the Consecration the way the Blessed Virgin wanted it to be. After that, people asked me if it was carried out the way Our Lady wanted, and I replied, ‘Yes!'”

Despite this, Archbishop Tarcisio Bertone, who was later named Archbishop and admitted to the College of Cardinals before Benedict XVI. served as Cardinal Secretary of State, again the “question of all questions” when he visited Sister Lucia in Coimbra on November 17th, 2001 on behalf of Pope John Paul II: Is Father Gruner right when he speaks of an omission?” Here, too, the response of the 93-year-old Seer left nothing to be desired in terms of clarity: “The World Consecration, at the request of Our Lady, took place in 1984 and was accepted by Heaven.”

Of course Cardinal Bertone was also accused of lying. The fact that Sister Lucia herself, in her latest book, “A Mensagem de Fátima” (Coimbra 2006), published posthumously by her co-sisters, confirmed the validity of the Consecration and antagonized all those who doubted, did not change anything: “Afterward, finally, there are still blind people who do not see or do not want to see and say: But there are still wars in this world… (but there are) civil wars that have always existed and will always exist.. The promise of peace refers to the wars throughout the world, instigated by the dissemination of Russia’s mistakes. This Consecration was made public by the Holy Father John Paul II in Rome on March 25th, 1984, before the miraculous image of Our Lady…”

But there is undeniable proof of the validity of the Consecration that even traditionalist conspiracy theorists should really accept. After all, Sister Lucia twice commented on the Consecration of Russia on camera.

We owe this proof to her longtime interpreter, the Portuguese specialist in Fátima, Carlos Evaristo, who grew up in Canada. He accompanied several English-speaking Cardinals to Carmel in Coimbra in the 1990s to translate during their meetings with the Sisters. On two occasions, they allowed him to record conversations to openly contradict Father Gruner’s lies. The first of these two conversations took place on October 11th, 1992, when Indian Cardinal Antony Padiyara visited Sister Lucia. On the recording, Sister Lucia can be heard clearly saying: “Everything has led to this Consecration being accepted… The Pope had Russia in mind when he mentioned ‘those peoples’ in the act of Consecration in 1984. Those familiar with the call to Consecration of Russia knew what he was referring to… God knew what the Pope’s intention was and that he meant Russia by the Consecration. Intent is important. Just like when a priest intends to consecrate a host… There is no need to consecrate Russia again.”

A year later, on October 11th 1993, Filipino Cardinal Ricardo Vidal visited her. Again Evaristo interprets, and again everything was recorded on video. And again Sister Lucia is clearly heard speaking of Russia’s conversion:

“You have to understand one thing. We must not misinterpret the word ‘conversion’. The word ‘conversion’, ‘convert’, ‘a conversion’ indicates a change. A ‘conversion’ is a change from evil to good. But that does not mean that all evil disappears… The Holy Father made the Consecration and this Consecration is valid. The Blessed Virgin never said that the Pope had to pronounce the word ‘Russia’. She said: ‘He will consecrate Russia to me and she will be converted. And then there will be peace.” But this promise of peace referred to the wars and persecutions caused by the errors of atheistic communism all over the world… The 1984 Consecration prevented an atomic war that would have broken out in 1985… The wars that are going on now are civil wars, not world wars. Local wars. The Blessed Virgin never referred to such wars.”

Of course, it is good and right to invoke the Mother of God in a crisis and to entrust to her again countries in need or war, even if this has already happened in the past. In this regard, Russian and Ukrainian bishops have recently called for the Consecration of Russia and Ukraine to the Immaculate Heart of Mary. But this requirement has nothing to do with the fact that the 1984 Consecration was valid. At that time, it destroyed Soviet communism and brought about the conversion of a great power. So we have good reason to hope that this time it will bring peace to besieged Ukraine.

Russia (kath.net)

March 15, 2022

SOURCE: https://kath.net/news/77832?fbclid=IwAR3byBwHk8qBqPt_XXPRfGfwWGMdXQKYiYsur9C3LLQVIIrRIbltFGLvbDw

Holy See Announces: “On March 25th, the Pope will Consecrate Russia and Ukraine to the Immaculate Heart of Mary”

The consecration of Russia and Ukraine to the Immaculate Heart of Mary by Pope Francis will take place during the Celebration of Penance on the 25th of March in St Peter’s Basilica.

By Vatican News

Pope Francis will consecrate Russia and Ukraine to the Immaculate Heart of Mary on Friday, the 25th of March, during the Celebration of Penance that he will preside over at 5pm in St Peter’s Basilica.

The Director of the Holy See Press Office, Matteo Bruni, said in a statement: “The same act, on the same day, will be performed in Fatima by Cardinal Konrad Krajewski, papal almoner,” who is being sent there by the Pope.  

The day of the Feast of the Annunciation of the Lord was chosen for the consecration.

Martyrdom of the good

In the apparition of 13 July 1917, in Fatima, Our Lady had asked for the consecration of Russia to Her Immaculate Heart, stating that if this request were not granted, Russia would spread “its errors throughout the world, promoting wars and persecution of the Church.”

“The good,” she added, “will be martyred; the Holy Father will have much to suffer, various nations will be destroyed.”

Consecrations of Russia to Mary

After the Fatima apparitions there were various acts of consecration to the Immaculate Heart of Mary.

Pope Pius XII, on 31 October 1942, consecrated the whole world, and on the 7th of July 1952 he consecrated the peoples of Russia to the Immaculate Heart of Mary in the Apostolic Letter Sacro vergente anno:

“Just as a few years ago we consecrated the whole world to the Immaculate Heart of the Virgin Mother of God, so now, in a most special way, we consecrate all the peoples of Russia to the same Immaculate Heart. – Pope Pius XII”

On the 21st of November 1964, Pope St Paul VI renewed the consecration of Russia to the Immaculate Heart in the presence of the Fathers of the Second Vatican Council.

Pope St. John Paul II composed a prayer for what he called an ‘Act of Entrustment’ to be celebrated in the Basilica of St Mary Major on the 7th of June 1981, the Solemnity of Pentecost.

In June 2000, the Holy See revealed the third part of the secret of Fatima.

At the time, the then-Archbishop Tarcisio Bertone, Secretary of the Congregation for the Doctrine of the Faith, pointed out that Sister Lucia, in a letter of 1989, had personally confirmed that this solemn and universal act of consecration corresponded to what Our Lady wanted: “Yes, it was done,” wrote the visionary, “just as Our Lady had asked, on the 25th of March 1984”.

March 15, 2022

SOURCE: https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2022-03/pope-francis-to-consecrate-russia-and-ukraine-to-the-immaculate.html?fbclid=IwAR0eeBtdFDrRF4K3SDplT1chyp5g6C57Cg6nOKAI9i-Gwj78aBfuRBoRXy0

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Gregory Keller; o Padre que inventou a maquina de fazer “bengalas doces de Natal” foi também quem lançou a carreira artística de Elvis Presley

Gregory Harding Keller; Padre e inventor que popularizou a Bengala Doce de Natal lançou Elvis Presley

Poucos conhecem a história de Gregory Harding Keller, um Padre e inventor do Arkansas, que não só ajudou a criar a maquina que industrializou o fabrico das populares bengalas ou bastões doces de Natal, mas que também ajudou a lançar a carreira de Elvis Presley, tendo mais tarde expulsado o Rei do Rock n’ Roll da sua Paróquia por causa das freiras considerarem o seu comportamento indecente.

As Origens do popular Doce de Natal

A história da bengala ou bastão doce de Natal é um pouco obscura. Reza a lenda, que o doce começou a ser confecionado no ano de 1600 sob a forma de um simples palito de açúcar branco.

Há quem afirme que a bengala doce ganhou seu gancho para tornar mais fácil pendurar nas árvores de Natal outros dizem que foi quando um mestre de coral do Século XVII na Catedral de Colônia, na Alemanha, convenceu um fabricante de doces local a dobrar os palitos ou varas de açúcar na forma de um cajado de pastor, para assim divertir crianças inquietas durante a Missa de Natal.

The candy cane's humble origins: Do YOU know the sweet treat's story? -  Home & Food - Home & Family - News - Catholic Online

Mas para o Pesquisador de assuntos Religiosos da Fundação Oureana, Carlos Evaristo, “o formato de bengala ou bastão foi criado para relembrar o báculo episcopal de São Nicolau dado que os doces eram originalmente oferecidos às crianças alemãs anualmente a 6 de Dezembro, pela Festa desse Santo.”

“No Século XVI, os Europeus decoravam as árvores com velas, fruta, nozes, biscoitos, correntes de papel e velas para relembrar o antigo costume pagão do deus do Inverno “Ermansul” ou “Widikin” que era uma abeto.”

A industria da cana-de-doce transformou-se quando surgiu a ideia de adicionar hortelã-pimenta com açúcar para fazer as chamadas “balas de hortelã-pimenta” sendo que as icônicas listras vermelhas e brancas surgiram mais tarde.

Nos Estados Unidos, bastões doces brancos, confecionados à mão foram registrados como marca patente pela primeira vez em 1847. Em 1919, Bob McCormack iniciou a McCormack’s Famous Candy Co. em Albany, Geórgia, e começou também a fabricar e vender bastões doces. A empresa, mais tarde conhecida como Bob’s Candy Co. e depois Bob’s Candies, ficou conhecida como sendo ao maior fabricante de doces listrados do mundo. Bob’s Starlight Mints, Peppermint Candy Balls e Sweet Stripes ainda são produzidos hoje.

O Padre Gregory Harding Keller

De Inventor a Padre

O processo de modelagem de bengalas doces era trabalhoso porque era feito à mão, mas isto até que o cunhado de Robert McCormack, um inventor chamado Gregory Harding Keller, interveio para tornar o processo mais rápido e eficiente.

Foi em 1919, em Albany, Geórgia, que Robert McCormack começou a fazer bastões doce para as crianças locais consumirem pelo Natal. Sua empresa, originalmente chamada de Famous Candy Company e depois Mills-McCormack Candy Company e mais tarde Bob’s Candies, tornou-se na principal produtora mundial desses doces natalícios.

A fabricação das bengalas doces inicialmente exigia mão de obra significativa que limitava as quantidades de produção; as bengalas tinham que ser dobradas manualmente à medida que saíam da linha de montagem para criar sua forma curva e antes de arrefecerem. A quebra geralmente ultrapassava 20%, um desperdício significativo que tornava-o um rebuçado caro de produzir.

O cunhado de McCormack, Gregory Harding Keller, era na altura um Seminarista em Roma que passava os verões a trabalhar na fábrica de doces da família. Sendo inventor, desenhou e construiu uma máquina para torcer o doce em espirais de várias cores e cortar o mesmo em tiras do mesmo tamanho e peso.

Keller estudava para o Sacerdócio no Pontifício Colégio Norte-Americano em Roma e foi ordenado pelo Cardeal Basilio Pompilj na Basílica de São João de Latrão em Roma, a 17 de Março de 1919.

Em 1952, o Padre Keller regressou à fabrica da família e patenteou a maquina que inventou. Depois, em 1957, inventou uma outra maquina, para cortar directamente o doce em forma de cajado ou bastão. Sua invenção que se popularizou em todo o mundo ficou conhecida como a Keller Machine ou Máquina Keller.

Registo da Patente aprovada a 18 de Outubro de 1960

Bee McCormack, filha de Bob McCormack e sobrinha do Padre Keller, afirmou que: “Não existia tal coisa na indústria de doces. Era feito por lojinhas que faziam doces artesanais e os vendiam em potes. Não havia indústria de doces de Natal até à chegada da Keller Machine.”

O Padre Keller aposentou-se em 1960 mas nunca deixou de criar máquinas. Era o seu hobby preferido. Tinha patentes registadas para máquinas de decorar doces, empacotar amendoins salgados e fazer sanduíches de biscoito de manteiga de amendoim. Em 1970, o Padre Keller registou outra patente, esta para uma máquina de sortimento de palitos para ajudar a preencher uma caixa ou pote sortido de vários sabores ou cores de doces em palito.

The Keller Machine foi um sucesso tão grande que o Padre Keller em 1974 foi convidado a ser participante no popular programa de Televisão “What’s My Line?”

Quando faleceu a família descobriu que todo o dinheiro dos royalties que o Padre Keller devia de receber das suas invenções, ele doou para instituições de caridade.

Professor e Pároco

Como Sacerdote o Padre Keller ficou incardinado na Diocese de Little Rock que ficava ao lado da Diocese de Memphis e foi lá que se tornou Professor e passou a ensinar durante quatro anos no Seminário de Saint John e no Liceu do Sagrado Coração de Jesus.

O Padre Keller foi também Pároco Associado e mais tarde Pároco da Igreja de Saint Mary’s. Helena era um pequeno e próspero centro de comércio do Delta com um Liceu e Salão Paroquial na Igreja de Saint Mary, o melhor lugar na cidade para se realizar os bailes dos jovens de liceu.

O Clube Católico, como era conhecido na década de 1950, era o baile regular do Salão Paroquial da Igreja de Saint Mary’s. O mesmo espaço também servia de Ginásio para o Liceu do Sagrado Coração de Jesus, uma antiga Academia de ensino secundário dirigida pelas Irmãs de Caridade de Nazaré e que se manteve activo até 1962.

O Clube Católico estava aberto a todos os jovens, de todas as religiões, pois o salão também servia de Centro
Comunitário para a Cidade de Helena por ser o maior edifício do gênero à época. Organizações cívicas, escolas e outros grupos locais também frequentemente alugavam o clube à Paróquia para organizar os seus banquetes, reuniões, concertos e danças.

E foi ao Clube Católico de Helena, a cerca de 100 Quilômetros Sudoeste de Memphis, que um jovem chamado Elvis Aaron Presley veio em 1954 procurar um lugar para se apresentar ao público pela primeira vez como cantor…

Livro de Ano de Elvis Presley

O Padre que lançou a Carreira de Elvis mas que o expulsou da Paróquia

O Padre Keller não só ficou famoso por ter lançado o Rei do Rock n’ Roll mas também infame por ter expulso Elvis Presley do Salão Paroquial de Saint Mary, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, depois do jovem cantor após um show para o Catholic Club em 1955 ter autografado a coxa de uma jovem fã com um marcador.

Foi um amigo de Elvis Presley, de nome Sonny Payne, que o convidou para actuar no Salão Paroquial do Clube Católico de Helena para assim o jovem cantor se apresentar ao público em 1954. Payne era Paroquiano de Saint Mary’s e o responsável por apresentar os espectáculos do Clube Católico. Elvis Presley foi ter com o responsável por agendar os eventos do Clube e depois foi pedir autorização para actuar ao Pároco, o Padre Gregory Keller.

Elvis Presly em 1954

Durante um ensaio, o Padre Keller escutou Elvis Presley e contente com o que ouviu autorizou que Payne o contractasse para cantar a sua música de estilo Gospel no “Catholic Club”.

Elvis estreou-se no Salão em 1954 e depois disso ganhou tanta popularidade que voltou a actuar no mesmo local por mais três vezes até que o Pároco lhe dizer para nunca mais voltar!

No total Elvis Presley actuou quatro vezes no Clube Católico do Salão Paroquial de Helena entre 1954 e 1955 quando o seu estilo de música começou a tornar-se “Rock”, algo imoral para as Irmãs da Academia do Sagrado Coração de Jesus que proibiram os alunos de assistirem aos concertos do jovem de Memphis por acharem o seu girar de ancas algo sedutor e imoral.

Muito antes de suas aparições na televisão nacional em 1956, as primeiras actuações de Elvis Presley, não ficaram oficialmente documentadas mas de acordo com um artigo de 23 de Janeiro de 2005 no Arkansas Democrat-Gazette, bem como no site http://www.elvisconcerts.com e no livro “Elvis: Day by Day”, Presley actuou no Catholic Club entre 1954 e 1955; a 2 de Dezembro de 1954; 13 de Janeiro de 1955; 8 de Março de 1955; e 14 de Dezembro de 1955.

Elvis a actuar com Banda em 1954

Tanto o Padre Keller como o jovem apresentador Sonny Payne afirmaram que a primeira impressão que tiveram de Elvis Presley, não foi boa.

“Ele estava com uma camisa velha e rota. Tinha um charuto na boca e usava calças de ganga gastas.” Foi Payne que disse a Elvis para fazer um teste para o Agente de Talento Coronel Tom Parker, que achou que: “‘Ele não é assim tão mau.”

Elvis foi contractado a 15 Dólares por três horas de atuação, o que era muito dinheiro na época mas foram Payne e Parker que lhe emprestaram 7,50 Dólares de adiantamento para ele poder pagar a taxa de actuação ao Estado porque não tinha dinheiro. Elvis prometeu pagar de volta a Payne e ao Coronel após o concerto, o que ele fez.

Casal dança no Catholic Club

No entanto, a segunda vez que Elvis actuiu no Catholic Club, Payne e Parker voltaram a adietar o dinheiro para a taxa mas não receberam o dinheiro de volta. E foi a última vez que a dupla marcou um concerto em Helena para a futura super estrela

Payne disse que Presley perguntou se ele poderia pagá-los de volta mais tarde, mas que ele nunca o fez. “Antes de ele ir para o Exército, eu liguei e ele disse: ‘Oh pá, eu vou-te entregar o dinheiro quando regressar, mas depois de duas ou três tentativas eu disse: ‘Bem, esqueça mas é isso’.”

A Câmara de Comércio de Helena que soube da dívida entrou em contacto com a empresa que hoje gere o património de Elvis Presley e Graceland apresentou Payne com um cheque de 15 Dólares no banquete anual da Câmara em Fevereiro de 2005. Foi uma vergonha para o amigo de Elvis já com 80 anos receber o dinheiro mas Payne finalmente conseguiu o seu empréstimo de volta ao fim de 60 anos. Já se o Coronel Tom Parker recebeu ou não a sua parte do empréstimo é mistério, mas o facto é que tornou-se Manager de Elvis e manteve esse cargo até à sua morte.

Sobre o incidente que levou o Padre Gregory Keller a expulsar Elvis Presley do Clube Católico, algumas testemunhas contemporâneas ainda vivas afirmam que o problema não foi o cantor autografar a coxa da jovem estudante mas o facto que quando ela levantou a saia viu-se que não tinha calcinhas.

O Padre Keller terá diro a Presley: “Você é uma vergonha para a masculinidade e não volte mais”.

Billie Jo Moore, uma ex-estudante residente de Helena, recordou a sua experiência com Elvis Presley numa entrevista que deu em 2005. Moore lembrava-se de ter visto Presley actuar no Clube Católico umas duas vezes. A primeira vez foi com amigas e elas tiveram que se sentar nas arquibancadas porque todas as cadeiras do chão estavam cheias. “As jovens de todas as escolas do condado foram lá“; afirmou.

Jesuítas lançaram avisos sobre Elvis

Elvis Presley também chamou a atenção dos Jesuítas, que na edição da sua revista Americana de 23 de Junho de 1956; avisavam: “Cuidado com Elvis Presley”. O Editor da revista Jesuíta citava vários jornais de todo o país que achavam que Presley era “problemático”. Um jornal descrevia a sua actuação em Wisconsin como um “strip-tease de roupa vestida, não apenas sugestivo, mas absolutamente obsceno.”

Embora a maior parte do mundo nunca tenha ouvido falar de Elvis Presley até 1956, quando ele se apresentou pela primeira vez na televisão nacional, muitas cidades do sul, como Helena, já conheciam a sua música e o seu estilo.

Elvis com a sua Professora primária

De acordo com http://www.Elvisconcerts.com, Elvis realizou mais de 250 espectáculos entre Julho de 1954 e Dezembro de 1955, e principalmente no Tennessee, Texas, Mississippi, Louisiana e Arkansas. Mas Presley actuou também em lugares distantes como Novo México, Flórida, Ohio e Vermont.

Para além do Catholic Club em Helena, onde se estreou Presley tocou em muitos locais no Arkansas, incluindo Bono, Camden, El Dorado, Forrest City, Hope, Leachville, Little Rock, Pine Bluff, Newport e Texarkana. Em alguns casos, como no Catholic Club, Presley actuou duas vezes ou mais.

Armantine Keller

A história da passagem de Elvis Presley pela Paróquia Católica de Santa Maria em Helena e do seu lançamento no Salão de Nossa Senhora de Fátima pelo Padre Gregory Keller foi algo confirmado pela falecida Armantine Keller, viúva de um primo do Sacerdote, em entrevista gravada por Carlos Evaristo em 1998.

Mais tarde, a história foi também recordada por outra testemunha contemporânea, o antigo Pároco Coadjutor da Igreja de Santa Maria e Diretor do Liceu com salão dedicado a Nossa Senhora de Fátima onde Elvis Presley se estreou como cantor, a 2 de Dezembro de 1954.

De visita a Fátima, o Sacerdote jantou com um grupo de Peregrinos da Paróquia de Saint Mary’s no Restaurante Medieval no Castelo de Ourém, a 21 de Setembro de 2002, altura em que deu uma entrevista gravada a Carlos Evaristo e recebeu um exemplar do CD comemorativo do Elvisfest 2002 com a Canção “The Miracle of the Rosary” interpretada por Elvis Presley e Lee Denson.

Presley e Denson tocaram juntos no palco, pela primeira vez, no Baile de Finalistas do Catholic Club, a 2 de Dezembro de 1954, no Salão Paroquial que havia sido dedicado a Nossa Senhora de Fátima e tinha uma imagem na Igreja de Santa Maria ao lado.

Carlos Evaristo entrevistou o Pároco de Saint Mary’s a 21 de Setembro de 2002

Elvis Presley nunca mais se esqueceu dessa primeira oportunidade que o Pároco da Igreja ofereceu ao artista pois foi essa actuação que o lançou na sua carreira artística. Todos os anos até falecer, o Rei do Rock n’ Roll enviava uma donativo anónimo de 10, 000 Dólares à Diocese por ocasião da Festa de Nossa Senhora de Fátima.

Durante a entrevista ao Pároco da Igreja que lançou a carreira de Elvis Presley, o Padre confirmou, o que o Capelão do Cantor no Exército já havia revelado numa outra entrevista gravada em 1998, nomeadamente que o Rei do Rock n’ Roll nunca se esqueceu do facto do Padre Gregory Kelly e a Paróquia o terem lançado na sua carreira. Todos os anos até falecer enviava um donativo de 10,000 Dólares à Diocese em agradecimento. A princípio, era menos dinheiro e seguia como um donativo anónimo mas certo ano quando a quantia ultrapassou 10, 000 Dólares, o Bispo foi investigar e descobriu de que era Elvis Presley o generoso benfeitor anónimo da Diocese. A Diocese agradeceu a Elvis a sua generosidade numa carta oficial e a partir de então, Elvis passou a enviar o donativo em forma de cheque pessoal que chegava pelo Natal acompanhado de um cartão de Boas Festas assinado por ele e pelo seu Manager, o Coronel Tom Parker.

O Padre Gregory Keller aposentou-se em 1960, aos 65 anos de idade e viveu na Casa Paroquial até falecer a 1 de Setembro de 1979.

Com oito diplomas de doutoramentos, o “Dr. Keller” que queria ficar conhecido pelas suas invenções, ficou para a história como o Padre que lançou a carreira do Rei do Rock n’ Roll e que o expulsou da sua Paróquia.

8 de Janeiro de 2022

FONTES:

A Priest Put the Hook in Candy Canes

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