Gregory Keller; o Padre que inventou a maquina de fazer “bengalas doces de Natal” foi também quem lançou a carreira artística de Elvis Presley

Gregory Harding Keller; Padre e inventor que popularizou a Bengala Doce de Natal lançou Elvis Presley

Poucos conhecem a história de Gregory Harding Keller, um Padre e inventor do Arkansas, que não só ajudou a criar a maquina que industrializou o fabrico das populares bengalas ou bastões doces de Natal, mas que também ajudou a lançar a carreira de Elvis Presley, tendo mais tarde expulsado o Rei do Rock n’ Roll da sua Paróquia por causa das freiras considerarem o seu comportamento indecente.

As Origens do popular Doce de Natal

A história da bengala ou bastão doce de Natal é um pouco obscura. Reza a lenda, que o doce começou a ser confecionado no ano de 1600 sob a forma de um simples palito de açúcar branco.

Há quem afirme que a bengala doce ganhou seu gancho para tornar mais fácil pendurar nas árvores de Natal outros dizem que foi quando um mestre de coral do Século XVII na Catedral de Colônia, na Alemanha, convenceu um fabricante de doces local a dobrar os palitos ou varas de açúcar na forma de um cajado de pastor, para assim divertir crianças inquietas durante a Missa de Natal.

The candy cane's humble origins: Do YOU know the sweet treat's story? -  Home & Food - Home & Family - News - Catholic Online

Mas para o Pesquisador de assuntos Religiosos da Fundação Oureana, Carlos Evaristo, “o formato de bengala ou bastão foi criado para relembrar o báculo episcopal de São Nicolau dado que os doces eram originalmente oferecidos às crianças alemãs anualmente a 6 de Dezembro, pela Festa desse Santo.”

“No Século XVI, os Europeus decoravam as árvores com velas, fruta, nozes, biscoitos, correntes de papel e velas para relembrar o antigo costume pagão do deus do Inverno “Ermansul” ou “Widikin” que era uma abeto.”

A industria da cana-de-doce transformou-se quando surgiu a ideia de adicionar hortelã-pimenta com açúcar para fazer as chamadas “balas de hortelã-pimenta” sendo que as icônicas listras vermelhas e brancas surgiram mais tarde.

Nos Estados Unidos, bastões doces brancos, confecionados à mão foram registrados como marca patente pela primeira vez em 1847. Em 1919, Bob McCormack iniciou a McCormack’s Famous Candy Co. em Albany, Geórgia, e começou também a fabricar e vender bastões doces. A empresa, mais tarde conhecida como Bob’s Candy Co. e depois Bob’s Candies, ficou conhecida como sendo ao maior fabricante de doces listrados do mundo. Bob’s Starlight Mints, Peppermint Candy Balls e Sweet Stripes ainda são produzidos hoje.

O Padre Gregory Harding Keller

De Inventor a Padre

O processo de modelagem de bengalas doces era trabalhoso porque era feito à mão, mas isto até que o cunhado de Robert McCormack, um inventor chamado Gregory Harding Keller, interveio para tornar o processo mais rápido e eficiente.

Foi em 1919, em Albany, Geórgia, que Robert McCormack começou a fazer bastões doce para as crianças locais consumirem pelo Natal. Sua empresa, originalmente chamada de Famous Candy Company e depois Mills-McCormack Candy Company e mais tarde Bob’s Candies, tornou-se na principal produtora mundial desses doces natalícios.

A fabricação das bengalas doces inicialmente exigia mão de obra significativa que limitava as quantidades de produção; as bengalas tinham que ser dobradas manualmente à medida que saíam da linha de montagem para criar sua forma curva e antes de arrefecerem. A quebra geralmente ultrapassava 20%, um desperdício significativo que tornava-o um rebuçado caro de produzir.

O cunhado de McCormack, Gregory Harding Keller, era na altura um Seminarista em Roma que passava os verões a trabalhar na fábrica de doces da família. Sendo inventor, desenhou e construiu uma máquina para torcer o doce em espirais de várias cores e cortar o mesmo em tiras do mesmo tamanho e peso.

Keller estudava para o Sacerdócio no Pontifício Colégio Norte-Americano em Roma e foi ordenado pelo Cardeal Basilio Pompilj na Basílica de São João de Latrão em Roma, a 17 de Março de 1919.

Em 1952, o Padre Keller regressou à fabrica da família e patenteou a maquina que inventou. Depois, em 1957, inventou uma outra maquina, para cortar directamente o doce em forma de cajado ou bastão. Sua invenção que se popularizou em todo o mundo ficou conhecida como a Keller Machine ou Máquina Keller.

Registo da Patente aprovada a 18 de Outubro de 1960

Bee McCormack, filha de Bob McCormack e sobrinha do Padre Keller, afirmou que: “Não existia tal coisa na indústria de doces. Era feito por lojinhas que faziam doces artesanais e os vendiam em potes. Não havia indústria de doces de Natal até à chegada da Keller Machine.”

O Padre Keller aposentou-se em 1960 mas nunca deixou de criar máquinas. Era o seu hobby preferido. Tinha patentes registadas para máquinas de decorar doces, empacotar amendoins salgados e fazer sanduíches de biscoito de manteiga de amendoim. Em 1970, o Padre Keller registou outra patente, esta para uma máquina de sortimento de palitos para ajudar a preencher uma caixa ou pote sortido de vários sabores ou cores de doces em palito.

The Keller Machine foi um sucesso tão grande que o Padre Keller em 1974 foi convidado a ser participante no popular programa de Televisão “What’s My Line?”

Quando faleceu a família descobriu que todo o dinheiro dos royalties que o Padre Keller devia de receber das suas invenções, ele doou para instituições de caridade.

Professor e Pároco

Como Sacerdote o Padre Keller ficou incardinado na Diocese de Little Rock que ficava ao lado da Diocese de Memphis e foi lá que se tornou Professor e passou a ensinar durante quatro anos no Seminário de Saint John e no Liceu do Sagrado Coração de Jesus.

O Padre Keller foi também Pároco Associado e mais tarde Pároco da Igreja de Saint Mary’s. Helena era um pequeno e próspero centro de comércio do Delta com um Liceu e Salão Paroquial na Igreja de Saint Mary, o melhor lugar na cidade para se realizar os bailes dos jovens de liceu.

O Clube Católico, como era conhecido na década de 1950, era o baile regular do Salão Paroquial da Igreja de Saint Mary’s. O mesmo espaço também servia de Ginásio para o Liceu do Sagrado Coração de Jesus, uma antiga Academia de ensino secundário dirigida pelas Irmãs de Caridade de Nazaré e que se manteve activo até 1962.

O Clube Católico estava aberto a todos os jovens, de todas as religiões, pois o salão também servia de Centro
Comunitário para a Cidade de Helena por ser o maior edifício do gênero à época. Organizações cívicas, escolas e outros grupos locais também frequentemente alugavam o clube à Paróquia para organizar os seus banquetes, reuniões, concertos e danças.

E foi ao Clube Católico de Helena, a cerca de 100 Quilômetros Sudoeste de Memphis, que um jovem chamado Elvis Aaron Presley veio em 1954 procurar um lugar para se apresentar ao público pela primeira vez como cantor…

Livro de Ano de Elvis Presley

O Padre que lançou a Carreira de Elvis mas que o expulsou da Paróquia

O Padre Keller não só ficou famoso por ter lançado o Rei do Rock n’ Roll mas também infame por ter expulso Elvis Presley do Salão Paroquial de Saint Mary, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, depois do jovem cantor após um show para o Catholic Club em 1955 ter autografado a coxa de uma jovem fã com um marcador.

Foi um amigo de Elvis Presley, de nome Sonny Payne, que o convidou para actuar no Salão Paroquial do Clube Católico de Helena para assim o jovem cantor se apresentar ao público em 1954. Payne era Paroquiano de Saint Mary’s e o responsável por apresentar os espectáculos do Clube Católico. Elvis Presley foi ter com o responsável por agendar os eventos do Clube e depois foi pedir autorização para actuar ao Pároco, o Padre Gregory Keller.

Elvis Presly em 1954

Durante um ensaio, o Padre Keller escutou Elvis Presley e contente com o que ouviu autorizou que Payne o contractasse para cantar a sua música de estilo Gospel no “Catholic Club”.

Elvis estreou-se no Salão em 1954 e depois disso ganhou tanta popularidade que voltou a actuar no mesmo local por mais três vezes até que o Pároco lhe dizer para nunca mais voltar!

No total Elvis Presley actuou quatro vezes no Clube Católico do Salão Paroquial de Helena entre 1954 e 1955 quando o seu estilo de música começou a tornar-se “Rock”, algo imoral para as Irmãs da Academia do Sagrado Coração de Jesus que proibiram os alunos de assistirem aos concertos do jovem de Memphis por acharem o seu girar de ancas algo sedutor e imoral.

Muito antes de suas aparições na televisão nacional em 1956, as primeiras actuações de Elvis Presley, não ficaram oficialmente documentadas mas de acordo com um artigo de 23 de Janeiro de 2005 no Arkansas Democrat-Gazette, bem como no site http://www.elvisconcerts.com e no livro “Elvis: Day by Day”, Presley actuou no Catholic Club entre 1954 e 1955; a 2 de Dezembro de 1954; 13 de Janeiro de 1955; 8 de Março de 1955; e 14 de Dezembro de 1955.

Elvis a actuar com Banda em 1954

Tanto o Padre Keller como o jovem apresentador Sonny Payne afirmaram que a primeira impressão que tiveram de Elvis Presley, não foi boa.

“Ele estava com uma camisa velha e rota. Tinha um charuto na boca e usava calças de ganga gastas.” Foi Payne que disse a Elvis para fazer um teste para o Agente de Talento Coronel Tom Parker, que achou que: “‘Ele não é assim tão mau.”

Elvis foi contractado a 15 Dólares por três horas de atuação, o que era muito dinheiro na época mas foram Payne e Parker que lhe emprestaram 7,50 Dólares de adiantamento para ele poder pagar a taxa de actuação ao Estado porque não tinha dinheiro. Elvis prometeu pagar de volta a Payne e ao Coronel após o concerto, o que ele fez.

Casal dança no Catholic Club

No entanto, a segunda vez que Elvis actuiu no Catholic Club, Payne e Parker voltaram a adietar o dinheiro para a taxa mas não receberam o dinheiro de volta. E foi a última vez que a dupla marcou um concerto em Helena para a futura super estrela

Payne disse que Presley perguntou se ele poderia pagá-los de volta mais tarde, mas que ele nunca o fez. “Antes de ele ir para o Exército, eu liguei e ele disse: ‘Oh pá, eu vou-te entregar o dinheiro quando regressar, mas depois de duas ou três tentativas eu disse: ‘Bem, esqueça mas é isso’.”

A Câmara de Comércio de Helena que soube da dívida entrou em contacto com a empresa que hoje gere o património de Elvis Presley e Graceland apresentou Payne com um cheque de 15 Dólares no banquete anual da Câmara em Fevereiro de 2005. Foi uma vergonha para o amigo de Elvis já com 80 anos receber o dinheiro mas Payne finalmente conseguiu o seu empréstimo de volta ao fim de 60 anos. Já se o Coronel Tom Parker recebeu ou não a sua parte do empréstimo é mistério, mas o facto é que tornou-se Manager de Elvis e manteve esse cargo até à sua morte.

Sobre o incidente que levou o Padre Gregory Keller a expulsar Elvis Presley do Clube Católico, algumas testemunhas contemporâneas ainda vivas afirmam que o problema não foi o cantor autografar a coxa da jovem estudante mas o facto que quando ela levantou a saia viu-se que não tinha calcinhas.

O Padre Keller terá diro a Presley: “Você é uma vergonha para a masculinidade e não volte mais”.

Billie Jo Moore, uma ex-estudante residente de Helena, recordou a sua experiência com Elvis Presley numa entrevista que deu em 2005. Moore lembrava-se de ter visto Presley actuar no Clube Católico umas duas vezes. A primeira vez foi com amigas e elas tiveram que se sentar nas arquibancadas porque todas as cadeiras do chão estavam cheias. “As jovens de todas as escolas do condado foram lá“; afirmou.

Jesuítas lançaram avisos sobre Elvis

Elvis Presley também chamou a atenção dos Jesuítas, que na edição da sua revista Americana de 23 de Junho de 1956; avisavam: “Cuidado com Elvis Presley”. O Editor da revista Jesuíta citava vários jornais de todo o país que achavam que Presley era “problemático”. Um jornal descrevia a sua actuação em Wisconsin como um “strip-tease de roupa vestida, não apenas sugestivo, mas absolutamente obsceno.”

Embora a maior parte do mundo nunca tenha ouvido falar de Elvis Presley até 1956, quando ele se apresentou pela primeira vez na televisão nacional, muitas cidades do sul, como Helena, já conheciam a sua música e o seu estilo.

Elvis com a sua Professora primária

De acordo com http://www.Elvisconcerts.com, Elvis realizou mais de 250 espectáculos entre Julho de 1954 e Dezembro de 1955, e principalmente no Tennessee, Texas, Mississippi, Louisiana e Arkansas. Mas Presley actuou também em lugares distantes como Novo México, Flórida, Ohio e Vermont.

Para além do Catholic Club em Helena, onde se estreou Presley tocou em muitos locais no Arkansas, incluindo Bono, Camden, El Dorado, Forrest City, Hope, Leachville, Little Rock, Pine Bluff, Newport e Texarkana. Em alguns casos, como no Catholic Club, Presley actuou duas vezes ou mais.

Armantine Keller

A história da passagem de Elvis Presley pela Paróquia Católica de Santa Maria em Helena e do seu lançamento no Salão de Nossa Senhora de Fátima pelo Padre Gregory Keller foi algo confirmado pela falecida Armantine Keller, viúva de um primo do Sacerdote, em entrevista gravada por Carlos Evaristo em 1998.

Mais tarde, a história foi também recordada por outra testemunha contemporânea, o antigo Pároco Coadjutor da Igreja de Santa Maria e Diretor do Liceu com salão dedicado a Nossa Senhora de Fátima onde Elvis Presley se estreou como cantor, a 2 de Dezembro de 1954.

De visita a Fátima, o Sacerdote jantou com um grupo de Peregrinos da Paróquia de Saint Mary’s no Restaurante Medieval no Castelo de Ourém, a 21 de Setembro de 2002, altura em que deu uma entrevista gravada a Carlos Evaristo e recebeu um exemplar do CD comemorativo do Elvisfest 2002 com a Canção “The Miracle of the Rosary” interpretada por Elvis Presley e Lee Denson.

Presley e Denson tocaram juntos no palco, pela primeira vez, no Baile de Finalistas do Catholic Club, a 2 de Dezembro de 1954, no Salão Paroquial que havia sido dedicado a Nossa Senhora de Fátima e tinha uma imagem na Igreja de Santa Maria ao lado.

Carlos Evaristo entrevistou o Pároco de Saint Mary’s a 21 de Setembro de 2002

Elvis Presley nunca mais se esqueceu dessa primeira oportunidade que o Pároco da Igreja ofereceu ao artista pois foi essa actuação que o lançou na sua carreira artística. Todos os anos até falecer, o Rei do Rock n’ Roll enviava uma donativo anónimo de 10, 000 Dólares à Diocese por ocasião da Festa de Nossa Senhora de Fátima.

Durante a entrevista ao Pároco da Igreja que lançou a carreira de Elvis Presley, o Padre confirmou, o que o Capelão do Cantor no Exército já havia revelado numa outra entrevista gravada em 1998, nomeadamente que o Rei do Rock n’ Roll nunca se esqueceu do facto do Padre Gregory Kelly e a Paróquia o terem lançado na sua carreira. Todos os anos até falecer enviava um donativo de 10,000 Dólares à Diocese em agradecimento. A princípio, era menos dinheiro e seguia como um donativo anónimo mas certo ano quando a quantia ultrapassou 10, 000 Dólares, o Bispo foi investigar e descobriu de que era Elvis Presley o generoso benfeitor anónimo da Diocese. A Diocese agradeceu a Elvis a sua generosidade numa carta oficial e a partir de então, Elvis passou a enviar o donativo em forma de cheque pessoal que chegava pelo Natal acompanhado de um cartão de Boas Festas assinado por ele e pelo seu Manager, o Coronel Tom Parker.

O Padre Gregory Keller aposentou-se em 1960, aos 65 anos de idade e viveu na Casa Paroquial até falecer a 1 de Setembro de 1979.

Com oito diplomas de doutoramentos, o “Dr. Keller” que queria ficar conhecido pelas suas invenções, ficou para a história como o Padre que lançou a carreira do Rei do Rock n’ Roll e que o expulsou da sua Paróquia.

8 de Janeiro de 2022

FONTES:

A Priest Put the Hook in Candy Canes

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