A Real Ordem de São Miguel da Ala no Jubileu dos 850 anos da sua fundação

A Peregrinação Aniversaria deste ano contou com a presença de cerca de 350 Confrades nos três dias de eventos.

No fim-de-semana de 24 a 26 de Setembro de 2021, S.A.R., o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, Grão-Mestre Nato das Ordens Dinásticas da Casa Real Portuguesa presidiu às celebrações da Real Ordem de São Miguel da Ala, a qual este ano celebra o Jubileu dos 850 anos da sua fundação e 20º aniversário da Real Irmandade da mesma soberana invocação.

Os eventos tiveram lugar em Fátima, Ourém, Braga e Santiago de Compostela onde a Missa Solene na Catedral foi celebrada por Sua Exª. Revmª, o Arcebispo de Santiago, D. Julián Barrio Barrio e concelebrada pelo Capelão Geral R.I.S.M.A., Sua Exª. Revmª D. Manuel António Mendes dos Santos e meia dúzia de Capelães da Ordem.

D. Duarte de Bragança com o Colar R.I.S.M.A

Fundada por D. Afonso Henriques após a tomada de Santarém aos Mouros, a Ordem Portuguesa mais antiga foi reconhecida oficialmente por Bula do Papa Alexandre III e foi criada com Cavaleiros da Ordem de S. Tiago de Espada Espanhola que auxiliaram o primeiro Rei de Portugal aquando da tomada de Santarém aos Mouros em 1147. Os referidos Cavaleiros, juntamente com a Ordem de Cister invocaram S. Miguel Arcanjo durante esse conflito, tendo visto nos céus de dia e de noite aquilo que afirmavam ser a asa flamejante do Príncipe das milícias celestes.

Aparição da Asa de São Miguel em 1147 pelo Mestre Henrique Mourato.

Um estudo levado a cabo em 1997 por Carlos Evaristo, pesquisador da Fundação Oureana, veio a confirmar que nesse mesmo ano foi visto nos céus, desde Março até Maio o cometa Halley, que já aquando da batalha de Hastings foi avistado e ligado à figura de São Miguel. A Ordem que passou a ter dois ramos de obediência era uma das várias Ordens menores do Reino sob a chefia do Abade de Cister de Alcobaça, e mais tarde de Santa Maria Osera, na Galiza. Desde então as insígnias da Ordem ostentam a espada de São Tiago com um sol de raios e uma asa vermelha ao centro, representando o cometa, e duas flores de lis na lâmina representando as duas obediências cistercienses.

A Ordem de São Miguel da Ala fundiu-se com o culto do Anjo-Custódio de São Miguel no tempo de El Rei D. João I, o qual obrigou os Padres Dominicanos no Mosteiro da Batalha a celebrarem diariamente o ofício do Anjo Custódio de Portugal, que já antes a Rainha Santa Isabel e seu pai, o Rei de Aragão, invocavam como Anjo da Paz durante a consagração dos seus Cavaleiros.

El-Rei D. Manuel I, para exaltar o culto do Anjo-custódio S. Miguel, conseguiu obter do Papa uma festa anual ao Anjo-Custódio, que só era superada em pompa pela festa do Santíssimo Sacramento. A Ordem teve um papel importante durante as batalhas, protegendo a pessoa do Rei durante os conflitos e assistindo, depois, com donativos as viúvas e órfãos dos Cavaleiros mortos em combate.

São Miguel da Ala e as Ordens das Casas Reais Portuguesa e Italiana no Século XVII. Pintura em Turim, Itália.

Depois da partida da Família Real para Brasil, no princípio do século XIX, a Ordem suspendeu as suas actividades. Foi depois reactivada, já como Ordem dinástica, por El-Rei D. Miguel I no exílio. A partir do Vaticano a Ordem conheceu nova actividade que incluía apoio secreto aos seus Cavaleiros em Portugal.

Foram Grão-Mestres Natos da Ordem todos os Reis de Portugal até D. Miguel I e depois dele todos os Chefes da Casa Real portuguesa até à actualidade.

Porém, na década de 1980 foi criada por alguns Cavaleiros, condecorados por S.A.R. Dom Duarte Pio de Bragança, uma associação civil denominada Real Ordem de São Miguel d´Ala. Mas ao fim de uma década de actividade decidiu o Chefe da Casa Real Portuguesa voltar a submeter as Ordens Dinásticas à Jurisdição Canónica da Santa Madre Igreja, criando assim a Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala, que é hoje o único complemento social activo para os Cavaleiros, Irmãos professos e honorários, desta Ordem.

É de lamentar que alguns antigos membros da associação civil, alguns dos quais até haviam pedido demissão ainda na década de oitenta, tenham na década de noventa depois reactivado, sem legitimidade, a extinta associação, registando abusivamente como marca patente os antigos símbolos da Ordem, que por terem mais de 800 anos nem podiam ser registados!

Seguidamente introduziram toda uma série de procedimentos jurídicos contra o Chefe da Casa Real Portuguesa e contra a Real Irmandade por uso abusivo dos símbolos. No entanto, após 15 anos de batalha jurídica, ficou comprovado em Sede de Justiça, por não pagarem as suas dívidas que desde a sua Erecção Canónica, somente as Dioceses da Igreja Católica, com as Reais Irmandades da mesma soberana invocação, beneficiaram inteiramente, de todas as receitas e donativos provenientes da actividade da Ordem e das referidas Reais Irmandades. Os mesmos perderam o recurso no Tribunal da Relação de Lisboa, relativo às marcas que indevidamente usavam e acabaram por ser anuladas e foram condenados em tribunal a pagarem uma indemnização de mais de 5.000 euros à Fundação Dom Manuel II.

Hoje as Reais Irmandades de oito Dioceses fazem parte de uma Federação Internacional que incluem a Arquidiocese de Santiago de Compostela, a Arquidiocese Militar das Forças Armadas os Estados Unidos da América e a Diocese de São Tomé e Príncipe, a qual recebe apoio anual para as diversas obras de caridade a seu cargo, particularmente o Orfanato Casa dos Pequeninos, a qual muito tem saído prejudicada com as constantes despesas legais incorridas pelos processos jurídicos.

D. Manuel dos Santos

É hoje Capelão Geral da Real Ordem e das Reais Irmandades o Senhor Dom Manuel António Mendes dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe. A Real Ordem conta com a participação de mais alguns Bispos, entre os quais se destaca o Senhor Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho. É Capelão-Mor de cerca de uma centena de Capelães, o Reverendo Padre Carlo Cecchin.

A 8 de Maio de 2021, Sua Santidade o Papa Francisco achou por bem conferir um ano Jubilar à Real Ordem de São Miguel da Ala e Suas Reais Irmandades através de dois Decretos Pontifícios, nos quais é reconhecida a continuidade da Ordem desde a sua Fundação até aos nossos dias como Ordem Dinástica, Militar e Monástica.

É reconhecida também de forma inquestionável por parte de Sua Santidade a Chefia da Casa Real Portuguesa e a Grã-Mestria das três Ordens Dinásticas Portuguesas, a saber, a Real Ordem de São Miguel da Ala, a Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e a Real Ordem da Rainha Santa Isabel.

Estas três Ordens estão hoje Canonicamente Erectas como Associações de Fiéis, fazendo universalmente parte da Igreja Católica. É um estatuto especial, de que só a antiga Ordem Teutónica hoje goza.

A abertura do Ano Jubilar teve lugar no Mosteiro de Alcobaça no passado dia 8 de Maio de 2021 e estendeu-se à Arquidiocese Militar de Washington, EUA, passando por Kiev, na Ucrânia, onde também existe uma Real Irmandade de São Miguel da Ala Monástica e Militar. A Festa de São Miguel este Ano celebrou-se, em Setembro, com uma Peregrinação Internacional a Fátima, Braga e a Santiago de Compostela.

D. Duarte de Bragança em Oração.

O evento, que, juntou duas centenas de Damas e Cavaleiros, foi presidido por S.A.R., o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, e este ano teve por tema os 75 anos da Coroação de Nossa Senhora de Fátima como Rainha do Mundo pelo Papa Pio XII, Padrinho de Baptismo de Sua Alteza Real, e o Jacobeu de 2021 de Santiago de Compostela.

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Participaram nas celebrações desta Peregrinação vários Cardeais, Bispos e Patronos Reais, entre os quais o Príncipe Alberto Thurn und Taxis, o Arquiduque Joseph Karl da Hungria, vários Príncipes Alemães, Brasileiros, Franceses e Italianos e o Rei do Ruanda.

O Ano Jubilar estende-se por vontade da Santa Sé até 29 de Setembro de 2022 com actividades agendadas na Croácia, Rússia, Brasil, Hungria, Alemanha, França, Itália, Espanha, Ucrânia e EUA.

Em Coimbra, Braga e Santiago de Compostela haverá um Capítulo Geral de 6 a 8 de Maio de 2022 e a Peregrinação de encerramento do Ano Jubilar será de 23 a 25 de Setembro de 2022.

Armas da Federação R.I.S.M.A. ao Centro ladeadas das insígnias da R.O.S.M.A. e de algumas Reais Irmandades.

FONTE: (Revista) Correio Real, Nº 24, Novembro 2021, Páginas 32 e 33

FOTOS: Direitos de Autor Michael Hesemann

29 de Setembro de 2021

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