Faleceu Frá Matthew Festing, Príncipe Grão-Mestre Emérito da Soberana Ordem de Malta, Patrono da Real Confraria do Santo Condestável e da Regalis Lipsanotheca

R.I.P.
Frá Matthew Festing
(1949 – 2021)

É com triste pesar que a Fundação Histórico – Cultural Oureana recebe a notícia do falecimento de Frá Matthew Festing, Príncipe Grão-Mestre Emérito da Soberana Ordem de Malta.

O falecimento de Frá Matthew de 71 anos de idade, foi comunicado pelo Grande Magistério da Ordem de Malta em Roma, como tendo ocorrido, hoje, Sexta-Feira, 12 de Novembro.

Festing, foi o 79º Grão-Mestre da Soberana Ordem de Malta, e era, desde 22 de Setembro de 2009, Patrono Fundador e Condestável-Mor Honorário da Real Confraria do Santo Condestável. Era também Patrono Honorário do Museu da Fundação; Regalis Lipsanotheca e Botica de São João / ambos os edifícios fazendo parte da Exposição Nacional do Santo Condestável da Fundação Oureana.

Numa carta dirigida à Real Confraria em 2009 informava: “Ficarei muito contente em ser Patrono Honorário do vosso Museu.”

Festing era grande devoto das Santas Relíquias mas também de São Nuno de Santa Maria tendo assistido à Missa de Canonização, a 26 de Abril de 2009, na Praça de São Pedro no Vaticano, altura em que havia solicitado à Real Confraria, uma relíquia e imagem do Santo Condestável para uso devocional na Capela no Palácio do Grande Magistério em Roma. A relíquia e imagem, oferecidas e enviadas pelos Confrades Fundadores da Real Confraria, Carlos Evaristo e José António Alves Cunha Coutinho, foram entronizadas pelo Príncipe Grão-Mestre, na referida capela, pela Festa de São João Baptista, aniversário do nascimento de D. Nuno Àlvares Pereira.

Sobre a relíquia de São Nuno escreveu: “A Ordem de Malta tem muita honra em receber uma relíquia de São Nuno (…) E obviamente iriamos ficar encantados de a ter e muito a iremos estimar.”

O Príncipe Frá Matthew Festing com os Confrades Fundadores; Carlos Evaristo e Vítor Portugal dos Santos

Frá Matthew escrevia com regularidade, e durante muitos anos, para a Real Confraria. Sua última carta como Príncipe e Grão-Mestre da Ordem de Malta, por coincidência, está datada do mesmo dia de sua abdicação.

Festing havia participado no último dia 4 de Novembro, em Malta, na Profissão de Votos Solenes de Frá Francis Vassallo, na Concatedral de São João de la Valette, mas após a cerimônia, sentiu-se mal e foi levado ao hospital onde ficou internado ao se verificar que o seu estado de saúde era considerado grave. No dia 6 de Novembro, Festa de São Nuno, foram enviados votos de rápidas melhoras e orações pelas suas rápidas melhoras por parte da Real Confraria.

Frá Matthew cumprimenta o Celebrante na Missa que teve lugar no passado dia 4 de Novembro

Frá Marco Luzzago, atual Lugar-Tenente do Grão-Mestre, pediu orações pela alma de Frá Matthew Festing que nasceu em 1949, em Northumberland, na Inglaterra. Filho de Robert Matthew Festing, era descendente de Sir Adrian Fortescue, Cavaleiro de Malta que morreu Mártir, em1539.

Matthew Festing estudou História na Universidade de Cambridge e era especialista em Arte. Também serviu os Granadeiros, foi Coronel do Exército Britânico e recebeu da Rainha Elizabeth II, o título de Oficial da Ordem do Império Britânico.

Frei Matthew Festing ingressou na Soberana Ordem de Malta no ano de 1977 onde Professou Solenemente os votos em 1991, tornando-se no primeiro membro da Ordem a ter o título de Grão-Prior de Inglaterra após 450 anos. Em 2008, foi Eleito Príncipe e 79º Grão-Mestre da soberana Ordem de Malta e permaneceu no cargo até à sua renúncia, a pedido do Papa, em Janeiro de 2017.

O Papa Francisco com o Príncipe Matthew Festing em 2017

Durante os anos que passou à frente da Ordem de Malta, visitou todos os Continentes para conhecer com detalhes o trabalho da Ordem além de reforçar laços Diplomáticos com todos os países. Foi o principal promotor das peregrinações anuais da Ordem de Malta aos Santuários Marianos, de Fátima e Lourdes, onde se encarregava pessoalmente de acolher os peregrinos com deficiências.

Rogamos a todos os Capelães e Confrades da Real Confraria que rezem para que Deus conceda o Eterno descanso ao nosso querido Patrono para assim gozar de paz na Pátria Celeste na companhia de São Frei Nuno Nuno de Santa Maria que também foi Prior da Ordem de São João em Portugal.

Um Missa por alma de Frá Matthew Festing será mandada celebrar pela Real Confraria em data a anunciar.

12 de Novembro de 2021

Share

Real Confraria e Real Guarda de Honra celebram Festa do seu Patrono na Igreja do Santo Condestável em Lisboa

Mural do Altar Mor da Igreja

A Real Confraria do Santo Condestável juntamente com a Real Guarda de Honra, voltaram a celebrar a Festa do seu patrono na Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, com investiduras de novos Confrades, Missa Solene com Veneração de Relíquia Insigne e um Jantar de Convívio / Capítulo Geral.

Alguns Membros do Conselho da Real Confraria com os novos Confrades e elementos da Real Guarda de Honra

A Festa litúrgica de São Nuno de Santa Maria celebrada pela Real Confraria do Santo Condestável e a Real Guarda de Honra, teve lugar na Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, Lisboa, com início às 18:30 Horas, altura em que se realizaram as Investiduras de novos Confrades na Cripta da Igreja junto ao túmulo de São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira.

A cerimónia este ano foi presidida por Sua Alteza Real Dom Afonso de Bragança, Príncipe da Beira, Condestável-Mor Honorário e Patrono em representação de seu pai, Sua Alteza Real Dom Duarte Pio de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa, que não pode estar presente por se encontrar, à mesma hora, a assistir à Missa de Exéquias Fúnebres de Sua Exª Rev.ma D. Basílio do Nascimento, Bispo de Baucau, Timor Leste que teve lugar no Mosteiro dos Jerónimos.

Presentes este ano nas cerimónias estiveram os Condestáveis Fundadores José António e Maria Antonieta da Cunha Coutinho juntamente Maria Margarida Evaristo, o Condestável-Mor para Lisboa, Humberto Nuno de Oliveira, e o Alcaide para Ourém e Coordenador da Acção Social “Peacemakers” David Alves Pereira. No total participaram 35 Confrades e uma Delegação de 6 elementos da Real Guarda de Honra, comandados nesta ocasião pela Comandante em Exercício, Dama Guarda de Honra Maria Filomena de Castro.

Investiduras de Novos Confrades e Promoções

Os Confrades investidos nesta ocasião foram Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes, José Tomé Chasqueira Boavida, Nuno Ricardo Gonçalves Pereira Candeias e D. António Albuquerque de Sousa Lara admitido no grau de Alcaide.

Os Confrades estrangeiros honorários admitidos nesta ocasião foram dois espanhóis: o Alferes de Navio José Luis Barceló e sua mulher Maria del Pilar Vicente, Cavaleiro e Dama Honorários da Casa Real Portuguesa e ainda um Irlandês; William Smyth.

Foi promovido a Alcaide o Confrade Mário Neves, que tem sido incansável na promoção do Culto de São Nuno e igualmente promovido a Alcaide e Adjunto do Condestável-Mor para Lisboa, o Confrade João Pedro Antunes de Ascensão Teixeira, que tal como sua irmã, Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes, foi baptizado naquela igreja onde se encontra o túmulo oficial de São Nuno.

Todos os novos Confrades foram dispensados da imposição do escapulário de Nossa Senhora do Carmo pelo facto de já terem sido investidos há vários anos com o mesmo por um Sacerdote.

No uso da palavra o Condestável-Mór Fundador Carlos Evaristo informou que este ano o Revº. Padre Francisco Rodrigues, O. Carm. Capelão Mór Fundador da Real Confraria e Vice-Postulador Emérito, não pode estar presente pelo facto de ter sido recentemente internado no hospital devido a uma intoxicação alimentar. Carlos Evaristo recordou que foram também investidos este ano como Confrades Professos; Leonardo Pereira Rodrigues, Hernani Luis de Carvalho e Rui Salazar de Lucena e Mello e como Confrades estrangeiros, Professos e Honorários; Simon Andrew Robert Appleby-Wintle, Thomas Joseph Serafin, André Ladislau Olegario Jaross, Eugénio Emiliano Arciuszkiewicz, Anton Tkachuk, Eugenio Magnarin, Franco Vassallo de Ferrari di Brignano e Fernando Diago de la Presentación.

José António da Cunha Coutinho, D. Afonso de Bragança, Carlos Evaristo, Mário Neves e David Alves Pereira
A Promoção a Alcaide do Confrade Mário Neves
O momento da Investidura do Alcaide D. António de Sousa Lara
O Alcaide Mário Neves agradece a promoção
A imposição do Hábito ao Alcaide D. António de Sousa Lara
Alferes de Navio José Luis Barceló
No description available.
A imposição do Hábito ao Alferes de Navio José Luis Barceló
A Imposição do Hábito à Confradesa Maria de Lurdes pela Dama Condestável Fundadora Margarida Evaristo
A Investidura de Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes
A Investidura de Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes

A Investidura da Confradesa Maria del Pilar Vicente
A Imposição do Habito ao Confrade José Tomé Chasqueira Boavida pelo Alcaide David Pereira
O Confrade José Tomé Chasqueira Boavida cumprimenta o Condestável-Mor Fundador Carlos Evaristo
O Condestável-Mor para Lisboa, Humberto Nuno de Oliveira preside ao Capítulo Geral com o Adjunto, Alcaide João Pedro Teixeira e o Alcaide e Coordenador da Acção Social David Alves Pereira

Missa Solene presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa

Durante a homilia D. Manuel Clemente relembrou como o Santo Condestável antes das batalhas se preocupava se o inimigo teria comida suficiente e enviava mantimentos caso não tivessem, algo que mostrava a humanidade e generosidade de São Nuno como Comandante.

Depois da Comunhão foi colocada uma Coroa de Flores junto ao túmulo de São Nuno localizado debaixo do altar-mor e recitada uma oração, composta pelo Infante D. Pedro, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa.

Depois do Coro ter cantado o Hino do Santo Condestável, terminada a Missa, foi dada a bênção final por D. Manuel Clemente e depois, ficou exposta no altar para veneração, a Relíquia Insigne do fémur de São Nuno, oferecida à Paróquia há 70 anos pelo então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

Início do Cortejo litúrgico
O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa relembra o 70º Aniversário da Igreja do Santo Condestável
Sua Alteza Real o Príncipe da Beira D. Afonso de Bragança
Os Membros do Conselho da Real Confraria e Maria Castro, a Comandante em Exercício da Real Guarda de Honra
Os Membros do Conselho da Real Confraria e a Comandante em Exercício da Real Guarda de Honra
O Coro da Paróquia
Duas jovens colocaram uma Coroa de Flores junto ao Túmulo do Santo Condestável
Duas jovens colocaram uma Coroa de Flores junto ao Túmulo do Santo Condestável
No description available.
Duas jovens colocaram uma Coroa de Flores junto ao Túmulo do Santo Condestável
O Cardeal Patriarca de Lisboa invoca o Santo Condestável durante a Oração
A Relíquia Insigne do Fémur de São Nuno de Santa Maria
Carlos Evaristo venera a Relíquia Insigne do Santo Condestável

Jantar de Convívio

Após a solene celebração litúrgica em honra de São Nuno de Santa Maria, seguiu-se um jantar de confraternização e o Capítulo Geral dos Confrades da Real Confraria do Santo Condestável e dos Membros da Real Guarda de Honra. Presidiu à Sessão o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, Condestável-Mor acompanhado de seu filho, o Príncipe da Beira o Senhor Dom Afonso de Bragança.

Presentes este ano em representação da Delegação Norte Americana da Real Confraria, estiveram os Confrades James e Jean Dudek que há mais de 20 anos promovem a devoção a São Nuno nos Estados Unidos da América no contexto da Mensagem de Fátima.

Agradecimentos Especiais

Antes de terminar o Capítulo Geral o Chefe da Casa Real Portuguesa deu as boas vindas aos novos confrades e agradeceu a presença de todos e particularmente os que vieram de longe. Agradeceu também à organização na pessoa do Alcaide João Pedro Teixeira, que organizou o protocolo da Missa e o jantar, e ao Confrade Armando Mendes que há mais de 30 anos colabora com o Apostolado de São Nuno e das Sagradas Relíquias.

No uso da palavra, Carlos Evaristo agradeceu a presença de todos os Confrades e relembrou os que não podiam estar presente e ainda os que faleceram recentemente. Agradeceu também a Filomena Maria Castro e aos membros da Real Guarda de Honra que deram brilho à homenagem a São Nuno e à Igreja do Santo Condestável no dia do seu 70º Aniversário.

Carlos Evaristo anunciou o encerramento do Centro de São Nuno da Real Confraria em Fátima, que durante muitos anos foi mantido pelos Confrades Brenda e Martin Cleary. O Centro não só acolhia peregrinos devotos em Fátima como também ajudava a angariar fundos para as obras sociais da Diocese de São Tomé e Príncipe. Carlos Evaristo agradeceu também a presença de Mário Pontes, José Manuel e Inês Rodrigues, sobrinhos da saudosa fadista Amália Rodrigues, que foi grande devota do Santo Condestável e à Delegação de Évora da Real Confraria e Real Guarda de Honra chefiada por Ricardo Maria Louro. Presente também esteve Roman von Ruppe, o Confrade responsável em Portugal pela obra social, Mary’s Meals.

Seguidamente o Senhor D. Afonso de Bragança investiu o Revº Padre Mário Cabral de Timor Leste como Capelão Honorário da Real Confraria do Santo Condestável e nomeou o Confrade William Smyth como Organista da Real Confraria e da Real Lipsanotheca.

A Festa de São Nuno terminou com a entrega de um donativo extraordinário de 100.00€ para a Obra do Caldeirão pela Confradessa Maria de Lurdes Antunes de Ascensão Teixeira Fernandes Lopes e a oferta do livro “O Exército e Nuno Álvares Pereira” pelo Alcaide Mário Neves, destinado à Biblioteca Condestabriana.

O Alferes José Barceló também entregou uma Relíquia Insigne de um lenço ensanguentado de Sua Majestade a Rainha Maria de las Mercedes de Orleans y Borbón, adquirida pela Fundação Oureana para a Real Lipsanotheca em Ourém. A Relíquia que chegou acompanhada de Madrid pelos Alferes e sua mulher era da Rainha de Espanha parente do Senhor D. Duarte de Bragança que morreu com fama de Santidade em Madrid, a 26 de Junho de 1878.

Carlos Evaristo e D. Afonso de Bragança agradeceram a Maria de Castro por ter representado o Comando Geral
D. Duarte de Bragança em conversa com membros da Família Mendes e o Confrade William Smyth
O Alferes José Barceló entrega uma Relíquia Insigne de Sua Majestade a Rainha Maria de las Mercedes

6 de Novembro de 2021

Share

Paróquia de Palhais apresenta “Relíquias da Paixão”

Diocese de Setúbal

Todas as relíquias de Jesus Cristo, mesmo os mais simples objetos, impressionam e comovem a alma cristã, infundem profundo respeito e, ao mesmo tempo, causam intensa atração. A sede de divino, inerente a todo homem, sente-se em algo atendida, ao contemplar uma delas.

Dessas inapreciáveis relíquias, o Sudário de Turim é talvez a mais conhecida, em razão das reiteradas tentativas de negar sua autenticidade.

Carlos Evaristo, especialista em relíquias, estará no salão da Igreja de Santo António da Charneca na tarde do domingo de ramos, 25 de março, a partir das 16 horas para apresentar as sagradas relíquias da Paixão e falar sobre cada uma delas.

Uma oportunidade incrível para todos os curiosos que queiram conhecer melhor a Paixão de Jesus através das suas relíquias. Relíquias verdadeiras? Forjadas ao longo dos séculos? Carlos Evaristo irá esclarecer todas as pessoas.

Pe. Tiago Veloso, pároco de Palhais/Santo António

10 de Março de 2018

FONTE: https://diocese-setubal.pt/2018/03/10/paroquia-de-palhais-apresenta-reliquias-da-paixao/?fbclid=IwAR2C6EDkYb4YqSrq6K3FYfSp_9V1cKVY1k6yRQwsmPFIR9QnImE-gD8Mx9g

Share

SANTO GRAAL – O cálice usado por Jesus na Última Ceia está na Catedral de Valência

May be an image of 3 people
O perito em Relíquias Carlos Evaristo examina o Santo Graal na Catedral de Valência na companhia do Zelador Don Jaime Sancho Andreu, do Realizador Paul Perry e de Don José Leto Melero Crespo (Vice-Presidente Confradia del Santo Caliz de Valencia.

O Santo Cálice, conhecido desde a tradição medieval como o Santo Graal, é uma das relíquias mais sagradas de sempre e tem inspirado numerosas histórias na literatura e no cinema. Será verdade que esta peça esteve nas mãos de Cristo? Conheça aqui a sua história e onde ainda hoje o contemplar.

A palavra graal deriva provavelmente do Latim gradalis, que significa jarra, recipiente, e refere-se ao cálice de vinho que Jesus usou durante a Última Ceia.

El Santo Cáliz de Valencia | Reliquiosamente

Tanto os Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) como São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, mencionam que Jesus usou um cálice na Última Ceia com os seus discípulos: «Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos eles beberam» (Mc., 14,23), e «do mesmo modo, depois da Ceia, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de Mim”» (1Cor., 12,25-26). Mas as informações sobre o paradeiro desse cálice encontramo-las na famosa Legenda Áurea (Lenda Dourada), uma colectânea sobre a vida e as histórias dos santos, elaborada por volta de 1260 pelo dominicano Tiago de Voragine, e que teve um grande sucesso na Idade Média. Aqui é-nos dito que São Pedro teria levado o Santo Graal para Roma, onde permaneceu por cerca de dois séculos e foi utilizado pelos Papas na liturgia eucarística. Sendo o maior indício disso a oração eucarística primeira (ou cânone romano) em que o sacerdote diz ao consagrar o vinho, referindo-se a Jesus: «Tomou este sagrado cálice em suas santas e adoráveis mãos».

SANTO GRAAL
O Santo Graal – Cálice da Última Ceia de Cristo venerado na Capela da Catedral de Valência,

No ano 258, o 24.° sucessor de Pedro, o Papa Sisto II, recusando ao imperador Valeriano oferecer um sacrifício pagão no templo de Marte, antes de ser martirizado encarregou o diácono Lourenço, tesoureiro da Igreja, de dispor dos tesouros da Igreja como julgasse melhor. Por isso, o diácono Lourenço foi martirizado por não ter entregado ao imperador os bens da Igreja, mas os ter distribuído pelos pobre de Roma. No século seguinte, o imperador Constantino mandou construir um oratório no local da sepultura de São Lourenço que mais tarde veio a tornar-se numa das basílicas papais de Roma. Num dos frescos da basílica, destruído pelos ataques durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, um soldado ajoelhado recebia um cálice das mãos de São Lourenço e outro soldado testemunhava a cena, e ambos teriam recebido a missão de levar a relíquia para um lugar seguro.

A tradição diz que este dois soldados romanos cristãos são os primeiros cavaleiros do Santo Graal e que foram bem sucedidos na missão que lhes foi confiada: levar o Santo Cálice para a casa dos pais de São Lourenço, nos arredores de Huesca, em Espanha, e que Orêncio e Paciência, juntamente com o seu irmão gémeo, se tornaram os guardiães do cálice da Última Ceia.

Historia
O Santo Graal é somente a copa superior do Cálice.

Em 533 a relíquia terá passado para a catedral de Huesca e aí custodiada. Por causa da invasão moura em 711, o Santo Cálice terá sido levado pelo bispo Adalberto para não cair nas mãos dos inimigos da fé cristã, e foi passando por várias igrejas até chegar ao mosteiro de São João da Penha, a cerca de trinta quilómetros de Huelva. Em 1399, o rei Martinho terá exigido a relíquia e em troca ofereceu ao mosteiro um cálice de ouro. O Santo Graal foi assim levado para a capela do palácio de Aljafería, em Saragoça, e duas décadas depois foi levado para a residência real em Barcelona. Afonso V pediu um empréstimo à Igreja para custear as guerras da expansão do reino e deu como garantia a relíquia do Santo Cálice. Impedido de saldar a dívida, o tesouro real, incluindo o Santo Cálice, foi entregue ao cabido da catedral de Valência, em 1437, e o cálice era utilizado apenas na Quinta-feira Santa pelo arcebispo. Em 1809, por causa das invasões napoleónicas, o Santo Cálice teve de ser levado, mas regressou à catedral de Valência. Durante a guerra civil espanhola, em 1936, a catedral de Valência foi saqueada e incendiada, mas a relíquia foi preservada. Esta foi ainda cobiçada pelo regime nazi, mas mais uma vez o Santo Cálice foi escondido e restituído novamente à catedral de Valência, onde ainda hoje se encontra e pode ser visto numa das capelas medievais rebatizada com o nome de Capela do Santo Cálice.

O aspecto que o actual cálice tem não é o original, apenas a copa superior (em ágata polida, de origem oriental e datada entre os anos 100 e 50 antes de Cristo) é considerada aquela usada por Jesus. A base, decorada com duas esmeraldas, dois rubis e 27 pérolas, bem como a haste, o nó central e as duas asas laterais tem um estilo de ourivesaria árabe de Sevilha ou de Córdoba, e são acrescentos posteriores.

O aspecto actual como Cálice despois de adicionada uma base e duas pegas.

Outro itinerário do Santo Graal, diferente do da Lenda Dourada, desde a sala da Última Ceia até à catedral de Valência, é referido por Carlos Evaristo e Fábio Tucci Farah na obra “Relíquias Sagradas” (Paulus Brasil, 2020), tendo por base dois pergaminhos encontrados no Cairo, documentos do Século XI escritos por Al-Qifti, e as pesquisas da especialista Catalina Martin Lloris: «O Santo Graal não teria sido carregado a Roma por São Pedro. Nem enviado secretamente a Huesca por São Lourenço. Ele teria permanecido alguns séculos em Jerusalém, na Basílica do Santo Sepulcro, onde seria venerada por Egéria, o Venerável Beda e inúmeros outros peregrinos. E desembarcaria na Península Ibérica pela mediação diplomática do emir de Dénia».

Mas o Santo Graal é muito mais do que história e mistério, é símbolo do maior dom que Cristo deixou à Humanidade: a Eucaristia. Por meio desta, somos regenerados no corpo e na alma, acolhendo Cristo que Se faz alimento para nós. A Eucaristia que é celebrada todos os dias em qualquer parte do mundo é o verdadeiro Santo Graal que produz efeitos de santidade em nós.

João Paulo II e Bento XVI celebraram com o Santo Cálice

João Paulo II presidiu à ordenação sacerdotal de 141 diáconos, em Valência, em 8 de Novembro 1982, mas antes venerou e na Eucaristia usou o Sagrado Cálice.

Na homilia exortou os ordenandos: «Será a Eucaristia vértice do vosso ministério de evangelização, ápice da vossa vocação orante, de glorificação de Deus e de intercessão pelo mundo. E pela comunhão eucarística há de consumar-se dia após dia o vosso sacerdócio».

Juan Pablo II en la Catedral ~ Catedral de Valencia
O Papa São João Paulo II examina o Santo Graal em 1982.
Imágenes de Juan Pablo II en la Catedral de Valencia ~ Catedral de Valencia
O Papa São João Paulo II venera o Santo Graal com um beijo.

Também Bento XVI, em 2006, visitou Valência, celebrou a missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias com o Santo Cálice e na oração do Angelus, no dia 8 de Julho de 2006, referiu que «ao chegar a Valência, quis visitar primeiramente o lugar que representa o centro desta antiquíssima e florescente Igreja particular que me recebe: a sua bela catedral, onde rezei diante do Santíssimo Sacramento e me detive diante da famosa relíquia do Santo Cálice».

Em Fátima, a 13 de Maio de 2000, o Papa São João Paulo II usou uma réplica do Santo Graal durante a celebração da Missa. O Papa Bento XVI também usou o Santo Graal em Valência, durante uma Missa a 8 de Julho de 2006.

JOSÉ CARLOS NUNES

9 de Julho de 2021

Jornal O Clarim

FONTE: Família Cristã / O Clarim (Macau)

Share

Regalis Lipsanotheca da Fundação Oureana convidada a participar em Documentário da BBC Rádio sobre Relíquias.

Logotipo do programa da BBC

O Presidente da Direção e Cofundador da Fundação Histórico -Cultural Oureana, Carlos Evaristo, foi convidado a participar como Perito num Documentário sobre relíquias que será transmitido pela BBC Rádio Internacional na Segunda-feira, 22 de Março de 2021, pelas 20 Horas de Londres.

Para Carlos Evaristo: “É gratificante poder contribuir para o esclarecimento do Culto de Relíquias juntamente com outros membros do nosso Apostolado de Relíquias, também eles Peritos de renome mundial, o que é o caso o nosso Confrade amigo Michael Hesemann.”

Especiais agradecimentos a Thomas Serafin, Cofundador da ICHR.

O programa que é parte de uma série chamada “Out of the Ordinary” (Fora do Normal) é apresentado pelo Jornalista da BBC Jolyon Jenkins e pode ser escutado na BBC online através do link:

FONTE: https://www.bbc.co.uk/programmes/m000tcqv

20 de Março de 2021

Share

FUNDAÇÕES OUREANA E D. MANUEL II PROMOVEM CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE AS RELÍQUIAS DOS SANTOS E O DIREITO

A Fundação Histórico – Cultural Oureana através dos Departamentos; Regalis Lipsanotheca (Apostolado de Relíquias) e o Real Instituto para a Arqueologia Sacra, em parceria com a Fundação D. Manuel II, promove em Abril, a primeira Conferência Internacional sobre as Relíquias e o Direito. O encontro inédito é organizado pela Conferência De Saint-Yves, uma Associação de Juristas Católicos do Luxemburgo.

É pretensão dos organizadores da Conferência e seus Patronos e Parceiros, discutir pela primeira vez o Direito Consuetudinário, o Direito Civil e o Direito Canônico no que diz respeito às Relíquias Sagradas.

Para o Perito em Relíquias, Carlos Evaristo, Presidente da Fundação Oureana e Fundador da Regalis Lipsanotheca “a realização desta Conferência é um marco histórico no Culto das Relíquias Sagradas pois as leis que regulavam a distribuição, conservação e exposição dos restos mortais do Satos e seu pertences eram canónicas mas também civis. Relíquias Insignes eram até usadas nos Tribunais para se fazerem juramentos durante julgamentos, e essa prática foi posteriormente substituída pela Bíblica como Relíquia da Palavra de Deus. Relíquias até estão na origem das primeiras regras de trânsito decretadas pelos Papas nos anos Santos. E uma necessidade divulgar as leis e normas atuais para o Culto das Relíquias que a maioria das pessoas desconhecem mas é importante também se criar leias civis para a proteção das mesmas pois não são somente Património da Igreja mas também da Humanidade. Leias civis e canónicas para combater o trafego, venda e falsificação de Relíquias é outro tema importante a debater. Há muitos anos que combatemos estas três atividades, quer através de denuncias e apoio à Interpol, quer com normas que a Santa Sé adotou depois do nosso apostolado as sugerir. O nosso Co-Fundador e Delegado nos EUA Thomas Serafin também conseguiu implementar normas no ebay que proíbem a venda de restos mortais embora os vendedores sem escrúpulos metem e assim contornam a proibição. Existe também uma proposta do nosso Delegado no Brasil, Fabio Tucci Farah, para legislação que reconheça o direitos à dignidade das Relíquias Sagradas, não só como os tesouros culturais que jamais deveriam ser vendidos, mas também como restos mortais que merecem respeito pelo sentido religioso e a dignidade humana que lhes é devido. É digno de louvor esta iniciativa da Associação de Juristas Católicos de Luxemburgo e do Presidente e organizador Dr. William Lindsay Simpson.” 

A Conferência terá lugar na Terça-feira, 27 de Abril de 2021, com início às 18h30 horas locais, na Igreja Saint-Michel, na Rue Sigefroi, na Cidade do Luxemburgo.

PROGRAMA DE INTGERVENÇÕES

As Relíquias dos Santos, formação costumeira de um DireitoPhilippe George, Curador Honorário do Tesouro da Catedral de Liège

A questão do comércio de Relíquias e as questões jurídicasPatrice Biget, Leiloeiro especializado na venda de Relíquias e Perito Judicial no Tribunal de Recurso de Caen

A Posição da Igreja em relação aos padrões aplicáveis ​​às Relíquias -Matthieu Bottin, Doutor em Direito, Advogado homologado pelo Tribunal eccl. de Marselha

Considerações FinaisCónego Eric de Beukelaer, Vigário Geral da Diocese de Liège

A Conferência tem o apoio da Arquidiocese de Luxemburgo.

INSCRIÇÕES: csy@cathol.lu
UM CERTIFICADO DE PRESENÇA SERÁ EMITIDO A TODOS OS PARTICIPANTES

19 de Fevereiro de 2021

Share

A REGALIS LIPSANOTHECA: UM REPOSITÓRIO DE RELÍQUIAS E CENTRO DE ESTUDOS DE IMPORTÂNCIA MUNDIAL

A REGALIS LIPSANOTHECA

REPOSITÓRIO SAGRADO DE RELÍQUIAS DA FUNDAÇÃO OUREANA E CENTRO DE ESTUDOS DE IMPORTÂNCIA MUNDIAL

(Tradução de Excertos de uma entrevista com Carlos Evaristo)

A Fundação Histórico Cultural Oureana recebeu, no passado dia 31 de Outubro, doze lotes de Relíquias Insignes depositadas agora na Regalis Lipsanotheca (Museu de Relíquias inaugurado em 2000 e (re)inaugurado em 2018, no Castelo de Ourém)[1], por parte do Ministério da Cultura, ao abrigo de um Protocolo celebrado com a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), o órgão do Estado responsável pelo Património Cultural, em 2019 e ratificado a 23 de Janeiro de 2020.


[1] A Regalis Lipsanotheca foi construída no estilo de uma Capela de Relíquias do Século XVIII.

No description available.
Fátima Patacho, Carlos Evaristo, Jorge Gonçalves e David Pereira com os 12 lotes da DGPC.

Através de acordo complementar, assinado a 15 de Setembro de 2020, “considerando que a Fundação é detentora de um importante acervo histórico-artístico e de arte sacra” e “que entre o património da Fundação Oureana encontra-se a Regalis Lipsanotheca, que reúne a maior coleção de relíquias fora do Vaticano”, deliberou a DGPC na pessoa do Diretor-Geral Engº Bernardo Alabaça, “proceder ao depósito na Fundação Histórico – Cultural Oureana” de “um conjunto de 12 Relíquias (Insignes) a carecer de estudo e conservação” com “o objetivo de serem estudadas, restauradas e divulgadas”.

No description available.
Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
Rosto do Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
Vaso com Sangue de São Clemente, Mártir.
No description available.
Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
Carlos Evaristo examina o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
Carlos Evaristo e Jorge Gonçalves examinam um dos Simulacra.
No description available.
Carlos Evaristo e David Alves Pereira examinam um dos Simulacra.
No description available.
Simulacrum do Corpo de Santa Justina, Mártir.

Segundo o Presidente da Direção da Fundação Oureana, Carlos Evaristo, reconhecido perito em Relíquias Sagradas[1]; “tratam-se sobretudo de Corpos de Santos Mártires, mais concretamente, esqueletos armados, articulados e vestidos, naquilo a que comummente se designa de simulacra, e ainda, algumas colunas e maquinetas relicários provenientes de altares contendo outras Relíquias Insignes (crânios e ossos de grandes dimensões) de Santos”.


[1] Como perito Carlos Evaristo já foi chamado a fazer parte de oito equipas que criaram igual número de novas imagens simulacra para relíquias insignes e corpos de novos Santos da Igreja, no Canadá e nos Estados Unidos da América. Evaristo também deu pareceres na conservação e restauro de mais de quarenta relíquias insignes incluindo muitas destas imagens que guardam os ossos dos Santos ou que mascaram corpos incorruptos ou parcialmente incorruptos. Para além desta especialidade desde 1984 que já examinou mais de 450 corpos incorruptos, de santos ou pessoas com fama de santidade, catalogando os mesmos pelos diversos fenómenos naturais que levaram à incorrupção.

No description available.
O trabalho de acondicionamento das relíquias para transporte demorou largas horas.

Segundo o mesmo perito o primeiro grande desafio será descobrir a proveniência destas Relíquias que foram arroladas pelo Estado aquando da implantação da República. Só após esta fase se passará ao restauro das urnas relicários, e especialmente dos simulacra, que com a excepção de um, São Clemente, estão num estado muito avançado de degradação.

Da análise inicial resulta certo que haverá necessidade de recriar de algumas partes que encerravam a armação dos ossos, como as cabeças e máscaras mortuárias. Igualmente a limpeza e substituição de roupagem por tecidos de época se irá revelar uma intervenção delicada. Dado que muitas vezes os rostos, braços e pernas, eram ossos cobertos por máscaras de cera ou papier mâché para assim simularem corpos vestidos com trajes da época, todos estes acessórios terão que ser recriados utilizando técnicas e materiais da época (dos quais felizmente possuímos bastantes em armazém).

Os ossos terão que ser desinfectados, conservados, estudados, colados e reforçados com produtos que existem hoje no mercado para o efeito. Como só duas das urnas relicários possuíam costas; as de São Clemente e Santa Sabina, quase todos os simulacra se encontram muito danificados e os ossos bastante degradados por terem estado 110 anos expostos aos elementos. Alguns serviram mesmo de fonte de alimento para térmitas e grandes roedores que fizeram ninhos, repetidas vezes, nas imagens ao longo de um século e comeram até partes das mesmas, destruindo outras.

Carlos Evaristo: “Existe, também, uma arca relicário completamente vazia, desconhecendo-se o paradeiro do simulacrum e dos ossos. O mais provável é ter sido colocado numa urna para ossadas e guardado ou enterrado nalgum cemitério no tempo da primeira república como já verificámos ter acontecido em alguns casos. Vai ser um trabalho demorado mas muito gratificante de realizar.”

No description available.
Pormenor de tecidos de uma imagem Simulacrum.
No description available.
Pormenor de tecidos de uma imagem Simulacrum.
Simulacrum do Corpo de um Mártir por identificar.
No description available.
Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Justina, Mártir.
No description available.
Simulacrum do Corpo de Santa Sabina, Mártir
em Urna Relicário de madeira policromada e entalhada de estilo D. João V.
No description available.
Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Sabina, Mártir.
Pormenor da inscrição que descreve a proveniência do corpo e a exumação no ano 1756.
No description available.
Simulacrum do Corpo de Santa Irene, Mártir.
No description available.
David Alves Pereira remove cuidadosamente alguns elementos decorativos da Urna Relicário.

Os lotes da DGPC foram cuidadosamente acondicionados e transportados pelos Confrades do Apostolado de Relíquias[1], e irão ser agora intervencionados por uma equipa especializada da Regalis Lipsanotheca, que já colaborou com os Museus do Vaticano, diversos Santuários Católicos, Postuladores e outras Lipsanothecas Diocesanas.


[1] David Alves Pereira, Joana Evaristo, Jorge Gonçalves, José Gonçalves e Margarida Evaristo, coordenados pelos técnicos especialistas Carlos Evaristo e Fátima Patacho.

No description available.
Colunas Relicários.

Carlos Evaristo:”O primeiro passo antes destas relíquias serem colocadas em exposição permanente será um estudo levado a cabo no laboratório e atelier da Regalis Lipsanotheca, em Fátima e no Castelo de Ourém, para ser traçado o plano da conservação, restauro e reautenticação de cada peça.”

No description available.
O traslado da Urna Relicário com o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
O traslado da Urna Relicário com o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.
No description available.
O traslado da Urna Relicário com o Simulacrum do Corpo de São Clemente, Mártir.

Foram necessárias duas viaturas de transporte e um total de oito operários para se realizar a delicada operação de acondicionamento e transporte dos 12 lotes de relíquias de Lisboa para Ourém, um trabalho que foi cuidadosamente preparado com antecedência de meses. A recolha dos lotes realizou-se num fim de semana e durante a noite para não interromper as visitas ao Palácio e com especiais autorizações de circulação durante as mais rigorosas regras do estado de emergência da pandemia do Covid 19.

O agendamento do traslado dos doze lotes foi tratado pelo Director do Palácio Nacional da Ajuda, Dr. José Alberto Ribeiro, que propôs esta solução ao Ministério da Cultura, dando assim destino a estes lotes que há mais de 100 anos se encontravam armazenados no depósito do Estado, sem haver interesse durante esse tempo em os estudar, recuperar ou exibir. Ribeiro reuniu uma equipa de técnicos e funcionários para prestarem todo o apoio necessário à delicada operação de preparação e carregamento dos lotes[1].


[1] A organização desta operação contou também com a intervenção do Relações Publicas da Fundação Oureana, Bruno de Castro, representante da Fundação nas negociações. Para o transporte foi necessária uma apólice de seguro multirriscos especiais e uma força de segurança reforçada.

Os lotes de Relíquias Insignes hoje depositados na Regalis Lipsanotheca foram transportados do depósito do Palácio Nacional da Ajuda em Lisboa para a Ourém no passado dia 31 de Outubro, por coincidência, Véspera da Solenidade de Todos os Santos e um dia por tradição ligado à história do Culto das Relíquias[1].


[1] Foi nessa noite, em 1517, que o monge agostinho alemão, Martinho Lutero, afixou na porta da célebre Capela de Todos os Santos (que albergava uma importante colecção de relíquias do Príncipe de Wittenberg)em Wittenberg, as suas 95 teses contra as indulgências (Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum) um conjunto de protestos contra os abusos na Igreja incluindo os que se verificavam no Culto das Relíquias.

No description available.
Selos em lacre numa das Urnas Relicários.
No description available.
Selos em lacre numa das Urnas Relicários.

À chegada à Regalis Lipsanotheca todas as peças foram cuidadosamente verificadas para se apurar possíveis danos resultantes do transporte que felizmente não se registaram. Seguidamente, procedeu-se a duas intervenções de desinfeção e de tratamento de madeiras com térmitas, antes da remoção das relíquias para do restauro das urnas, arcas, colunas e outros relicários de suporte.

Image may contain: one or more people
Image may contain: indoor
A Regalis Lipsanotheca foi construída no estilo de uma Capela de Relíquias do Século XVIII.

Segundo Carlos Evaristo; “Durante trabalhos iniciais já se detetaram indícios de restauros malfeitos em tempos passados talvez para economizar ou atamancar numa época quando as Igrejas tinham poucos recursos para disponibilizar para restauros mais profissionais.”

No description available.
Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Justina, Mártir.
No description available.
Pormenor do Simulacrum do Corpo de Santa Sabina, Mártir.

É o caso também de uma urna relicário para um simulacrum de uma mártir que já não existe e vai ser agora recriado. “Em vez do interior ter sido pintado ou retocado com cores originais, foi forrado com um papel de parede creme, dos finais do Século XIX. É o caso também de algumas partes das colunas relicários que foram pintadas de preto quando a tinta original era azul claro.” O azul, Carlos Evaristo garante; “era o que se usava muito à época pra decorar os interiores destas urnas relicários fabricadas em Portugal e até os oratórios. Foi sendo substituído, em restauros dos finais do século XIX, por papel de parede creme ou seda esticada e colada na madeira com uma cola feita de farinha, água e gordura animal que se chamava grude. Levava também vinagre `mistura pare depois não aparecerem manchas de bolores com a humidade.”

No description available.
Urna Relicário que havia sido forrada no seu interior e exterior com papel de parede.
No description available.
Pormenor da Cartola identificativa na Urna Relicário de Santa Vitória.
Pormenor da pintura azul no interior da Urna Relicário, após remoção do papel de parede.

Carlos Evaristo: “A remoção de camadas de tintas também revelou a alteração no nome de Santa Vitória; de Victória para Vittória e isto talvez na época da reforma ortográfica de 1910 – 1911, ou seja, pouco antes do arrolamento que levou ao depósito destas relíquias no Palácio da Ajuda.”

No description available.
Pormenor de relicário com pedaço de paramento ensanguentado de um Mártir do Oriente.

Carlos Evaristo: “É de devolver aos relicários o seu aspeto original, conservando, sempre que seja possível, os materiais originais, e quando isso não é possível, subsisti-los por materiais da época, guardando em arquivo, o que foi removido para estudos posteriores.”

No description available.
À chegada todas as peças foram verificadas , não havendo danos de transporte a registrar.
No description available.
David Alves Pereira procede à desinfeção e fumigação dos relicários recém chegados.

O ESTUDO DOS SIMULACROS DOS SANTOS

Simulacra Sanctorum é o termo oficial e antigo, em latim, pelo qual a Igreja Católica designa as imagens que simulam os corpos dos Santos para conterem as suas relíquias ou cobrir um corpo incorrupto ou parcialmente incorrupto.

Carlos Evaristo garante que é esse o termo correto, havendo, no entanto, técnicos do restauro que contestam esse termo tendo até inventado um outro: relicário antropomórfico. “Um termo errado dado por pessoas da área da conservação da arte sacra que na verdade desconhecem o Culto Religioso e Litúrgico das Relíquias. O termo relicário antropomórfico pode ser usado com os bustos relicários, relicários braço, relicários mãos, pés, pernas e coxas que guardam relíquias insignes com as figurações dessas partes dos corpos ou até os relicários para órgãos internos mumificados, mas não para os corpos relicários!”

Image may contain: 3 people
O Capelão Mor Rev. Padre Carlo Cecchin com a Relíquia Insigne do Dente de Santa Ana.

Nesta defesa do termo Carlos Evaristo é apoiado por vários peritos e colecionadores de relíquias de renome mundial, entre eles o latinista Padre Carlo Cecchin, co-fundador da Regalis Lipsanotheca e Capelão Mor do Apostolado de Relíquias. Cecchin garante que, “simulacrum é singular e simulacra é plural e são esses os termos corretos em latim dados a estes relicários que simulam o corpo humano. Mas há também quem lhes chame de simulacro no singular, e simulacri no plural, mas esses são os termos traduzidos para o italiano e que por vezes aparecem referidos em documentos escritos nessa língua. Já em inglês e português, diz-se simulacro e simulacros ou também simulacrum e simulacra como em Latim.”

As objeções de alguns conservadores é confrontada com as pesquisas de Evaristo que comprovaram definitivamente que o termo “Simulacra Sanctorum” é mesmo o que foi sempre usado oficialmente pela Igreja para descrever imagens que envolvem os restos mortais dos Santos. É o termo próprio, antigo e litúrgico da Igreja que descreve – Imagenes Reliquae Sanctorum – o que significa imagens que simulam o corpo e contêm relíquias de Santos ou representam os corpos sem relíquias ou colocadas sobre as mesmas.

O termo segundo Evaristo, aparece descrito em diversos documentos de autenticação de relíquias, chamados “Autênticas” e que datam dos séculos XVIII e XIX e descrevem relíquias contidas nessas imagens. Estes simulacra são feitos em cera, bronze, barro, gesso, madeira e pasta de papel. Evaristo descobriu que o termo era também oficialmente utilizado pela Sagrada Congregação dos Ritos (SCR) departamento que zelava pelas relíquias e que antecedeu a atual Sagrada Congregação para a Causa dos Santos.

Livros e documentos publicados pela Congregação referem o termo. É o caso de vários volumes publicados em Roma, em 1826, pela SCR que referem o termo em decretos emitidos até 1599 sob o título: “Decreta Authentica Congregationis Sacrorum Rituum Ex Actis Ejusdem, etc.”. Por exemplo, na página 245 do Índice, sob a letra “B” do Volume 7, há mesmo uma nota que reverte para uma outra secção e essa descreve o termo “simulacra” quando refere a um “baldaquinio” : “in quibis circumferuntur imagina simulacra reliquia sanctorum…” «imagens que simulam o corpo do Santo» com relíquias do mesmo.

Segundo o Padre Cecchin: “O baldaquinio em questão é aquelo que é levado em procissão e não um altar com um ciborium por cima (baldaquinio) com quatro colunas. A tradução do texto esclarece que o baldaquinio não deve ser usado em súplicas públicas (procissões) em que são trazidas imagens, simulacra, relíquias de santos, porque é uma dignidade que pertence apenas ao Santissimo Sacramento, e onde existe costume, mesmo às relíquias dos instrumentos da Paixão de N.J.C. assim declarou a Sagrada Congregação dos Ritos.” É a confirmaçãi de que só o Santíssimo Sacramento e as Relíquias da Santa Cruz devem de ser levadas debaixo de um pálio de varas mas não os simulacra ou as outras relíquias.”

Image may contain: text
Image may contain: text that says 'INDEX giorum Abusus tollendi (28. per pausatio Processio- SSmi Corporis Christi decen- ornata sint cacremo- quibus ab immemorabili expressa Constitutione/ VII. Pontificeseditae Julias subjectam adno- tatiorem spersorium porrigendum Episcopo lRectore digniore prius visitata ditaria iterum cranda dnotationem sio magis declaratur ultimo Episcopo subjectem respon- obstante contraria consuctu- Antonius Padua utriusque Siciliae ritu dup. class. licet gaudeat Baldachinum deferendum Supplicationibus quibus circumferuntu Imagines Simulacra Reliquiae Sunclorum competit dumtaxat SSio Sacramento, iget consue- tudo servandum Festum utroque Patronus prosi- Passionis declaravit cipalis transferri mam Dominicam vium Festorum celebrari Ita Congre adnoiatio- Decretum in Celaguritana eanianuensis Decretum generale'

Considerado um dos maiores peritos da atualidade em Relíquias, Arqueologia Sacra e Iconografia Sacra, Carlos Evaristo, já dedica mais de 32 anos a estes temas e muitas das suas descobertas inéditas neste campo estão reconhecidas por membros da hierarquia da Igreja Católica responsáveis pelo Culto das Relíquias e dos Santos.

É o caso do Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos com quem Evaristo colaborou de perto em vários processos para a Canonização de Santos Portugueses. Realizou vários estudos como o de uma Bula do Papa Bonifácio IX que autenticou assim os ossos de São Nuno de Santa Maria encontrados pelo Arqueólogo Francisco Ferreira em 1996 no túmulo primitivo do Santo Condestável descoberto nas ruínas do Carmo em Lisboa. Foi alias Evaristo que entregou ao Cardeal Patriarca de Lisboa D. José da Cruz Policarpo, as relíquias distribuídas pela Postulação e por isso foi escolhido para portar o relicário com uma dessas relíquias de São Nuno ao Altar Pontifício durante a Cerimónia de Canonização realizada no Vaticano, a 26 de Abril de 2009.

No photo description available.
Carlos Evaristo porta a Relíquia de São Nuno na Cerimónia de Canonização no Vaticano.
No photo description available.
Carlos Evaristo porta a Relíquia de São Nuno na Cerimónia de Canonização no Vaticano.

Carlos Evaristo: “Por isso é que na maior parte dos casos, não pode considerar incorrupção milagrosa. Existem também técnicas de conservação artificiais, pouco conhecidas hoje, como a resinação dos corpos com a aplicação de uma mistura de resina de pinheiro, arsénico, mel e grude. A imersão do corpo em bagaço, o que estancava a putrefação ou a cobertura dos cadáveres com sal, nitrato ou colocação dos mesmos numa câmara, com ou sem fumo, como faziam os índios norte americanos e os aztecas, são outras técnicas que os Europeus importaram para a Europa nos Descobrimentos e aplicaram na preservação dos corpos dos Nobres e do Clero e ainda nas pessoas que morriam com fama de santidade. É algo semelhante ao que se faz ainda com o bacalhau e com os fumados, tais como o presunto. Há técnicas que resultaram em corpos incorruptos mas que não deixam vestígios visíveis e por isso há quem considere algo milagroso.”

Carlos Evaristo examinou o corpo incorrupto “resinado” de D. Lourenço Vicente e recomendou a sua exposição permanente na Capela dos Fundadores na Sé de Braga.
No description available.
Carlos Evaristo examinou vários Simulacra de Sacerdotes para a série “Mistérios da Fé”.

O trabalho de Carlos Evaristo com os simulacra e corpos incorruptos de Santos está também documentado em vários estudos e pareceres enviados para Dioceses e para o Vaticano, sendo que algumas das intervenções podem-se ver em documentários e séries Portuguesas, Francesas e Norte-Americanas.

Carlos Evaristo examina o Corpo Incorrupto de um Padre Claretiano natural do pais Basco.
Image may contain: 1 person
Carlos Evaristo junto ao Simulacrum de São Vicente de Paulo em Paris.
Image may contain: 1 person
Carlos Evaristo junto ao corpo incorrupto de São Torcato, um dos mais antigos do mundo.
Image may contain: 1 person
Carlos Evaristo examina um Corpo Incorrupto.

A CATALOGAÇÃO DOS SIMULACROS DOS SANTOS

Dada a abundância de simulacra no mundo e os dados existentes, Carlos Evaristo afirma com certeza que os Papas, desde o Século XVII, ordenaram a exumação e distribuição de mais de 20.000 ossadas completas de mártires que estavam sepultados nas Catacumbas de Roma e para os quais foram criadas um número superior de imagens relicários jacentes em forma de corpos. A razão para o número desproporcionado, segundo Evaristo, tem a ver com a prática da “multiplicação das relíquias” e daí havendo múltiplos corpos simulacra do mesmo Santo no mundo e até no mesmo pais o que criou dúvidas sobre a sua autenticidade e contestação por parte de comunidades religiosas.

A Multiplicação dos Santos e as Relíquias Místicas e Sobrenaturais

Dois testes de ADN (DNA) realizados pela equipa da Regalis Lipsanotheca já comprovam a teoria de Evaristo de que havia um mercado paralelo de Furta Sacra ou o roubo encomendado de relíquias em torno dos ateliers de fabrico de simulacra porque dentro de cada simulacrum devia de ter sido colocado um esqueleto completo de um santo mártir fornecido pelo Vaticano de acordo com os registos, mas de facto isso nem sempre acontecia. Muitos dos simulacra que Evaristo examinou estão incompletos, faltando muitos ossos do esqueleto humano e em alguns casos, não se encontrou osso algum.

Simulacrum de um Santo na forma de esqueleto armado e articulado, vestido e decorado.

Carlos Evaristo:” A roupa colocada no simulacrum é que é a relíquia porque foi previamente vestida ao simulacrum principal do mesmo santo, o que de facto continha suas relíquias ósseas. Depois de retiradas essas vestes eram oferecidas a outras igrejas para serem colocadas noutras imagens simulacra do mesmo santo. A nossa redescoberta desta prática antiga explica a distribuição abundante de vestimenta de santos mártires e até de cabelo dos mesmos, que a serem santos da era Romana, não podiam ser artefactos contemporâneas porque aparentam ser muito mais recentes. É o caso da abundante distribuição de vestidos e cabelo de Santas Filomena e Lúcia que se verifica no Século XIX com emissão de documentos de autenticidade, chamados de Autenticas. Estes documentos atestam que as relíquias são dás referidas Virgens Mártires mas são no entanto, objetos de contacto colocados nas imagens simulacra e por isso relíquias tocadas de terceira classe. Estas, porém, só podiam ser de primeira classe (partes dos corpos dos santos) ou de segunda classe (roupa ou objetos que pertenceram aos santos) como referem os documentos de autenticidade, se a sua natureza for visto no campo místico das subcategorias ou classes de relíquias a que chamo de relíquias místicas ou sobrenaturais. Estas são relíquias resultando de um contacto com um corpo ou simulacrum com ossos ou que resultaram de um milagre ou prodígio como por exemplo uma imagem vestida com peruca de cabelo humano que a Igreja confirmou ter falado com um santo ou que tomou vida como por milagre.”

Os registos mostram que há corpos de muitos mártires com o mesmo nome que foram exumados das catacumbas, mas para Evaristo a multiplicação de imagens dos mesmos mártires com esqueletos incompletos são superiores ao número de corpos exumados e o facto de existirem muitos com o mesmo nome no mesmo pais levou a suspeitar ter havido um mercado negro que retirava ossos de um esqueleto para simulacrum, colocados noutro simulacrum que os ateliers podiam assim vender a outra paróquia que não conseguiam obter um esqueleto inteiro da Santa Sé.

Havia também a partilha de ossos de simulacra entre igrejas, na mesma Diocese e por vezes com outras no mesmo pais. Em 1996, Evaristo descobriu que no caso do simulacrum de São Cândido, Mártir, o primeiro do género a ser exposto nos Estados Unidos da América em 1797 para a criação de um Santuário na Missão Californiana de São Francisco, foram os ossos desse santo, os primeiros a serem fornecidos às paróquias de todo o pais, para confeção de Pedras de Ara que eram Pedras de Altar que obrigatoriamente tinha de conter relíquias de mártires. Outras imagens simulacra do mesmo mártir foram também encontradas em várias paróquias cada uma contendo somente um pequeno fragmento de osso. Testes de ADN (DNA) revelou que eram todos provenientes do simulacrum original da Missão Californiana.

Simulacrum do Corpo de São Cândido, Mártir, venerado na Califórnia, E.U.A. desde 1797.

Como era obrigatório haver relíquias de mártires nos altares, Santuários e Basílicas maiores partilhavam ossos dos seus simulacra com as Igrejas menores ou capelas particulares da nobreza. Estas depois mandavam fazer Pedras de Ara e imagens de corpos. Como estas eram feitas localmente por artistas inexperientes, daí a diferença em estilo e qualidade quando comparados com os exemplares Italianos mais delicados e ricamente ornamentados.

Carlos Evaristo: “Assim se explica vários corpos simulacra dos mesmos Santos Mártires, que ao examinar o conteúdo não possuíam esqueletos inteiros mas só parciais e alguns que até possuíam somente um osso.”

Na Península Ibérica os simulacra de santos com os nomes tais como; Vicente, Clemente, Justina, Victoria e Sabina parecem ser os mais abundantes. Simulacra de São Clementes existiam várias; em Lisboa, no Porto e Braga.

Simulacrum do Corpo de um Mártir Romano.

A imagem simulacrum de São Clemente da Sobreda, por exemplo, foi enviada pelo Papa Pio VI a Jacinto Fernandes Bandeira, 1º Barão de Porto Covo da Bandeira (Viana do Castelo) em 1784, em agradecimento ao apoio que Bandeira deu no envio de Missionários da Sagrada Congregação da Propagação da Fé para Oriente.

Uma Autentica datada a 1893 refere: «vão do dito altar(-mor), sob a mesa e pedra d’ara, está collocada uma uma de madeira bem talhada, com enfeites e dourada e com vidro de cristal em duas peças na frente, a qual contém recostado sobre o lado direito com a cabeça sobre dois coxins de setim agaloados o Esqueleto inteiro do Corpo de S. Clemente Martyr» https://www.academia.edu/7221572/

Ficheiro:Joaquim da Costa Bandeira, Conde de Porto Covo (1860) - José Rodrigues.png
Jacinto Fernandes Bandeira.

Enquanto em Itália os fabricantes de simulacra eram principalmente artistas de cera plástica, em Portugal e em Espanha, a criação destes corpos com relíquias, era trabalho exclusivo de religiosas de clausura ou embalsamadores da Casa Real e dos Arcebispados.

Carlos Evaristo: “É o caso de imagens de culto régio como o simulacrum de Santa Mafalda em Arouca.”

Santa Mafalda ou Matilde, Região de Arouca, Distrito de Aveiro, Portugal –  Corpo Incorruptível | Segunda União News
Imagem Simulacrum de Santa Mafalda em Arouca.
No photo description available.
Carlos Evaristo encontrou pistas da Incorrupção do Corpo no túmulo primitivo da Santa.
Imagem Simulacrum de Santa Mafalda em Arouca que cobre o Corpo Incorrupto.

Carlos Evaristo: “Os exemplares de simulacra mais bonitos foram importados de Itália e têm os rostos cobertos por máscaras de cera ou papier-mache. Eram vestidos de trajes ricamente ornamentadas; os homens quase todos vestidos de soldados Romanos com armadura e as mulheres de Princesas Romanas. Já os exemplares criados em Portugal tentavam imitar o estilo Italiano, algumas bem conseguidas e outras não. Umas tinham vestes ricas e outras mais pobres. O mesmo se pode verificar com as urnas relicários. As Italianas são talhadas a ouro e a portuguesas muitas são em madeira envernizada ou pintada. As imagens mais pobres são mal proporcionados ou têm esqueletos armados e vestidos com as caveiras expostas com perucas feitas de cabelo humano. Estas últimas são de fabrico conventual.”

Image may contain: 1 person
Carlos Evaristo examina um Simulacrum com rosto de gesso.
Image may contain: 1 person
Carlos Evaristo examina um Simulacrum com rosto de cera.

Em três casos ficou comprovado por ADN que os ossos das três imagens simulacra de Santa Victoria, veneradas nos Estados Unidos, em Portugal e em Espanha, eram provenientes do mesmo corpo. Outro estudo entre duas imagens de São Vicente tiveram semelhantes resultados.

Houve também casos de relíquias de contacto feitas a partir de ossos humanos tocados às relíquias verdadeira. Estes ossos eram estranhamente embutidos com pequenos ossos embrulhados em papel ou pano vermelho, uma prática rara, mas comum em alguns conventos onde o fornecimento de relíquias insignes não conhecia escrúpulo, utilizando-se receitas medievais para multiplicar relíquias por contacto ou embutindo pedaços genuínos em ossos genuínos.

A existência de moldes em ferro para criação de ossos em gesso ou cera, à escala real, comprovam esta técnica que Evaristo defende em várias publicações uma prática que era corrente. Algumas imagens simulacra que Evaristo examinou, como também relicários que continham supostamente relíquias insignes, mas de facto nem continham ossos verdadeiros, mas por sua vez, ossos de gesso ou cera com pequenos fragmentos de uma relíquia genuína embutidos, serviam assim para exagerar a importância do conjunto escultural e atrair peregrinos e devotos aos mosteiros e conventos.

Carlos Evaristo: “É o caso também dos bustos relicários com as supostas cabeças de Santos Pedro e Paulo veneradas por cima do baldaquino do altar mor da Basílica de São João de Laterão em Roma. Quando os relicários medievais foram examinados pela primeira vez na década de 1970 por ordem do Papa Paulo VI, descobriram que só continham pequenos fragmentos dos crânios dos apóstolos e por isso eram relíquias das cabeças e não as cabeças. Esse facto ajudou a confirmar a autenticidade da cabeça de São Pedro redescoberta no Vaticano pois só faltavam pequenos pedaços ao mesmo.”

The Catholic Traveler on Twitter: "Saint John Lateran has an amazing  history, gorgeous art, awesome relics, and even a little crazy. But, my  favorite part…"
Baldaquino com os Bustos Relicários de Ss. Pedro e Paulo na Basílica de São João de Laterão.

Carlos Evaristo denominou de “Era de Relíquias e Relicários Exagerados” esta fase na evolução do Culto das Relíquias na Idade Média que descreve num estudo e parecer sobre “A evolução do uso de Custódias e Relicários na Igreja Católica.” Realizado em 1996 para a exposição dos Museus do Vaticano nos Estados Unidos; “From Saint Peter to John Paul II, the Legacy of the Popes” o estudo foi posteriormente divulgado em Português no livro de Martinho Vicente Rodrigues, publicado pelo Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém em 1998.

O Simulacrum de São Padre Pio tem uma máscara de poliuretano com cabelo humano. Foi esculpida a partir de fotos do corpo tiradas aquando do funeral e que cobre a caveira parcialmente incorrupta do Santo. As mãos incorruptas mas enegrecidas porém estão expostas mostrando o aspeto mumificado e tratado com produtos conservantes.

Carlos Evaristo: “Hoje os simulacra voltaram a estar na moda e são muitos os antigos que estão a ser retirados dos sótãos das igrejas e a ser restaurados ou a passar por upgrades. São cada vez mais os simulacra que tinham rostos e mãos de cera, gesso, barro, madeira, metal ou papier mache e que estão sendo agora substituídos por máscaras e luvas feitas de materiais mais modernos e que melhor simulam a pele natural. O latex, silicone e o poliuretano com cabelo humano manualmente inserido estão na moda e foram usadas nos simulacra recentes e bastante realistas de São Padre Pio e do Beato Carlo Acutis.”

Who was Carlo Acutis? A CNA Explainer - WORLD CATHOLIC NEWS
O mais recente Simulacrum da Igreja é o que encerra os ossos do Beato Carlo Acutis.

O recurso a técnicas que reconstroem os rostos com elevada naturalidade e precisão tem levado a que as pessoas erradamente considerem estes corpos de milagrosamente incorruptos.

Mas Carlos Evaristo explica que; “Há muito tempo que a incorrupção é vista como sinónimo de perfeição quando não é verdade são poucos os corpos de Santos que vimos sem máscaras que mantém um aspeto natural e agradável de um ser vivo. Muitos corpos incorruptos tão negros e ressequidos, completamente mumificados e só parcialmente incorruptos com partes do crânio expostas. É o caso dos cadáveres de Santos tais como o Santo Cura de Ars, São Jean Vianney, São Padre Pio, Santa Bernadette, e mais recentemente o Beato Carlo Acutis. São a beleza destas imagens artísticas que custam dezenas de milhares de euros, que vimos e não o que elas encerram que tem um aspeto muito mais macabre.”

50+ Padre Pio _ Rare Photos ideas | padres, rare photos, crypt
Foto que serviu de modelo para a máscara do Simulacrum que encobre o rosto esquelético.
A polêmica sobre o corpo “incorrupto” do Padre Pio

Na Regalis Lipsanotheca podem-se ver quatro imagens simulacra criadas recentemente pela equipa de peritos liderada por Carlos Evaristo e o Padre Carlo Cecchin. Algumas das máscaras floram realizadas pelo próprio Carlos Evaristo e outras, seguindo as indicações de Evaristo e Cecchin, pela artista Siciliana Stella Ciardo do estúdio Arte Cartapesta, um dos poucos ateliers ainda a fabricarem simulacra e peças para o restauro dos mesmos.

Image may contain: one or more people and eyeglasses
Simulacrum da Irmã Lúcia na Regalis Lipsanotheca com Relíquias da Vidente de Fátima.
Image may contain: 1 person
Simulacrum do Papa Pio XII na Regalis Lipsanotheca com Relíquias do Servo de Deus.
Image may contain: 1 person

Carlos Evaristo e o Simulacrum de São Nuno por ele criado com máscara fiel à sua imagem.
Image may contain: 1 person, indoor
D. Duarte junto ao Simulacrum com a Bula Pontifícia do 10º Aniversário da Canonização.
No photo description available.
Simulacrum de Padre Pio, Patrono do Exercito Azul, na Regalis Lipsanotheca.
No photo description available.
Simulacrum do Padre Pio esculpido a partir de fotografias tiradas aquando do seu funeral.

Carlos Evaristo: “É também importante estudar outras relíquias que por vezes são veneradas juntamente com os simulacra. É o caso das arcas relicários com os ossos e dos vasos relicários supostamente contendo sangue dos mártires e que acompanham muitas vezes os ossos dos mesmos. São artefactos arqueológicos interessantes. Alguns têm mesmo sangue mas outros não o que para nós era um enigma.”

Carlos Evaristo: “Existe também na Alemanha e na Áustria uma versão mais macabra de Simulacra que são esqueletos de santos, armados e articulados com a caveira e os ossos adornadas de joias preciosas e semipreciosas em vez de serem cobertas por máscaras e luvas.”

Cálice de ouro com Sangue de Mártir nas mãos de imagem Simulacrum.

Mas para Evaristo o enigma está desvendado desde que descobriu quando trabalhava no Museu Real do Ontário, no Canadá que “os antigos Egípcios conservavam sangue dos Faraós em frascos canópicos de barro e misturavam o mesmo com oxide de ferro, mel e cera, produzindo assim uma mistura que solidificava mas que depois, podia-se liquefazar facilmente para servir o falecido rei na vida para além da morte e isto desde que fosse agitado, aquecido e o tempo não fosse demasiado frio para evitar que tal milagre ocorresse. Havia um ritual anual em que jarras com esse sangue do falecido Faraó eram depois levadas numa barca pelo Rio Nilo até ao Templo e agitadas e elevadas ao sol para liquefazerem e depois gotas do mesmo sangue deitadas ao Rio para fertilizar os terrenos agrícolas circundantes.”

Evaristo concluiu que “tal como as primeiras técnicas de preservação de corpos embalsamados foram importadas por Cristãos Egípcios para Roma e aplicados na sepultura dos Santos Mártires, também esta honra que era dada aos Faraós de preservar o sangue de forma que pudesse ser ludificado de novo, foi outra honra prestada aos heróis da Fé. Seu Sangue assim voltava a ter vida como se por milagre no dia da sua Festa anual. Não havia aqui nenhuma fraude mas um mistério da ciência que era era tido popularmente como milagre. Isto poderá muito bem ser o caso do Sangue Milagroso de S. Gennaro e de outros mártires venerados na Bahia de Nápoles que se liquefaz mas que nem sempre resulta devido às condições climatéricas e à pressão barométrica, algo que é tido como mau presságio.” Alguns potes de sangue dos mártires analisados pela equipa da Regalis Lipsanotheca revelaram conter vestígios destas composições antigas.

Etiqueta de um dos ateliers mais populares que fabricava Simulacra até finais do Século XIX.

PROJECTO SIMULACRA SANCTORUM

Carlos Evaristo: “O estudo do uso das relíquias na sociedade e particularmente dos simulacra é algo muito importante dado que as relíquias insignes e particularmente os corpos dos santos são também património cultural dos povos dado que muitas destas relíquias que hoje temos em catedrais, igrejas, Lipsanothecae e Museus estão na origem de muitas tradições, lendas leis e a posse das mesmas por Senhores Feudais até ajudaram a justificar para muitos Papas um sinal divino de reconhecimento na criação de reinos, muitos dos países que ainda hoje existem. Daí a importância do estudo e conservação das relíquias e dos simulacra que também existem noutras religiões desde a antiguidade e até em sistemas governamentais ateus o que é o caso dos corpos de líderes e heróis nacionais como Lenin, Mao e Evita Peron. Corpos mantidos com um aspeto perfeito com recurso a técnicas de conservação e mascaras de cera para assim serem idolatrados por gerações futuras.”

Páginas para estudiosos de simulacra já foram criadas no Facebook por José João Loureiro e Carlos Evaristo destinam-se ao estudo e partilha de informações, fotos e outros assuntos que dizem respeito aos corpos simulados de Santos, Mártires e outras figuras Cristãs (Simulacra), existentes e veneradas no Mundo e em Portugal.

Estes dois estudiosos escreveram juntamente com o Professor João Lameira da Universidade do Algarve, “Retábulos Relicários”, o Décimo terceiro volume da Promontoria Monográfica – História da Arte, que documenta muitos simulacra dando a conhecer a história do Culto das Relíquias e o património retabular português. O estudo abrange exemplares desta tipologia específica existentes em igrejas, não só em Portugal continental, Açores e Madeira, mas também em antigos territórios ultramarinos, nomeadamente, no Brasil e em Goa, com datas compreendidas entre o último quartel do século XVI e o século XIX.

RETÁBULOS RELICÁRIOS

https://www.bensculturais.com/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=105&category_id=5&vmcchk=1&option=com_virtuemart&Itemid=248

É ideia de Loureiro, Evaristo e Cecchin de se criar a maior base de dados sobre estes corpos relicários no mundo. As páginas por eles criadas no Facebook são as seguintes; Simulacra Sanctorum – Simulated and Masked Bodies of Saints in Christendom e Simulacra Sanctorum in Lusitania.

https://www.facebook.com/groups/205288253665181

https://www.facebook.com/groups/20576720361614

A Professora Eduarda Vieira da Universidade Católica (Porto)[1] é outra especialista a instalar-se recentemente no campo dos simulacra de santos e é também membro do Apostolado de Relíquias. e tem vindo a orientar outra membro recente do Apostolado que está a especializar-se em restauro de simulacra, a doutoranda Joana do Carmo Palmeirão[2], cujo projecto de investigação incide no estudo e inventário dos corpos dos Santos Mártires que vieram de Roma para Portugal entre os séculos XVII e XIX. O seu interesse surgiu de um estudo feito anteriormente ao simulacrum de Santo Aurélio, Mártir pertencente à Sé Catedral do Porto e que constituiu a sua dissertação de mestrado.


[1] Licenciada em História e especializada em Arqueologia pela Universidade Livre do Porto, Mestrado em Recuperação do Património Arquitetónico pela Universidade de Évora e uma Pós-graduação em Museologia pelas Universidades de Brno (Morávia, República Checa) e Autónoma de Lisboa. É Doutorada em Conservação e Restauro do Património Histórico-Artístico pela Universidade Politécnica de Valência (Espanha).

[2] Licenciada em Artes Plásticas – Ramo Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, 2008, licenciatura em Arte – Conservação e Restauro, Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), 2012, Mestre em Conservação e Restauro de Bens Culturais, Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), 2015. Frequenta, desde 2017, o curso de Doutoramento em Conservação e Restauro de Bens Culturais da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (Porto), através de uma bolsa de investigação financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Os registos dos milhares de corpos (ossadas) e relíquias insignes de mártires, removidas das catacumbas e fornecidas às Igrejas do mundo inteiro para fabrico de simulacra ainda existem, embora estejam dispersos. Um registo está nos Arquivos do Monsignor Sagrista localizados nos fundos do Departamento de Manuscritos da Biblioteca Apostólica Vaticana ou o chamado Archivio Apostólico Vaticano.

Segundo a investigação de Joana Palmeirão estes registos dos corpos sagrados exumados e distribuídos pelo Vaticano estão nos volumes Vat. Lat. 14 455 (5 de Janeiro de 1713 a 31 de Dezembro de 1717), 14 456 (1º de Janeiro de 1718-30 Junho 1720), 14 457 (1º julho de 1720-1º Agosto 1727), 14 458 (1º de Junho 1723-1744), 14 459 (20 de Junho, 1730-1757), 14 460 (1751-13 Março 1794), 14 461 (1782-Junho de 1816), 14 462 (1742-19 de Julho de 1894) e 14 463 (17 de Janeiro de 1848-1936). Cópias destes documentos já foram pedidas ao Vaticano pela Fundação Oureana na qualidade de Representação Oficial dos Patronos dos Museus do Vaticano cujo Gabinete para língua Portuguesa está sedeado na Regalis Lipsanotheca.

“Nos Arquivos da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos”, garante Evaristo, “assim como no registo da Sacristia Pontifícia, existem mais registos da distribuição de relíquias até aos nossos dias.” Este Oficio hoje a cargo do Sacristão da Basílica de São Pedro, foi chefiado, durante 40 anos pelo Arcebispo Petrus Canisius Jean van Lierde, O.S.A.. Van Lierde era amigo e Mentor de Carlos Evaristo e aceitou ser o primeiro Patrono do Apostolado de Relíquias que Evaristo fundou com a mulher em 1988. O Arcebispo de origem Belga foi o responsável máximo pelo Culto e distribuição de relíquias entre 1951 e 1991 como Vigário Geral da Cidade do Vaticano. Foi quem mais relíquias e corpos distribui nos nossos tempos e quem forneceu a Evaristo, gratuitamente, as primeiras relíquias da coleção que hoje soma mais de 50, 000. Foi ele que juntamente com o Postulador Geral da Ordem do Carmo, Padre Redemptus Maria Valabek, O.Carm., encorajou Evaristo a fundar um Apostolado de Relíquias, o primeiro na história da Igreja.

Rev Petrus Canisius Jean van Lierde (1907-1995) - Find A Grave Memorial
Arcebispo Petrus Canisius Jean van Lierde, O.S.A., primeiro Patrono do Apostolado de Relíquias, Vigário Geral do Vaticano responsável pelo Culto e distribuição de Relíquias durante 40 anos.

https://www.youtube.com/watch?fbclid=IwAR3GHzto32so694p0k3BCCCQSmxTTBiYnmktZVhblH3lRz6KuyB29j26WJE&v=Oudl5CUpzKA&feature=youtu.be

Cópia dos registos das relíquias distribuídas por Van Lierde, juntamente com os registos mais antigos de distribuição de relíquias pelo Vicariato, já foram também pedidas por Carlos Evaristo ao Vaticano na qualidade de elemento representativo do Gabinete do Museus do Vaticano, um departamento que por acaso está subordinado diretamente e é da tutela desse órgão do Governo do Estado Pontifício.

Carlos Evaristo: “Os originais dos registos mais recentes encontram-se ainda na Sacristia da Capela Privada do Papa, na chamada Lipsanotheca Pontifícia do Palácio Apostólico mas os mais antigos já trasladaram para os Arquivos do Custode delle Ss. Reliquie localizados nos fundos do Arquivo do Vicariato de Roma ou no chamado Archivio Storico del Vicariato sob a designação Corpi e Reliquie de Santi Martiri donati. (Corpos e Relíquias de Santos doadas). Compostos por 6 volumes estes registam a distribuição de relíquias insignes e corpos inteiros (esqueletos) entre 1737 e 1850.” (Ref: I, 1737-1783; II, 1784-1785; III, 1787-1800; IV, 1800-1824; V, 1837-1845; VI, 1845-1850).

No photo description available.
Desenho à escala para a construção de uma Urna Relicário para uma imagem Simulacrum.

Existem também registos diocesanos do fornecimento regular de corpos para criação de simulacra por parte de pelo menos duas Dioceses na Alemanha ligadas ao Culto das Onze Mil Virgens Mártires e ainda outros registos de Abadias Suíças e Italianas que forneciam relíquias dos Mártires da Legião de Tebas para criação de simulacra desses soldados Romanos.

No description available.
Desenho a pastel para uma Urna Relicário para uma imagem Simulacrum.
Gravura de uma imagem Simulacrum de um Corpo de uma Santa em Urna Relicário.

“Nestes arquivos”, afirma Carlos Evaristo, “encontra-se também correspondência entre os responsáveis das Igrejas que pediam relíquias ao Papa, nomeadamente; Cardeais, Bispos, Reis, Comunidades Religiosas e Nobres. É o caso dos pedidos dirigidos à Santa Sé por D. João V, D. José I, D. Maria I e de alguns Comendadores das Ordens de Cristo que tinham o Patronato de Igrejas e Capelas privadas no Porto e em Lisboa.”

Carlos Evaristo: “Graças a estes arquivos confirmamos por exemplo que as Relíquias que formavam um simulacrum de Santa Concórdia Mártir, depositada por uma Diocese Francesa na nossa Regalis Lipsanotheca após a extinção de um Convento e que permitiu a recriação do mesmo, teve origem no pedido da Princesa Stuart, Arabella, Duquesa Salviati que pediu um corpo (esqueleto) ao Papa Pio IX para uma comunidade de religiosas de São José de Cluny criarem um simulacrum que entretanto foi recriado na nossa Sede. É curioso que esse simulacrum cuja chegada a Senlis foi comemorada com o cunho de uma medalha de bronze hoje no Louvre, não continha as relíquias e ao contrário da maioria dos simulacra permaneceram dentro da urna selada pelo Vaticano tendo sido colocada debaixo da cabeça da imagem como se fosse uma almofada.”

Simulacrum de Santa Concordia sobre caixa com esqueleto completo, chamado de “Corpo”.

Carlos Evaristo: “Encontram-se também por vezes alguns desenhos e detalhes sobre a criação dos simulacra, as plantas arquitetónicas para o fabrico das urnas relicários e o custo dos mesmos à época. Sabemos que durante a administração do Arcebispo van Lierde rondava os 450, 000 Dólares Americanos criar um conjunto destes e por isso só os grandes Santuários ou Basílicas tinham orçamento para tal.”

A COMISSÃO DE GUARDA E APOSTOLADO DE RELÍQUIAS

Carlos Evaristo é também um dos atuais Custode delle Ss. Reliquie (Guardião de Relíquias) e Presidente Fundador do “Commissio Custodum Apostolatus SS. Reliquiarum” (Comissão de Guarda e Apostolado das Relíquias Sagradas), uma entidade Canonicamente Ereta em várias Dioceses com Delegações que integram uma Federação de Guardiões com a faculdade apostólica de autenticar e rá autenticar relíquias.

Outro Membro da Comissão de Relíquias é o Padre Carlo Cecchin, Cofundador da Comissão e da Regalis Lipsanotheca que assumiu o Cargo de Capelão Mor do Apostolado após o falecimento do Capelão Mor anterior; Monsenhor José Geraldes Freire.

Image may contain: 1 person
Rev. Padre Carlo Cecchin, Capelão Mor da Regalis Lipsanotheca e do Apostolado.
Image may contain: 15 people, people smiling
O Padre Carlo Cecchin e Carlos Evaristo com alguns Patronos Reais da Regalis Lipsanotheca.
Image may contain: 13 people
Foram muitos os Chefes e Representantes de Casas Reais presentes na reabertura em 2018.
Image may contain: 3 people
Carlos Evaristo com D. Manuel António Mendes dos Santos e o Maestro Armando Calado.

PATRONOS IMPERIAIS, REAIS E ECLESIÁSTICOS

São Patronos da Regalis Lipsanotheca da Fundação Oureana e do Apostolado de Relíquias muitas figuras conhecidas do mundo Católica mas também Ortodoxo, Anglicano e Copta, tais como Cardeais, Patriarcas, Arcebispos e Bispos, Abades, Religiosos e Religiosas. Alguns dos Patronos são hoje já Santos ou estão a Caminho dos Altares, como é o caso da Santa dos Pobres; Madre Teresa de Calcutá e da Vidente de Fátima, Irmã Lúcia.

É principal Patrono Eclesiástico da Regalis Lipsanotheca e do Apostolado. o Cardeal D. José Saraiva Martins assim como vários outros Cardeais, Arcebispos, Bispos e Abades. O Bispo D. Manuel António Mendes dos Santos é o atual Capelão Geral e o Padre Carlo Cecchin o Capelão Mor, mas há também cerca de 50 Capelães e Delegados da organização em muitos países do mundo.

Praticamente todas as Casas Imperiais e Reais Cristãs, reinantes ou não reinantes, já conferiram o seu Patronato à Reglais Lipsanotheca e ao Apostolado de Relíquias que estuda e conserva este património imemorial e isto em memória dos seus antepassados que resgatavam relíquias insignes tendo criado Santuários que se tornaram locais de culto nacional e internacional. É o caso das relíquias de São Vicente Mártir que datam do princípio da reconquista Cristã de Portugal e cuja lenda dourada da chegada do corpo incorrupto à nação, está no símbolo da Cidade de Lisboa. A Regalis Lipsanotheca tem por exemplo um pedaço do braço incorrupto desse mártir com documento de Autentica do século IX da proveniente da coleção do Padre Carlo Cecchin. que teve simulacrum na Capital até ao Terramoto de 1755. Existem porém alegados corpos do mesmo santo, em várias partes do mundo como em Espanha e nos Estados Unidos da América, mas como Evaristo já verificou, a maioria são simulacra que só contêm um osso ou uma parte do corpo incorrupto que se encontrava em Lisboa num simulacrum até ao Terramoto de 1755.

A CRUZADA INTERNACIONAL PARA AS RELÍQUIAS SAGRADAS – ICHR

A ÚLTIMA CRUZADA PARA SALVAR RELIÍQUIAS DO ABANDONO

Fundado em 1988, em Toronto, no Canadá, por Carlos e Margarida Evaristo, o Apostolado de Relíquias Oratório de Santa Ana, transformou-se, a partir de 1996, na International Crusade for Holy Relics (Cruzada Internacional pelas Relíquias Sagradas) juntando-se assim ao Apostolado Saints Alive que Thomas Joseph Serafin, havia fundado na California, EUA, em 1995.

http://www.ichrusa.com/?fbclid=IwAR0OkzG8MBD1IbmX6FMEtKWvGCk3QG7dc_FNh5skmeNkpRqr-Sbaw86Zm8A

Desde então este movimento internacional conta com mais de 5,400 membros com coleções de relíquias registadas no apostolado e outras dezenas de milhares de membros devotos das relíquias sagradas que promovem o Culto. Além de zelar pelo futuro das relíquias destas coleções quando os chamados Cavaleiros Guardiões morrem, o apostolado também ajuda na conservação, restauro e reautenticação das mesmas.

Real Confraria de Cavaleiros Guardiões de Relíquias

Parece algo retirado do filme Os Salteadores da Arca Perdida com Indiana Jones ou então saído do Código de Da Vinci mas o Apostolado de Relíquias ICHR é também uma Confraria de Cavaleiros Guardiões Professos (Membros Professos) e Cavaleiros de Oração (Membros Honorários) que procuram e resgatam relíquias abandonadas, enquanto promovem a santificação pessoal dos seus membros através da devoção aos santos e às mesmas. Guardam também relíquias ensinando as normas atuais da Igreja para o Culto e uso destes sacramentais, promovendo assim não só devoção mas também esclarecimento através de exposições, palestras, conferências e publicações.

Categoria, Insígnia e Hábitos de Membros Confrades Guardiões da I.C.H.R.

O Apostolado têm Capelães e Delegados que dão formação em técnicas de conservação e autenticação de relíquias em Itália, no México, nas Filipinas e no Brasil e é o único apostolado que apresentou à Sagrada Congregação para a Causa dos Santos um Protocolo para a Conservação e Reautenticação das Relíquias e para a Arqueologia Sacra, uma metodologia ainda mais rigorosa do que a que a referida Congregação havia publicado e que será matéria de um curso que Carlos Evaristo está a preparar para ser oferecido na Universidade Pedagógica Nacional Dragomanov (Kiev) na Ucrânia através da qual o Fundador da Regalis Lipsabotheca recebeu recentemente um Douturamento Honoris Causa em grau efetivo com reconhecimento estatal do título que permite ao mesmo lecionar e fazer parte do Conselho Pedagógico dessa faculdade pertença da Igreja Ortodoxa e uma das maiores e mais importantes da Europa e do Mundo.

Este Protocolo que a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos considerou importante e escrita por um Apostolado que reconhece ter tudo um papel meritório na Igreja, encontra-se já implementado por vários Postuladores, Comissões de Relíquias e Lipsanothecae diocesanas e técnicos da conservação e da arqueologia sacra ligadas ao movimento.

Hábitos do Capelão Mor e Capelães da I.C.H.R.

DEPARTAMENTO DE ESTUDO, CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE RELÍQUIAS E RELICÁRIOS DO CENTRO PARA A PESQUISA RELIGIOSA

Outro Departamentos da Fundação Oureana é o que trata do estudo, conservação e restauro de relíquias e relicários para a Regalis Lipsanotheca e que intervêm também nos simulacra. É um projeto já com 20 anos que conta com a colaboração de 12 peritos mundiais do Centro para a Pesquisa Religiosa que inclui arqueólogos, antropólogos, especialistas em sangue e ADN (DNA) e médicos-legistas forenses. O Centro para a Pesquisa Religiosa foi fundado em 2000 por Phillip James Kronzer (.R.I.P.) e passou por vontade do fundado a integrar a Fundação Oureana em 2010 com a incorporação dos bens da Fundação do mesmo nome.

Era intenção desse Americano mais conhecido por “Caçador de Seitas” de formar uma equipa de peritos internacionais para estudarem alegados fenómenos sobrenaturais tais como aparições, milagres, fenómenos paranormais, possessões diabólicas, e a incorrupção dos corpos para assim poder dar pareceres à Igreja.

Prof. Dr. Humberto Nuno de Oliveira.

É Diretor do Cento o Mestre Arqueólogo Professor Dr. Humberto Nuno de Oliveira, Licenciado em História, Pós-Graduado em História Militar, Mestre em Edição e PhD em História, foi docente do ensino superior em diversas instituições durante vinte anos, especialmente na Universidade Lusíada de Lisboa, onde é atualmente, responsável pelos serviços editoriais. Historiador e Investigador sobretudo nos domínios da Heráldica e da Falerística preside, neste último domínio, à Academia Falerística de Portugal. É investigador do Centro Lusíada de Estudos Genealógicos, Heráldicos e Históricos da Universidade Lusíada de Lisboa. Autor de dezenas de artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras, diretor de duas publicações científicas e autor de mais de 20 livro.

Oliveira colabora com Carlos Evaristo há mais de 30 anos e preside hoje ao Conselho de Peritos do Centro que abrangem várias áreas da ciência e que são também membros confrades efetivos ou já falecidos do Apostolado de Relíquias. Entre os nomes mais conhecidos esteve o Patologista Forense e CSI de renome mundial especialista no Santo Sudário, o Professor Dr. Frederick T. Zugibe (R.I.P.), falecido em 2012 e sepultado na Regalis Lipsanotheca. São também membros o Psiquiátrico Forense Professor Dr. James Paul Panderakulam, o especialista em sangue Professor Dr. Benjamin Bing (R.I.P.), dois especialistas em ADN (DNA) de renome mundial; o Professor Dr. Michael Readers e o Professor Dr. José Lorente Acosta que é Presidente da Comissão Cientifica do Centro para a Pesquisa Religiosa desde a morte de Zugibe. São também membros do Centro o Médico Cirurgião Dr. José António da Cunha Coutinho entre outros.

O Centro conta também com dois Peritos em reconstituição facial forense Norte Americanos, de renome mundial, e dois antropólogos; um espanhol e outro norte Italiano que trabalha com a Sagrada Congregação para a Cusa dos Santos nas exumações dos corpos dos candidatos à Santidade. O que é também inédito neste Centro é que todos os Peritos ao serviço do mesmo prestam serviços à Fundação Oureana em regime de voluntariado, não remunerado.

O Capelão Geral D. Manuel António Mendes dos Santos dirige-se aos Patronos e Benfeitores.
Image may contain: 1 person
O Patrono Real D. Duarte, Duque de Bragança dá as boas vindas aos outros Patronos.
Image may contain: one or more people, people sitting and indoor
O Patrono Eclesiástico e Capelão Geral D. Manuel António Mendes dos Santos.

O Centro conta também com Padres Exorcistas tendo sido o primeiro a juntar-se ao projeto o já falecido Exorcista do Vaticano, o Padre Gabriel Amorth. Outro Perito em fenomenologia paranormal era o falecido Eduardo Jaime Moran (AKA: Professor Karl Miller) que deixou ao Centro da Fundação Oureana todo o espolio e arquivo de documentos e artefactos relativos a um grande exorcismo ocorrido na Califórnia, em 1972.

Foi este Centro que refutou, há vários anos, os estudos de recriação facial de simulacra resultantes de um programa de computador Brasileiro, programa que na opinião do falecido Zugibe e de outros dois especialistas forenses CSI, eram ridículos por obterem resultados em nada fidedignos e todos até semelhantes em aparência. O facto que a maioria dos resultados foram obtidos com recurso a fotos de crânios e não a partir da aplicação de camadas de barro nos próprios crânios ou em modelo 3D dos mesmos foi o bastante para os peritos considerarem os resultados imprecisos. A equipa reconheceu no entanto que embora existam programas de computador que fazem estas reconstituições e até muito precisas, o programa em questão utilizado com os simulacra não é fiável para obter uma vera efigie.

Segundo Carlos Evaristo existem também muitas outras confusões geradas com as imagens post mortum resultantes de simulacra que encerram restos mortais de santos, quer ósseos, quer mumificados. O caso de Santa Bernadette, a Vidente de Lourdes, é o mais conhecido dado que a máscara e luvas de cera feitas por um artista no século XIX após a segunda exumação, cobrem o rosto e as mãos do corpo incorrupto e assim mascaram aparência pouco agradável e algo semelhante a uma passa de uva que é comum com os corpos que passaram por uma mumificação natural própria de uma dessecagem lenta em túmulo de pedra sem contacto com o solo e dentro de uma urna de madeira selada em chumbo. O estudo do simulacrum deste corpo e a sua preservação, foi tema predileto de outro membro do Centro para a Pesquisa Religiosa, o Teólogo e Autor René Laurentin, falecido em 2017.

CONFERÊNCIAS, PALESTRAS E PEREGRINAÇÕES

Através de Delegados nos EUA, Inglaterra, França, Itália, Espanha e no Brasil, já foram realizadas numerosas Conferencias, Palestras em Fátima e visitas especiais (Peregrinações) de Relíquias Insignes a Basílicas e Paroquias, tais como as de Santo António, em Roma, Santiago, em Compostela e nas Catedrais de Braga, Valência e Notre Dame de Paris.

Desde 1995, que a Fundação Oureana já organizou um total de 4 Conferências Nacionais sobre Relíquias com Exposições e 3 Internacionais com exibição / estreia de documentários complementares. As quatro Conferências Nacionais tiveram lugar em Fátima; em 1995, 2001, 2008 e 2011 e as Conferências Internacionais em Fátima, Valência e na República de São Marino em 2012, 2014 e 2017. Palestras temáticas sobre relíquias específicas foram organizadas em Ourém, em Santiago de Compostela, em Roma, em Paris, em Valência e em Casale Monferrato onde o Apostolado de Relíquias mantém Delegações.

Para 2021 está prevista uma nova Conferência Internacional sobre Relíquias a ser organizada pela Universidade Católica (Porto) e com a Regalis Lipsanotheca a fazer parte da Comissão Científica.

CAMPANHA INTERNACIONAL CONTRA A VENDA, ROUBO E FALSIFICAÇÃO DE RELÌQUIAS E PARA O REGISTO E CATALOGAÇÃO PREVENTATIVA

Outra atividade do Apostolado é o combate à venda de relíquias no ebay e noutras plataformas digitais de vendas na internet e também o combate à falsificação. A implementação de normas que proíbem a venda de restos mortais de seres humanos no ebay já foi uma batalha ganha pelo Apostolado quando o Cofundador da I.C.H.R. o Confrade Thomas Serafin conseguiu forçar a plataforma a mudar a sua política na venda de relíquias. No entanto foi uma vitória de pouca dura pois a proibição é contornada por vendedores, sem escrúpulos, que descrevem os relicários como artefactos e assim ocultando ou mentindo sobre o conteúdo nas descrições publicadas.

No Brasil, através do Confrade Fábio Tucci Farah, Delegado e Vice-diretor da Regalis Lispnsotheca, o Apostolado tenta apresentar uma proposta de lei para proibir a venda de relíquias pois segundo as rubricas da Igreja tal prática é matéria de excomunhão ipso facto assim como a falsificação de relíquias.

Farah está também a levar a cabo a inventariação das relíquias e relicários da Arquidiocese de São Paulo para a criação de uma Lipsanotheca Diocesana ou até nacional. Trabalho semelhante está a ser realizado nas Delegações do Apostolado no México, Estados Unidos e Filipinas.

PRODUÇÕES TELEVISIVAS E PUBLICAÇÕES

Um importante meio para desfazer mitos e divulgar o trabalho com as relíquias que o Apostolado e a Regalis Lipsanotheca desenvolve há mais de 3 décadas é a televisão. Há mais de 25 anos que Carlos Evaristo também participa como Perito, Escritor e Produtor Executivo em documentários, programas especiais e series televisivas sobre relíquias, (produzidas pela RTP, EMI Valentim de Carvalho, Sakarra Productions, Crown Pictures, Paul Perry Productions e Label News) com exibição nos canais europeus e norte americanos; RTP, História, Odisseia, Rai 2, Timeline, National Geographic e RMC Decouverte.

Há vários anos, Evaristo juntou-se ao Professor Frederick T. Zugibe para darem parecer na fase de pré-produção sobre a recriação dos instrumentos da paixão de Jesus para o filme A Paixão de Cristo de Mel Gibson. Os amigos também deram parecer para dois documentários sobre o Santo Sudário, sendo que o Centro Português de Sindonologia (o estudo do Sudário de Turim) criado por outro grande devoto de relíquias, o Engenheiro Fernando Lagrifa Fernandes, é hoje outro Departamento da Fundação Oureana que se especializa no estudo das relíquias, da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Relíquias Sagradas - Dos tempos bíblicos à era digital - 9786555620412

Carlos Evaristo é autor de mais de 150 livros e publicações muitas das quais são sobre relíquias. Seu nome vem referido como perito em várias publicações sobre o tema e em Catálogos dos Museus do Vaticano. Para além de contribuir para o volume “Retábulos Relicários” da coletânea escrita por Francisco Lameira e José João Loureiro, escreveu com Fabio Tucci Farah (com quem fundou o Real Instituto para a Arqueologia Sacra) o livro “Relíquias Sagradas, dos tempos Bíblicos à era Digital” publicado pela Paulus, editora da Igreja de renome e que conta com o prefácio de vários Cardeais ligado às relíquias.

Live: Relíquias Sagradas – Dos tempos bíblicos à era digital | Paulus  Editora

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-09/livro-reliquias-sagradas-prefacio-dom-odilo-scherer-brasil.html

Estas recentes publicações, juntamente com o Protocolo para as intervenções com Relíquias foram pessoalmente entregues ao Papa Francisco pelo Patrono e Protetor do Apostolado, D. Manuel António Mendes dos Santos.

O ano passado, o Apostolado viu os 32 anos de trabalho com relíquias reconhecido pela a mais alta Congregação que zela pelo seu culto; a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos que através do seu Prefeito, considerou o contributo da organização uma trabalho meritório.

Um exemplar do Protocolo para a intervenção com relíquias preparado e proposto por Carlos Evaristo para servir de guia para todos os que se dedicam à Preparação, Conservação e Reautenticação de Relíquias já goza de Imprimatur e Nihil Obstat.

Graças ao Protocolo entre as Fundações D. Manuel II e Oureana já foram patrocinados através do Gabinete dos Patronos um conjunto de relíquias dos Museus do Vaticano ligadas à história de Portugal, tal como a Mitra de João XXII, o Papa que criou a Ordem de Cristo. Atualmente está a ser patrocinado o restauro de vários relicários e crucifixos.

DEPÓSITO E REPOSITÓRIO SAGRADO DE RELÍQUIAS

O Apostolado de Relíquias tornou-se tão conhecido mundialmente que a sua sede, a Regalis Lipsaotheca, passou a ser um Repositório Sagrado Internacional para Relíquias da Igreja e um Depósito para Relíquias vindas de Museus seculares e dos Estados.

A primeira coleção de centenas de relicários a ser depositada foi proveniente da Lipsanotheca da Ordem Jesuíta de França localizada em Paray le Monial. Foi guardada durante mais de 50 anos pelo Padre Jean Durieu S.J,. até a coleção ser enviada para o Depósito Sagrado de Relíquias da Fundação em 1993. Em 1999 a Fundação recebeu todo o espólio do extinto Museu Mariano em Brooklyn, Nova Iorque que incluiu uma coleção de milhares de relíquias colecionadas pelo Fundador do mesmo Armand James Williamson e também já recebeu dezenas de coleções de relíquias de Lipsanothecas Diocesanas, Conventuais e de particulares.

Existe também na Regalis Lipsanotheca um outro tipo de Repositório de Relíquias, uma espécie de arquivo morto selado que se destina a guardar sem veneração, exposição ou culto relíquias duvidosas, falsas ou cuja autenticidade já não pode ser confirmada e por isso não podem ficar expostas aos fieis de acordo com a regras da Igreja Católica .

No description available.
Simulacrum Esquelético armado e articulado, vestido e decorado com joias.

Festa das Sagradas Relíquias

No dia 5 de Novembro, a Igreja Católica celebrava universalmente a Festa das Sagradas Relíquias até à reforma litúrgica do II Concilio Vaticano. Hoje é uma Festa reservada aos locais onde existem coleções insignes de relíquias, o que é o caso da Regalis Lipsanotheca. Depois de se celebrar o Dia de Todos os Santos, a Festa de todas as almas que entraram no Céu, a Igreja homenageia as Santas Relíquias de seus corpos que permanecem na terra, aguardando a gloriosa ressurreição.

Desde os primeiros tempos da Igreja que os santos mistérios eram celebrados nas Catacumbas sobre os túmulos dos mártires, para assim unir o seu sacrifício ao do Salvador Jesus Cristo. Mais tarde, em Roma, basílicas foram erguidas em sua homenagem; vastos relicários que albergaram o túmulo dos mártires mais famosos. Os restos mortais dos que haviam confessado sua fé pelo martírio foram depositados sob o altar-mor, ou confissão das basílicas que lhes foram consagradas; Daí o costume de transferir as relíquias dos mártires, parte essencial da cerimônia de dedicação de uma igreja, bem como de colocar as relíquias dos santos mártires em todos os altares, na cavidade de uma pequena cavidade da ara, chamada de tumba. A Missa da Festa das Sagradas Relíquias celebrada anualmente na Regalis Lipsanotheca é amplamente composta de passagens retiradas da liturgia dos mártires.

Sobre as relíquias e particularmente os corpos e simulacra dos Santos foi afirmado no Santo Concílio de Trento:

“Instrua também os fiéis no sentido de que devem venerar os corpos sagrados dos santos mártires e de outros que vivem com Cristo, que eram membros vivos do próprio Cristo, e templos do Espírito Santo, por meio dos quais devem subir para a vida eterna para para ser glorificado, e pelo qual Deus concede muitos benefícios aos homens; para que sejam absolutamente condenados, como antigamente os condenavam, e agora também condenados pela Igreja, aqueles que afirmam que as relíquias dos santos não devem ser honradas ou veneradas; ou que a adoração que estes e outros monumentos sagrados recebem dos fiéis é em vão; e que as visitas frequentes às capelas dedicadas aos santos para obter o seu auxílio são inúteis ”.

FONTE: The Regalis Lipsanotheca; A Sacred Repository of Holy Relics An Interview with Carlos Evaristo“; The Relics Call – ICHR Newsletter”, Vol III. Nº 1 1/11/2020)

5 de Novembro de 2020

Share

O QUE É ARQUEOLOGIA SACRA E QUAL A SUA IMPORTÂNCIA PARA A IGREJA?

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é logo.png

POR PROF. FELIPE AQUINO – 27 DE DEZEMBRO DE 2019

Muitos conhecimentos, descobertas sobre a história da Igreja se devem ao trabalho de arqueólogos; mas, o que é realmente a arqueologia sacra e o que a diferencia da convencional?

Carlos Evaristo junto às Relíquias da Paixão da Basílica de Santa Cruz de Jerusalém em Roma.

Em entrevista concedida a ACI Digital, o arqueólogo Carlos Evaristo explicou esta questão e também sublinhou a grande importância da arqueologia sacra para a Igreja, que não se resume apenas a fatores históricos.

“Enquanto a arqueologia convencional busca, em vestígios materiais, a compreensão das culturas e dos modos de vida de diferentes sociedades humanas, do passado e do presente, a arqueologia sacra está voltada, especificamente, para o que a Igreja Católica considera sagrado”, especificou o especialista.

Carlos Evaristo é arqueólogo, historiador, autor e escritor, além de representante do Gabinete dos Patronos dos Museus do Vaticano para países Lusófonos. Também é fundador/curador da Real Lipsanotheca, em Portugal, onde, segundo ele, é possível encontrar o maior acervo de relíquias fora do Vaticano. E, para dar suporte a esta missão, criou também o Apostolado para as Relíquias Sagradas e a Cruzada Internacional pelas Relíquias Sagradas (ICHR).

Leia também: A arqueologia faz revelações sobre os Reis Magos

Descoberta arqueológica na Terra Santa corrobora episódio narrado na Bíblia

Pôncio Pilatos existiu de verdade? Evidência arqueológica demonstra

Arqueólogos encontram lugar descrito no livro Atos dos Apóstolos

Segundo Evaristo, na arqueologia sacra, “a partir de vestígios sobrenaturais, o especialista descortina o transcendental”.

Quais seriam esses vestígios? Conforme pontuou, trata-se dos “lugares santos que testemunharam acontecimentos extraordinários, as relíquias sagradas…”. Entretanto, o especialista assinalou que, “por ser uma ciência, há procedimentos adequados para a pesquisa, como manuseio correto de corpos santos e artefatos sagrados”.

Nesse sentido, resumiu, “entre os deveres de quem se dedica a essa área, está a busca da preservação dos inestimáveis tesouros da Cristandade”.

Sobre o trabalho que realiza em relação às relíquias, explicou que consiste em estudar “desde as origens”, a “sua trajetória histórica até a comprovação da autenticidade por meio de análises científicas”.

“Já fui convocado para avaliar muitas das mais principais relíquias da Igreja Católica, como o Santo Cálice e a Santa Síndone (chamada de Santo Sudário)”, contou o especialista que também é “convidado a intervir em escavações arqueológicas e traslados de corpos de santos ou servos de Deus”, sendo todos esses serviços “prestados gratuitamente à Igreja”.

Nessa sua jornada como arqueólogo sacro, Carlos Evaristo já teve seu trabalho abençoado inclusive por uma santa, Madre Teresa de Calcutá, a qual conheceu com sua mãe, no Canadá, nas Irmãs de Caridade.

Madre Teresa “aceitou ser Patrona/Fundadora de nosso Apostolado e trocamos inúmeras correspondências. Após sua morte, a Irmã Nirmala tornou-se nossa Patrona”, contou.

Irmã Nirmala foi a primeira sucessora de Madre Teresa de Calcutá como superiora das Missionárias da Caridade, das quais esteve à frente até o ano 2009, quando foi sucedida pela religiosa Mary Prema. Faleceu em junho de 2015, aos 81 anos de idade.

Além das Missionárias da Caridade, o trabalho com relíquias de Carlos Evaristo contou a bênção de uma das videntes de Fátima, Irmã Lúcia, da qual foi nomeado intérprete para a língua inglesa.

Deste trabalho, recordou, “nasceu uma grande amizade. Ela apoiou nosso Apostolado e aceitou o convite para ser a nossa Patrona. Doei à Irmã Lúcia diversas relíquias para devoção pessoal e, em troca, recebi algumas para a Lipsanotheca”.

27 de Dezembro de 2019

FONTE: https://cleofas.com.br/o-que-e-arqueologia-sacra-e-qual-a-sua-importancia-para-a-igreja/

Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.

Share

ARQUEOLOGIA SACRA PARA A IGREJA NÃO SE RESUME APENAS A FATORES HISTÓRICOS

Jornal de Barretos

Por Jornal | 04/01/2019

O que é Arqueologia Sacra e qual a sua importância para a Igreja? | Cléofas
Carlos Evaristo (centro) examina o verdadeiro Santo Graal na Catedral de Valência, Espanha.

Muitos conhecimentos e descobertas sobre a história da Igreja se devem ao trabalho de arqueólogos; mas, o que é realmente a arqueologia sacra e o que a diferencia da convencional?

Em entrevista concedida a ACI Digital, o arqueólogo Carlos Evaristo explicou esta questão e também sublinhou a grande importância da arqueologia sacra para a Igreja, que não se resume apenas a fatores históricos.

“Enquanto a arqueologia convencional busca, em vestígios materiais, a compreensão das culturas e dos modos de vida de diferentes sociedades humanas, do passado e do presente, a arqueologia sacra está voltada, especificamente, para o que a Igreja Católica considera sagrado”, especificou o especialista.

Carlos Evaristo é arqueólogo, historiador, autor e escritor, além de representante do Gabinete dos Patronos dos Museus do Vaticano para países Lusófonos. Também é Fundador / curador da Real Lipsanotheca, em Portugal, onde, segundo ele, é possível encontrar o maior acervo de relíquias fora do Vaticano. E, para dar suporte a esta missão, criou também o Apostolado para as Relíquias Sagradas e a Cruzada Internacional pelas Relíquias Sagradas (ICHR).

Segundo Evaristo, na arqueologia sacra, “a partir de vestígios sobrenaturais, o especialista descortina o transcendental”. Quais seriam esses vestígios? Conforme pontuou, trata-se dos “lugares santos que testemunharam acontecimentos extraordinários, as relíquias sagradas…”. Entretanto, o especialista assinalou que, “por ser uma ciência, há procedimentos adequados para a pesquisa, como manuseio correto de corpos santos e artefatos sagrados”.

Nesse sentido, resumiu, “entre os deveres de quem se dedica a essa área, está a busca da preservação dos inestimáveis tesouros da Cristandade”.

4 de Janeiro de 2019

FONTE: https://jornaldebarretos.com.br/artigos/arqueologia-sacra-para-igreja-nao-se-resume-apenas-fatores-historicos/

Share